Nandorin

Também chamado: danian, a língua silvestre, élfico silvestre

Durante a longa marcha desde Cuiviénen até o mar, alguns elfos telerin se recusaram a cruzar as assustadoras Montanhas Nevoentas. Eles abandonaram a Marcha para o mar, onde Ulmo levaria os elfos até Valinor (Silm cap. 3). Em quenya, estes elfos foram chamados de nandor ou "aqueles que retornam", embora pareça que nenhum deles tenha retornado para o leste; eles apenas deixaram para trás as Hithaeglir (WJ: 384). Liderados por um elfo chamado Denethor, alguns dos nandor eventualmente entraram em Beleriand, embora tenham perdido o barco para Valinor por vários milênios. Eles se estabeleceram em Ossiriand, região que eles chamaram de Lindon, e pelos sindar eles vieram a ser chamados de elfos-verdes (sindarin laegil, laegelrim). A respeito da relação entre a língua élfica-verde e a língua élfica-cinzenta, afirma-se que "embora os dialetos dos elfos silvestres, quando voltaram a se encontrar com seus parentes de quem havia muito estavam afastados, divergissem tanto do sindarin ao ponto de serem quase ininteligíveis, pouco estudo foi necessário para revelar seu parentesco como idiomas Eldarin" (CI: 289). WJ: 385 confirma que os sindar reconheceram os elfos-verdes "como parentes de origem lindarin (…), usando uma língua que, apesar de grandes diferenças, ainda era vista como estando relacionada a sua própria".

Contudo, tudo que se sabe da língua nandorin consiste de cerca de trinta palavras, cuja maioria é encontrada no Etimologias. Nas próprias palavras de Tolkien, "Embora a comparação dos dialetos silvestres com sua própria fala despertasse muito interesse nos mestres de tradições, especialmente naqueles de origem noldorin, pouco se sabe agora do élfico silvestre. Os elfos silvestres não haviam inventado formas de escrita, e aqueles que aprenderam essa arte com os sindar escreviam em sindarin na medida do possível" (CI: 289).

Alguns dos sindar que chegaram ao reino de Thranduil escapando da destruição de Doriath adotaram a língua nandorin e assumiram nomes de forma e estilo silvestres, assim como os noldor haviam adaptado seus nomes em quenya para o sindarin séculos antes. Estes sindar "desejavam na verdade tornar-se gente silvestre e voltar, conforme diziam, à vida simples, natural aos elfos antes que o convite dos Valar a tivesse perturbado" (CI: 292). Apesar disso, o sindarin de alguma forma introduziu- se mesmo nas comunidades silvestres: "No fim da Terceira Era, os idiomas silvestres provavelmente já não eram mais falados nas duas regiões que tinham importância ao tempo da Guerra do Anel: Lórien e o reino de Thranduil na Floresta das Trevas setentrional. Tudo o que deles sobrevivia nos registros eram algumas palavras e diversos nomes de pessoas e lugares" (CI: 289). Nimrodel falava apenas a língua silvestre, mesmo após ela ter caído em desuso em Lórien; ver CI: 273. CI: 478-479 sugere que o próprio nome Lórien pode ter sido alterado a partir do nandorin Lórinand, "Vale de Ouro (luz dourada)", ou ainda do nome mais antigo, Lindórinand "Vale da Terra dos Cantores (= lindar, teleri)". De acordo com uma nota de rodapé no Apêndice F, não apenas Lórien mas também os nomes Caras Galadhon, Amroth e Nimrodel "provavelmente são de origem silvestre, adaptados ao sindarin".

Não há muito que podemos dizer sobre a estrutura do nandorin. Pouca gramática pode ser extraída das poucas palavras que temos. Um plural metafônico no estilo do sindarin pode ser visto em urc "orc" pl. yrc (sindarin orch, yrch). Esta metafonia deve ter se desenvolvido independentemente da metafonia sindarin do outro lado das Montanhas Nevoentas (não há sinais de metafonia em quenya e no telerin de Aman, idiomas que evoluíram a partir do Eldarin comum após a separação dos nandor dos outros Eldar, da mesma forma que o sindarin). Em Lindi, o nome que os nandor tinham para si mesmos, uma descendente da antiga desinência de plural –î do quendian primitivo ainda está presente. A desinência –on de Caras Galadhon indica plural genitivo, cognata e idêntica à desinência correspondente em quenya? Isto daria ao nome o plausível significado *"fortaleza de árvores". Galadh "árvore" poderia ser sindarin, mas este idioma não possui desinências genitivas.

LISTA DE PALAVRAS NANDORIN com notas etimológicas

Os nomes Nimrodel "Senhora da Gruta Branca" e Amroth "Escalador do alto" provavelmente são de origem nandorin, mas em uma nota de rodapé no Apêndice F, diz-se que eles foram "adaptados ao sindarin" e podem ter sido alterados de algum modo a partir de suas formas originais; portanto, eles não estão incluídos aqui. (Ver CI: 480, 288 a respeito do significado deles.) O nome Caras Galadhon também é dito ser adaptado, de modo que está excluído desta lista, mas caras, que é dada  independentemente em CI: 288, está incluída. – Nas notas etimológicas, as formas primitivas "reconstruídas" pelo próprio Tolkien são estão marcadas com asteriscos.

          alm "olmo", provavelmente de *almâ, formada a partir do radical ÁLAM "olmo" (LR: 348 – note que a palavra em quenya alalmë e a em sindarin, lalf, claramente descendem de formas diferentes, se relacionadas). Baseados em outras formas  nandorin, poderíamos esperado, ao invés disso, *ealm ou *elm.
          beorn "homem", afirmada como descendendo de besnô "marido" (radical BER "casar", LR: 352), porém "unido com ber(n)ô", isto é. "homem valente, guerreiro", é derivada do radical BER "valente" (LR: 352). A mudança de e para eo é estranha e não possui paralelos diretos, mas compara eo a partir de i em meord "chuva fina" (< primitiva mizdê). Geralmente –ô final de torna –â em nandorin (ver golda), mas aqui ele simplesmente é perdido ao invés de produzir *beorna. Cf. meord, a outra palavra na qual poderíamos esperar ver um –a final (neste caso, a partir de –ê); é possível que as vogais finais sejam perdidas em palavras que de outra teriam mais de duas sílabas. – A mudança do s primitivo para r em besnô > beorn pode estar relacionada primeiramente à combinação com ber(n)ô, mas r a partir de z é visto em meord < mizdê; talvez o s de besnô tenha se tornado primeiro z e depois r. Tais desenvolvimentos são comuns em quenya.
          caras "fortaleza com fosso" (CI: 288), provavelmente para ser comparada com a palavra sindarin ("noldorin") caras "uma cidade (construída acima do solo)", derivada do radical KAR "criar, fazer" (LR: 362); o significado básico pode simplesmente ser "algo criado, construção" (compare com a palavra em quenya car "edificação, casa"). Extensões envolvendo uma vogal raiz sufixada e um –s final são atestadas; cf. por exemplo SPAL e sua forma extendida SPALAS (LR: 387). Assim, KAR poderia facilmente possuir uma forma mais longa *KARAS. Porém, a palavra sindarin caras evidentemente inclui a desinência derivativa élfica-cinzenta –as (-as é basicamente usada para produzir substantivos verbais, como a desinência –ção em português, mas estes podem freqüentemente assumir um significado mais concreto; car-as provavelmente pode ser comparada à palavra portuguesa constru-ção); a desinência nandorin pode estar relacionada com a sindarin. Outra possibilidade seria ainda equiparar esta desinência –as com a desinência coletiva vista em danas, q.v., e assumir que car significa algo como "casa" (como em quenya); assim, caras = "grupo de casas, aldeia", posteriormente assumindo o significado de "fortaleza com fosso", caso os nandor costumassem a cercar suas aldeias com fossos.
          cogn "arco", forma primitiva dada como ku3nâ, derivada de KU3 "arco" (LR: 365); é provável que ku3nâ fosse originalmente um adjetivo do tipo "em forma de arco", uma vez que – é predominantemente uma desinência adjetiva.
          cwenda "elfo" (uma palavra duvidosa de acordo com a concepção tardia de Tolkien; no ramo de Eldarin ao qual o nandorin pertence, o KW primitivo há muito se tornou P na história lingüística élfica [WJ: 375 cf. 407 nota 5]. Este não era um problema na concepção anterior de Tolkien, na qual os danianos vieram da hoste dos noldor, e não da dos teleri [ver PM: 76]. Em "nandorin maduro", a palavra cwenda provavelmente é ignorada; simplesmente combiná-la com *penda produziria um choque com a palavra primitiva pendâ "inclinado" [cf. WJ: 375].) No Etimologias, Tolkien produziu cwenda a partir de kwenedê "elfo" (radical KWEN(ED), de significado similar, LR: 366; quanto à mudança do –ê final original para a nandorin –â, compare com hrassa "precipício" a partir de khrassê). Mas posteriormente, a palavra primitiva que tornou-se em quenya quendë foi reconstruída como kwende (WJ: 360). Nenhum exemplo específico mostra como o original –e curto final surgiu no nandorin, de modo que não podemos dizer se kwende também é capaz de produzir cwenda, ignorando a questão do kw falhar em se tornar p.
          danas "elfos-verdes, nandor". No Etim produzida a partir do radical DAN (LR: 353), definido simplesmente como um "elemento encontrado nos nomes dos elfos-verdes", e comparado experimentalmente a NDAN "atrás" (uma vez que os nandor "voltaram atrás" e não completaram a marcha para o Mar). A visão madura de Tolkien sobre a etimologia do nome dos elfos-verdes, como apresentada em WJ: 412, é de que o radical dan– e sua forma reforçada ndan– de fato possuem um significado similar: estas formas têm a ver com "a inversão de uma ação, de forma que desfaça ou anule seus efeitos", e uma forma primitiva, ndandô, "aquele que volta atrás em sua palavra ou decisão", é sugerida. Entretanto, parece improvável que os nandor chamassem a si mesmos por tal nome e, de fato, Tolkien em WJ: 385 afirma que "este povo ainda chamava a si mesmo pelo antigo nome do clã, lindai [= quenya lindar], que naquele tempo havia assumido a forma lindi em sua língua". É possível que, então, Tolkien tenha rejeitado a idéia de que os nandor chamavam a si mesmos de danas. – Quanto à desinência  –as, ela provavelmente pode ser comparada com a desinência sindarin de plural de classe –ath; de fato, uma forma sindarin ("noldorin") danath, evidentemente correspondendo a danas, é dada em LR: 353.
          dóri– "terra", isolada de Lindórinan. A forma independente da palavra pode diferir; não está claro de onde vem o i da palavra composta Lindórinan. No Etimologias, as palavras Eldarin para "terra" são produzidas a partir do radical NDOR "morar, ficar, descansar, habitar" (LR: 376). Nenhuma palavra nandorin é lá listada, mas a palavra sindarin dor é derivada da  primitiva ndorê. Note, contudo, que Tolkien produziu, muitos anos depois, as palavras Eldarin para "terra" a partir do radical DORO "seco, rígido, inflexível" (WJ: 413). Porém, esta fonte tardia confirma que a forma quendian primitiva era ndorê, que agora se acredita ser formada pelo enriquecimento inicial d > nd. Esta é definida como "a terra dura, seca, em oposição à água ou lamaçal", posteriormente desenvolvendo o significado de "terra em geral em oposição ao mar", e finalmente também "uma terra" como uma região específica, "com fronteiras mais ou menos definidas". Não se sabe se dóri– realmente vem de ndorê (pois isto produziria, ao invés disso, *dora em nandorin), mas ela deve ter derivado-se do mesmo grupo de radicais.
          dunna "preto, negro"; esta parece derivar de *dunnâ, isto é, o radical DUN "escuro (de cor)" (LR: 355) tanto com a desinência adjetiva – como com fortificação média n > nn e a desinência adjetiva mais simples –â. Contudo, outras palavras  nandorin parecem ter perdido seus –â‘s finais; ex: ealc "cisne" a partir de alk-wâ, e (para citar um exemplo completamente  paralelo) cogn "arco" a partir de ku3nâ. A forma descendente não é *cogna, com a vogal final intacta, como parece ser o caso em dunna. Porém, o –ô primitivo surge como –a em nandorin, cf. golda "noldo" de ñgolodô, de modo que a forma *dunnô pode ser capaz de produzir dunna, mas esta forma primitiva seria preferencialmente um substantivo *"coisa ou pessoa escura", visto que –ô e – primitivos são nominais ao invés de desinências adjetivas. Claro, o nandorin pode ter transformado um substantivo original em um adjetivo, ou ter novamente desenvolvido uma desinência adjetiva –a. Mas levando tudo em consideração, *dunnâ ainda parece ser a melhor reconstrução da forma primitiva. As palavras dunna e scella (veja abaixo) levantam a questão sobre o –â original final ser realmente preservado como –a após consoantes duplas (em oposição a encontros de consoantes diferentes) em nandorin.
          ealc "cisne", forma primitiva dada como alk-wâ, produzida a partir do radical ÁLAK "apressado" (LR: 348); alk-wâ parece ser uma formação adjetiva (desinência –), de modo que a palavra primitiva provavelmente possuía o mesmo significado do radical: "apressado", posteriormente usado como um substantivo e aplicado a um animal. De acordo com a concepção tardia de Tolkien, kw provavelmente deveria surgir como p ao invés de c em nandorin; ver cwenda. O a primitivo se tornando ea é uma mudança estranha sem paralelos diretos mesmo onde se poderia esperá-la, mas compare com eo a partir de i em meord (e a partir de e em beorn), assim como ie a partir de a em sciella. Talvez devêssemos entender que o l e o r líquidos causam tais mudanças em uma vogal precedente, mas então poderíamos esperar, por exemplo, *ealm ao invés de alm como a palavra para "olmo".
          edel "Elda, alto-elfo". Afirmada no Etimologias ser produzida a partir do radical ÉLED (LR: 356), definido como "Povo das Estrelas"; Tolkien salienta que o doriathrin e danian usavam uma forma "transposta", se referindo claramente à mudança de lugar dos sons  L e D. No Etim, o desenvolvimento aparentemente pretende ser eledâ (esta forma primitiva é dada explicitamente em Letters: 281) > edela > edel. Posteriormente Tolkien reconstruiu a forma primitiva da palavra em quenya Elda como eldâ (WJ: 360); é questionável se isto normalmente poderia produzir a palavra nandorin edel, a menos que o –ld final, por metátese, se torne –dl e a vogal se desenvolva para separar este encontro final. – No Etim, Tolkien primeiro deu a forma nandorin como elda, e então modificou-a. *Eledâ não poderia produzir elda, uma vez que o –â final geralmente é perdido em nandorin.
          garma "lobo" -3ARAM (LR: 360, abandonado)] Uma vez que os cognatos em quenya e "noldorin" = sindarin foram dados como harma e araf (rejeitados junto com garma), a forma primitiva seria *3aramâ. A palavra golda "noldo" confirma o nandorin aplicaria a síncope na segunda de duas vogais idênticas em sílabas adjacentes; contudo, outros exemplos indicam que o –â final simplesmente desapareceria ao invés de produzir –a. Ver por exemplo ealc.
          golda "noldo". A forma primitiva da palavra em quenya noldo (e assim também a nandorin golda) é dada em WJ: 364, 380 como ñgolodô. Este exemplo isolado demonstra que o nandorin, como o quenya (mas diferente do sindarin), sincopou a segunda de duas vogais idênticas em sílabas adjacentes. Esta palavra isolada fornece um exemplo claro da mudança do primitivo –ô final para –a. A forma golda também sugere que tanto em nandorin como em sindarin, as oclusivas iniciais originais nasalizadas ñg, nd e mb foram simplificadas para g, *d e *b, embora faltem exemplos de *d e *b no nosso pequeno corpus. Os radicais envolvidos são encontrados em LR: 377: ÑGOL "sábio" e a forma extendida ÑGOLOD "alguém do povo sábio". Ñgolodô é formada assim tanto a partir de ÑGOL por ómataina (vogal básica sufixada), como por D sufixado e pela desinência nominal (freqüentemente masculina ou agental) –ô, ou simplesmente de forma alternativa a desinência mais longa – (de significado similar) sufixada à forma ómataina do radical ÑGOL (isto é, ñgolo-).
          hrassa "precipício". Forma primitiva dada como khrassê, produzida a partir do radical KHARÁS (LR: 363), que não é definido, mas comparado ao radical KARAK "presa afiada, estaca, dente" (LR: 362). A forma khrassê apresenta a perda de uma vogal raiz não enfatizada, freqüentemente vista em palavras primitivas (cf. por exemplo d’râk– "lobo" a partir de DARÁK-); a desinência –ê é encontrada em algumas palavras denotando seres inanimados (embora também seja uma desinência feminina). Para a duplicação do s final, compare com lassê "folha" a partir de LAS1 (LR: 367). Este hr– é nosso único exemplo de como o khr– primitivo surge no nandorin; hr com certeza pretende indicar um r surdo, como na grafia tardia de Tolkien das palavras em quenya (ex: hroa "corpo"). Para o –ê primitivo se tornando o –a nandorin, compare com cwenda (q.v.) de kwenedê.
          lindi, como os nandor chamavam a si próprios, um cognato da palavra quenya lindar (teleri) (WJ: 385). O sing. é provavelmente *lind, talvez atestado no nome Lindórinan. Afirma-se que esta forma descenda do nome de clã mais antigo lindai (WJ: 385) ou, no estágio mais antigo, lindâi (WJ: 378). Lindâ originalmente era o nome de um membro do terceiro clã dos elfos, também chamado entre os Eldar de teleri; os nandor vieram de um ramo dos povos Eldarin. Em WJ: 382, é afirmado que lindâ é derivado do radical LIN, a referência primária deste sendo a de um "som melodioso ou agradável"; lindâ, produzido por fortificação média e pela desinência adjetiva –â, parece ser em origem um adjetivo, mas posteriormente aplicado ao terceiro clã dos elfos e eventualmente usado como um substantivo. A referência era do amor destes pelas canções (note que Tolkien traduziu o nome Lindórinan como "Vale da Terra dos Cantores"; CI: 478). A palavra nandorin lindi sozinha em nosso pequeno corpus élfico-verde mostra uma descendente direta da desinência do quendian primitivo –î, enquanto que o único outro plural nandorin atestado é formado por metafonia: urc "orc" pl. yrc. Talvez a desinência –i persistisse no caso de palavras que possuíssem a vogal raiz i, uma vez que esta vogal não poderia ser modificada pela metafonia (já sendo idêntica à vogal que causa a metafonia, de modo que nenhuma assimilação seria possível); portanto, singular e plural se tornariam idênticos se a desinência –i tivesse sido omitida como em yrc. (Pode não ser necessário invocar a explicação simples de "mundo real", na qual as idéias de Tolkien sobre o nandorin mudaram durante os trinta anos que separam a fonte que possui yrc da fonte que fornece a palavra lindi.)
          Lindon região em Beleriand oriental onde os elfos-verdes se assentaram, anteriormente chamada Ossiriand (WJ: 385). A idéia de que Lindon é uma palavra nandorin não é encontrada no Etimologias; aqui se diz que a palavra é, ao invés disso, ilkorin, derivada de Lindân-d (LR: 369 s.v. LIN2) e definida como "terra musical" ("por causa da água e dos pássaros"). Contudo, o nome Lindon na concepção madura de Tolkien representa o primitivo Lindânâ (WJ: 385), que é claramente lindâ "linda, elfo do terceiro clã" + bem atestada desinência adjetiva –. Lindânâ significa, portanto, simplesmente "(Terra) dos Lindar", "(Terra) Lindarin". Interessantemente, esta palavra nandorin de uma fonte muito mais tardia que o Etimologias confirma a perda do –â final original visto em muitas palavras listadas no Etim. Lindon a partir de Lindânâ também é nosso único exemplo de como o â mediano surge no nandorin; ele parece se tornar o. (Cf. o doriathrin, idioma no qual o â mediano primitivo se torna ó.)
          Lindórinand "Vale da Terra dos Cantores (= lindar, teleri)", "Lórien" (CI: 478). Os elementos devem ser lind– "cantor, linda" (cf. pl. lindi acima), dóri– "terra" (a forma independente pode diferir; ver dóri-) e nand "vale" (q.v.).
          Lórinand "Vale de Ouro (luz dourada)", "Lórien". Alterado a partir de Lindórinand, q.v. (CI: 478). Esta palavra parece apontar para lóri– (a forma independente pode diferir de algum modo) como a palavra nandorin para "ouro, luz dourada", claramente um derivado do radical LÁWAR (LR: 368), que abrange precisamente este significado; uma forma primitiva, laurê, é dada no Etimologias. Esta palavra testemunha sozinha a mudança nandorin au > ó. (Contudo, esperaria-se que a vogal final de laurê surgisse como –a em nandorin; cf. hrassa de khrassê; é possível que lóri– represente, ao invés disso, um adjetivo de cor *lauri; sendo assim, o –i final pode ser preservado antes de desinências e apenas em palavras compostas, a forma independente sendo *lór.)
          lygn "pálido". Forma primitiva dada como lugni "azul", isto é, o radical LUG1 (LR: 370, não definido) com uma desinência –ni, não atestada de outra forma, embora –i seja uma desinência encontrara em muitos adjetivos primitivos de cores. A desinência –i causa a metafonia u > y; compare com yrc, como o plural de urc "orc". É um tanto surpreendente que um original –i curto final seja capaz de causar tal metafonia no estágio de Eldarin comum, uma vez que a palavra quendian primitiva lugni deveria ter se tornado *lugne neste estágio, e o e final dificilmente causaria metafonia. Quem sabe devamos entender que a mudança de i final para e em Eldarin comum aconteceu relativamente tarde, após os Eldar terem cruzado as Hithaeglir e separado-se dos nandor?
          meord "chuva fina". Forma primitiva dada como mizdê, produzida a partir do radical MIZD (LR: 373) que não é definido, mas Christopher Tolkien sem dúvida está certo ao observar que os radicais MISK (produzindo palavras para "molhado") e MITH (produzindo palavras para "névoa úmida" e "cinza") provavelmente estão relacionados com MIZD. A desinência –ê vista em mizdê parece indicar neste caso uma substância. Ao passo que o –ê final algumas vezes se torna –a em élfico-verde, el aqui foi perdido; ver beorn para algumas idéias sobre isto. Esta palavra sozinha mostra eo a partir de i, mas cf. eo a partir de e em beorn.
          nand "vale", isolada de Lindórinand, Lórinand (q.v. para referência). Embora esta palavra não seja dada no Etimologias, ela é claramente produzida a partir do radical NAD (LR: 374), sendo assim um cognato próximo da palavra doriathrin similar nand "campo, vale". O cognato quenya nanda (significando "prado/planície aguada") indica uma forma primitiva *nandâ; como na maioria dos casos, o –â final é perdido em nandorin.
          scella, sciella "sombra, proteção" (provavelmente substantivo). Forma primitive dada como skalnâ, produzida a partir do radical SKAL1 "proteger, ocultar (da luz)" (LR: 386). Visto que – é desinência adjetiva, freqüentemente assumindo o significado de um tipo de particípio passado, skalnâ deve significar "protegido, oculto (da luz)"; isto se tornou o substantivo "sombra, proteção" em nandorin. A palavra scella, sciella sozinha nos diz que ln é assimilado a ll em nandorin e, como em dunna e spenna, um –â primitivo final, geralmente perdido, parece persistir como –a após uma consoante dupla. A mudança de a para e em skalnâ > scella possui um paralelo na mudança similar de *spannâ > spenna, q.v. Entretanto, tal mudança não ocorre no que parecem ser ambientes similares (antes de uma consoante dupla?); cf. hrassa, e não *hressa, a partir de khrassê. Parece que o e pode, além disso, tornar-se ie, com scella possuindo a forma alternativa sciella.
          snæ^s "ponta de lança, ponta, triângulo". Forma original não inteiramente clara; o radical é SNAS/SNAT (LR: 387), não definido, mas evidentemente deve ser compreendido como uma forma fortalecida de NAS "ponta, extremidade afiada" (LR: 374). Uma forma plural primitiva natsai é mencionada sob SNAS/SNAT; snæ^s pode derivar de algo como *snatsâ via *snats, *snas. A mudança do a original para o æ^ longo (presumidamente a mesma vogal da palavra inglesa cat, porém mais longa) é encontrada apenas nesta palavra, mas existem vários exemplos de e a partir de a, ver spenna e scella. Talvez a tenha se tornado æ^ em monossílabos tônicos onde não havia um encontro consonantal em seguida (como em nand).
          spenna "nuvem". Produzida a partir do radical SPAN "branco" (LR: 387), mas dificilmente um cognato direto da palavra em quenya fanya e da palavra telerin spania (ambas provavelmente a partir de *spanjâ), nem um cognato direto da palavra sindarin faun, afirmada como sendo derivada de spâna. Ao invés disso, spenna deve derivar de *spannâ, isto é, o radical SPAN com a desinência adjetiva – (ou possivelmente a desinência adjetiva mais simples –â, combinada com um fortalecimento mediano n > nn). Quanto à mudança de a para e, cf. scella a partir de skalnâ.
          swarn "perverso, obstrutivo, difícil de se lidar". Produzida a partir do radical SKWAR "tortuoso" (LR: 386); a forma primitiva sem dúvida era *skwarnâ, com a desinência adjetiva –. Neste caso, a vogal final dessa desinência se perdeu, enquanto que ela parece persistir em dunnâ < *dunnâ, scella < skalnâ e spenna < *spannâ; a vogal só pode ser preservada após consoantes duplas?
          urc (pl. yrc) "orc". No Etimologias, a forma primitiva desta palavra é dada como órku (definida como "goblin"), produzida a partir do radical indefinido ÓROK (LR: 379). Esta radical pode ser compreendido como uma variante com vogal prefixada do radical ROK "cavalo", supondo que este originalmente se referia corcel do monstruoso "cavaleiro negro sobre seu cavalo" que assombrava os elfos em Cuiviénen, supondo que o radical ROK fosse originalmente associado com as criaturas de Melkor. Contudo, Tolkien posteriormente produziu as palavras élficas para "orc" a partir do radical RUKU, relacionado com medo (WJ: 389) e listou experimentalmente formas primitivas: urku, uruku, urkô. Visto que o primitivo –u final se perde em nandorin (cf. Utum de Utubnu), as formas urku e uruku evidentemente seriam capazes de produzir em élfico-verde urc (enquanto que urkô surgiria preferencialmente como *urca; cf. golda "noldo" de ñgolodô). A forma plural yrc mostra claramente a metafonia causada pela desinência de plural perdida do quendian primitivo –î; cf. a metafonia causada pela primitiva desinência adjetiva –i, com a palavra primitiva lugni "azul" produzindo lygn.
          Utum "Utumno", a primeira fortaleza de Melkor. A forma primitiva é dada como Utubnu, produzida a partir do radical  TUB (LR: 394), não definido como tal, mas produzindo uma série de palavras que sugerem o significado básico de "profundo, subterrâneo". A prefixação da vogal raiz é uma característica comum em formas primitivas fortalecidas; a desinência –nu parece não ser usada em nenhum outro lugar, mas Utubnu deve claramente ser compreendida como *"[lugar] muito baixo". O encontro original bn surge como m em nandorin; cf. quenya Utumno. O desenvolvimento é pretendido evidentemente como sendo Utubnu > *Utumnu > *Utumn > Utum.

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