Ríanna (Vicente Velasco)

Por Vicente Velasco (Tatyandacil)

Namárië, Ríanna vanima, Heriméla!
      Antanelyë men melmë ar alassë,
      ar renuvammet oialë.
Namárië, Ríanna vanima, Ardalótë!
      Coacalinalya firnë ve lícuma súrinen,
      nó melmemma len úva firë indommassen.
Namárië, Ríanna vanima, Indotári!
      Sí wila Númenna rámainen laurië,
      ar nai fëalya seruva oialmaressë.

Tradução para o inglês e comentário por Helge K. Fauskanger.

Tradução para o português por Gabriel Oliva Brum. 

Adeus, bela Princesa, amada dama!
       Você nos deu amor e alegria,
       e lembraremos deles para sempre.
Adeus, bela Princesa, Flor do Reino!
       A luz de seu lar se apagou como uma vela no vento,
       mas nosso amor por você não morrerá em nossos corações.
Adeus, bela Princesa, Rainha dos Corações!
       Voe agora para o Oeste em asas douradas,
       e que sua alma descanse em glória eterna.

Ríanna eu traduzi "princesa"; este é o cognato em Quenya (construído por Vicente a partir da palavra primitiva rîg-anna, LR: 383) da palavra Sindarin rían "rainha", mas também alude ao próprio nome Diana. De fato, o r em Quenya é algumas vezes produzido a partir do d do Élfico Primitivo (embora não inicialmente como aqui); de outra forma, a palavra normal em Quenya para "princesa" é aranel. Herméla "amada dama" (heri "dama, senhora" + méla "amada, afetuosa", VT39: 10). Em Quenya, um elemento adjetivo geralmente aparece como a primeira parte de uma palavra composta, mas a ordem contrária, como aqui, de modo algum é impossível (no Silmarillion, o próprio Tolkien usa Herumor para *"Senhor Escuro"). Renuvammet "lembraremos deles para sempre" (isto é, o melmë ar alassë, amor e alegria). O verbo ren– "lembrar" não é diretamente atestado como uma palavra em Quenya, mas a base REN "relembrar, ter em mente" é genuinamente de Tolkien (PM: 372). A desinência –mmë indica "nós" exclusivo; a pessoa a qual se dirige não está, literalmente, mais entre nós. Ardalótë "Flor do Reino" (ou na verdade "Flor de Arda", embora a "England’s Rose" de E.J. tenha sido a inspiração. Cf. lótë "grande flor única", VT42: 18). Coacalinalya firnë ve lícuma súrinen "sua coacalina se apagou (ou morreu) como uma vela no vento" (literalmente ao vento, por causa do vento: caso instrumental). Coacalina "luz de seu lar" é uma metáfora Élfica para a alma dentro do corpo (MR: 250). Este verso representa, como Vicente observa, "uma concordância com E.J." (suas velas queimaram muito antes de sua lenda perdurar). , conjunção "mas" (VT41: 18); melmemma "nosso amor": a desinência possessiva –mma "nosso" corresponde a –mmë "nos". len "por você" (dativo de le "você"). úva firë "não desvanecerá (ou morrerá)": úva "não irá", tempo futuro do verbo de negação u– (LR: 72; primeira pessoa do aoristo uin "eu não sou", LR: 396). firë é uma forma infinitiva (ou radical aoristo) de fir– "desvanecer, morrer" (cf. quetë a partir de quet– "falar" em polin quetë "eu posso falar", VT41: 6). Assim, úva firë = "não morrerá". Indotári: "Rainha-coração", Rainha dos Corações. wila: "voe", imperativo seguindo o padrão de palavras como ela "contemple!" (WJ: 362). rámainen "em asas", ou literalmente "pela asas, usando asas": plural instrumental em –inen. (Concebivelmente o instrumental dual poderia ter sido usado aqui, rámanten, referindo-se a um par de asas – mas em tal linguagem altamente simbólica, parece haver pouca razão para insistir nisto, mesmo se pensarmos na falecida como um anjo.) nai fëalya seruva: "que sua alma descanse" (nai + uma forma no tempo futuro como seruva é a "fórmula de desejo" normal do Quenya; fëalya é fëa-lya "alma-sua"). oialmaressë "em glória eterna": oi– "sempre (para sempre = eterno)" + almarë "glória" + –ssë desinência locativa "em".

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