Uma Segunda Opinião Sobre a Língua Negra

[Na metade de dezembro de 2001, Craig me enviou esta análise da Língua Negra. Apesar de eu não concordar necessariamente com todas as visões aqui apresentadas, achei que a análise era certamente boa o suficiente para ser publicada, e perguntei a Craig se eu poderia colocá-la no Ardalambion como uma 'segunda opinião' sobre a Língua Negra. Ele gentilmente me autorizou a usá-la.]

Esta é minha própria reconstrução da Língua Negra, a partir do mesmo corpus usado pelo artigo do Ardalambion, Órquico e a Língua Negra, mas com uma conclusão diferente. Apesar de eu estar ciente de que Tolkien odiava a Língua Negra, também estou ciente de que este é o seu modo de retratar Sauron como um personagem mais complexo – o próprio Tolkien era um ávido criador de idiomas, e mesmo a Língua Negra, criada por Sauron como um idioma auxiliar para seus oficiais, é o único idioma construído conhecido, em toda a Terra-média.

CORPUS

Aqui está o corpus de todas as citações da Língua Negra:
Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul,
ash nazg thrakatulûk agh burzum-ishi krimpatul
Um anel para a todos governar, um anel para encontrá-los,
um anel para a todos trazer, e na escuridão aprisioná-los
 

Uglúk u bagronk sha pushdug Saruman-glob búbhosh skai! Esta citação possui duas traduções diferentes. Por razões que serão discutidas abaixo, usarei esta: Uglúk para o poço de esterco com a imundície fedorenta de Saruman, tripas de por- co, gah!

LÉXICO

A partir disto, eu forneço o seguinte léxico de palavras na Língua Negra, atestadas ou implícitas por formas atestadas. As formas não atestadas são indicadas por asteriscos. O Ardalambion indica especificamente as palavras da "Língua Negra dege- nerada" falada pelos orcs em Lugbûrz. Eu não o faço, pelo fato de que eu acho que seja mais provável que eles falem com uma gramática pobre do que não estarem sequer razoavelmente próximos do modelo de Sauron. Todas aquelas palavras no vocabulário do Ardalambion que não aparecem em nenhuma das citações são incluídas aqui com seus significados; já faz muito tempo que li os livros para que eu possa afirmar que a lista é completa.

aghe
*at – desinência que indica forma de verbo ‘de intenção’. Aqui eu discordo do Ardalambion, por não achar razoável dizer que um idioma que deveria que ser simples (para os orcs não-filólogos) usasse um sufixo infinitivo. É muito mais provável que um idioma auxiliar usasse o radical nu como o infinitivo.
ashum
*bagesterco
bagronkpoço de esterco (provavelmente bag-ronk)
*bûbporco
bûbhoshtripas de porco (provavelmente bûb-hosh)
burzescuro (No nome de localidade Lugbûrz é colocado um mácron, mas não na inscrição do Anel. Tratarei a versão da inscrição como correta, uma vez que isto produzirá os tengwar corretos para ‘burzum-ishi’ no TengScribe.)
burzum-ishina escuridão (provavelmente burz-umishi)
*durbgovernar
*dug – desinência que indica forma de particípio do verbo
*gimbencontrar
globimundície
gûlespírito maligno a serviço de Sauron
*hairaça
*hoshtripas
*ishiem (posposição)
*krimpaprisionar
*homem
lugtorre
*ologtroll
olog-haitrolls
nazganel
nazgûlEspectro do Anel
*pushfedor
pushdugfedorento (provavelmente push-dug)
*ronkpoço
shae (liga substantivos ao invés de frases, para as quais agh é usada); com
*sharvelho
sharkûhomem velho (provavelmente shar-)
skai – [um interjeição] (A tradução "fossa" mantém "skai" como a forma em português; a tradução "poço de esterco" usa "gah!". A diferença provavelmente é de que "gah!" será compreendida pelos falantes de português, ao contrário de "skai".) O Ardalambion prefere chamar isto de uma expressão de desprezo, mas eu digo que as opiniões que ele está expressando como tais estão mais próximas de "náusea".
snagaescravo
*thraktrazer
upara (preposição, mas provavelmente usada como tal de forma errônea e provavelmente é uma posposição na forma padrão da língua.)
*ûktodo(s)
*ul-los (Apesar do resto da Língua Negra que é conhecido não diferenciar número, de modo que este provavelmente é um pronome genérico de terceira pessoa.)
*um – um sufixo similar ao -ão português.
*urukorc
uruk-haiorcs

ANÁLISE DO CORPUS

Notas sobre a provável gramática da Língua Negra, aproximadamente na ordem em que eu trabalhei sobre vários aspectos:

No nome Lugbûrz "torre escura", o adjetivo sucede o substantivo. Contudo, na praga orc, o adjetivo precede o substantivo – possivelmente um exemplo da forma "degenerada" da Língua Negra. Porém, há uma chance razoável de que um nome de localidade estivesse em um estilo diferente, mais poético. A forma "adjetivo e depois substantivo" é sustentada por palavras compostas como nazgûl (nazg-gûl, anel-espectro = Espectro do Anel). Assim, podemos concluir que o adjetivo antes do substantivo é a norma. Discordo nesta conclusão da do Ardalambion, que ignora o caso de nazgûl.

Posposições são usadas na inscrição do Anel, como em burzum-ishi "na (em + a) escuridão". Porém, o orc usa u como uma preposição. Esta provavelmente é a forma degenerada cultivada em sua cabeça feia, assim como *ishi-burzum se encaixaria igualmente bem na poesia. Isto nos leva à conclusão de que, se ele estivesse falando a Língua Negra padrão, o orc começaria com *"Uglûk bagronk u" ao invés de "Uglûkubagronk".

Não há a presença de quaisquer artigos. Isto significa que a Língua Negra, como o russo, não tem necessidade de indicar os substantivos pela sua definição, nem indicá-los pelo número em muitos casos (o que não deixa de ser razoável).

A palavra "nazgûl" parece ser usada tanto como singular e plural; assim, vemos que, no único caso no qual vislumbramos ambos, não há indicador de plural. Vou supor que esta seja a norma na Língua Negra, assim como também não há artigos para indicar número. Dessa forma, ul não significa realmente "-los" mas, ao invés disso, é um pronome genérico de terceira pessoa. Contudo, ele é traduzido como "-los" na inscrição do Anel, onde sua primeira aparição é sinalizada com ûk, que o qualifica especificamente como plural.

"Sharkû" e "ishi" apresentam problemas. Todas as outras palavras, com exceção dos nomes de raças, são monossilábicas, a menos que estejam em compostos. Todas elas se dividem organizadamente na forma CVC. "Sharkû" se divide em *shar- ou em *shark-. Concluo, portanto, que significa "homem", e shar significa "velho". Entretanto, nos é deixado exatamente uma palavra, que é dissílaba e não é composta. "Ishi" deve se dividir em *ish-i mas, infelizmente, o conceito de algo estando em outra coisa não se desfaz. Assim, somos forçados a nos perguntar se nossa análise de "ishi" está correta (mas nenhuma outra se apresenta, de modo que devemos assumir que ela esteja correta pela falta de uma alternativa).

POÇO DE ESTERCO VS. FOSSA

Existem duas traduções da praga orc. Irei me referir a elas pela primeira palavra satisfatória, que é a tradução da palavra com- posta "bagronk". O artigo do Ardalambion sobre a Língua Negra usa a versão da "fossa"; usarei, ao invés disso, a do "poço de esterco".

"Fossa" oferece uma tradução mais antiga, mas na verdade não há uma boa razão para escolhê-la. Uma vez que eu aprecio o trabalho lingüístico investigativo de decodificação da Língua Negra, "poço de esterco" oferece as seguintes vantagens:

Ninguém antes decifrou a Língua Negra com o uso da versão "poço de esterco".

"Poço de esterco" oferece um padrão regular de adjetivos antecedendo substantivos (bag + ronk). Contudo, há uma confirma- ção independente nos usos de ash nazg "um anel" ao invés de *nazg ash, e nazgûl sobre *gûlnazg, ambas conhecidas como Língua Negra padrão no estilo de Sauron.

Tanto "pushdug" como "bûbhosh" são palavras compostas que se mantém por si mesmas. Portanto, os diferentes significa- dos das outras se tornarão úteis. Na "fossa", bûbhosh provavelmente significa "grande", enquanto que na "poço de esterco" a palavra pushdug significa "fedorento". "Poço de esterco" oferece, assim, uma gramática mais completa (nos dizendo como formar particípios), enquanto que a "fossa" nos oferece uma palavra dissílaba adicional que não pode ser uma palavra compos-
ta.

Por estas razões, escolhi discordar da reconstrução do Ardalambion ao usar a tradução "poço de esterco".

GRAMÁTICA

Para concluir a análise acima, ofereço a seguinte gramática rudimentar e incompleta:

Radicais verbais nus provavelmente são usados para formar o infinitivo. Existem dois sufixos verbais conhecidos. Adicionando -at a um verbo, fornece a intenção (ash nazg durbatulûk significa assim um anel cujo propósito é a todos governar). Esta possivelmente poderia simplesmente ser uma forma subjuntiva, também com outros usos. Para formar particípios presentes, -dug é adicionado. Usarei este também como um tempo progressivo, já que não há nada para sugerir que haja qualquer forma de "ser/estar" na Língua Negra (por que é "imundície de Saruman, tripas de porco" ao invés de algo que significaria "Saruman imundo, ele é tripas de porco"? A versão "fossa" possui o mesmo problema, mas com "push-dug".)

O pronome ul é um pronome genérico de terceira pessoa. Substantivos e pronomes não possuem número, de modo que, para indicar "todos", o sufixo -ûk é usado. Outros sufixos com propósito parecido não são dados.

A Língua Negra usa a ordem subjeito-verbo-objeto, como o português. Esta interpretação, com durbatulûk sendo durbatul-ûk (onde ul-ûk é o objeto de durb) é muito mais provável do que a idéia de que objeto seria uma parte do verbo, embora ele seja escrito como se fosse este o caso.

Expressões posposicionais vêm antes do verbo ("burzumishithrakatul", e não "thrakat ul burzumishi") no único caso atestado em que elas ocorrem juntas. Esta pode ser uma característica da gramática da Língua Negra, ou pode ter sido feita para que a inscrição rimasse. Também é possível deixar isto para o estilo pessoal. Prefiro tratá-la como uma característica da gramática, já que não há evidência do contrário e nenhuma razão para supor que ela teria que seguir as normas do inglês (e do português). Ao se produzir gramáticas de idiomas desconhecidos deve-se, é claro, ter cuidado com a poesia.

Expressões posposicionais são formadas ao se colocar a posposição após seu objeto (em oposição às preposições do portu- guês). Entretanto, na fala coloquial órquica, a posposição muda para antes de seu objeto.

Não há artigo. Os substantivos não têm, assim, números indicados inerentemente.

FONOLOGIA

Passemos agora para o sistema sonoro do idioma.

A Língua Negra possui uma estrutura silábica CVC.

Vamos supor por um momento que gh é um único som, ao invés de um g seguido por um h (que seria, enfim, impronunciável).

As seguintes consoantes são atestadas: sh, d, r, b, th, k, m, p, t, l, k, gh, z, g, n, h e s.

Sabemos que o l e o r são pronunciados na parte posterior da boca (similar ao inglês, mas sem exceção) – este é um som que os elfos consideram extremamente desagradável.

Alguns encontros consonantais ocorrem; estes são thr, kr, gl e sk inicialmente, e zg, mb, mp, rz e nk no final. Encontros con- sonantais medianos geralmente resultam de uma composição ou afixação. Quando isto resultar em uma consoante dupla (note que isto inclui coisas como *ghgh) o som se funde.

Provavelmente é razoável supor que exista os sons *dh e *zh sonoros e um *kh surdo, visto que este é um idioma auxiliar e, portanto, provavelmente possui uma fonologia completamente regular. *Dhl (um som difícil de se pronunciar usando um l frontal ou "claro", mas não com o l mais anterior – que pode ser a origem desta pronúncia do l e r na Língua Negra) e zg são, portanto, provavelmente permitidos inicialmente, enquanto que *ls (e possivelmente *rs e *lz) e *ng são permitidos no final *sk. Sendo assim, note que *ng seria como na palavra portuguesa "pingo", onde se pronuncia /ng/ ao invés de /n/.

Existem cinco vogais: a, i, o, u e û. A vogal o é rara mas não desconhecida; e é ausente. É razoável supor que os orcs, alguns deles tendo sido uma vez elfos, considerariam a Língua Negra mais fácil de se aprender se as vogais a, i e o fossem como no quenya. Porém, para melhor distinguir as letras û e u, eu estaria disposto a supor que o u é curto em pelo menos uma parte razoável do tempo, enquanto o û é sempre longo.

A outra hipótese razoável é de que o u representa a vogal [u] padrão, e o û é uma vogal anterior arredondada (como o ü ale-  mão), que mais provavelmente faria sharkû ser corrompida para "Sharkey" (Charcote), já que a vogal mais próxima em qual- quer outro idioma da Terra-média é i. [Nota do editor: o idioma sindarin da Terra-média na verdade possui uma vogal  similar ao ü, geralmente escrita y; ex: em yrch "orcs". Mas "Sharkey" deve ser uma forma do westron apresentada na grafia anglicizada, e o westron aparentemente não possui esta vogal.]

Não é insensato supor que, na fala rápida, as vogais se fundem como fazem as consoantes. Assim, eu usaria *shar-kûk para "todos os homens velhos" ao invés de shar--ûk.

Regras para tonicidade não são dadas, assim como não há citações suficientes na Língua Negra nos livros para permitir tal coisa. Portanto, este aspecto é um mistério para nós, mas uma vez que este é um idioma auxiliar, podemos supor que, quais- quer que sejam as regras, elas são bem regulares.

Vamos verificar novamente que esta é uma fonologia razoável ao calcular o número de monossílabos permitidos (para termos certeza de que não há encontros permitidos dos quais não temos conhecimento, e talvez resolver o mistério de "ishi").

Existem 20 consoantes que podem ser iniciais ou finais. Além disso, há 6 encontros iniciais e 10 encontros finais. Isto nos dá 27 iniciais possíveis (palavras podem começar com vogais) e 31 finais possíveis (elas também podem terminar em vogais). Há cinco vogais, mais dois ditongos (ai e au), para um total de sete. Uma vez que cada raiz possui um de cada, isto nos dá 27 x 6 x 31 palavras possíveis, que resulta em 4.522 palavras raízes monossílabas possíveis, significando que as sílabas acima contam apenas para metade de um por cento das possibilidades. Isto é, de forma significativa, mais do que suficiente, tornando ishi um mistério maior ainda.

CORPUS REVISADO

Enquanto que as palavras estão dispostas um tanto juntas na tradução de Tolkien do tengwar da inscrição do Anel, proponho a seguinte forma, mais dividida:

Ash nazg durb-at ul-ûk, ash nazg gimb-at ul, ash nazg thrak-at ul-ûk, agh burz-um ishi krimp-at ul.

Os hífens foram usados aqui para separar limites morfêmicos dentro das palavras; os verbos foram separados de seus objetos (isto é, durbatulûk -> durb-at ul-ûk). Meus exemplos abaixo usarão este esquema de hifenização, para transformar em anexos padrões da escrita quaisquer pronomes no objeto para o verbo, remover todos os hífens, e usar um hífen para separar posposições das palavras que elas imediatamente sucedem. Contudo, ao usar o coloquialismo órquico de usá-las como prepo- sições, irei separá-las da próxima palavra com um espaço.

Aqui a praga órquica, dividida de forma parecida em suas raízes constituintes e com sua gramática corrigida para o padrão de Sauron e repontuada para seguir as convenções portuguesas:

*Uglûk bag-ronk u sha push-dug Saruman glob, bub-hosh. Skai!

EXEMPLOS DE FRASES

Para testar se esta gramática é razoável, reuni algumas frases de exemplo usando apenas o vocabulário acima. Infelizmente, enquanto é fácil expressar os sentimentos de alguém com este vocabulário, é difícil não falar sobre coisas vis. Há evidentemen- te muito mais palavras que não aparecem n’O Senhor dos Anéis.

Uruk glob ishi krimp shar-kûk.
O orc aprisiona todos os homens velhos na imundície.

Nazgûl ronk ishi thrak olog-hosh sha uruk-bag.
O Espectro do Anel encontra tripas de troll e esterco de orc no poço.

Shar-gûl thrak-dug nazg.
O velho espectro está trazendo o anel.

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Satanista (?) Usa a Lí­ngua Negra

Alguns anos atrás, várias igrejas norueguesas antigas de grande importância cultural foram incendiadas. O homem finalmente levado a julgamento por incêndio premeditado era Varg Vikernes (1973-), freqüentemente mencionado como um satanista, mas descrito mais exatamente como um músico de black metal profundamente anti-semita e anti-cristão que afirma acreditar nos antigos deuses nórdicos como Odin e Thor.

Apesar de geralmente se admitir que ele era completamente culpado, não houve provas suficientes para condená-lo. Apenas alguns dias depois ele foi novamente preso, desta vez por um dos assassi- natos mais brutais já cometidos na Noruega. O tribunal não engoliu sua história de que ele teve que esfaquear o pobre rapaz muitas vezes em legítima defesa, e ele foi condenado a vinte e um anos de prisão. Ele riu enquanto a sentença estava sendo lida. Seu motivo para cometer o assassinato ainda não está claro; alguns acham que ele simplesmente adorava ver o próprio rosto nos jornais.

O que é interessante para nós é que ele se apresentou como Conde Grishnáckh (sic) no tribunal, razão pela qual ele geralmente é conhecido como Greven (O Conde) na Noruega. Sua banda de black metal de um homem só era chamada  Burzum, esta sendo a palavra na Língua Negra para "escuridão", tirada da inscrição do Anel: …agh burzum-ishi krimpatul, "e na escuridão aprisioná-los".

O tratado completo da filosofia do próprio Conde, Vargsmål, foi publicado na net (encontrado aqui, se você lê em norueguês – mas algumas pessoas querem esta explosão fascista removida da net [adicionado: e agora parece que eles finalmente conseguiram!]). Seu livro mostra que, embora ele seja um fanático pelos padrões normais, ele não é estúpido. Como Mein Kampf, Vargsmål é infelizmente bem escrito. A filosofia do Conde é extrema, baseada em ideais muito distantes daqueles que são atualmente endossados em nossa sociedade, mas seus pensamentos formam um todo coerente. Basicamente, ele é um neo-nazista relembrando uma "época de ouro" na Era Viking, esperando restaurá-la no futuro. Vikernes ama todas as coisas "nórdicas" e se orgulha de chamar a si mesmo de racista. Os arianos são a única raça capaz de organizar culturas superiores, ele afirma. Vikernes conhece um pouco de norueguês antigo e quer restabelecer as runas como o alfabeto escandinavo (se os russos e os árabes possuem suas próprias escritas, ele argumenta, por que não podemos ter a nossa?) A respeito dos nomes Grishnákh e Burzum, ele escreve (minha tradução): "Grishnáckh é um nome tirado de um livro, O Senhor dos Anéis… Grish- nákh (meu nome possui um C adicionado para deixá-lo um pouco diferente do nome original) era um dos guerreiros de Sau- ron. Sauron pode ser interpretado como Odin, o Um Anel como Draupne (o anel de Odin), trolls como berserks, orcs/ uruk- hai como Einherjers, wargs como Ulfhednes, Barad-Dur ('a torre negra', a torre e trono de Sauron) como Hlidskjolf…'a Torre-Portão', o trono de Odin… e muito mais." Fico pensando se Vikernes ficou terrivelmente desapontado quando Sauron foi realmente derrotado? Ou talvez ele tenha pulado os capítulos finais?

Ele continua: "O nome Burzum, que eu uso como o nome da música que publiquei… é o plural de Burz, significando noite ou escuridão. Aqui no sentido de 'escuridão e noite para os judaico-cristãos, e luz e dia para os verdadeiros germânicos!' No idioma norueguês, a desinência -um é uma desinência que identifica plurais indefinidos em todos os gêneros. Por esta simples razão usei nomes deste livro. Este foi um modo de 'camuflar' o paganismo, ao usar nomes que tinha de ser interpretados antes que sua ligação com o paganismo fosse revelada. Isto foi feito para deixar tudo o mais oculto e esotérico quanto possível. Apenas os mais instruídos compreenderiam sobre o que isto tratava".

Realmente não consigo ver o que o norueguês antigo tem a ver com isto, pois burzum é 100 % Língua Negra, significando "Escuridão". Talvez eu não esteja entre "os mais instruídos". Vikernes evidentemente enxerga Burzum como um tipo de trocadilho bilíngüe, algo como uma palavra próprio de Tolkien, Orthanc = tanto "Monte Presa" em sindarin como "Mente Astuta" em inglês antigo.

As composições de Vikernes às vezes possuem títulos como Um Anel para Governar e O Orc Gritante. Uma resenha dos frutos do "Projeto Burzum" (como ele o chamou) pode ser encontrada aqui. Mas Tolkien reviu e descreveu toda a "poesia" do black metal antes que se ouvisse falar dele: "Em geral, pode-se ainda ouvir o mesmo tipo de fala [como a dos orcs] entre os que têm mentes de orcs; enfadonha e repetitiva, cheia de ódio e desprezo, há demasiado tempo afastada do bem para manter até mesmo o vigor verbal, exceto aos ouvidos daqueles para quem somente o sórdido soa vigoroso". (SdA, Apêndice F)

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Quenya

Também escrito: qenya, qendya, quendya
Também chamado: alto-elfo/alto-élfico, a alta fala dos noldor, a fala antiga, a fala dos elfos de Valinor, latim-elfo/latim élfico, valinoreano, avalloniano, eressëano, parmalambë (língua dos livros), tarquesta (alta fala), nimriyê (em adûnaico), goldórin ou goldolambë (em telerin), cweneglin ou cwedhrin (em gnômico).


HISTÓRIA INTERNA

O quenya ou alto-élfico é o idioma mais importante do ramo Amanya da família de idiomas élficos. Em Aman havia dois dialetos de quenya: vanyarin e noldorin. Por razões históricas, apenas o último foi usado na Terra-média. O único outro idioma Eldarin falado em Aman, o telerin, também poderia ser considerado um dialeto do quenya, mas geralmente era sustentado que ele era um idioma separado e não é tratado aqui (ver artigo separado).

Comparado a muitas outras línguas élficas, o quenya era arcaico. Ele preservou as principais características do idioma élfico original, inventado pelos elfos quando despertaram ao lado do lago de Cuiviénen – uma língua com "muitas… palavras belas, e muitos artifícios de linguagem perspicazes" (WJ: 422). De fato, o glossário do Silmarillion se refere ao quenya como "o antigo idioma, comum a todos os elfos, na forma que adotou em Valinor", em Aman – como se o quenya fosse tão parecido com o élfico primitivo que era meramente como uma forma posterior dele, e não um idioma novo. Realmente, o élfico primitivo e o quenya podem ter sido mutualmente inteligíveis, mas não deve-se pensar que eles eram quase idênticos. Em Valinor, a antiga língua élfica passou por certas mudanças: "sua alteração …[surgiu] na criação de novas palavras (para coisas novas e velhas) e na suavização e harmonização dos sons e padrões da língua quendiana para formas que pareceram aos noldor mais belas" (WJ: 20). Os sons b e d se tornaram v e l (ou n) inicialmente, vogais finais longas foram encurtadas, vogais médias sem ênfase desapareceram com freqüência, e muitos encontros consonantais sofreram metátese ou outras mudanças, geralmente tornando-os mais fáceis de se pronunciar. O quenya também adotou e adaptou algumas palavras do idioma dos governantes de Aman – os Valar, os Poderes Angelicais protegendo o mundo em nome de seu Criador. Entretanto, os próprios Valar encorajaram os elfos a "criar novas palavras de seu próprio estilo, ou…traduzir o significado de nomes em belas formas Eldarin" ao invés de manter ou adaptar palavras do valarin (WJ: 405). É observado que os noldor "eram criativos na fala, pois tinham um amor imenso pelas palavras e sempre procuravam descobrir nomes mais adequados para todas as coisas que conheciam ou imaginavam" (Silm. cap. 5).

Em Aman, o quenya não era falado apenas pelos vanyar e noldor, mas também pelos Valar: "os Valar parecem rapidamente ter adotado o quenya" após a chegada dos elfos, e sua própria língua, o valarin, não era freqüentemente ouvido pelos Eldar: "De fato é dito que com freqüência os Valar e Maiar podiam se ouvidos falando quenya entre eles mesmos" (WJ: 305). Pengolodh, o sábio de Gondolin, observa: "nas histórias os Valar são sempre apresentados falando quenya em todas as circunstâncias. Mas isto não pode proceder da tradução dos Eldar, poucos dos quais conheciam o valarin. A tradução deve ter sido feita pelos próprios Valar ou Maiar. De fato estas histórias ou lendas que lidam com épocas anteriores ao despertar dos quendi, ou com o passado remoto, ou com coisas que os Eldar não poderiam ter conhecido, devem ter sido apresentadas desde o começo em quenya pelos Valar ou pelos Maiar quando eles instruíram os Eldar." Ele menciona o Ainulindalë como um exemplo: "ele deve…ter sido desde o início nos apresentado não apenas em palavras do quenya, mas também de acordo com as nossas de pensamento". Realmente, mesmo Melkor aprendeu o quenya, e aprendeu bem. "Ah!", diz Pengolodh, "em Valinor Melkor usava o Quenya com tal maestria que todos os Eldar ficavam impressionados, pois seu uso não podia ser melhorado, raramente sequer igualado, pelos poetas e pelos mestres de tradição". (VT39: 27)

Quando Rúmil inventou as letras, o quenya se tornou o primeiro idioma a ser registrado na escrita (Silm. cap. 6, SdA Apêndice F). Mas fora do Reino Abençoado de Aman, o quenya jamais teria sido conhecido se não fosse pela rebelião dos noldor na Primeira Era. A maior parte deste clã deixou Aman e foi para o exílio na Terra-média, levando a língua do alto-élfico com eles. Na Terra-média os noldor em muito eram superados em número pelos sindar ou elfos-cinzentos nativos, que falavam um idioma claramente relacionado, mas ainda assim muito diferente. A língua sindarin havia há muito tempo eliminado as declinações de casos que ainda eram preservadas no quenya, e o som geral destes dois idiomas diferia muito – o quenya era muito mais vocálico que o sindarin e possuía uma distribuição muito limitada de b, d, g sonoros, que eram freqüentes em sindarin. Como isto desapareceu, "os noldor… aprenderam rapidamente o idioma de Beleriand [isto é, o sindarin], enquanto que os sindar eram vagarosos para dominar a língua de Valinor [isto é, o quenya]". Vinte anos após a chegada dos noldor à Terra-média, "a língua dos elfos-cinzentos era a mais falada, mesmo pelos noldor" (Silm. cap. 13). Quando o rei Thingol de Doriath finalmente soube que os noldor haviam assassinado muitos de seus parentes entre os teleri e roubado seus navios quando deixaram Valinor, ele proibiu o uso do quenya por todo o seu reino. Consequentemente, "os Exilados adotaram o idioma sindarin em todos os seus usos correntes; e alta-fala do oeste era usada apenas pelos senhores dos noldor entre si. Ela sobreviveu, porém, para sempre como a língua de tradição, não importa onde morasse qualquer indivíduo daquele povo" (Silm. cap. 15).

Assim o quenya sobreviveu, mesmo na escura Primeira Era. Na realidade, o vocabulário expandido: os noldor adotaram e adaptaram algumas palavras de outras línguas, tais como Casar "anão" da palavra Khazad do idioma anão e certa "runa" do sindarin certh (WJ: 388, 396). Algumas palavras já em uso desenvolveram novos significados ou modificaram outros em quenya exílico, tais como urco, uma palavra que em quenya valinoreano era usado para "qualquer coisa que causasse medo aos elfos, qualquer sombra ou forma duvidosa, ou criatura vagante" que eram lembradas em contos antigos da Marcha a partir de Cuiviénen. Em quenya exílico, entretanto, urco foi reconhecido como um cognato do sindarin orch e era usado para traduzí-la; assim, o significado de urco era agora simplesmente "orc" (WJ: 390; a forma influenciada pelo sindarin, orco, também era usada). Quando os Edain chegaram em Beleriand, eles não aprenderam apenas sindarin, mas "também, até certo ponto, o quenya" (WJ: 410). Embora o quenya "nunca tenha sido um idioma falado entre os homens" (Carta Plotz), nomes alto-élficos como Elendil se tornaram populares entre os Edain. Túrin deu a si próprio o nome em quenya de Turambar ou "Mestre do Destino", e sua irmã Nienor gritou algumas palavras em alto-elfo antes de se matar (Silm. cap. 21).

Existem também numerosos exemplos do quenya sendo usado ou lembrado pelos próprios exilados noldorin: quando Turgon construiu sua cidade oculta, "ele determinou seu nome como Ondolindë no idioma dos elfos de Valinor", embora a forma adaptada em sindarin, Gondolin, tenha se tornado o nome usual da cidade. Mesmo em Gondolin, o quenya "havia se tornado o idioma dos livros" para a maioria das pessoas, "e como os outros noldor, eles usavam o sindarin na fala cotidiana". Apesar disso, Tuor ouviu o guarda de Gondolin falar "na alta-fala dos noldor, a qual ele não conhecia". Também é observado que "o quenya era de uso diário na casa de Turgon, e era a fala da infância de Eärendil" (CI: 460). PM: 348 confirma que "Turgon, após sua fundação da cidade secreta de Gondolin, restabeleceu o quenya como o idioma de uso diário em sua família". Aredhel partiu de Gondolin e foi capturada por Eöl, ao qual ela deu um filho, e "no íntimo, ela lhe deu um nome na língua proibida dos noldor, Lómion, que significa Filho do Crepúsculo" (Silm cap. 16). Eöl posteriormente chamou seu filho pelo nome em sindarin Maeglin, mas Aredhel "ensinou a Maeglin o quenya, embora Eöl a tivesse proibido" (WJ: 337).

Contudo, o quenya falado pelos Exilados logo passou por algumas mudanças menores, provavelmente antes que o édito de Thingol contra seu uso congelasse amplamente todos os processos de mudanças lingüísticas. Em uma carta a Dick Plotz, Tolkien descreveu a declinação do substantivo de uma forma antiga de quenya, chamada "quenya livresco". Tolkien escreve que "até o ponto em que era conhecido pelos homens [mortais] – pelos sábios númenoreanos, e pelos os que destes sobreviveram em Gondor [na Terceira Era] – estas eram as formas usadas na escrita". Mas adiante ele observa: "o quenya como um idioma falado foi modificado até um certo ponto entre os noldor antes de deixar de ser uma língua de nascimento [isto é, no início de seu exílio]… Nesta forma 'coloquial' ele continuou a ser falado entre os elfos de origem noldorin, mas foi preservado de mudanças adicionais, uma vez que ele era aprendido novamente pela escrita por cada geração". A implicação parece ser de que esta forma "coloquial" também poderia ser usada na escrita, e que este era o quenya das obras pelas quais cada geração aprendeu o idioma novamente. Estas seriam as obras escritas pelos noldor durante seu exílio, após seu idioma ter levemente divergido do quenya amaniano (em particular pela perda do caso acusativo): "condições exílicas…tornaram necessária a reescrita de memória de muitas obras de tradição e canções pré-exílicas" (PM: 332). Os eruditos númenoreanos podem ter apanhado uma forma mais arcaica do quenya porque eles estavam em contato com os Eldar de Eressëa e Valinor, e não apenas com os exilados noldorin na Terra-média. Hoje, a maioria dos escritores não usa o quenya livresco, mas a forma exílica noldorin do alto-élfico, o idioma do Lamento de Galadriel (SdA1/II cap. 8).

A Primeira Era terminou na Guerra da Ira. No início da Segunda Era, alguns dos noldor retornaram para Aman, "mas alguns permaneceram muitas eras na Terra-média" (Silm. cap. 24). Assim, falantes nativos do quenya ainda estavam presentes nas Terra de Cá. Realmente, mesmo seu maior inimigo criou um nome em quenya para si mesmo quando ele apareceu aos elfos em uma bela forma para enganá-los: Annatar, o Senhor dos Presentes (Dos Anéis de Poder no Silm). Seu nome real também era em quenya, mas bem pode ser compreendido que ele não gostava dele: Sauron, o Abominável (ver o Glossário do Silm). Posteriormente, os artífices de Eregion deram nomes em quenya para suas maiores obras: Narya, Nenya, e Vilya, os maiores dos Anéis de Poder exceto pelo próprio Um Anel.

Porém, a história da Segunda Era é dominada pela saga de Númenor, a grande ilha dada aos Edain pelos Valar. Originalmente todos os Edain eram amigos dos elfos, e a maioria deles conhecia o sindarin (embora o idioma de uso diário dos númenorea- nos fosse o adûnaico, uma língua humana). Nos é dito que "os mestres de tradição entre eles aprenderam também o alto-elda- rin do Reino Abençoado, idioma no qual grande volume de prosa e verso foi preservado desde o início do mundo… por isso, ocorreu que, além de seus próprios nomes, todos os senhores dos númenóreanos também tinham nomes em Eldarin [quenya e/ou sindarin]; e o mesmo acontecia com as cidades e os belos lugares que fundaram em Númenor e nas costas das Terras de Cá" (Akallabêth). Exemplos de nomes em quenya em Númenor incluem Meneltarma, Armenelos, Rómenna e o próprio nome Númenor. Ainda permaneceu o fato de que "o quenya não era uma língua falada em Númenor. Era conhecido apenas dos eruditos e das famílias de alta linhagem, a quem se ensinava no início da adolescência. Era usado em documentos oficiais destinados a serem preservados, tais como as Leis, e no Pergaminho e nos Anais dos Reis…, e freqüentemente em obras de tradição mais recônditas. Também se usava largamente na nomenclatura: os nomes oficiais de todos os lugares, regiões e acidentes geográficos da terra tinham forma quenya (se bem que tinham também nomes locais, geralmente com o mesmo significado, em sindarin ou adûnaico [númenoreano]). Os nomes pessoais, e especialmente os nomes oficiais e públicos, de todos os membros da casa real, e da Linhagem de Elros em geral, eram dados em forma quenya" (CI: 471). Os Reis assumiam nomes em quenya porque o alto-élfico era "o idioma mais nobre do mundo" (CI: 247). Entretanto, com o tempo, as coisas mudariam.

Os númenoreanos começaram a invejar a imortalidade dos elfos, e a amizade com Aman gradualmente esfriou. Quando o vigésimo rei de Númenor ascendeu ao trono no ano 2899 da Segunda Era, ele rompeu com o antigo costume e tomou o cetro com um título em adûnaico ao invés de quenya: Ar-Adûnakhôr, Senhor do Oeste. No seu reinado "os idiomas élficos não foram mais usados, nem se permitiu que fossem ensinados, mas foram mantidos em segredo pelos Fiéis. E daí em diante os navios de Eressëa passaram a vir às praias ocidentais de Númenor raramente e em segredo" (CI: 252). Em 3102 Ar-Gimilzôr se tornou o vigésimo terceiro rei, e ele "proibiu totalmente o uso dos idiomas Eldarin, não permitia que nenhum dos Eldar viesse ao país e punia aqueles que os recebiam" (CI: 253). Realmente "as línguas élficas foram proibidas pelos reis rebeldes, e apenas se permitia que o adûnaico fosse usado, e muitos dos antigos livros em quenya ou em sindarin foram destruídos" (PM: 315).

De qualquer forma, o filho de Gimilzôr, Inziladûn, provou ser de uma personalidade muito diferente quando se tornou rei em 3177 (ou em 3175 de acordo com uma fonte – ver CI: 477). Ele se arrependeu pelos modos dos reis antes dele e assumiu um título em quenya de acordo com o antigo costume: Tar-Palantir, O Que Olha ao Longe. Tar-Palantir "de bom grado teria retornado à amizade dos Eldar e dos Senhores do Oeste", mas era tarde demais (CI: 253). Sua única filha, ele chamou de Míriel em quenya. Ela deveria ter sido Rainha Governante após sua morte em 3255, mas ela foi forçada a se casar com Pharazôn, filho do irmão de Tar-Palantir, Gimilkhâd. Pharazôn tomou-a por esposa contra a vontade dela para usurpar o cetro de Númenor. Evidentemente ele não podia aceitar o nome em quenya dela e o mudou para Zimraphel em adûnaico. Orgulhoso e arrogante, Ar-Pharazôn desafiou Sauron na Terra-média. O Maia malicioso dissimuladamente fingiu se render, e portanto Pharazôn "na loucura de seu orgulho, levou-o como prisioneiro para Númenor. Não demorou muito para que ele enfeitiçasse o rei e se tornasse mestre de seu conselho; e logo arrebatou o coração de todos os númenoreanos, exceto os remanescentes dos Fiéis, de volta à escuridão" (SdA Apêndice A). Sauron fez o rei acreditar que ele se tornaria imortal se conseguisse arrancar a soberania de Aman dos Valar, e eventualmente Pharazôn tentou invadir o Reino Abençoado. Como Sauron bem sabia, os númenoreanos jamais poderiam conquistar os Poderes, e como ele havia previsto, a armada de Pharazôn foi totalmente derrotada. Contudo, Sauron não previu que os Valar invocariam o Próprio Um, e que Ele usaria Seus poderes para mudar toda a forma do mundo. O Reino Abençoado foi removido do mundo visível para o reino das coisas ocultas, e com ele foram todos os falantes nativos de quenya, com exceção daqueles dos noldor que se demoraram na Terra-média. A própria Númenor desapareceu no mar, e nunca saberemos o número de livros escritos em quenya que foram perdidos na ruína da Ilha dos Reis. À ilha submersa foram dados novos nomes em alto-élfico: Mar-nu-Falmar, Terra (lit. Casa) sob as Ondas, e Atalantë, a Caída.

Os únicos sobreviventes da Queda foram Elendil, Isildur, Anárion e aqueles que os seguiram em seus navios. Como seus nomes em quenya revelam, eles eram amigos-dos-elfos e não tomaram parte na rebelião contra os Valar. Na Terra-média eles fundaram os Reinos em Exílio, Arnor e Gondor. Sauron logo atacou Gondor, mas ele foi derrotado na Batalha de Dagorlad, e após sete anos de cerco ele teve que deixar Barad-dûr e foi morto por Gil-galad, Elendil, e Isildur; apenas o último destes sobreviveu. Assim terminou a Segunda Era do Mundo, mas os Reinos em Exílio sobreviveram na Terceira Era, e entre os eruditos de Arnor e Gondor, o conhecimento do quenya foi preservado.

Os reis de Arnor e Gondor usavam nomes em quenya, assim como os fiéis reis númenoreanos de antigamente. (861 anos após o início da Terceira Era, entretanto, Arnor foi dividido nos pequenos reinos de Arthedain, Rhudaur e Cardolan; os reis destes reinos usavam nomes em sindarin.) Os Regentes de Gondor também usavam nomes em quenya até a época de Mardil, o primeiro dos Regentes Governantes (assim chamados porque não havia rei em Gondor no período entre 2050-3019 da Terceira Era, e os Regentes tiveram que assumir todas as responsabilidades). Contudo, os sucessores de Mardil deixaram de usar nomes alto-élficos. Os Regentes nunca assumiram o título de Rei, e eles podem ter pensado que seria presunçoso usar nomes em quenya à maneira dos reis. Mas quando Aragorn foi coroado Rei em 3019, ele chamou a si mesmo de Elessar Telcontar em quenya, seguindo o antigo costume. Então a Quarta Era começou, e os últimos dos noldor partiram dos Portos e deixaram a Terra-média para sempre, retornando a Aman. Os últimos falantes nativos do quenya haviam partido do nosso mundo, mas como Gandalf mostrou a Aragorn, era sua tarefa "preservar o que possa ser preservado" (SdA3/VI cap. 5) – incluindo o conhecimento dos idiomas Eldarin. Sabemos que Aragorn deu um nome alto-élfico a seu filho Eldarion, que o sucedeu no trono de Gondor quando ele morreu no ano 120 da Quarta Era. Embora pouco seja conhecido sobre esta Era, há pouca dúvida de que, enquanto o reino de Gondor perdurou, o quenya foi lembrado.

Designações do idioma

A palavra quenya, no dialeto vanyarin quendya, é um adjetivo formado sobre o mesmo radical de quendi "elfos"; o significado básico é, assim, "élfico, quendiano". Mas a palavra quenya também era associada com o radical quet- "falar", e realmente os radicais quet- e quen- podem ser relacionados: Tolkien especulou que "a forma mais antiga deste radical se referindo à língua oral era *KWE, do qual *KWENE e *KWETE eram elaborações" (WJ: 392). Os mestres de tradição élficos sustentavam que quendi significava "aqueles que falam com vozes", e de acordo com Pengolodh, o quenya significava propriamente "idioma, fala" (WJ: 393). Entretanto, isto pode simplesmente refletir o fato de que o quenya era o único idioma conhecido quando o adjetivo quen(d)ya "quendiano" foi aplicado pela primeira vez à fala élfica (elipticamente para quenya lambë "língua quendiana"). Posteriormente a palavra quenya foi usada exclusivamente como um nome deste idioma, e não como um adjetivo geral significando "élfico, quendiano". Os noldor, contudo, "não esqueceram esta conexão com a antiga palavra quendi, e ainda respeitavam o nome como significando 'élfico', que é a principal língua élfica, a mais nobre, e a que preservava com maior proximidade o antigo caráter da fala élfica" (WJ: 374).

O quenya também chamado parmalambë "a língua dos livros" e tarquesta "alta fala" (LR: 172; cf. "a alta fala dos noldor" em CI: 39). Como o quenya se originou em Valinor, ele também pode ser chamado valinoreano (SdA3/V cap. 8) ou "o idioma dos elfos de Valinor" (Silm. cap. 15). Após o final da Primeira Era, muitos noldor habitaram a ilha de Tol Eressëa, próxima à costa de Aman. Portanto, o quenya também é conhecido como eressëano, ou avalloniano segundo a cidade eresseäna de Avallónë (LR: 41, SD: 241). Para os teleri amanianos, o quenya era goldórin ou goldolambë, evidentemente significando "noldoico" e "língua noldo", respectivamente (WJ: 375). Em gnômico, a primeira tentativa de Tolkien para reconstruir o idioma que muito depois se tornou o sindarin, a palavra para quenya ("qenya") era cweneglin ou cwedhrin, mas estas palavras certamente não são válidas em sindarin maduro (Parma Eldalamberon No. 11 pág. 28). O elfo Gildor se referiu ao quenya como "a língua antiga" (SdA1/I cap. 3), e sendo o idioma mais prestigiado no mundo, ele também é chamado "a alta fala do oeste", "a alta língua Eldarin" (Silm. cap. 15, Akallabêth) ou "alto-élfico antigo" (WR: 160).Pelos númenóreanos, o quenya era chamado nimriyê ou "língua nimrian", assim como os Dúnedain chamavam os elfos de Nimîr, os Belos. (SD: 414, cf. WJ: 386). Posteriormente, Frodo se referiu ao quenya com "a língua antiga dos elfos de além mar" e "o idioma… de canções élficas". (SdA1/II cap. 8) Em inglês, Tolkien também usou designações como "alto-elfo" (ocasionalmente no Letters: "alto-élfico") e "latim-elfo, latim élfico" (Letters pág. 176). Na Terra-média, o quenya eventualmente se tornou um idioma de cerimônia e tradição, de modo que Tolkien o considerou comparável ao latim na Europa.

HISTÓRIA EXTERNA

O quenya, originalmente escrito "qenya", remonta a pelo menos 1915. Parece que foi neste ano que o Tolkien de 23 anos de idade compilou o "Qenya Lexicon (Léxico Qenya)", uma das primeiras listas de palavras élficas (ver LT1: 246). Revisões incontáveis, afetando tanto a gramática como o vocabulário, separam o "qenya" primitivo da forma mais ou menos final que é exemplificada n'O Senhor dos Anéis, mas o estilo fonético geral estava presente desde o início. O quenya quase maduro gradualmente emergiu nos anos trinta, mas pequenas revisões foram sendo feitas mesmo enquanto o SdA estava sendo escrito, tais como a mudança da desinência de genitivo de -n para -o. Há também algumas mudanças na segunda edição revisada do SdA, como quando Tolkien decidiu que a palavra vánier no Lamento de Galadriel deveria ser avánier.

Durante sua vida, Tolkien continuou a refinar o idioma alto-élfico, que de acordo com seu filho Christopher era "um idioma como ele queria, o idioma de seu coração" (do programa de TV: J.R.R. Tolkien – Um Retrato, pela Landseer Productions). Em uma de suas cartas, o próprio Tolkien escreveu: "o idioma arcaico de tradição tinha a intenção de ser um tipo de 'latim elfo', e ao transcrevê-lo em uma ortografia muito parecida com a do latim… a similaridade com o latim foi visualmente aumentada. Na verdade, pode-se dizer que ele foi composto sobre uma base latina com dois outros (principais) ingredientes que davam prazer 'fonoestético': o finlandês e o grego. Ele é, contudo, menos consonantal do que quaisquer dos outros três. Este idioma é o alto elfo ou, em seus próprios termos, quenya (élfico)" (Letters: 176). O quenya foi o experimento final em eufonia e fonoestética, e de acordo com o gosto de muitos, ele foi um sucesso glorioso. A estrutura gramatical, envolvendo um grande número de casos e outras declinações, é claramente inspirada pelo latim e pelo finlandês.

A amostra mais longa de quenya n'O Senhor dos Anéis é o Lamento de Galadriel, isto é, o poema Namárië perto do final do capítulo Adeus à Lórien (SdA1/II cap. 8, começando com Ai! laurië lantar lassi súrinen…) Muitos dos exemplos referidos na seguinte discussão são tirados deste poema. Outros textos importantes em quenya incluem o poema Markirya em MC: 222-223 e a Canção de Fíriel em LR: 72, embora a gramática do último se diferencia um pouco do quenya no estilo do SdA; ele representa uma das variantes de Tolkien do "qenya" primitivo. (O Markirya é bem tardio e completamente confiável.)

A ESTRUTURA DO QUENYA: UMA BREVE ANÁLISE

Fonologia elementar

O quenya possui cinco vogais, a, e, i, o, u, curtas e longas; as vogais longas são indicadas com um acento: á, é, í, ó, ú. A  vogal a é extremamente freqüente. A qualidade das vogais lembra o sistema em espanhol ou italiano ao invés do inglês. Para esclarecer a pronúncia para leitores acostumados à ortografia inglesa, Tolkien às vezes adiciona um trema sobre algumas vogais (ex: Manwë ao invés de Manwe para indicar que o e final não é mudo, ou Eärendil para indicar que as vogais e e a são pronunciadas separadamente, e não juntas como na palavra inglesa ear – o trema não é necessário para o significado e pode ser deixado de lado com segurança em e-mails). Os ditongos são ai, au, oi, ui, eu e iu. (Um sétimo ditongo, ei, parece ocorrer em uma ou duas palavras, mas sua situação é incerta.) As consoantes são em sua maior parte como no inglês, com as sibilantes como a principal exceção: ch como em church não ocorre, nem j como em joy, e ao invés de sh, zh (a último como o s em pleasure), o quenya possui um som como o alemão ich-Laut, escrito hy por Tolkien (ex: hyarmen "sul"). O h das palavras inglesas huge e human é algumas vezes pronunciada como uma variante fraca do som em questão. O quenya também não possui th (mudo como em thing ou sonoro como em the); o thmudo ocorreu em um estágio primitivo, mas se fundiu com s pouco antes da rebelião dos noldor (ver PM: 331-333). Também deve ser observado que as plosivas sonoras b, d e g ocorrem apenas nos encontros mb, nd/ld/rd e ng (algumas variedades de quenya também possuíam lb ao invés de lv). Não existem encontros consonantais iniciais, exceto qu (= cw), ty, ny e nw se contarmos as semi-vogais y e w como consonantes. Geralmente também não há encontros finais; as palavras terminam ou em uma das consoantes t, s, n, l, r ou em uma vogal, sendo mais freqüente a última opção. Mediamente entre as vogais, um número limitado de encontros consonantais  pode ocorrer; aqueles descritos por Tolkien como "freqüentes" ou "favorecidos" estão em itálico: cc, ht, hty, lc, ld, ll, lm, lp, lqu, lt, lv, lw, ly, mb, mm, mn, mp, my, nc, nd, ng, ngw, nn, nqu, nt, nty, nw, ny, ps, pt, qu(para cw), rc, rd, rm, rn, rqu, rr, rt, rty, rs, rw, ry, sc, squ, ss, st, sty, sw, ts, tt, tw, ty, x (para ks). Algumas outras combinações podem ocorrer em palavras compostas. A fonologia do quenya é muito restritiva, dando ao idioma um estilo e sabor bem definidos.

Note que na ortografia do quenya, a letra c é sempre pronunciada k (assim, cirya "navio" = kirya). Tolkien era inconsistentes sobre isto; em muitas fontes a letra k é usada, mas no SdA ele decidiu escrever o quenya tão parecido com o latim quanto possível. Em alguns casos, o k nas nas fontes foi regularizado para c na seguinte discussão.

O substantivo

O substantivo do quenya é declinado por nove ou dez casos. (há também quatro números, mas na maior parte ficaremos com o singular enquanto listamos os casos.) O estudante não deve se assustar com o grande número de casos. Enquanto que o português usa uma preposição na frente de um substantivo, o quenya freqüentemente prefere, ao invés disso, adicionar uma desinência ao substantivo; há pouca coisa além disso.

O nominativo singular é a forma básica não declinada do substantivo; ele não possui nenhuma desinência especial. A função típica de um substantivo nominativo é ser o sujeito do verbo, como lómë "noite" ou aurë "dia" nos gritos ouvidos antes e durante a Nirnaeth Arnoediad: Auta i lómë! "A noite está passando!" Aurë entuluva! "O dia virá novamente!" (Silmarillion capítulo 20).

O quenya como falado em Valinor possuía um acusativo que era formado pelo alongamento da vogal final do substantivo: cirya "navio" (nominativo), ciryá "navio" (acusativo). Os substantivos terminando em uma consoante presumidamente não possuíam acusativo distinto. No plural, mesmo os substantivos terminando em uma vogal possuíam a desinência i; ex: ciryai "navios" (nominativo ciryar). A função do acusativo era primeiramente indicar que o substantivo era o objeto de um verbo; não temos exemplos, mas pode-se construir algo como haryan ciryá, "eu tenho um navio" (haryan ciryai "eu tenho [vários] navios"). Mas na Terra-média, o caso acusativo distinto desapareceu da fala dos noldor (tais coisas acontecem quando você está ocupado enfrentando orcs, balrogs e dragões), e o nominativo assumiu suas antigas funções. Desse modo, de agora em diante está certo dizer haryan cirya, haryan ciryar. Escritores modernos parecem nunca usar o acusativo distinto.

O genitivo possui a desinência -o, geralmente correspondendo à preposição de do português. Um exemplo do Namárië é Vardo tellumar "abóbadas de Varda". Note que a desinência -o retira o -a final, portanto Vardo, e não Vardao - mas a maioria das outras vogais (parece) não são retiradas: Em MR: 329 encontramos Eruo para "do Um, de Eru". (Se o substantivo já termina em -o, a desinência se torna "invisível"; geralmente o contexto indicará que o substantivo é um genitivo e não um nominativo. Um exemplo atestado é Indis i Ciryamo "a esposa do marinheiro"; cf. ciryamo "marinheiro".) Raramente o genitivo carrega o significado "de (algum lugar)", cf. Oiolossëo "do Monte Semprebranco, de Oiolossë" no Namárië – mas isto geralmente é expresso por meio do caso ablativo (veja abaixo). A desinência genitiva plural é -on, que pode ser observada no título Silmarillion, "das Silmarils", a expressão completa sendo Quenta Silmarillion, "(a) História das Silmarils". Um exemplo do Namárië é rámar aldaron, "asas das árvores", uma circunlocução poética para "folhas". A desinência -on é adicionada, não à forma mais simples do substantivo, mas ao nominativo plural. Assim, embora "árvore" seja alda, "das árvores" não é **aldon, mas aldaron porque o nominativo plural "árvores" é aldar. Cf. também Silmaril, plural Silmarilli, genitivo Silmarillion. (A duplicação do l final de Silmaril antes de uma desinência é um exemplo de variação de radical; alguns radicais mudam levemente quando uma desinência é adicionada, freqüentemente refletindo uma forma mais antiga do substantivo.)

Há então o possessivo, por alguns chamado "associativo" ou "caso adjetivo"; o próprio Tolkien fala dele como um "genitivo… possessivo-adjetivo" em WJ: 369. Esta caso possui a desinência -va (-wa em substantivos terminando em uma consoante). Sua função geral é como a do genitivo do português, para expressar posse: Mindon Eldaliéva "Torre dos Eldalië". A função do possessivo por muito tempo pouco compreendida. No Namárië ele ocorre na expressão yuldar…miruvóreva, "goles… de hidromel". Este exemplo, que por mais de vinte anos foi o único que tivemos, fez muitos concluírem que a função deste caso era mostrar do que alguma coisa é composta – realmente, o caso em si era chamado "compositivo". Felizmente, The War of the Jewels págs. 368-369 finalmente nos deu a explicação do próprio Tolkien das funções mais normais deste caso, e como ele difere do genitivo. O possessivo pode, como já observado, indicar posse ou propriedade. Tolkien dá o exemplo róma Oroméva, "trompa de Oromë", usado como uma trompa que pertenceu/pertence a Oromë no momento em que está sendo narrado (passado ou presente). O genitivo róma Oromëo também se traduziria como "trompa de Oromë", mas significaria propriamente "uma trompa vindo de Oromë", implicando que a trompa deixou a posse de Oromë no momento em que se narra. Contudo, o genitivo se introduziu nas funções do possessivo em eras posteriores. Cf. o genitivo Vardo tellumar, e não possessivo *tellumar Vardava, para "abóbadas de Varda" no Namárië (se o genitivo não implica que as abóbadas se originaram de Varda, mostra que ela as possui).

O dativo possui a desinência -n. Este desinência geralmente traduz a preposição "para"; o pronome dativo nin "para mim" (de ni "eu") é encontrado no Namárië: Sí man i yulma nin enquantuva? "Quem agora reencherá a taça para mim?" Com freqüência o dativo corresponde a um objeto indireto em português: *i nís antanë i hínan anna, "a mulher deu à criança um presente".

O locativo possui a desinência -ssë, que transmite o significado de "em" ou "no". Na versão em Tengwar do Namárië que é encontrada em RGEO, o poema possui o sobrescrito Altariello Nainië Lóriendessë, "Lamento de Galadriel em Lóriendë (Lórien)". No plural, esta desinência possui a forma -ssen, vista na palavra mahalmassen "nos tronos" em CI: 340 cf. 498 (mahalma "trono"). Esta desinência também ocorre no pronome relativo ya no Namárië: yassen "onde, nas quais" (Vardo tellumar…yassen tintilar i eleni, *"abóbadas de Varda… onde as estrelas tremem"). Referindo-se a uma palavra no singular, "na qual" seria presumidamente yassë. O uso de desinências casuais ao invés de preposições para expressar "em, de, para, com" (cf. os próximos parágrafos) é um aspecto característico da gramática do quenya.

O ablativo possui a desinência -llo, que significa "de (proveniente de)" ou "fora de". Um exemplo tirado do Namárië é sindanóriello, "de uma terra (a tradução mais correta seria "país") cinzenta" (sinda-nórie-llo: "cinza-país-de"). Há também a palavra Rómello, *"do leste", contração de *Rómenello (Rómen "[o] leste"). Cf. também a palavra Ondolindello "de Ondolindë (Gondolin)" em J. R. R. Tolkien – Artist and Illustrator pág. 193.

O alativo possui a desinência -nna, significando "para", "para dentro" ou "em, sobre". Tanto o ablativo como o alativo são exemplificados nas palavras ditas por Elendil quando ele foi para a Terra-média após a Queda de Númenor, repetidas por Aragorn em sua coroação (SdA3/VI cap. 5): Et Eärello Endorenna utúlien. "Do Grande [lit. para fora do] Mar vim para a Terra-média" (Endor(e)-nna "Terra-média-para"). O alativo também pode transmitir o significado "sobre"; cf. i falmalinnar "sobre as ondas espumantes" no Namárië (-linnar sendo a desinência para o plural partitivo do alativo; ver abaixo).

O caso instrumental possui a desinência -nen e indica o instrumento com o qual alguma coisa é feita, ou simplesmente a razão pela qual alguma coisa acontece. Exemplos do Namárië são laurië lantar lassi súrinen,"como ouro caem [as] folhas ao vento", i eleni [tintilar] airetári-lírinen, "as estrelas tremem na canção de sua voz, de santa e rainha", literalmente *"as estrelas tremem pela canção da rainha sagrada". Um exemplo de um "instrumental" mais típico é fornecido pela frase i carir quettar ómainen, "aqueles que formam palavras com vozes" (WJ: 391), ómainen sendo o plural instrumental de óma "voz".

Respectivo (?): assim é chamado um caso que é listado em uma carta que Tolkien enviou a Dick Plotz na segunda metade dos anos sessenta (a chamada Carta Plotz é de fato nossa principal fonte de informação sobre os casos do quenya). A desinência é -s (plural -is), mas Tolkien não identificou esta caso por qualquer nome, e nunca o vimos usado em um texto. Sua função é, portanto, completamente desconhecida; na verdade, ele tem sido chamado de Caso Misterioso. Alguns escritores o usaram simplesmente como um desinência locativa alternativa. Posteriormente eles não tiveram nenhuma visita noturna de, então talvez isto seja aceitável para ele.

Se as desinências casuais são adicionadas a um substantivo terminando em uma consoante, um e é freqüentemente inserido entre o substantivo e a desinência para evitar que um encontro difícil surja: Elendil com a desinência alativa -nna "para" se torna Elendilenna "para Elendil" (PM: 401), e não **Elendilnna. Contudo, se o substantivo está no plural, um i é inserido entre o substantivo e a desinência: elenillor "das estrelas" (elen "estrela") (MC: 222).

As flexões de números do quenya: as flexões de números são singular, plural, plural partitivo e dual. O singular e o plural não precisam de explicação. A função do plural partitivo (assim chamado por Tolkien em WJ: 388) em oposição ao plural normal não é totalmente compreendida, mas parece que ele indica alguns dentre um grupo maior. Combinado com o artigo definido i, ele pode simplesmente indicar "muitos": o elemento li na expressão i falmalinnar "sobre as ondas espuman- tes" no Namárië foi traduzida "muitas" por Tolkien em sua tradução entrelinhas em RGEO: 66-67. Visto que -li é a desinência para o plural partitivo, por muito tempo ele foi chamado de "plural múltiplo"; de fato foi pensado que ele simplesmente significaria "muitos" da coisa em questão, enquanto que o plural normal significaria apenas "vários". Isto pode estar correto em alguns casos, mas não pode ser toda a história. O dual é usado com referência a um par natural, como duas mãos pertencentes a uma pessoa (cf. a palavra máryat "suas mãos" no Namárië, o -t sendo uma desinência dual, literalmente "seu par de mãos").

O plural nominativo é formado com uma de duas desinências. A desinência -r é usada se o substantivo termina em qualquer vogal exceto -ë; exemplos bem conhecidos são Vala pl. Valar, Elda pl. Eldar, Ainu pl. Ainur. Se o substantivo termina em uma consoante ou em -ë, a desinência de plural é -i, e ela substitui o -ë final: Atan pl. Atani, Quendë pl. Quendi. (Mas se o substantivo termina em -, ele forma seu plural em -r para evitar um i após o outro: tië "caminho", tier "caminhos" – e não **tii.) Nos outros casos, a desinência de plural é -r ou -n; por exemplo, a desinência alativa -nna possui uma forma plural -nnar, a desinência locativa -ssë se torna -ssen, e o ablativo -llo pode formar seu plural tanto em -llon como em -llor. No dativo, no instrumental e no "respectivo", o plural é indicado pelo elemento i, inserido entre o radical do substantivo e a mesma desinência casual como no singular. (Ver a lista completa de desinências abaixo.)

O plural partitivo possui a desinência -li, presumidamente *-eli em um substantivo terminando em uma consoante, mas uma contração ou uma forma assimilada também pode ser usada (por exemplo, o plural partitivo de casar "anão" é casalli, para *casarli). As desinências para outros casos são simplesmente adicionadas após a desinência -li; ex: ciryali "alguns navios" > alativo ciryalinna (ou ciryalinnar) "para alguns navios". Note, entretanto, que a vogal de -li é alongada antes das desinências -va e -nen para o possessivo e o instrumental, respectivamente: -líva, -línen.

Assim como o plural nominativo, o dual nominativo é formado com uma de duas desinências. A maioria dos substantivos leva a desinência -t, como na palavra máryat "suas mãos" (duas mãos, um par de mãos) no Namárië. "Dois navios, um par de navios" é, da mesma forma, ciryat (cirya "navio"). Mas se a última consoante do radical for t ou d, a desinência -u é preferida: Alda "árvore", Aldu "as Duas Árvores". Nos outros casos, um t é de algum modo inserido em ou adicionado a várias desinências; por exemplo, as desinências -ssë, -nna e -llo para locativo, alativo e ablativo, respectivamente, se tornam -tsë, -nta e -lto (ciryatsë, ciryanta, ciryalto = "em/para/de um par de navios"). A desinência instrumental -nen se torna -nten, enquanto que a desinência dativa -n se torna -nt (ciryant "a um par de navios" – este é, a propósito, o único caso conhecido de um encontro consonantal sendo permitido no final de uma palavra em quenya).

Estas são, então, as desinências casuais do quenya:

Nominativo: Sg. sem desinência, pl. -r ou -i, part. pl. -li (quenya livresco -), dual -t ou -u.
Acusativo (apenas em quenya livresco): Sg. alongamento da vogal final (se houver), pl. -i, pl. part. , dual: provavelmente alongamento do u final para ú (nenhum acusativo distinto no caso de t-duais?)
Dativo: Sg. -n, pl. -in, pl. part. -lin, dual -nt (mas possivelmente -en sucedendo uma dual em -u)
Genitivo: Sg. -o, pl. -on (adicionada ao pl. nom.), pl. part. -lion, dual -to.
Possessivo: Sg. -va, pl. -iva, pl. part. -líva, dual -twa.
Locativo: Sg. -ssë, pl. -ssen, pl. part. -lisse(n), dual -tsë.
Alativo: Sg. -nna, pl. -nnar, pl. part. -linna(r), dual -nta.
Ablativo: Sg. -llo, pl. -llon ou -llor, pl. part. -lillo(n), dual -lto.
Instrumental: Sg. -nen, pl. -inen, pl. part. -línen, dual -nten.
Respectivo: Sg. -s, pl. -is, pl. part. -lis, dual -tes.

(Ver o Apêndice para exemplos de substantivos do quenya declinados em todos os casos.)

O artigo

O quenya possui um artigo definido: i = "o, a, os, as"; ex: i eleni "as estrelas" no Namárië. Não existe artigo indefinido como o "um(ns), uma(s)"; a ausência do artigo i geralmente indica que o substantivo é indefinido: elen "estrela" deve ser traduzida "uma estrela" quando a gramática portuguesa exige um artigo, como na famosa saudação elen síla lúmenn' omentielvo "uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro" (SdA1/I cap. 3). Mas algumas vezes as traduções de Tolkien introduzem um "o, a" onde não há i no original; cf. a primeira linha do Namárië: Ai! laurië lantar lassi… "Ah! como ouro caem as folhas…" ao invés de apenas "(algumas) folhas".

O verbo

A maioria dos verbos do quenya pode ser dividida em duas categorias. O menor grupo pode ser chamado de verbos básicos (ou primários). O radical de tal verbo representa uma raiz básica sem adições. Por exemplo, o verbo mat- "comer" vem diretamente da palavra-raiz Eldarin MAT- de significado similar (LR: 371); o verbo tul- "vir" é simplesmente uma manifestação da palavra-raiz TUL "vir, aproximar" (LR: 395).

O segundo e maior grupo de verbos do quenya pode ser chamado de radicais A, ou verbos derivados. Todos eles mostram a vogal final -a, mas ela não é parte da raiz básica; seus radicais adicionaram alguma desinência a esta raiz. As desinências -ya e -ta são de longe as mais comuns. Por exemplo, a raiz TUL "vir, aproximar" produz não apenas o verbo básico tul- "vir, chegar", mas também os radicais A mais longos tulta- "invocar, chamar" e tulya- "trazer". Aqui as desinências são vistas modificando o significado da raiz; neste caso, tanto -ta como -ya são causativas, uma vez que "invocar" e "trazer" são variações da idéia "fazer vir". Mas com freqüência, as desinências parecem não fazer diferença para o significado (a raiz SIR "fluir" produz o verbo básico em quenya sir- de mesmo significado, mas em um idioma relacionado, o verbo derivado sirya- é usado para o mesmo significado: LR: 384). Alguns verbos radicais A mostram desinências menos freqüentes como -na (ex: harna- "ferir", aparentemente derivada do adjetivo ou particípio harna "ferido"); existem também alguns radicais A que terminam em uma simples desinência -a; ex: ora- "impelir".

São conhecidos cinco tempos em quenya: aoristo, presente, pretérito, perfeito e futuro. (Com toda a probabilidade, Tolkien também imaginou outros tempos, como o mais-que-perfeito – mas tais formas não são exemplificadas no nosso material.)

O aoristo é a forma mais simples tanto por seu significado como pelo aspecto. O significado básico do verbo não é modificado ou limitado de qualquer maneira em particular. O aoristo pode expressar verdades universais, como quando os elfos são descritos como i carir quettar "aqueles que criam palavras" (WJ: 391). Contudo, ele pode igualmente descrever uma simples ação corrente, como no grito de guerra ouvido antes da Nirnaeth Arnoediad: Auta i lómë! "A noite está passando!" Neste contexto, a tradução "está passando" é o melhor equivalente em português, mas o aoristo auta como tal simplesmente significa "passa" e não indica explicitamente a ação como corrente (como o faz o tempo presente do quenya, veja abaixo). Ordinariamente falando, o aoristo do quenya aparentemente corresponde ao presente do indicativo do português (em oposição à construção "está …-ndo"). Assim Tolkien freqüentemente o traduzia; ex: na primeira linha do Namárië: Ai! laurië lantar lassi súrinen, "ah! douradas caem as folhas ao vento  ".

O aoristo de um verbo básico originalmente apresentava a desinência -i. Em quenya, o -i curto final -i de estágios mais primitivos do élfico transformaram-se em -ë, de modo que agora o aoristo de um verbo primário como car- "criar, fazer" apareceu, ao invés disso, como carë (esta forma pode ser traduzida "cria" ou "faz"). Entretanto, uma vez que a vogal apenas mudava quando ela ocorria no final de uma palavra, ainda vemos -i- sempre que qualquer tipo de desinência adicional é inserida. Quando um verbo finito em quenya ocorre com um sujeito no plural, o verbo recebe a desinência de plural -r, de modo que o aoristo carë "cria" corresponde a carir "criam" na frase "aqueles que criam palavras" citada acima. Também vemos -i- antes de todas as desinências pronominais; realmente, Tolkien com muito freqüência cita os verbos primários em quenya como formas aoristas com a desinência -n "eu" anexada (ex: carin "eu crio", LR: 362, tulin "eu venho", LR: 395). Verbos radicais A não mostram variação, mas terminam em -a seguindo-se ou não uma desinência adicional (ex: lanta "cai", lantar "caem" com um sujeito no plural, lantan "eu caio", etc.)

O que às vezes é chamado de tempo presente em quenya também é mencionado como a forma continuativa. Ele se refere a uma ação que é claramente identificada como corrente, e é freqüentemente melhor traduzido por meio da construção "está… -ndo" em português. O tempo presente de um verbo básico é formado ao se adicionar a desinência -a e ao se alongar a vogal do próprio radical (a vogal longa sendo indicada por um acento). Assim, o verbo sil- "brilhar" possui a forma de tempo presente síla "está brilhando"; o verbo mat- "comer" possui a forma de tempo presente máta "está comendo" (ou com sujeitos no plural, sílar "estão brilhando", mátar "estão comendo"). Algumas vezes Tolkien traduz as formas de tempo presente do quenya por meio do presente do indicativo do português, como na famosa saudação elen síla lúmenn' omentielvo = "uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro". Parece que o aoristo e o presente são de certa forma intercambiáveis; em uma versão em rascunho dessa saudação, Tolkien de fato usou o aoristo silë "brilha" ao invés da forma de tempo presente síla "está brilhando" (ver RS: 324).

Quanto ao tempo presente de verbos radicais A, a interpretação tradicional da gramática do quenya é a de que a desinência -a simplesmente fundiu-se com o -a final já presente no fim do radical verbal, de forma que (dizem) lanta- "cair" teria o tempo presente lanta "está caindo". Esta forma pareceu ser atestada na primeira linha do Namárië (com a desinência -r combinando com o sujeito no plural lassi "folhas"): Laurië lantar lassi, "douradas caem (as) folhas", ou "folhas douradas estão caindo". Contudo, parece que a forma lantar é na verdade um aoristo (cf. acima). Em julho de 2000, novos exemplos apareceram no Vinyar Tengwar #41: o verbo radical A ora- "impelir" é mostrado possuindo o tempo presente órëa "está impelindo". Isto pareceria indicar que verbos radicais A na verdade possuem formas de tempo presente em -ëa: aparentemente o -a final do radical torna-se -ë- para evitar dois a's em seqüência quando a desinência -a, associada com o tempo presente, é adicionada. Onde não há encontro consonantal sucedendo a vogal raiz, ela é alongada da mesma forma que no caso de verbos básicos: assim, órëa de ora-. Seja como for, a maioria dos radicais A possui um encontro consonantal sucedendo a vogal raiz e, na frente de um encontro, o quenya não pode ter uma vogal longa. Não temos exemplos, mas pode-se supor que um radical A como lanta- "cair" possui o tempo presente lantëa "está caindo" (pl. lantëar "estão caindo"): uma vez que a vogal raiz não pode ser alongada nesta posição, apenas a desinência -ëa nos diz que esta é uma forma de tempo presente (ou contínua).

O pretérito do quenya sempre apresenta a vogal final -ë (embora desinências secundárias possam, é claro, ser adicionadas; por exemplo, vemos -er onde o verbo possui um sujeito no plural). Esta vogal -ë é com freqüência parte da desinência -, que parece ser o indicador de pretérito mais comum em quenya. Verbos radicais A tipicamente adicionam esta desinência. Por exemplo, o verbo orta- "erguer, levantar" é listado no Etimologias (entrada ORO, LR: 379), e a canção Namárië no SdA demonstra que seu pretérito é ortanë. Outros exemplos atestados:

ulya- "verter, derramar", pretérito ulyanë (LR: 396 s.v. ULU)
hehta- "abandonar", pretérito hehtanë (WJ: 365)
ora- "impelir", pretérito oranë (VT41: 18)

Quanto aos verbos primários, o quadro é um tanto mais diverso. Quando tais verbos terminam em -r ou -m, eles podem receber a desinência - assim como os verbos radicais A, visto que os encontros resultantes rn e mn são permitidos pela fonologia do quenya. Exemplos do Etimologias incluem tirnë como o pretérito de tir- "observar, guardar" e tamnë como o pretérito de tam- "bater (de leve em)" (ver entradas TIR, TAM). Uma vez que o nn duplo também é um encontro admissível em quenya, pode-se supor que verbos primários em -n também recebem a desinência -; por exemplo, parece um bom palpite dizer que o verbo cen- "ver" possui o pretérito cennë "viu" (não atestado em material publicado).

Contudo, verbos primários em -p, -t, e -c não podem receber a desinência -, uma vez que os encontros pn, tn e cn que surgiriam não são permitido em quenya. Este problema é solucionado ao se substituir o elemento nasal da desinência - pela infixação nasal introduzida antes da consoante final do radical verbal. O infixo nasal aparece como m antes de p; antes de t ele simplesmente é n, e antes de c (k) ele é pronunciado como o ng da palavra inglesa king, mas ele ainda é escrito n: compare a pronúncia do "nk" ortográfico do inglês como em think. Exemplos do Etimologias (ver entradas TOP, SKAT e TAK):

top- "cobrir", pretérito tompë
hat- "quebrar, romper", pretérito hantë
tac- "atar, ligar", pretérito tancë

Verbos primários que possuem -l como sua consoante final parecem entregar o elemento nasal completamente; o pretérito de vil- "voar" é dado como villë (LR: 398 s.v. WIL). Talvez vil- (wil- como mais antigo) originalmente formava seu pretérito por meio de infixação nasal de modo parecido com os verbos acima, mas *winle eventualmente transformou-se em villë por assimilação. (Para este desenvolvimento do grupo nl mais antigo em quenya, compare o substantivo nellë "riacho", que Tolkien produziu a partir de nenle mais antigo: ver a entrada NEN no Etimologias, LR: 376.)

O tempo perfeito expressa a idéia de uma ação que foi completada no passado, mas que ainda é "relevante" para o momento presente, geralmente porque seus efeitos ainda são sentidos. O português não possui um tempo perfeito unitário, mas emprega uma circunlocução envolvendo o verbo "ter", como em "ele tem vindo (veio)". O quenya possui um tempo perfeito unitário. A sua formação é um tanto complexa. Todas as formas do perfeito recebem a desinência - (ou, com o sujeito no plural, -ier). A vogal do radical verbal é, se possível, alongada. Assim, a partir do radical tul- "vir" temos o tempo perfeito utúlië "tem vindo (veio)". Como vemos, um prefixo u- também aparece aqui. Este prefixo, chamado de aumento, é nada verdade variável em forma, uma vez que ele sempre é idêntico à vogal do próprio radical verbal. Assim:

mat- "comer" vs. amátië "tem comido (comeu)"
tec- "escrever" vs. etécië "tem escrito (escreveu)"
ric- "torcer, girar" vs. irícië "tem torcido, girado (torceu, girou)" (atestado em VT39: 9)
not- "contar" vs. onótië "tem contado (contou)"
tuv- "encontrar" vs. utúvië "tem encontrado (encontrou)" (ao encontrar a muda da Árvore Branca, Aragorn exclama utúvienyes = "Encontrei-a [lit. eu a tenho encontrado]")

Em algumas das formas mais primitivas do quenya de Tolkien, encontramos formas de tempo perfeito sem aumentos, como por exemplo lendië (ao invés de elendië) para "tem ido (foi)" ou "tem viajado (viajou)" (a forma lendien em SD: 56 – incorporando o sufixo -n "eu" – pode ser interpretada "eu tenho viajado (viajei)"). Ocasionalmente, o aumento também é omitido em fontes pós-SdA; ex: fírië ao invés de ifírië para "tem falecido (faleceu)" em MR: 250 (verbo fir- "falecer, desvanecer, morrer"). O exemplo lendië também é desprovido da vogal raiz longa geralmente associada com o tempo perfeito (e não *léndië). Isto acontece porque o quenya não pode ter uma vogal longa imediatamente na frente de um encontro consonantal, e a maioria dos verbos radicais A possuem um encontro consonantal sucedendo a vogal raiz que normalmente seria alongada no tempo perfeito. Estão faltando bons exemplos tolkienianos, mas pode-se supor que, exceto por este alongamento, o tempo perfeito de verbos derivados seja formado como no caso de verbos primários: prefixando a vogal raiz como um aumento e adicionando a desinência - (esta desinência substituindo o -a final de tais verbos derivados):

panta- "abrir" vs. apantië "tem aberto (abriu)"
menta- "enviar" vs. ementië "tem enviado"
tinta- "acender" vs. itintië "tem acendido (acendeu)"
costa- "brigar, disputar" vs. ocostië "tem brigado, disputado (brigou, disputou)"
tulta- "invocar, chamar" vs. utultië "tem invocado, chamado (invocou, chamou)"

Entretanto, os verbos derivados mais simples, com apenas a desinência curta -a, também podem apresentar o alongamento normal da vogal raiz (uma vez que não há encontro consonantal sucedendo a vogal). Um verbo como mapa- "agarrar, segurar" pode, portanto, formar seu tempo perfeito como se fosse um verbo primário **map-: o tempo perfeito provavelmente sendo   amápië. Os numerosos verbos radicais A em -ya podem se comportar de modo parecido. Quando a desinência de perfeito - é adicionado a um verbo em -a, regularmente retirando o -a final, podemos esperar a combinação final **-yië, mas o quenya não pode ter y + i. Assim sendo, -yi- é simplificado para -i-, de modo que nada é deixado da desinência original -ya. Em resumo, o tempo perfeito de um verbo em -ya pode ser formado como se esta desinência na verdade não estivesse presente, deixando apenas a raiz básica do verbo, que necessariamente comporta-se como um verbo primário no tempo perfeito. Podemos ter um exemplo atestado: no Etimologias, Tolkien listou o verbo vanya- "ir, partir, desaparecer" (LR: 397 s.v. WAN). O que poderia ser seu tempo perfeito, avánië, aparece no Namárië (com a desinência de plural -r para concordar com um sujeito no plural; Galadriel canta yéni avánier, traduzido "os longos anos se passaram", mais literalmente "…têm acabado (acabaram)"). A forma avánië mostra todas as características que um verbo no tempo perfeito pode ter: prefixação da vogal raiz como um a- aumento, alongamento da vogal raiz para á em sua posição normal e sufixação da desinência - (retirando completamente o -ya de vanya-). Em outra fonte pós-SdA, Tolkien tratou desta forma de tempo perfeito que ocorre no Namárië e a (re-?)interpretou como o tempo perfeito de verbo muito irregular auta- "ir embora": ver WJ: 366. Contudo, parece inteiramente possível que, quando Tolkien realmente escreveu o Namárië mais de uma década antes, ele tenha pensado em avánië como o tempo perfeito do verbo vanya-. Assim sendo, este exemplo revela como os numerosos verbos em -ya se comportam neste caso. Talvez o verbo vanya- tenha sido abandonado posteriormente por entrar em conflito com o adjetivo vanya "belo".

O tempo futuro possui a desinência -uva (ou, com um sujeito no plural, -uvar). Por exemplo, o futuro do verbo básico mar- "habitar, morar" ocorre no Juramento de Elendil: maruva "irá morar" (lá com a desinência pronominal -n "eu" anexada: sinomë maruvan, "neste lugar irei morar"). A vogal final de verbos radicais A parece desaparecer antes da desinência -uva; exemplos atestados incluem linduva como o futuro de linda- "cantar" e aparentemente oruva como o futuro de ora- "impelir". A forma antáva como o futuro de anta- "dar" (LR: 63) é um exemplo divergente; aqui a desinência mas simples -va é empregada, combinada com o alongamento da vogal final do radical verbal. Contudo, a forma antáva vem de uma fonte pré-SdA; Tolkien pode ter revisado o idioma posteriormente. Os outros exemplos que temos sugerem que, no quenya no estilo do SdA, o futuro de anta- deva ser antuva (não atestado).

O tempo futuro também é usado como um tipo de "fórmula de desejo" introduzida pela palavra nai "seja que" ou "possa ser que". Assim, uma forma de tempo futuro como tiruvantes "eles o guardarão" (tiruva "observarão/guardarão" + -nte "eles" + -s "o") pode ser usada para expressar um desejo ao se prefixar nai: o Juramento de Cirion possui nai tiruvantes para "seja que eles o guardem" ou "possam eles guardá-lo" (CI: 340, 498).

Outras formas: em acréscimo aos cinco tempos (conhecidos), o verbo do quenya também pode aparecer em formas como infinitivo, gerúndio e imperativo. O infinitivo de um verbo básico (ex: quet- "falar") apresenta a desinência -ë, como no exemplo polin quetë "eu posso falar" (VT41: 6). Verbos radicais A aparentemente não apresentam desinência especiais no infinitivo; o radical e o infinitivo são simplesmente idênticos (por exemplo, o verbo lelya- "ir", infinitivo lelya). Assim, o infinitivo é idêntico em forma a um aoristo (sem desinência). O quenya também possui um infinitivo estendido   que adiciona a desinência -ta; quando adicionada ao infinitivo de um verbo básico, sua desinência -ë aparece como -i-: enquanto que o infinitivo mais simples do verbo car- "fazer, criar" é carë, seu infinitivo estendido é dessa forma carita. O infinitivo estendido pode receber desinências pronominais indicando o objeto do infinitivo; ex: -s "o, a, isto" em caritas "fazer isto".

O infinitivo estendido também pode funcionar como um gerúndio, isto é, um substantivo verbal cujo equivalente em inglês é formado com a desinência -ing (-ndo no português; contudo, muitas vezes não há um equivalente satisfatório em português, pois a forma -ing inglesa também é usada para formar substantivos e alguns infinitivos; as adaptações necessárias serão feitas aqui [N. do T.]) (Esta desinência inglesa também é usada para formar particípios ativos, mas eles são bem distintos em quenya, terminando em -la.) Um infinitivo estendido pode ser visto funcionando como um gerúndio na frase carita i hamil mára alasaila ná, "não fazer ["fazendo"] o que você julga bom seria insensato" (VT42: 33). Outra desinência infinitiva/ gerundial é -, como no substantivo verbal tyalië "jogo, brincadeira" vs. o verbo básico tyal- "jogar, brincar". O -a final de um verbo radical A aparentemente seria omitido antes da desinência - ser adicionada (e no caso de um verbo terminando em -ya, toda esta desinência teria que desaparecer, uma vez que **-yië seria uma combinação impossível). Combinados com a desinência dativa -n "para, a", tais gerúndios em - podem expressar o significado de infinitivos significando "[a fim de] fazer": o verbo enyal- "recordar, rememorar" é atestado na forma enyalien "[para] rememorar/comemorar", que Tolkien explicou como um gerúndio declinado para o dativo (CI: 497).

O imperativo pode ser formado ao se colocar a partícula independente de imperativo á na frente de uma forma parecida com o infinitivo mais simples (ou aoristo sem desinência). Assim, de carë "fazer" pode ser formado a expressão imperativa á carë "faça!" ou "crie!" A partícula imperativa também pode aparecer na forma mais curta a, como quando os Portadores do Anel são saudados com o grito a laita te! "louvai-os!" no Campo de Cormallen. (Possivelmente a forma curta a é preferida quando há uma vogal longa ou ditongo no radical verbal que se sucede, como o ditongo ai do verbo laita- "abençoar, louvar".) Um negativo imperativo pode ser introduzido por áva "não!"; ex: áva carë "não faça [isto]!" (WJ: 371).

Existem também algumas formas atestadas de imperativo que não incluem a partícula independente de imperativo, mas empregam a desinência relacionada -a. Desse modo temos exclamações como ela! "olhe!" ou heca! "suma!" (WJ: 364). Cf. também ëa! como o imperativo do verbo "existir", usado por Eru Ilúvatar ao conceder existência independente à Música dos  Ainur: "Eä! Que essas coisas Existam!" Não se sabe o quão produtiva Tolkien pretendia que esta formação fosse. É possível que verbos básicos possam ter formas imperativas alternativas com a desinência -a (distintas do tempo presente, uma vez que a vogal raiz não é alongada). Por exemplo, talvez o imperativo de car- "fazer" possa se *cara! assim como á carë!

Verbos especiais: nem todos os verbos em quenya se ajustam facilmente no sistema esboçado acima. "Irregularidades" são com freqüência historicamente justificadas em termos da evolução fonológica fundamental que Tolkien tinha em mente e, nesta perspectiva, os verbos não são de modo algum irregulares. Então vamos falar de verbos "especiais" ao invés de "irregulares".

Um exemplo de "irregularidade" historicamente justificada é fornecido ao verbo rer- "semear". Poderíamos supor que seu pretérito fosse **rernë; cf. exemplos como tir- "observar", pretérito tirnë. Mas o verdadeiro pretérito "semeou" é rendë. A discrepância é facilmente explicada: enquanto o verbo tir- "observar" reflete diretamente a raiz primitiva TIR, de modo que o r tem sido r desde o início, o -r final do verbo rer- "semear" na verdade vem de um d primitivo: a raiz original é RED (LR: 383). O pretérito rendë é formado por simples infixação nasal desta raiz, tanto que este pretérito é na verdade completamente análogo a (digamos) quentë como o pretérito regular de quet- "dizer, falar". Porém, como o quenya evoluiu do élfico primitivo, um d original sucedendo uma vogal geralmente se tornava z e então r. Assim, a raiz RED produziu o verbo primário rez- > rer-, mas na forma de pretérito rendë, o infixo nasal "protegeu" o d original da vogal antecedente. Desse modo ele permaneceu d. – Outros verbos que podem pertencer a esta categoria incluem hyar- "fender", ser- "descansar" e nir- "apertar, empurrar", visto que eles são derivados das raízes SYAD, SED e NID (ver VT41: 17 sobre a última). Entretanto, as formas de pretérito hyandë, sendë e nindë não são explicitamente mencionadas em material publicado.

Uma forma atestada que pertenceria a esta categoria é lendë "foi" como o pretérito do verbo "ir, viajar". A forma lendë surge por infixação nasal de uma base LED (listada no Etimologias; de acordo com WJ: 363, ela é reformada a partir de DEL ainda mais antiga). A forma básica do verbo "ir" é lelya- (de ledyâ mais antigo), de modo que o pretérito lendë também ilustra outro fenômeno: alguns verbos em -ya omitem esta desinência no pretérito, que é então formado da mesma maneira como se estivéssemos lidando com um verbo primário. Especialmente interessante a esse respeito é o verbo ulya- "verter, derramar", que Tolkien observou como um pretérito duplo: "verteu" no sentido transitivo, como em "o homem verteu água em uma taça", é ulyanë com a desinência normal de pretérito - adicionada a -ya: uma forma perfeitamente "regular" de acordo com as regras estabelecidas acima. Porém, o pretérito "verteu" no sentido intransitivo, como em "o rio verteu para dentro do desfiladeiro", é ullë – como se este fosse um verbo primários *ul- ao invés de ulya-. (Compare com villë, como o pretérito de vil- "voar".) Isto sugere que verbos intransitivos em -ya perdem esta desinência no pretérito. Alguns outros verbos intransitivos podem parecer sustentar esta teoria, embora Tolkien tenha listado apenas as estranhas formas de pretérito sem explicá-las: já mencionamos (ledyâ >) lelya- "ir", pretérito lendë; outros exemplos incluem farya- "bastar, satisfazer", pret. farnë, e vanya- "ir, partir, desaparecer", pret. vannë (ao invés das formas "regulares" **lelyanë, **faryanë e **vanyanë).

Como já mencionamos, Tolkien pode ter substituído o verbo vanya- "desaparecer" por auta- "ir embora, partir", que possui um conjunto duplo de pretérito e tempo perfeito: pretérito oantë com o perfeito oantië se o verbo é usado com referência a deixar fisicamente um lugar e ir para outro, mas com pretérito vánë e perfeito avánië quando o verbo é usado com o sentido de desaparecer ou morrer gradualmente. A palavra vanwa "foi, perdeu, desapareceu, partiu" é dita ser o "particípio passado" deste verbo, embora ela pareça tão irregular que bem poderia ser tratada como um adjetivo independente. Ver WJ: 366.

Enquanto que o pretérito da maioria dos verbos envolve uma nasal, tanto na forma de infixação nasal (como em quen "disse" a partir de quet- "dizer") como parte da desinência longa de pretérito -në, há alguns verbos que não apresentam elemento nasal no pretérito. Ao invés disso, o pretérito é formado ao se alongar a vogal raiz e adicionando a desinência -ë. O pretérito lav- "lamber" é visto como lávë (composto no Namárië: undulávë = "mergulhou", isto é, "cobriu completamente"). O verbo negativo um- "não ser/estar" ou "não fazer" possui semelhantemente o pretérito úmë. Porém, a maioria das palavras formadas desta maneira a partir de verbos não são formas de pretérito, mas substantivos abstratos. Por exemplo, a palavra sérë liga-se ao verbo ser- "descansar", mas sérë não é o pretérito "descansou"; ela significa "descanso", um substantivo. A formação de pretérito representada por palavra como lávë e úmë é desse modo bastante ambígua por sua forma, e talvez seja por isso que ela não é muito usada.

Alguns verbos em -ta podem omitir esta desinência no pretérito, e o que permanece do radical verbal forma seus pretéritos conforme o modelo de úmë. Por exemplo, o verbo onta- "gerar, criar" pode possuir a forma de pretérito ónë (como uma alternativa à forma regular ontanë). Evidência indireta do SdA sugere que o verbo anta- "dar" pode agir da mesma maneira: pretérito ánë ao invés da (ou assim como a) forma regular antanë, por si só não atestada (enquanto que ánë aparece em material mais antigo). A forma em sindarin onen "eu dei", mencionada em uma apêndice do SdA, corresponderia ao quenya ánen (a desinência -n significando "eu").

O verbo "ser/estar": as únicas formas atestadas deste verbo são "é/está", nar "são/estão" e nauva "será/estará". O pretérito "foi/estava" pode ser . As formas de infinitivo de perfeito são incertas e não atestadas.

O adjetivo

Muitos adjetivos em quenya terminam na vogal a:
laiqua "verde"
alassëa "feliz" (de alassë "felicidade")
númenya "ocidental" (de númen "oeste")
vanya "belo"
morna "negro"
melda "querido, amado" (originalmente *melnâ; as desinências -na e -da podem às vezes ter a mesma origem, o n sendo diferenciado de d após l)

Existe também um número de adjetivos terminando em ë, como carnë "vermelho", varnë "moreno" ou inimeitë "feminino". Pode ser observado que, em quenya maduro, parece não haver adjetivos em -o ou -u. Relativamente poucos adjetivos terminam em uma consoante – tipicamente n, como em firin, qualin "morto" (de causa natural e por acidente, respectivamen-
te).
Adjetivos concordam em número com o substantivo que eles descrevem. Adjetivos em -a possuem formas plurais em -ë, adjetivos em -ë ou em uma consoante possuem formas plurais em -i, e adjetivos em -ëa possuem formas plurais em -:

vanya vendë "uma bela donzela" > vanyë vendi "belas donzelas"
carnë parma "um livro vermelho" > carni parmar "livros vermelhos"
laurëa lassë "uma folha dourada" > laurië lassi "folhas douradas"
firin casar "um anão morto" > firini casari "anões mortos"

Assim, na primeira linha do Namárië, encontramos laurië lantar lassi, "como ouro (lit. douradas) caem as folhas", enquanto que "dourada cai uma folha" seria laurëa lanta lassë (tanto o verbo como o adjetivo concordando com lassë, lassi "folha, folhas" em número).

O presente escritor certa vez pensou que o nome do jornal Vinyar Tengwar continha um erro; se o significado pretendido fosse "Letras Novas", teria que ser Vinyë Tengwar (vinya "novo", tengwa "letra"). Mas como Carl F. Hostetter subseqüen- temente explicou, o significado pretendido é "Cartas de Notícias", de modo que vinya está declinado como um substantivo. Este escritor ainda estava cético sobre toda a construção e achou que ela deveria ser Tengwar Vinyaron "Cartas de Notícias" ou algo parecido, mas o material que tem sido publicado mostra que "compostos soltos" deste tipo são realmente possíveis. (Uma última linha de defesa queixosa: tengwa "letra" é atestada apenas com o significado de "caractere", e não de "carta, correio"!) Pode-se notar que em algumas variantes mais primitivas de quenya (ou "qenya"), os adjetivos realmente tinham formas plurais em -r; cf. LR: 47, onde raikar é usado como a forma plural de raika "curvo". Tolkien revisou a gramática posteriormente.

Uma forma intensiva ou superlativa do adjetivo é formada ao se prefixar an-: calima "brilhante", ancalima "a mais brilhante (de, do, da)" (Letters: 279). Não sabemos como construir o comparativo ("mais brilhante"), embora o elemento yanta- seja comparado ao gnômico gantha- "mais" em uma lista de palavras muito antiga compilada por Tolkien (ver Parma Eldalambe- ron No. 11 pág. 37, onde a leitura errada "yonta" ocorre; este erro foi apontado no Parma Eldalamberon No. 12 pág. 106 – contudo, a última fonte também indica que yanta- é na verdade o verbo "alargar, aumentar", de forma que esta não pode ser uma palavra para "mais" no final das contas).

Os particípios

O particípio presente (ou ativo) descreve a condição na qual você está quando faz alguma coisa: se você vai, você está indo; se você pensa, você está pensando. Em inglês, os particípios presente são formados a partir dos radicais verbais correspon- dentes ao se adicionar a desinência -ing (deve-se cuidar para que não haja confusão com o gerúndio português, formado por -ndo; mas é pouco provável que isto aconteça, uma vez que o particípio e o gerúndio em quenya são bem distintos pelas suas desinências. [N. do T.]) A desinência correspondente em quenya é -la. Existem muitos exemplos disto no poema Markirya (MC: 221-222 cf. 223). Por exemplo, o particípio falastala "espumando" é derivado do radical verbal falasta- "espumar". Se a vogal raiz não é sucedida por um encontro consonantal (ou por outra vogal), ela é alongada: o particípio de hlapu- "voar" (no vento, etc.) é hlápula. Radicais verbais básicos como sil- podem ser transformados em "radicais continuativos" (com vogal longa e a final: síla-) antes da desinência de particípio ser adicionada, de modo que "brilhando" pode ser sílala (atestada no poema Markirya com um radical "freqüentativo" sisílala, com duplicação da primeira sílaba). Mas a vogal de ligação também pode ser i, sem alongamento da vogal raiz; cf. itila "cintilando, reluzindo" em PM: 363 (radical it-, embora um radical verbal ita- também seja dado).

O particípio passado (ou passivo) descreve a condição na qual você está se você é exposto à ação do verbo correspondente (se alguém você, você é visto; se alguém mata você, você estará, por conseguinte, morto), ou, no caso de alguns verbos, a condição na qual você se encontra após ter executado a ação descrita pelo verbo (se você vai, você, por conseguinte, terá ido). Em quenya, a maioria dos particípios passados são formados a partir do verbo correspondente com a desinência -na ou -ina. O particípio passado de car- "criar" é carna "criado"; o radical rac- significa "quebrar", enquanto que rácina é "quebra- do" (se não houver um encontro consonantal sucedendo a vogal raiz, esta vogal parecer ser alongada quando a desinência de particípio é adicionada, como a > á neste caso). Se o radical termina em l, a desinência -na é diferenciada de -da: mel- "amar", melda "amado".

O particípio passado provavelmente concorda em número com o substantivo que ele descreve (com -a final se tornando -ë no plural, assim como adjetivos normais), mas o particípio presente não muda -la para -como se podia supor; ele parece ser indeclinável (MC: 222: rámar sisílala "asas brilhando", e não **rámar sisílalë). Talvez isto seja como é evitar confusão com a desinência de substantivo - "-ing (em inglês)" (como em Ainulindalë "a Música dos Ainur", literalmente *"Canto Ainu").

Pronomes

Os pronomes sempre foram um problema. Existem muitos pontos incertos, e a questão é ainda mais enlameada pelo fato de que Tolkien parece ter revisado sistema pronominal repetidamente. O sistema esboçado aqui é compilado de muitas fontes e  envolve tanto extrapolações como reconstruções e algumas escolhas inegavelmente arbitrárias. Nem por um segundo achei que isto está 100 % correto de acordo com as intenções finais de Tolkien.

Uma coisa, pelo menos, está perfeitamente clara: os pronomes em quenya geralmente aparecem como desinências diretamen- te sufixadas a um verbo ou substantivo, e não tão freqüente como palavras independentes, como em português. Exemplos do Namárië são as palavras máryat e hiruvalyë. Máryat significa "suas mãos", "suas" sendo expressa pela desinência pronomi- nal -rya (aqui sucedida pela desinência dual -t para indicar um par natural de mãos). Hiruvalyë é "tu encontrarás", "tu" sendo expresso pela desinência pronominal -lyë adicionada ao verbo hiruva "encontrará(s)". Cf. também a desinência -n "eu" nas palavra de Elendil Endorenna utúlien, "para a Terra-média eu vim" (utúlië-n "vim-eu").

Esta é uma tentativa, e nada mais, de compilar uma tabela das desinências pronominais usadas em verbos:

1. pessoa sing: -n ou -nyë "eu"
2. pessoa sing e pl, polido: -l ou -lyë "tu, vós"
2. pessoa sing e pl, familiar: *-ccë "você" (baseado em uma desinência em sindarin -ch, muito hipotética!)
3. pessoa sing: -s "ele, ela" (também podem ser formas específicas de gênero -ro "ele", - "ela")
1. pessoa pl. -mmë: "nós" (exclusiva), -lmë "nós" (inclusiva)
1. pessoa dual *-lvë: "nós" (inclusiva, "tu e eu" – é possível que esta devesse ser, ao invés disso, *-lwë)
3. pessoa plural -ntë "eles"

Note que há uma distinção entre "nós" exclusivo e inclusivo, despendendo se a pessoa a que se dirige está incluída em "nós" ou não. Note também que -lmë é a inclusiva, e não o "nós" exclusivo – o "nós" exclusivo é  -mmë! A desinência *-lvë (ou *-lwë?) é o "nós" inclusivo dual, isto é, "nós" significando "tu e eu", e não o "nós" inclusivo (plural) geral. Esta parte do sistema pronominal do quenya por muito tempo foi mal interpretado (no An Introduction to Elvish de Jim Allan , no Basic Quenya de Nancy Martsch, etc, etc.)

Exemplo: lendë "foi", lenden ou lendenyë "eu fui", lendel ou lendelyë "vós fostes [polido]", lendeccë "você foi [familiar]', lendes "ele/ela/ foi", lendemmë "nós [exclusivo] fomos", *lendelmë "nós [inclusivo] fomos", lendelvë (ou ao invés disso lendelwë?) "nós [= tu e eu] fomos", lendentë "eles foram". O objeto também pode ser expresso como uma desinência pronominal adicionada diretamente ao verbo, sucedendo a desinência indicando o sujeito. Cf. a exclamação de Aragorn quando ele encontrou a muda da Árvore Branca: Utúvienyes!, "Encontrei-a!" (utúvie-nye-s "encontrei-eu-ela"; SdA3/VI cap. 5), ou uma palavra do Juramento de Cirion: tiruvantes "eles o guardarão" (tiruva-nte-s "guardarão-eles-o, CI: 340).

Como indicado pela palavra máryat "suas mãos" tratada acima, mesmo pronomes possessivos como "sua, seu, meu" são expressos por desinências em quenya, adicionadas diretamente ao substantivo (neste caso, "mão"). As desinências possessivas usadas em substantivos em sua maioria correspondem às desinências pronominais usadas em verbos, mas possuem a desinência -a:

1. pessoa sing: -nya "meu"
2. pessoa sing e pl, polido: -lya "teu, *vosso"
2. pessoa sing e pl, familiar: *-cca "seu" (baseado em uma desinência em sindarin, muito hipotética!)
3. pessoa sing: -rya "seu, sua (dele, dela)"
1. pessoa pl: *-mma: "nosso" (exclusivo), *-lma "nosso" (inclusivo)
1. pessoa dual: *-lva: "nosso" (inclusivo, "teu e meu" – talvez devesse ser *-lwa)
3. pessoa pl.: *-nta "deles"

Exemplo: parma "livro", parmanya "meu livro", parmalya "vosso livro (polido)", parmacca "seu livro (familiar)", parmarya "livro dele, dela)", parmamma "nosso (exclusivo – não o seu!) livro", parmalma "nosso (incluindo o seu) livro", parmalva (ou parmalwa?) "nosso (teu e meu) livro", parmanta "livro deles" (o último dos quais não deve ser confundido com o alativo dual "para um par de livros"). No caso de substantivos terminando em uma consoante, um e pode ser inserido entre o substan- tivo e a desinência possessiva; ex: macil "espada", *macilerya "sua espada (dele)". No plural, a desinência de plural -i pode servir para separar substantivo e desinência; ex: macili "espadas", maciliryar "suas espadas (dele)" – mas como vemos, uma desinência de plural adicional r aparece após o sufixo; cf. o próximo parágrafo. Há algumas indicações de que a desinência -nya "meu" sempre prefere i como sua vogal de ligação, mesmo no singular, como em Anarinya "meu Sol" em LR: 72 (Anar "Sol"). Assim, *macilinya "minha espada".

As formas com desinências possessivas são declinadas como substantivos normais. Exemplos construídos: nominativo parma- nya "meu livro" (pl. parmanyar "meus livros"), genitivo parmanyo "de meu livro" (pl. parmanyaron), possessivo parmanya- va "do meu livro" (pl. parmanyaiva), dativo parmanyan "para meu livro" (pl. parmanyain), locativo parmanyassë "no meu livro" (pl. parmanyassen), alativo parmanyanna "a meu livro" (pl. parmanyannar), ablativo parmanyallo "a partir do meu livro" (pl. parmanyallon, parmanyallor), instrumental parmanyanen "pelo meu livro" (pl. parmanyainen) – e respectivo parmanyas pl. parmanyais, seja o que for que isto signifique. Exemplos atestados são tielyanna "sobre seu caminho" em CI: 10 cf. 455 (tie-lya-nna "caminho-seu-sobre") e omentielvo "do nosso encontro" na famosa saudação elen síla lúmenn' omentielvo "uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro" (omentie-lva-o "encontro-nosso-do", a desinência genitiva -o retirando o -a final da desinência pronominal; cf. Vardo para **Vardao).

Entretanto, o quenya possui pronomes independentes em acréscimo às numerosas desinências tratadas acima. Alguns deles são enfáticos. As linhas finais do Namárië nos fornecem um bom exemplo disto. Na frase nai hiruvalyë Valimar "talvez tu encontrarás Valimar", "tu" é expresso com a desinência -lyë anexada ao verbo hiruva "encontrará", como explicado acima. Mas na frase seguinte, nai elyë hiruva "talvez mesmo tu a encontrará", o correspondente pronome independente elyë é usado para ênfase: por isso a tradução "mesmo tu". Outro pronome independente atestado é inyë "(mesmo) eu". Supõem-se que a maioria dos pronomes independentes são formados ao se prefixar e- à desinência pronominal correspondente, como *elmë "(mesmo) nós", mas a maior parte destas formas não são atestadas no nosso pequeno corpus. As palavras enfáticas para "ele, ela" são incertas.

Outros pronomes independentes, aparentemente não enfáticos, incluem ni "eu" (dativo nin "para mim" no Namárië), nye "me, mim", tye "te, ti, lhe", ta "o, a", te "os, as" (e *"eles"?), me "nós" (dual met "nós dois" no Namárië). "Ele, ela" pode ser so, se (cf. LR: 385).

APÊNDICE: EXEMPLOS DE SUBSTANTIVOS DO QUENYA DECLI- NADOS COMPLETAMENTE

Os exemplos a seguir são em sua maioria parte daqueles listados por Tolkien na Carta Plotz, enviada para Dick Plotz no meio da década de sessenta; reproduzida por Nancy Martsch no Basic Quenya Apêndice A:

1. CIRYA "navio" (um R-plural)
Singular: nominativo cirya "um navio", (acusativo ciryá apenas no arcaico quenya livresco), dativo ciryan "para um navio", genitivo ciryo "de um navio", possessivo ciryava "de um navio", locativo ciryassë "em um navio", alativo ciryanna "a um navio", ablativo ciryallo "a partir de um navio", instrumental ciryanen "com/por um navio", respectivo ciryas (significado desconhecido).

Plural: nominativo ciryar "navios", (acusativo ciryai em quenya livresco, posteriormente ciryar,) dativo ciryain, genitivo ciryaron, possessivo *ciryaiva (não na Plotz), locativo ciryassen, alativo ciryannar, ablativo ciryallon (ou *ciryallor, não na Plotz), instrumental ciryainen, respectivo ciryais.

Plural partitivo: nominativo ciryali *"alguns navios" (no arcaico "quenya livresco" ciryalí tanto no nominativo como no acusativo), dativo ciryalin, genitivo ciryalion, possessivo ciryalíva, locativo ciryalissë ou ciryalissen, alativo ciryalinna ou ciryalinnar, ablativo ciryalillo ou ciryalillon, instrumental ciryalínen, respectivo ciryalis.

Dual: nominativo ciryat "dois navios, um par de navios" (nenhum acusativo distinto em quenya arcaico?), dativo ciryant, genitivo ciryato, possessivo ciryatwa, locativo ciryatsë, alativo ciryanta, ablativo ciryalto, instrumental ciryanten, respectivo ciryates. No caso de um u-dual, contudo, a dualidade já é suficientemente expressa pelo sufixo -u, de modo que as desinências casuais normais sem t são (presumidamente) usadas: nominativo aldu "duas árvores", (acusativo *aldú,) genitivo *alduo, possessivo *alduva, dativo *alduen, alativo *aldunna, ablativo *aldullo, locativo *aldussë, instrumental *aldunen, respectivo *aldus.

2. LASSË "folha" (um I-plural)
Singular: nominativo. lassë "folha", (ac. lassé,) dativo lassen "para uma folha", genitivo lassëo "de uma folha", possessivo lasséva "de uma folha", locativo lassessë "em uma folha", alativo lassenna "a uma folha", ablativo lassello "a partir de uma folha", instrumental lassenen "com uma folha", respectivo lasses (significado desconhecido).

Plural: nom. lassi "folhas", (ac. lassí,) dat. lassin, gen. lassion, poss. *lassiva (não na Plotz), loc. lassessen, al. lassennar, abl. lassellon ou lassellor, inst. lassinen, resp. lassis.

Plural partitivo: nom. lasseli (em "quenya livresco" lasselí tanto no nom. como no ac.), gen. lasselion, poss. lasselíva, dat. lasselin, loc. lasselisse/lasselissen, al. lasselinna/lasselinnar, abl. lasselillo/lasselillon, instr. lasselínen, resp. lasselis.

Dual: nom/ac lasset "um par de folhas", dat. lassent, gen. lasseto, poss. lassetwa, loc. lassetsë, al. lassenta, abl. lasselto, inst. lassenten, resp. lassetes.

A Carta Plotz não fornece algum exemplo de um substantivo terminando em uma consoante, mas deve ser algo assim:

3. NAT "coisa"
Singular: nominativo nat "coisa", dativo *naten "para uma coisa", genitivo *nato "de uma coisa", possessivo *natwa "de uma coisa", locativo *natessë "em uma coisa", alativo *natenna "a uma coisa", ablativo *natello "a partir de uma coisa", instrumental *natenen "por/com uma coisa", respectivo *nates (significado desconhecido).

Plural: nom. *nati "coisas", (ac. *natí,) dat. *natin, gen. *nation, poss. *nativa, loc. *natissen, al. *natinnar, abl. *natillon ou *natillor, inst. *natinen, resp. *natis.

Plural partitivo: nom. *nateli (em "quenya livresco" *natelí tanto no nom. como no ac.), dat. *natelin, gen. *natelion, poss. *natelíva, loc. *natelisse/natelissen, al. *natelinna/natelinnar, abl. *natelillo/natelillon, instr. *natelínen, resp. *natelis.

Dual: nom/ac *natu "um par de coisas" (a desinência -u sendo preferida uma vez que o radical termina em um t): dat. *natuen, gen. *natuo, poss. *natuva, loc. *natussë, al. *natunna, abl. *natullo, instr. *natunen, resp. natus. Mas um radical consonantal não terminando em -t ou -d, como elen "estrela", provavelmente seria assim: nom/ac. *elenet "um par de estrelas", dat. *elenent, gen. *eleneto (*elento?), poss. *elenetwa, loc. *elenetsë, al. *elenenta (talvez contraída para *elenta), abl. *elenelto, inst. *elenenten (talvez contraída para *elenten), resp. *elenetes (*elentes?).
 

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Helge Kåre Fauskanger

Sexo: M (garotas são chamadas Helga) 

Pronúncia do meu pobre nome (com letras engraçadas e tudo): pronuncie "relgue káre fevskanguer" como seria natural resultar, de acordo com a grafia portuguesa, em uma aproximação aceitável (e por favor, mantenham a ênfase na primeira sílaba nos três nomes). 

E-mail: helge.fauskanger@nor.uib.no. Atualmente devo desencorajar e-mails casuais, que provavelmente permanecerão sem resposta uma vez que houve uma crise médica na minha família: meu pai sofreu um derrame e ainda não se recuperou totalmente. Devo desencorajar particularmente pessoas que desejem que eu comente suas composições élficas; ao invés disso, mande seu poema para a lista Elfling, por favor (veja meus links). Muitas das perguntas que as pessoas freqüentemente me fazem estão respondidas no FAQ geral Gildor Inglorion, que por sua vez é um suplemento do Elfling FAQ. Por favor, tente encontrar uma resposta para sua pergunta nestes documentos antes de fazê-la a mim. – Se você quer me escrever, por favor tenha a certeza de primeiro desativar o Rich Text Editor se você estiver usando Hotmail; de outro modo, meu velho programa poderá interpretar apenas a linha com o assunto de sua carta. 

Correio usual: Helge K. Fauskanger, Lille Fauskanger, 5314 Kjerrgarden, Noruega. Por favor note que "Lille Fauskanger" é um lugar, e não uma pessoa! Tenho recebido cartas com meu nome seguido de "A/C Lille Fauskanger", mostrando que algumas pessoas aparentemente acham que "Lille" é minha mãe ou algo assim, e que quaisquer cartas para mim devam ser entregues a ela! Na verdade, "lille" é o adjetivo "pequeno". Meu ancestrais estabeleceram-se no distrito de Fauskanger em 1749, e naturalmente pegaram seu nome de família de seu lugar de moradia. Fauskanger é subdividido (por algumas colinas) em Store e Lille Fauskanger, Grande e Pequena Fauskanger. O último nome forma parte do meu endereço, uma vez que por acaso  é onde eu vivo. Espero que isto enterre o mito da misteriosa Sra. Lille Fauskanger que supostamente cuida da minha correspondência!

(OBS: toda a correspondência para Helge DEVE estar em inglês… ele tem recebido alguns e-mails em italiano e espanhol, e não tem como respondê-los se não estiverem em inglês ou em algum dos idiomas escandinavos.)

Nascimento: 17 de agosto de 1971

Escolariedade: Cand. filólogo. (correspondendo, aproximadamente, a um mestrado) em idiomas nórdicos. Escrevi um tratado sobre traduções norueguesas da Bíblia, com comparações detalhadas de três versões modernas.

Opinião política: provavelmente libertário; faz algum tempo desde que eu chequei o que eu quero dizer com isto. Nem me incomodei em votar na última vez. (Atualizado em 1997: este ano meu "voto" consistiu de uma nota com as palavras "Não, acho que não.)

Interesses gerais: exploração espacial; religiões e superstições populares como fenômeno cultural (admiro o trabalho de James Randi); certos aspectos de biologia (evolução); arqueologia; lingüística. Também aprendi um pouco de hebraico, em parte para ganhar uma perspectiva lingüística mais ampla, mas também para minha própria satisfação. Na infância eu era fascinado por inscrições antigas e escritas estranhas, de modo que fui presa fácil para a lingüística tolkieniana – ainda mais quando tenho vontade passar muito tempo e gastar energia explorando um universo ficcional, se ele é cuidadosamente construído, com um olho para detalhes. E o mundo de Tolkien definitivamente é assim.

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Gabriel Oliva Brum

Escolaridade:
Bacharel em Letras, tradução de inglês, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Interesses gerais:

-Literatura russa, inglesa, escandinava, japonesa e norte-americana, particularmente a especulativa, com autores como Tolkien, Lovecraft, Herbert, Asimov, James, Le Fanu, Dunsany;

- Mangás (Lobo Solitário, Vagabond, Akira) e animês (Cowboy Bebop, Akira, Yamato, Ghost in the Shell, Legend of the Galactic Heroes, qualquer um do Ghibli);

- Música – rock em seus mais variados estilos (hard rock e heavy metal, principalmente: Queen, Jethro Tull, Iron Maiden, Grave Digger, Blind Guardian) e clássica (Wagner e Beethoven);

- Línguística histórica e filologia;

- Idiomas (inglês, finlandês, galês, sueco, islandês antigo e moderno, dinamarquês, norueguês, holandês, japonês, anglo-saxão, grego, latim, sânscrito, quenya, sindarin, adûnaico… :) ).

Pequeno histórico tolkieniano: Coloquei as mãos em uma edição do SdA pela primeira vez em 1994 e a paixão foi imediata. Desde então, venho estudando a obra em seus mais variados aspectos. Aprendi inglês lendo textos originais de Tolkien, o que faço com prazer até hoje. No segundo semestre de 2000 conheci o site Calaquendi e entrei para a lista de discussão do mesmo e também para a lista do Na Toca do Hobbit. Passei a traduzir textos (principalmente da HoME) para as listas por simples diversão e posteriormente os textos passaram a ser publicados diretamente na Calaquendi. Quando da fusão da Calaquendi com o site Pelennor em 2001, que resultou no atual Valinor, continuei traduzindo mais textos da HoMe e, no início de 2002, entrei definitivamente para a equipe da Valinor, com o nick de “Tilion” (o mesmo que continuo usando no Fórum Valinor e na Brasnet). Além dos textos da HoME, passei a me interessar mais pelos textos de Michael Martinez e traduzi alguns deles.
Tomei conhecimento do site Ardalambion ainda em 2000, mas só passei a traduzir algo no início de 2002, ainda por pura diversão, claro. Trata-se do Curso de Quenya do próprio Helge. A princípio, por achar que não iria muito longe com a tradução, mantive ele apenas para mim. Mas meu interesse nos idiomas élficos ia crescendo rapidamente, e por fim resolvi dividir isso com o público da Valinor. Hoje o Curso de Quenya está inclusive publicado em livro.

Da tradução do site: apesar de já haver algumas versões dos artigos de Helge em português, muita coisa ainda estava sendo negligenciada. Para corrigir esta situação, e para tornar acessível ao público desejoso de tomar conhecimento dos excelentes artigos linguísticos do site, mas que não o fizeram antes por não dominarem a língua inglesa, me dispus a traduzir todo o conteúdo aqui contido na íntegra. Este é um trabalho de esforço único e de caráter respeitoso quanto aos esforços de Helge em tornar mais acessíveis os idiomas de Tolkien; por isso, peço que nenhuma parte deste site seja reproduzida em qualquer outro lugar (especialmente na net) sem as autorizações prévias de minha parte e de Helge Fauskanger (a impressão do conteúdo aqui contido para uso pessoal é permitida, desde que permaneça realmente pessoal).

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Bem-vindo ao Ardalambion – Das Línguas de Arda, o mundo inventado de J. R. R. Tolkien

O site mais abrangente sobre os idiomas inventados de Tolkien que você provavelmente encontrará na rede. NOTA: quando escrevo á, é, í, ó, ú, espero que você veja as vogais a, e, i, o, u com um acento na sua tela. Da mesma forma, espero que você veja as mesmas vogais com um circunflexo quando escrevo â, ê, î, ô, û (ex: em Barad-dûr). Quando escrevo ä, ë, ö, espero que você veja a, e, o com um trema: Manwë, Eärendil, Eönwë. Se, ao invés disso, aparecerem outros caracteres estranhos, você pelo menos saberá o que deveria ser lido ali!

Este web site é dedicado a Christopher Tolkien

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