Lindë Rocalassen (Ales Bican)

Por Ales Bican

I.

Roccalas, linda lótë nórelyo,
anvanya yeldë Roccoliéva,
le calina ve Naira ilwessë;
le rín’ anda laurëa loxenen,
caltala ve i calimë alcar,
Roccalas aranel turmawendë

II.

Elyë lantanë melmessë sonen;
merilyë melmerya, ness’ aranel.
Arwen ëa óress’ Elessarwa;
náro vëaner ar canya ohtar;
melilyes nan umiro melë le,
Roccalas aranel turmawendë

III.

Utúlie’n i mórë; autantë
mahtien ohtassë hair’ nóressen,
ar le hehtanentë i maressë:
merintel tirië nissi, híni
i artassen mí tárë oronti,
Roccalas aranel turmawendë

IV.

Merilyë hirë metta nyérelyo;
essenen Haldatir sí lelyalyë
muilessë ve i sanya rocconer;
mí hiswë hendu perino cennë
quén ú estelo i merë firë
Roccalas aranel turmawendë

V.

Nu qualin roccorya cait’ i aran
i né ve atar len ar tornelyan; 
arwa macilo matsë yétalyë
rúcim’ ulundo acolë caurë;
cuina nér úva pusta Loicoher
Roccalas aranel turmawendë

VI.

Roccalas, umilyë nér, nályë nís;
náro pold’, úmëa, morn’ ar alta,
turë or caurë ar Sauron or so;
ortanelyë macil tárienna,
rierya lantanë, alantiéro,
Roccalas aranel turmawendë

VII.

Mernelyë firë ar harya alcar;
mahtanelyë Heru Úlairion,
ar náro qualin nan sí caitalyë
ar’ aranelya, lá cenilyéro;
umilyë hlarë teldë quettaryar,
Roccalas aranel turmawendë

VIII.

Nályë laiw’ ar nyérëa cuilenen;
linyenwa nís quet’ enwina nólë:
i mát i aranwa envinyatar.
Roccalas, collentë len er cuilë,
nan lá alassë ar ëa-írë,
Roccalas aranel turmawendë

IX.

I melmë arandurwa hirnelyë;
vantanéro ar quentéro yo le
imb’ aldar ar lóti mareryassë;
ar quentéro lenna meliro le;
sí nályë envinyanta melmenen
Roccalas aranel turmawendë

X.

Sí avalyë turë ve i tári;
nauvalyë envinyatarë ve so,
lá turmawendë ar lá aranel,
meluvalyë ilqua cuin’ ar vanya;
ve meluvárol, meluvalyë so,
Roccalas indis envinyatarë

Comentários

Apesar deste poema não fazer uso de rimas e aliteração, o poeta empregou uma regra métrica: cada verso (linha) possui dez sílabas. Para que isso fosse conseguido, algumas palavras foram encurtadas ao se elidir as vogais finais.

Lindë Roccalassen
Canção à Éowyn

O nome Éowyn é inglês antigo (em SdA representando o próprio idioma dos Rohirrim). Ele significa "alegria de cavalo"; veja An Introduction to Elvish pág. 216. "Alegria de cavalo" como um nome pode ser traduzido em Quenya como Roccalassë (isto é, rocco "cavalo" + alassë "alegria"; essas palavras também poderiam ter sido compostas como Roccólassë, mas isso iria obscurecer o segundo elemento e o deixaria propenso à alguma confusão com lassë "folha"). Geralmente Roccalassë pode ser encurtado para Roccalas (mas ainda Roccalass- antes de uma desinência, por isso o dativo Roccalassen "para/à Éowyn" aqui). – Como uma curiosidade, pode ser notado que o nome "real" de Éowyn, isto é, o nome que Tolkien, em teoria, verteu para o inglês antigo quando ele traduziu o Livro Vermelho para produzir o SdA, evidentemente começava em loho- ou -: em PM: 53, o Professor explicou que "o elemento éo-, que aparece tão freqüentemente (e não de modo não-natural, sendo uma palavra antiga que significa "cavalo", entre um povo devotado aos cavalos), representa um elemento loho-, - de mesmo sentido". Esse loho com certeza está intimamente relacionado com a palavra em Quenya para "cavalo", rocco – uma prova da grande influência das línguas Élficas nos idiomas dos Homens. Assim, ao traduzir "Éowyn" para o Quenya como Roccalas, podemos deixar seu nome um pouco mais próximo de sua suposta forma original.

I.

Roccalas, linda lótë nórelyo,
Éowyn, linda flor de sua terra,
anvanya yeldë Roccoliéva,
a filha mais bela do Povo dos Cavalos,
le calina ve Naira ilwessë;
você [é] luz como [o] Sol no céu;
le rín’ anda laurëa loxenen,
você [é] coroada por um longo cabelo dourado,
caltala ve i calimë alcar,
brilhando como os raios brilhantes de luz,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa guerreira

Anvanya "a mais bela", isto é, vanya "belo" com o prefixo superlativo ou intensivo an- (Cartas: 279). Roccolië "Povo dos cavalos" (rocco + lië), os rohirrim (o nome sindarin significa "senhores dos cavalos"); aqui no caso possessivo: Roccoliéva. Calina "luz" (como adjetivo), mas significando preferencialmente "brilho" (calima, ocorrendo posteriormente na estrofe na forma pl. calimë, possui e muito o mesmo significado). Naira "Coração de Chama", um nome do sol (MR: 198). Rín’, forma encurtada de rína (a vogal final elidida, visto que a próxima palavra começa com a mesma vogal). Loxenen, caso instrumental de loxë "cabelo" para expressar "por, pelo cabelo". Caltala "brilhando", particípio presente (ou ativo) de calta- "brilhar". Note que alcar no quinto verso não é o substantivo no singular alcar "glória", mas a forma pl. de alca "raio de luz" (nenhum mal entendido deveria ser possível, uma vez que o adjetivo calima "brilhante" aparece na forma plural calimë para concordar com alcar). Aranel "princesa" (CI: 242). Turmawende "donzela-do-escudo" (turma + wende).

II.

Elyë lantanë melmessë sonen;
Você se apaixonou por ele;
merilyë melmerya, ness’ aranel.
você quer seu amor, jovem princesa.
Arwen ëa óress’ Elessarwa;
Arwen está no coração de Elessar;
náro vëaner ar canya ohtar;
ele é um homem e um guerreiro corajoso;
melilyes nan umiro melë le,
você o ama, mas ele não ama você,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

A expressão elyë lantanë melmessë para "você se apaixonou" é com certeza diretamente baseada no idioma português, e pode-se dizer que os elfos provavelmente não teriam precisamente a mesma expressão mas, no entanto, entre os leitores em potencial deste texto, infelizmente não estarão incluídos quaisquer elfos. Sonen "por ele", o caso instrumental de *so "ele". (A expressão em quenya aponta para o fato de que este amor não foi correspondido.) *So é atestada apenas como uma palavra primitiva (LR: 385 s.v. S-), mas ela bem pode ter sobrevivido no quenya; o sufixo atestado -ro usado em verbos está intima- mente relacionado (s intervocálico se tornando r via z). *So por si só é usada para "ele" em estrofes posteriores. Ness’ encur- tada a partir de nessa "jovem" (de acordo com o Etimologias, este também é o significado do nome da Valië Nessa, embora este nome seja explicado de modo diferente em outro lugar). Óress’, forma elidida de óressë, locativo de órë "coração, consciência". Em um contexto como "Arwen está no coração…", se referindo a uma posição, parece que ëa ao invés de deve ser usada para "está" (cf. i Eru i or ilyë mahalmar ëa para "o Um [Deus] que está acima de todos os tronos para sempre" em CI: 340, 498: Eru existe nesta sublime posição). Náro "ele é", "é" (como verbo de ligação) + a desinência -ro "ele" mencionada acima. A palavra náro na verdade ocorre no poema em q(u)enya mais antigo de Tolkien, Narqelion, e bem pode significar "isto/ele é". Vëaner "homem (adulto)" (LR: 398); isto é claramente nér (composta como -ner) "homem" com o prefixo vëa- que significa "adulto, viril, vigoroso"; a palavra aparentemente se refere a um homem robusto e vigoroso. Melilyes "você o ama, tu o amas", aoristo de mel- "amar" com os sufixos -lyë "você, tu" e -s; o último é atestado apenas com o significado de "isto", mas pode muito bem abranger toda a 3ª pessoa do singular, o radical S- dando origem à palavras tanto para "ele", "ela" e "isto" (LR: 385); aqui ele é usado para "o" (pronome oblíquo). Quanto ao verbo mel-, Tolkien indicou que o radical MEL significa "amar (como amigo)" (LR: 372). Ao escrever isto, ele pode ter imaginado que isto se referia a amor platônico ao invés de amor erótico entre os sexos. Contudo, não temos outra palavra para "amor", e existem vários exemplos com o próprio Tolkien usando suas palavras com nuanças de significado que parecem ir além do que suas declara- ções (feitas em outro lugar) sobre o significado preciso do radical relevante dão a entender. Umiro melë le "ele não ama você": o verbo de negação um- "não fazer, não ser" combinado com melë, o "radical aoristo" de mel-, aqui usado em um sentido "infinitivo" (compare com o uso "infinitivo" de carë em uma expressão como áva carë, "não faça [isto]", WJ: 371). Le "você, tu"; alguns podem argumentar que este é apenas o plural "vocês", mas isto provavelmente serve para a desinência -lyë. Abaixo, a desinência curta correspondente -l é usada para o singular "você" em posição de objeto (merintel "eles querem você").

III.

Utúlie’n i mórë; autantë
A escuridão chegou; eles partem
mahtien ohtassë hair’ nóressen,
para lutar em uma guerra em terras distantes,
ar le hehtanentë i maressë:
e você eles deixaram em casa:
merintel tirië nissi, híni
eles querem você para vigiar mulheres, crianças
i artassen mí tárë oronti,
nas fortalezas nas altas montanhas,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Utúlie’n i morë para "a escuridão chegou" é baseada em utúlie’n aurë "o dia chegou" no cap. 20 do Silmarillion; ninguém sabe realmente por que um n é inserido aqui, mas provavelmente ele é colocado pela eufonia quando a próxima palavra começa em uma vogal (ou teríamos três vogais em hiato; isto é impossível). Auta- "partir", WJ: 366. Mahtien, dativo de mahtië, gerúndio de mahta- "brandir uma arma, lutar"; assim, mahtien = "(para) lutar". Hair’, forma encurtada de hairë, pl. de haira "remoto, distante" (no plural para concordar com nóressen, locativo pl. de nórë "terra"). Le hehtanentë "você eles deixaram". O verbo hehta- possui fortes implicações além de meramente deixar algo em oposição a levar algo com você; esta palavra significa "pôr de lado, omitir, excluir, abandonar, esquecer" (WJ: 365), e Éowyn certamente se sentiu excluída. I maressë "em casa" (maressë, locativo de már "casa", ver o Apêndice do Silmarillion, entrada bar; a vogal longa de már é provavelmente encurtada em formas declinadas, como também acontece em palavra compostas; cf. nomes como Mar-nu-   Falmar ou Eldamar). Merintel tirië nissi, híni "eles querem que você vigie mulheres (e) crianças"; tirië é o gerúndio de tir- "observar, vigiar, guardar". Não temos exemplos criados por Tolkien para uma expressão similar a "eles querem você para vigiar", de modo que a sintaxe deve permanecer especulativa: pode ser que o radical verbal simples tirë deva ser usado aqui, ou talvez Tolkien teria empregado uma construção bem diferente, atualmente desconhecida.

IV.

Merilyë hirë metta nyérelyo;
Você quer encontrar um fim para seu pesar;
essenen Haldatir sí lelyalyë
sob o nome [de] Dernhelm agora você parte
muilessë ve i sanya rocconer;
secretamente como um [lit. o] cavaleiro normal;
mí hiswë hendu perino cennë
nos olhos cinzentos um pequeno viu
quén ú estelo i merë firë
alguém sem esperança que quer morrer
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Novamente, os verbos básicos com radicais em -ë são usados em um sentido infinitivo, como em nosso exemplo atestado áva carë em WJ: 371: merilyë hirë "você quer encontrar", i merë firë "que quer morrer". Metta nyérelyo "um fim para/de seu pesar": nyérë "pesar" (LT1: 261), assim nyérelya "seu pesar", aqui no genitivo nyérelyo "de seu pesar". (Neste contexto, o dativo nyérelyan também teria sido possível.) Essenen, caso instrumental de essë "nome": assim, "pelo/sob o nome". O nome em inglês antigo Dernhelm usado por Éowyn significa "Proteção Oculta" (veja An Introduction to Elvish pág. 217); ele é aqui traduzido como Haldatir "Observador Oculto" (halda + tir). Muilessë, locativo de muilë "segredo"; assim, "em segredo, secretamente". Rocconer "Cavaleiro" (rocco + -ner). *Perino "pequeno" (hobbit); compare com a palavra sindarin perian de mesmo radical. Nenhuma palavra em quenya para "pequeno" (hobbit) é conhecida; *perino é baseado no adjetivo atestado perina (não listado claramente por Tolkien, mas significando aparentemente "pela metade"), a desinência adjetiva -a sendo substituída por -o para indicar um ser animado (masculino). Hendu "olhos", forma dual (em -u) para se referir a um par natural de olhos. A desinência dual também pode ser -t (como em mát "mãos, par de mãos" na estrofe VIII), mas de acordo com uma nota em Letters: 427, -u é preferida quando D ou T ocorrem no radical do próprio substantivo. O dual hendu parece ser atestado na palavra composta hendumaica "olhos aguçados" em WJ: 337. Ú "sem", geralmente seguida por geniti- vo (ver Vinyar Tengwar #39 pág. 14); assim, ú estelo = "sem esperança [estel]".

V.

Nu qualin roccorya cait’ i aran
Sob seu cavalo morto jaz o rei
i né ve atar len ar tornelyan;
que era como um pai para você e para seu irmão;
arwa macilo matsë yétalyë
tendo uma espada em [suas] mãos você está olhando para
rúcim’ ulundo acolë caurë;
um monstro terrível carregando medo;
cuina nér úva pusta Loicoher,
um homem vivo não deterá [o] Senhor de cadáveres,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Cait’ curta para caita "situa-se, jaz". Neste caso, a vogal final não seria normalmente omitida, visto que a palavra seguinte não começa com uma vogal parecida. É o mesmo caso com rúcim’ para rúcima "terrível" no verso 4. Entretanto, uma vez que o poeta emprega uma métrica que exige dez sílabas em cada verso, algumas elisões incomuns são justificadas. Len ar tornelyan "para você e para seu irmão": len, dativo de le; tornelyan, dativo de tornelya "seu irmão". A forma independente "irmão" é toron, mas o Etimologias indica que ela se torna torn- antes de uma desinência (pl. torni, LR: 394 s.v. TOR). Aqui a vogal de ligação e é inserida antes da desinência pronominal -lya "seu", visto que *tornlya é impossível. Arwa macilo "tendo uma espada". A palavra arwa Tolkien definiu como "possuidor"; de acordo com o Etimologias (LR: 360 s.v. 3AR) ela é seguida por genitivo; logo, macil "espada" aparece aqui como macilo. (Quando Tolkien escreveu o Etim, ele na verdade imaginou a desinência genitiva em quenya como sendo -n e não -o como ela se tornou em escritos posteriores – mas a regra como tal felizmente ainda é válida.) Matsë, locativo dual de "mão"; assim, "em [suas duas] mãos". (A vogal longa de se torna curta antes de um encontro consonantal; compare com o alativo plural mannar "nas mãos" na Canção de Fíriel, LR: 72.) Yéta- "olhar para", LT1: 262. Acolë "carregando" é colë, isto é, o radical não declinado do verbo col- "carregar, portar", + o prefixo a-; tal forma é usada para descrever o que o objeto de outro verbo está fazendo por si só: dessa maneira, o significado de duas frases como Yétalyë ulundo / i ulundo colë caurë "você está olhando para um monstro/ o monstro carrega medo" podem ser expressas em uma frase como yétalyë ulundo acolë caurë "você está olhando para um monstro carregando medo" (caurë "medo", LT1: 257). Úva pusta "não deterá": úva "não irá" (tempo futuro de um verbo de negação, atestado em LR: 72) + pusta "parar" (radical usado em um sentido infinitivo). Loicoher "Cadáver-senhor" (loico + -her), Senhor de Cadáveres.

VI.

Roccalas, umilyë nér, nálye nís;
Éowyn, você não é um homem, você é uma mulher;
náro pold’, úmëa, morn’ ar alta,
ele é forte, maligno, sombrio e grande,
turë or caurë ar Sauron or so;
domina sobre o medo e Sauron sobre ele;
ortanelyë macil tárienna,
você ergueu alto uma espada,
rierya lantanë, alantiéro,
sua coroa caiu, ele está caído,
Roccalas aranel turmawende
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Umilyë "você não é, tu não és": forma da 2ª pessoa do verbo de negação listado na 1ª pessoa no Etimologias: umin "eu não, não sou" (LR: 396 s.v. UGU, UMU). Nályë "tu és, você é" ( + -lyë). Pold’, morn’: formas elididas de polda "forte" (se referindo à força física) e morna "sombrio". Polda geralmente não seria elidida nesta posição; mais uma vez, isto é justificado pela métrica ao invés da fonologia. Ortanelyë "você ergueu, você levantou" (orta- é tanto o transitivo "erguer" como o intransitivo "levantar"; aqui ele é usado no sentido transitivo). Tárienna "alto" ou literalmente "a uma altura" (alativo de tárië "altura"). A palavra tárië na verdade é atestada apenas no alativo: no campo de Cormallen, os Portadores do Anel foram louvados com as palavras a laita tárienna "louvai [-os] às alturas" (SdA: VI cap. 4, traduzido em Letters: 308). Alantiéro "ele está caído" ou "ele caiu": tempo perfeito de lanta- "cair" (com a vogal raiz aumentada e a desinência - para formar o perfeito e a desinência -ro "ele" sufixada).

VII.

Mernelyë firë ar harya alcar;
Você queria morrer e ter glória;
mahtanelyë Heru Úlairion,
você lutou contra [o] Senhor dos Úlairi,
ar náro qualin nan sí caitalyë
e ele está morto mas agora você está
ar’ aranelya, lá cenilyéro;
ao lado de seu rei, você não o vê;
umilyë hlarë teldë quettaryar,
você não escuta suas últimas palavras,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Harya "possuir, *ter"; neste contexto, o significado se aproxima de "conseguir". Aqui alcar é a palavra no singular "glória" e não a forma plural de alca "raio de luz" (como na primeira estrofe). Mahta- "brandir uma arma, lutar": aqui é assumido que este verbo pode ser transitivo, *"lutar contra", o objeto sendo o inimigo com o qual se luta. Úlairi: a etimologia precisa desta palavra é incerta, mas seja qual for sua origem, ela é o termo em quenya para os Nazgûl ou Espectros do Anel. Ar’ "ao lado de", forma elidida de ara, que não deve ser confundida com a conjunção ar "e" (embora esteja relacionada). Lá cenilyéro "você não o vê". Atualmente, não há evidência publicada para sustentar o uso da desinência -ro como objeto ("o"); em nossos poucos exemplos ela é apenas sujeito ("ele") – mas também não há qualquer evidência contra tal uso. O verbo de negação umilyë aparece novamente, mas com uma nuança de significado diferente da estrofe anterior: "você não" (+ um radical verbal usado em um sentido infinitivo) ao invés de "você não é".

VIII.

Nályë laiw’ ar nyérëa cuilenen;
Você está fatigada e triste pela vida;
linyenwa nís quet’ enwina nólë:
uma mulher velha fala sabedoria antiga:
i mát i aranwa envinyatar.
as mãos do rei curam.
Roccalas, collentë len er cuile,
Éowyn, elas levam a você apenas vida,
nan lá alassë ar ëa-írë,
mas não alegria e vontade de existir,
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

Laiw’ forma elidida de laiwa "doente, fatigado". *Nyérëa "pesaroso, triste", um adjetivo inventado (= não de Tolkien) baseado no substantivo atestado nyérë "pesar, tristeza" (LT1: 261, Gnomish Lexicon pág. 60). Quet’, forma elidida de quetë "diz, fala". Duas palavras diferentes para "velha" são usadas aqui: linyenwa, um adjetivo construído a partir de elementos que transmitem a idéia de "muitos anos" e portanto muito apropriado se você quer descrever uma pessoa "velha", e enwina, uma palavra de etimologia incerta, mas Tolkien a usou na expressão evocativa enwina lúmë "escuridão ancestral" no poema Markirya. Mát "mãos", par de mãos, uma forma dual em -t (atestada com um sufixo pronominal se inserindo na palavra máryat "suas mãos" no Namárië). Envinyatar "curam" ou literalmente "renovam", presente plural do verbo *envinyata- "renovar", não atestado por si só, mas claramente a base do particípio passado envinyanta "curado, *renovado" (MR: 405) e do título de Aragorn Envinyatar "Renovador" (a última palavra, uma formação agentiva, não deve ser confundida com o verbo no plural envinyatar usado aqui). Er é aqui usada para "apenas", o significado desta palavra determinado em LT1: 269, enquanto que no Etimologias er é listada "um, sozinho" (LR: 356 s.v. ERE). Exceto por er, não temos uma palavra para "apenas", e para o número "um", ao invés disso, podemos usar minë. A palavra ëa-írë é interpretada "uma vontade de existir, um desejo de ser".

IX.

I melmë arandurwa hirnelyë;
O amor de um ministro você encontrou;
vantanéro ar quentéro yo le
ele andou e conversou junto com você
imb’ aldar ar lóti mareryassë;
entre árvores e flores em sua casa;
ar quentéro lenna meliro le;
ele lhe disse [que] a ama;
sí nályë envinyanta melmenen
agora você está curada pelo amor
Roccalas aranel turmawendë
Éowyn princesa donzela-do-escudo

A expressão melmë arandurwa "amor de um ministro" (arandur "servo do rei", Letters: 286) se refere ao amor de Éowyn por ele ao invés do amor dela por ele (não que este amor não fosse correspondido). Em um contexto como este, o caso possessivo em -va, -wa é usado para o genitivo objeto; assim, o arandur ou ministro é aqui o objeto do amor (aquele que é amado) ao invés do sujeito (aquele que ama). Se "amor de um ministro" se referisse ao seu amor por outra pessoa, um genitivo normal seria usado: melmë aranduro. Compare com exemplos atestados como o uso de possessivo em uma expressão encontrada no Silmarillion, Nurtalë Valinóreva "a Ocultação de Valinor" (Valinor é o objeto da ocultação; os Valar ocultaram sua terra), mas genitivo em Oiencarmë Eruo "o Regência Perpétua do Um (de Deus)" (MR: 471; Deus é efetivamente o sujeito da oiencarmë ou "regência perpétua", isto é, aquele que realiza esta regência). Yo é aparentemente a palavra em quenya para "com" (com a tradução explícita atestada apenas como um prefixo, mas yo hildinyar em SD: 56 parece significar *"com minhas crianças"). Imb’, forma elidida de imbë "entre". Envinyanta "curada" ou literalmente "renovada", MR: 405.

X.

Sí avalyë turë ve i tári;
Agora você não governará como a rainha;
nauvalyë envinyatarë ve so,
você será uma curadora como ele;
lá turmawendë ar lá aranel,
não uma donzela-do-escudo e não uma princesa,
meluvalyë ilqua cuin’ ar vanya;
você amará tudo vivo e belo;
ve meluvárol, meluvalyë so,
como ele amará você, você o amará
Roccalas indis envinyatarë
Éowyn noiva curadora

Avalyë "você não irá" – isto é mais forte do que uma simples declaração sobre o futuro. O verbo ava- que ocorre em WJ: 370 não é claramente listada por Tolkien, mas sugere recusa ativa de alguma coisa ou, neste caso, abrindo mão deliberada- mente de alguma coisa para escolher outra. Turë (radical aoristo usado em um sentido infinitivo) é listado "exercer, controlar, governar" no Etimologias (LR: 395 s.v. TUR, onde o verbo é citado na 1ª pessoa do aoristo: turin); aqui ele é traduzido "governar". Nauvalyë "você será" (o tempo futuro nauva "será" apareceu no Vinyar Tengwar #42). Envinyatarë "curadora" ou literalmente "renovadora", forma feminina. Como mencionado acima, Envinyatar "Renovador" é atestado no SdA como um título de Aragorn. Tais formas agentivas em -r aparentemente não mostram sexo, mas eles podem ser feitas explicitamente masculina ou feminina ao se adicionar -o ou -ë, respectivamente (como quando  o masc. ontaro "progenitor, pai" possui a forma feminina ontarë, LR: 370 s.v. ONO). Cuin’, forma elidida cuina "vivo". Meluvárol "ele amará você" (meluvá-ro-l "amará-ele-você").

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Hríveressë (Vicente Velasco)

Por Vicente Velasco (Tatyandacil)

Et marinyallo mallenna
vantan hríveressë helka,
nu fanyarë fuinehiswa,
lumboinen Naira nurtaina.

Hláranyë ringa Formessúrë,
asúy’ aldassen úlassië,
alussa olbalissë nornë,
alamya ve Nuru-nainië.

Formessúrë-yalmë quéla,
ar Númello holtan hwesta
nísima asúya ninna,
ar nainië ahya lírinna.

Kénan tuilindo awilë
Hyarmello úrima súrë,
nu rámaryat circa-cantë,
alir’ aldannar úlassië.

Autar i lumbor, ar Naira
kénan anúta Númenna,
et Rómello Tilion orta,
ar undómess’ elen síla.

Ar lómelindë-lírinen,
entúlan yanna ettullen,
nu menel elentintaina,
hrívëo lómessë sina.

Obrigado a Tatyandacil por gentilmente permitir que eu disponibilizasse seu poema na minha página – apesar de alguns pontos potencialmente controversos, este é um belo fragmento de quenya. A grafia está de acordo com as especificações do poeta (eu teria usado C ao invés de K do início ao fim). Tradução (pelo poeta), com meus comentários intercalados:

HRÍVERESSË
EM UM DIA DE INVERNO

Et marinyallo mallenna
De minha casa para a rua
vantan hríveressë helka,
Caminho em um frio dia de inverno,
nu fanyarë fuinehiswa,
sob os céus cinzentos,
lumboinen Naira nurtaina.
o Sol oculto pelas nuvens.

O poeta me pediu para mencionar que ele não está certo sobre a forma marinyallo; talvez ela devesse ser mardinyallo se oromardi "salões altos" em Namárië contém a forma de már , mar "casa" ao invés de uma palavra independente *mardë "salão"; cf. sar "pedra", radical sard- como no pl. sardi. A palavra nurtaina "oculto" é o particípio passado de *nurta- "ocultar"; esse radical verbal é isolado a partir de nurtalë "ocultação", atestada na expressão Nurtalë Valinóreva ou "Ocultação de Valinor" mencionada no Silmarillion.  

Hláranyë ringa Formessúrë,
Escuto o frio Vento Norte
asúy’ aldassen úlassië,
soprando através das árvores sem folhas,
alussa olbalissë nornë,
sussurrando nos ramos retorcidos,
alamya ve Nuru-nainië.
soando como um lamento de Morte.

Formessúrë = formen + súrë com assimilação ns > ss. O verbo asúy’ é elidido a partir de asúya; veja abaixo. Úlassië "sem folhas", pl. de *úlassëa, isto é, ú- "sem" + lassë "folha" + a desinência adjetiva -a, assim sendo literalmente "desfolhado". Olbalissë é o plural partitivo locativo de olba "ramo" [PM: 340]; Etimologiasolwa [GÓLOB], e eu geralmente preferiria a última forma. Nornë é o pl. de norna "duro, rígido" [WJ: 413], apesar do poeta usar aqui a tradução "retorcidos".  

Formessúrë-yalmë quéla,
O clamor do Vento Norte desvanece,
ar Númello holtan hwesta
e do Oeste sinto o cheiro de um
nísima asúya ninna,
fragrante Zéfiro soprando na minha direção,
ar nainië ahya lírinna.
e o lamento muda para canção.

O verbo *quel- "desvanecer" é baseado no radical KWEL e no substantivo quellë "desvanecer, final do outono". Verbo *holta- "cheirar", baseado no radical ÑOL de onde temos em Quenya holmë "odor"; algumas pessoas, incluindo o poeta, duvidam de que essa seja a leitura correta. O radical ÑOL significa "cheirar" no sentido intransitivo (exalando um cheiro ao invés de sentir um cheiro), mas a desinência -ta é usada freqüentemente para produzir verbos transitivos e felizmente dá a "cheiro" um significado transitivo. – Adj. nísima "fragrante" isolado do nome de Nísimaldar ou "Árvores Fragrantes" de Númenor (CI: 188); verbo ahya- "mudar", atestada no pretérito, ahyanë, em PM: 395. *Lírinna ao invés de *lírenna como o alativo de lírë "canção" é uma forma questionável – mas também defensável.  

Kénan tuilindo awilë
Vejo uma andorinha voando
Hyarmello úrima súrë,
do Sul, o vento quente
nu rámaryat circa-cantë,
sob suas asas em forma de foice
alir’ aldannar úlassië
cantando na direção das árvores sem folhas.

Alir’ é elidida a partir de alirë; cf. awilë no primeiro verso desta estrofe. O poeta faz bom uso do prefixo a-, que prefixado a um radical verbal indica o que alguma coisa está fazendo enquanto ela também é o objeto de outro verbo, como "vejo uma andorinha voando". A respeito dos exemplos atestados deste prefixo, veja meus comentários sobre o poema Markirya. Que radicais verbais "básicos", derivados diretamente de raízes primitivas sem qualquer sufixo, podem receber a desinência -ë é visto a partir do exemplo atestado ava carë "não faça [isto]"; cf. car- "fazer, criar". Compare asúya – elidida como asúy’ – e alussa a partir dos verbos não básicos súya- "respirar" e lussa- "sussurrar" na segunda estrofe.  

Autar i lumbor, ar Naira
As nuvens passam, e vejo
kénan anúta Númenna,
o Sol se pondo no Oeste,
et Rómello Tilion orta,
e do Leste a Lua se ergue,
ar undómess’ elen síla.
e no crepúsculo a estrela brilha.

Naira, Tilion: outros nomes do Sol e da Lua, além dos termos mais comuns Anar e Isil. O nome Naira também é encontrado anteriormente no poema.

Ar lómelindë-lírinen,
E pela canção do rouxinol
entúlan yanna ettullen,
retorno para o lugar de onde vim,
nu menel elentintaina,
sob os céus estrelados,
hrívëo lómessë sina.
nesta noite de inverno.

Ettul- *"sair", et- "fora, adiante" + tul- "vir". Traduzido "estar perto" em SD: 290.
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Ríanna (Vicente Velasco)

Por Vicente Velasco (Tatyandacil)

Namárië, Ríanna vanima, Heriméla!
      Antanelyë men melmë ar alassë,
      ar renuvammet oialë.
Namárië, Ríanna vanima, Ardalótë!
      Coacalinalya firnë ve lícuma súrinen,
      nó melmemma len úva firë indommassen.
Namárië, Ríanna vanima, Indotári!
      Sí wila Númenna rámainen laurië,
      ar nai fëalya seruva oialmaressë.

Tradução para o inglês e comentário por Helge K. Fauskanger.

Tradução para o português por Gabriel Oliva Brum. 

Adeus, bela Princesa, amada dama!
       Você nos deu amor e alegria,
       e lembraremos deles para sempre.
Adeus, bela Princesa, Flor do Reino!
       A luz de seu lar se apagou como uma vela no vento,
       mas nosso amor por você não morrerá em nossos corações.
Adeus, bela Princesa, Rainha dos Corações!
       Voe agora para o Oeste em asas douradas,
       e que sua alma descanse em glória eterna.

Ríanna eu traduzi "princesa"; este é o cognato em Quenya (construído por Vicente a partir da palavra primitiva rîg-anna, LR: 383) da palavra Sindarin rían "rainha", mas também alude ao próprio nome Diana. De fato, o r em Quenya é algumas vezes produzido a partir do d do Élfico Primitivo (embora não inicialmente como aqui); de outra forma, a palavra normal em Quenya para "princesa" é aranel. Herméla "amada dama" (heri "dama, senhora" + méla "amada, afetuosa", VT39: 10). Em Quenya, um elemento adjetivo geralmente aparece como a primeira parte de uma palavra composta, mas a ordem contrária, como aqui, de modo algum é impossível (no Silmarillion, o próprio Tolkien usa Herumor para *"Senhor Escuro"). Renuvammet "lembraremos deles para sempre" (isto é, o melmë ar alassë, amor e alegria). O verbo ren- "lembrar" não é diretamente atestado como uma palavra em Quenya, mas a base REN "relembrar, ter em mente" é genuinamente de Tolkien (PM: 372). A desinência -mmë indica "nós" exclusivo; a pessoa a qual se dirige não está, literalmente, mais entre nós. Ardalótë "Flor do Reino" (ou na verdade "Flor de Arda", embora a "England’s Rose" de E.J. tenha sido a inspiração. Cf. lótë "grande flor única", VT42: 18). Coacalinalya firnë ve lícuma súrinen "sua coacalina se apagou (ou morreu) como uma vela no vento" (literalmente ao vento, por causa do vento: caso instrumental). Coacalina "luz de seu lar" é uma metáfora Élfica para a alma dentro do corpo (MR: 250). Este verso representa, como Vicente observa, "uma concordância com E.J." (suas velas queimaram muito antes de sua lenda perdurar). , conjunção "mas" (VT41: 18); melmemma "nosso amor": a desinência possessiva -mma "nosso" corresponde a -mmë "nos". len "por você" (dativo de le "você"). úva firë "não desvanecerá (ou morrerá)": úva "não irá", tempo futuro do verbo de negação u- (LR: 72; primeira pessoa do aoristo uin "eu não sou", LR: 396). firë é uma forma infinitiva (ou radical aoristo) de fir- "desvanecer, morrer" (cf. quetë a partir de quet- "falar" em polin quetë "eu posso falar", VT41: 6). Assim, úva firë = "não morrerá". Indotári: "Rainha-coração", Rainha dos Corações. wila: "voe", imperativo seguindo o padrão de palavras como ela "contemple!" (WJ: 362). rámainen "em asas", ou literalmente "pela asas, usando asas": plural instrumental em -inen. (Concebivelmente o instrumental dual poderia ter sido usado aqui, rámanten, referindo-se a um par de asas – mas em tal linguagem altamente simbólica, parece haver pouca razão para insistir nisto, mesmo se pensarmos na falecida como um anjo.) nai fëalya seruva: "que sua alma descanse" (nai + uma forma no tempo futuro como seruva é a "fórmula de desejo" normal do Quenya; fëalya é fëa-lya "alma-sua"). oialmaressë "em glória eterna": oi- "sempre (para sempre = eterno)" + almarë "glória" + -ssë desinência locativa "em".

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I·Lauki: Uma botânica do Qenya

Esta é uma lista de palavras em qenya relacionadas a plantas, compilada por David Salo com base na lista de palavras mais antiga de Tolkien, o "Qenya Lexicon" (Léxico Qenya) de 1915. David também forneceu os nomes em latim.
 
Muitas destas palavras não parecem tão ruins em um contexto do quenya maduro, pelo menos quanto à fonologia. (Para "hera" devemos preferir etil a etl.) Porém, a grafia não é a do quenya maduro: o q Tolkien posteriormente substituiu para qu (cf. o próprio nome do idioma!), e pelo menos no SdA, ele também usou c ao invés de k.

 

Flores
ailinon: nenúfar (fam. Nymphaeaceae)
fumella: papoula (Papaver sp.); fúmello valinórea: grande papoula (Papaver sp.); kamillo fúmelot: papoula (Papaver sp.)
helilokte: glicínia, ‘cacho violeta’ (Wisteria sp.)
helin: amor-perfeito (Viola tricolor)
helinille: violeta (Viola sp.)
kamillo: grande papoula (Papaver sp.)
kamilot: trevo vermelho (Trifolium sp.)
kampilosse: rosa silvestre (Rosa sp.)
kankale-malina: narciso, ‘riso amarelo’ (Narcissus sp.)
losse ou losille: rosa (Rosa sp.)
narwe: lírio doce (Lilium sp.)
nénu: nenúfar amarelo
nieninqe: fura-neve ‘lágrima branca’ (Galanthus nivalis)
qinqenna: selo de Salomão (Polygonatum sp.)
qiqilla: lírio do vale (Convallaria majalis)

Árvores
aiqaire: abeto ou pinheiro; também súke (Abies sp. ou Pinus sp.)
alalme: olmo (Ulmus sp.)
ektar: espinho ou espinheiro (Crataegus sp.)
hóre: pinheiro (Pinus sp.)
kottule ou kotulwe: aveleira (Corylus sp.)
lindelokte: laburnum, ‘cacho-cantor’ (Laburnum sp.)
mapalin: sicômoro, plátano (Platanus sp. ou Acer pseudoplatanus)
mapalin varivoite: sicômoro estrangeiro
mapalin fatsevoite: sicômoro franjado
mapalin rámavoite: sicômoro alado
mapalin tarukka: sicômoro córneo
mapalin wilwarinda: sicômoro borboleta
marinne ou marinde: uma árvore frutífera
mavoisi ou alda mavoite: castanheiro (Castanea sp.)
mavoisi tapatenda: castanheiro espanhola (Castanea sativa)
neldor ou neldorin: faia (Fagus sp.)
nor ou norne: carvalho (Quercus sp.)
palapapte: plátano ou sicômoro, mapalin (Platanus sp. ou Acer pseudoplatanus)
pinektar ou pipinektar: espinheiro ou espinheiro branco (Crataegus sp.)
piosenna: azevinho (Ilex sp.)
silqeléni: bétula prateada (Betula sp.)
silwin: bétula (Betula sp.)
siqilisse: salgueiro chorão (Salix babylonica)
súke: pinheiro ou abeto, árvores portadoras de resina; também aiqaire (Abies sp. ou Pinus sp.)
tamuril: teixo (Taxus sp.)
tarasse: espinheiro (Crataegus sp.); cf. ektar e pinektar tasarin: salgueiro (Salix sp.)
tyulusse: álamo, choupo (Populus sp.)
ulwe ou uluswe: amieiro (Alnus sp.)
vine ou vinne: qualquer conífera

Frutas e Bagas
aipio: cereja (ai-pio ‘baga sagrada’) (Prunus sp.)
kampin: ancas, as bagas da rosa silvestre (Rosa sp.)
kolosta: pepino (Cucumis sativus)
kulmarin: ?laranja (Citrus sp.)
marin: frutas como a maçã, com polpa firme e muitas sementes (Malus sp.)
melpo: frutas como a groselha, com polpa mole e muitas sementes (Ribes sp.)
pio: frutas como cerejas e ameixas, com polpa firme e uma única semente (Prunus sp.)
piopin ou pipin: sebes, a fruta do espinheiro (Crataegus sp.)
piukka: amora silvestre (Rubus sp.)

Outras plantas
eldasilqe: avenca, ‘cacho élfico’ (Adiantium sp.)
etl ou etil: hera (Hedera helix)
felpa: alaga marinha
fen: junco
filqe ou filinqe ou filimpe: samambaia (ord. Filicales)
inwetelumbe: cogumelo. ‘abóbada das fadas’ (clas. Basidiomycetes)
líne: algodão (linha) (Gossypium sp.)
liske: junco
orikon: urze (Calluna vulgaris)
orivaine: ervilha (Pisum sativum)
pole: aveia (Avena sativa)
telumbe: cogumelo. ‘abóbada’ (clas. Basidiomycetes)

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O Poema Markirya (Quenya)

Este poema é descrito por Christopher Tolkien como "um dos principais fragmentos de quenya" (MC: 4); realmente, este é o maior texto em quenya maduro que foi publicado até agora. A versão final do poema é na verdade uma tradução. As versões de Tolkien mais primitivas deste poema foram escritas no início dos anos trinta, quando ele ainda estava fazendo experiências com a estrutura precisa do "qenya" (como então era escrito), e evidentemente revisava as desinências gramaticais quase que de semana em semana. Estes textos em "qenya" primitivo, publicados em MC: 213-214 e 220-221, não teriam sido de muita ajuda para as pessoas interessadas no quenya no estilo do SdA. Felizmente, Tolkien escreveu muito mais tarde uma versão do poema em quenya maduro e até adicionou um comentário explicativo (MC: 221-223). Na verdade, esta é uma tradução do "qenya" temporário do início dos anos trinta para o quenya maduro, o quenya como Tolkien veio a imaginar ser o idioma após ter passado a vida inteira refinando-o – pois a versão final do poema parece datar da última década de sua vida. Esta é uma fonte muito importante; em particular, ela nos fornece muitos bons exemplos dos particípios.

A primeira versão do poema tinha o título: Oilima Markirya, "A Última Arca" (MC: 213, 214). A última versão revisada não possui título. Oilima "última" pode não ser uma palavra válida em quenya maduro (no lugar onde ela ocorre no texto da primeira versão, a última versão tem métima), mas Markirya "Arca" certamente é válida. Literalmente, significaria "navio-lar" (cf. Eldamar "Casadelfos"). Costumo me referir a este texto como o poema Markirya.

Regularizei a grafia para o sistema usado no SdA (as mudanças se restringem a mudar k para c e adicionar um trema a todos os e‘s finais em palavras polissilábicas, exceto como parte de - onde o trema já é usado no texto do MC). Numerei os versos para tornar fácil a referência entre a discussão e o texto original.

MARKIRYA, estrofe por estrofe, com a tradução de Tolkien intercalada (a tradução dada em MC: 214-215; veja a nota 8 em MC: 220 com respeito a uma mudança mínima):  

Primeira estrofe:

1) Men cenuva fánë cirya
Quem verá um navio branco
2) métima hrestallo círa,
deixar a última costa,
3) i fairi nécë
os pálidos fantasmas
4) ringa súmaryassë
em seu seio frio
5) ve maiwi yaimië?
como lamentosas gaivotas?

1. A primeira palavra, men "quem", deve ser uma leitura errada de man (novamente a caligrafia difícil de Tolkien!). Man não é apenas encontrado no Namárië no SdA, mas também em mais cinco vezes neste mesmo poema. cenuva "verá", radical cen- "ver" + a desinência de futuro -uva. fánë "branco" (mas a próxima estrofe tem fána, que pode ser mais correta – veja abaixo). cirya "navio".

2. métima "última", hrestallo *"da costa", isto é, hresta "costa" + a desinência ablativa -llo "de". círa "navegar", significado básico *"cortar (caminho)", aqui "cortar ou atravessar rapidamente através o mar". Cf. cirya "navio", que Christopher Tolkien compara à palavra inglesa cutter (nau de proa afilada) no apêndice do Silmarillion, entrada kir-. A palavra círa parece ser o assim chamado "radical contínuo" com uma vogal raiz alongada e a desinência -a (esta palavra também poderia ocorrer como um tempo presente *"corta, navega"). Portanto, o significado literal destes versos na verdade não é "quem verá um navio branco deixar a última costa?", mas sim *"quem verá um navio branco navegar (a partir) da última costa?"

 
3. i "os", fairi "fantasmas", pl. de fairë "fantasma; espírito sem corpo, quando visto como uma forma pálida" (MC: 223), nécë pl. (para concordar com fairi) do adjetivo néca "vago, débil, turvo de se ver" (MC: 223).
 
4. ringa "frio" (o Etimologias, entrada RINGI, possui ringë), súmaryassë "em seu seio", assim, "em seu seio frio". Súmaryassë é súma "cavidade oca, seio" + a desinência possessiva -rya "seu (dele/dela)" + a desinência locativa -ssë "em".
 
5. ve "como", maiwi "gaivotas", pl. de maiwë "gaivota", yaimië pl. (para concordar com maiwi) do adjetivo yaimëa "lamentoso", um adjetivo derivado de yaimë "lamento".
 
Segunda estrofe:
 
6) Man tiruva fána cirya,
Quem prestará atenção a um navio branco,
7) wilwarin wilwa,
vago como uma borboleta,
8) ëar-celumessen
no mar fluente
9) rámainen elvië
em asas como estrelas,
10) ëar falastala,
o mar ondulando,
11) winga hlápula
a espuma soprando,
12) rámar sisílala,
as asas brilhando,
13) cálë fifírula?
a luz desvanecendo?
6. man "quem", tiruva "prestará atenção/observará", isto é, o radical tir- "observar" com a desinência de futuro -uva, como em cenuva "verá" na linha 1. fána "branco" – enquanto que a primeira estrofe possui fáne! O comentário explicativo de Tolkien como impresso em MC também tem fáne, enquanto que o Etimologias (LR: 387, radical SPAN) primeiro dá fanya "nuvem"; então Tolkien riscou "nuvem" e adicionou fána a fanya, "com os significados de ‘branco’ e ‘nuvem’… mas não está claro como elas devem ser aplicadas" (Christopher Tolkien). Outras fontes dão fanya "nuvem (branca)", de modo que fána parece ser a palavra que significa "branco". Uma vez que man é evidentemente lida de forma errada como men no primeiro verso, pode ser que fána tenha sido lida errada duas vezes como fáne no texto em MC: 222, tanto no poema como no comentário explicativo de Tolkien. (Por que um homem capaz de uma caligrafia maravilhosa não podia usar uma caligrafia legível em sua vida diária?) cirya "navio".
 
7. wilwarin "borboleta", wilwa "esvoaçando em vaivém". Tolkien traduziu estas palavras como "vago como uma borboleta", mas literalmente é dito que o navio é "(uma) borboleta esvoaçante".
 
8. ëar-celumessen um composto de ëar "mar" e celumessen, que é celumë "fluxo, elevação (de maré), correnteza" com a desinência locativa plural -ssen: assim, literalmente *"nas correntezas do mar", ou como Tolkien traduziu esta linha: "no mar fluente".
 
9. rámainen é ráma "asa" + a desinência instrumental plural -inen "por, com", portanto "por/com asas", aqui evidentemente se referindo às velas do navio. elvië pl. (para concordar com "asas") do adjetivo elvëa "estelar". Tolkien usou a tradução "em asas como estrelas", mas as palavras em quenya significam literalmente "com (= usando) asas estelares", uma vez que esta é uma forma instrumental ("em asas" seria literalmente locativa *rámassen, não atestada).
 
10. ëar "mar", falastala "espumando", particípio de falasta- "espumar"; -la é a desinência de particípio presente, em inglês "-ing", português "-ndo" (deve-se cuidar para que não haja confusão com o gerúndio português, formado pela desinência "-ndo"; contudo, é pouco provável que isso aconteça, uma vez que o particípio e o gerúndio em quenya são bem distintos pelas suas desinências. N. do T.). Há muitos exemplos da desinência participial -la neste poema.
 
11. winga "espuma, borrifo". hlápula particípio do radical verbal hlapu- "voar ou fluir no vento", com a mesma desinência -la como em falastala acima. Note que, quando esta desinência é adicionada a um radical onde a vogal enfatizada não é seguida por um encontro consonantal (como st em falasta-), a vogal é alongada: a > á em hlapu- > hlápula (cf. também pícala abaixo.
 
12. rámar "asas", nominativo pl. de ráma "asa". sisílala "brilhando", particípio de sisíla-, que por sua vez é dito ser uma forma "freqüente" do radical mais curto sil- "brilhar", formado pela duplicação da primeira consoante e vogal (aqui si-), alongando a vogal raiz (i > í) e adicionando um -a final. Esta forma longa de sil- aparentemente indica uma ação longa ou corrente. Deve-se notar que o particípio adota a desinência normal -la "-ndo" mesmo que ele descreva um substantivo no plural (rámar "asas"). Adjetivos em -a possuem formas plurais em -ë, e o particípio adjetivo pode ter sido excetuado para se comportar do mesmo modo, modificando sua desinência para - quando descreve um substantivo no plural. Este evidentemente não é o caso; a desinência -la fica inalterada no plural, de modo que particípios presentes não apresentam número. Talvez seja para evitar confusão com a desinência de substantivo verbal -, como em Ainulindalë (lit. *"Canto-Ainu" [em inglês, "canto" = singing, que é formado com a desinência -ing , de gerúndio, e com isso podendo ser também "singing" = cantando; daí "substantivo verbal". N. do T.] traduzida "Música dos Ainur" por Tolkien).
 
13. cálë "luz", fifírula "desvanecendo", particípio de fifíru- "desaparecer lentamente", uma forma alongada de fir- "morrer, desvanecer" (equivalente a sisíla- a partir de sil-). Não está completamente claro por que fifíru- possui a vogal de ligação -u ao invés de -a como em sisíla-. Pode-se observar que a vogal de ligação u algumas vezes é associada com algo ruim (cf. a nota de Tolkien sobre -uñkwâ em oposição a -iñkwâ em WJ: 415), e fir- "morrer, desvanecer" possui um significado desagradável.
 
Terceira estrofe:
 
14) Man hlaruva rávëa súrë
Quem ouvirá o vento urrante
15) ve tauri lillassië,
como folhas de florestas;
16) ninqui carcar yarra
as brancas rochas rosnando
17) isilmë ilcalassë,
na lua brilhando,
18) isilmë pícalassë,
na lua minguando,
19) isilmë lantalassë
na lua caindo
20) ve loicolícuma;
um corpo de vela;
21) raumo nurrua,
a tempestade murmurando,
22) undumë rúma?
o abismo movendo?
14. Man "quem", hlaruva "ouvirá", radical hlar- "ouvir" + a desinência de tempo futuro -uva. rávëa "urrante", um adjetivo derivado de rávë "ruído ensurdecedor"; -a freqüentemente funciona como uma desinência adjetiva. súrë "vento".
 
15. ve "como", tauri "florestas", pl. de taurë "floresta". lillassië "possuidor de muitas folhas, *folhoso", pl. do adjetivo lillassëa "folhoso", derivado de lassë "folha" com a desinência adjetiva -a e o prefixo lin- "muitos" (LR: 369, radical LI). Lin- aqui se torna lil- por assimilação com o l inicial de lassë: o quenya não permite a combinação nl, de modo que **linlassëa não seria uma palavra possível; nl teve que se tornar ll. A tradução de Tolkien deste verso é "como folhas de florestas", mas o texto em quenya significa literalmente *"como florestas folhosas".
 
16. ninqui pl. (para concordar com o substantivo seguinte no plural: carcar) do adjetivo ninquë "branca". carcar, pl. de carca, é aqui traduzida "rochas"; no Etimologias a palavra carca (karka) e listada como "dente" (LR: 362, radical KARAK "presa afiada, rancor, dente"). Aqui, a referência deve ser a rochas afiadas. yarra "rosnar, resmungar". Aqui ela é, na verdade, usada como o particípio "rosnando" e assim é traduzida por Tolkien, embora a desinência participial normal -la não seja empregada.
 
17. isilmë "luar", derivada de Isil "Lua"; a desinência - freqüentemente indica algo abstrato ou intangível. Na tradução de Tolkien do poema, ele simplesmente traduziu isilmë como "lua", mas isto se refere à sua luz, e não ao corpo celestial em si. ilcalassë é ilcala "brilhando", o particípio de ilca- "brilhar" formado com a desinência participial normal -la (sem alongamento da vogal raiz i, uma vez que ela é seguida por um encontro consonantal: lc). A expressão isilmë ilcala "luar (que está) brilhando" é tratada como uma única unidade, e a desinência locativa -ssë "em" é adicionada à última palavra para expressar "no luar brilhante". Contudo, *ilcala isilmessë "brilhando luar-em" pode ter sido uma construção mais natural em linguagem não-poética.
 
18. isilmë "luar". pícalassë contém pícala, o particípio do verbo píca- "diminuir, definhar" (em sua tradução corrente, Tolkien usou a palavra "minguando" ao invés de "diminuindo"). A expressão inteira isilmë pícala "luar (que está) minguando" recebe então a desinência locativa -ssë "em" para expressar "no luar minguante" – provavelmente *pícala isilmessë em estilo mais normal.
 
19. isilmë "luar"; lantalassë incorpora o particípio lantala "caindo" (do verbo lanta- "cair" – como em ilcala, o particípio não apresenta alongamento da vogal raiz porque ela é seguida por um encontro consonantal). Mais uma vez a desinência locativa -ssë "em" é adicionada à expressão inteira para expressar "no luar cadente". Em estilo não-poético mais claro, esperaríamos uma construção como *lantala isilmessë.
 
20. ve "como", loicolícuma "corpo de vela": loico "corpo" + lícuma "vela" (relacionada à líco "cera", evidentemente derivada a partir de *lîku mais primitivo e, apesar do -u curto final se tornar -o em quenya, ele permanece -u quando não é final, como em lícuma). A tradução de Tolkien deste verso é simplesmente "um corpo de vela", mas o texto em quenya significa claramente "como um corpo de vela".
 
21. raumo "tempestade" (ou "barulho de uma tempestade"). nurrua "murmurando" é derivada do radical verbal nurru- "murmurar, resmungar". Semanticamente, ela funciona como um particípio, mas ela parece ser formada com a desinência adjetiva -a ao invés da desinência participial normal -la. De fato, Tolkien primeiro escreveu nurrula, então modificou-a. Talvez nurrua deva ser compreendida como um tipo de adjetivo verbal.
 
22. undumë "abismo"; é dito que rúma é o verbo "transferir, mover, erguer (coisas grandes e pesadas)", aqui usado como um particípio, "movendo", embora a desinência participial normal -la não seja empregada. Tolkien na verdade primeiro escreveu rúmala, então modificou-a, assim como modificou nurrula para nurrua. Talvez rúma contenha a desinência adjetiva -a, assim como nurrua, mas a desinência está invisível, uma vez que rúma já termina em -a. Este também pode ser o caso com yarra na linha 16 e tihta na linha 35.
 
Quarta estrofe:
 
23) Man cenuva lumbor ahosta
Quem verá as nuvens se juntarem,
24) Menel acúna
os céus se curvando
25) ruxal’ ambonnar,
sobre colinas desmoronando,
26) ëar amortala,
o mar se erguendo,
27) undumë hácala,
o abismo se abrindo,
28) enwina lúmë
a antiga escuridão
29) elenillor pella
além das estrelas
30) talta-taltala
caindo
31) atalantië mindonnar?
sobre torres caídas?
 
23. Man "quem", cenuva "verá" como na linha 1, lumbor "nuvens" (pl. de lumbo "nuvem"). A palavra ahosta é traduzida "juntarem". O verbo "juntar, reunir" é hosta-. Ele recebe aqui o prefixo a- (Tolkien escreveu primeiro na-, depois modificou-o). Tolkien escreveu uma nota um tanto obscura sobre este prefixo: "Quando o radical nu do verbo é usado (como após ‘ver’ e ‘ouvir’) como infinitivo, na- [modificado para a-] é prefixado se o substantivo for o objeto e não o sujeito" (MC: 223). Na frase diante de nós, o "substantivo" que é "o objeto e não o sujeito" deve ser lumbor "nuvens" – o objeto de man cenuva "quem verá". Parece, então, que se você quer expressar o que este próprio objeto está fazendo, você emprega um radical nu com o prefixo a-: Man cenuva lumbor ahosta[?] "Quem verá as nuvens se juntarem?" – isto é, "ver as nuvens enquanto elas se juntam?" O prefixo a- forma um verbo do qual um substantivo é o sujeito enquanto este substantivo também é o objeto de outro verbo. Deve-se notar que, exceto pelo prefixo a-, este verbo não é flexionado (ahosta não recebe a desinência de plural -r, embora seu sujeito, lumbor, esteja no plural e os verbo do quenya geralmente concordam em número). Como Tolkien, este é um "radical nu" exceto pelo prefixo.
 
24. Menel "céu, firmamento". Tolkien usou aqui a tradução "os céus", mas a palavra em quenya está no singular. Em RGEO: 72, Tolkien definiu menel como "firmamento, alto céu, a região das estrelas". (Cf. o nome da grande montanha de Númenor, a Meneltarma ou "Pilar dos Céus".) acúna "curvando": o radical verbal cúna "curvar" (ele mesmo derivado do adjetivo cúna "curvado, arqueado") com o mesmo prefixo a- visto em ahosta, acima. O substantivo Menel é o objeto do mesmo verbo como na linha anterior, e a palavra acúna nos diz o que os céus estão fazendo no mesmo tempo em que são o objeto de "ver": Man cenuva…Menel acúna[?] "quem verá… os céus se curvando [isto é, ver os céus enquanto eles se curvam]?"
 
25. ruxal’ uma forma reduzida ou "elidida" de ruxala; em quenya, o -a final em uma palavra às vezes é omitido se a próxima palavra começa em uma vogal semelhante, a ou o (embora esta não seja uma regra rígida e pareça ocorrer primeiramente em linguagem poética ou falada, onde é importante que as palavras sejam facilmente enunciadas). Ruxala significa "desmoronando", o particípio do verbo *ruxa- "desmoronar", não atestado em outro lugar. ambonnar "sobre colinas", isto é, o substantivo ambo "colina" + a desinência alativa -nna "a, para" ou "sobre" + a desinência de plural -r; assim, ruxal’ ambonnar = "sobre colinas desmoronando". Uma construção alternativa com o mesmo significado, seguindo o modelo de axor ilcalannar abaixo, teria sido *ambor ruxalannar.
 
26. ëar "mar", amortala "erguendo" (particípio de amorta- "erguer", sendo de forma evidente orta "erguer, levantar" com o prefixo am- "acima, para cima").
 
27. undumë "abismo"; hácala "abrindo", particípio do verbo *hac-, *háca- "abrir largamente, escancarar" (não atestado em outro lugar).
 
28. enwina "antiga", lúmë "escuridão". (Alguém pode se perguntar se Tolkien ou o tradutor confundiu lómë "noite" com a palavra lúmë "hora, tempo", ambas encontradas no SdA e no Etimologias, radical LU.)
 
29. elenillor "das estrelas", elen "estrela" + a desinência de plural -i + a desinência ablativa -llo "de" + a desinência de plural -r. (A desinência ablativa pl. pode ser tanto -llon como -llor.) Pode-se observar que há dois indicadores de plural, tanto -i como -r, em elenillor. Parece que substantivos terminando em uma consoante, que geralmente formam seus plurais em -i (eleni "estrelas"), também usam esta desinência de plural como uma vogal de ligação antes de desinências casuais que começam em uma consoante (uma vez que **elenllor não seria uma palavra possível). pella "além"; esta palavra parece funcionar como uma posposição ao invés de uma preposição em quenya – ela vem após o substantivo que está "além" de alguma coisa. Cf. Andúnë pella "além do oeste" no Namárië no SdA (e não *pella Andúnë, *pell’ Andúnë com a mesma ordem de palavras do português). Assim, elenillor pella = "de além das estrelas". A tradução de Tolkien desta linha era simplesmente "além das estrelas", mas literalmente, ela e a linha anterior se referem claramente à "antiga escuridão" (que vem) "de além das estrelas".
 
30. talta-taltala Tolkien simplesmente traduziu "caindo". Com vemos, o radical talta- "cair" é na verdade duplicado antes que a desinência participial -la seja adicionada: "cair-caindo" ("vir abaixo", se preferir). O radical talta- não significa simplesmente "cair", como acontece com lanta- (linha 19). Talta- possui conotações mais violentas, "desmoronar ou cair em ruínas". Atalantë como o nome da Númenor caída é produzido a partir do mesmo radical; cf. também o adjetivo atalantëa no próximo verso. No Etimologias, talta- é listada como "deslizar, escorregar, inclinar" (LR: 390, radical TALÁT).
 
31. atalantië "em ruínas, caídas", pl. do adjetivo atalantëa. Está no pl. para concordar com mindonnar: mindon "torre" + a desinência alativa -nna "a, sobre" + a desinência de plural -r, sendo assim atalantië mindonnar = "sobre torres caídas". Quando um sufixo casual como -nna, -llo ou -ssë for adicionado a um substantivo terminando na mesma consoante na qual o sufixo começa, a desinência pode simplesmente se fundir com esta consoante final: mindonnar para **mindon-nnar. Na verdade Tolkien primeiro escreveu mindoninnar, usando o plural -i de mindoni "torres" como a vogal de ligação entre o substantivo e o sufixo, assim como na palavra elenillor na linha 29. Ele então decidiu usar, ao invés disso, a forma, contraída mindonnar. De fato, Tolkien não apenas modificou mindoninnar para mindonnar, mas também substituiu atalan- tië por atalantëa, a forma singular deste adjetivo. Esta mudança parece não fazer sentido, e eu a ignorei aqui – o adjetivo deve estar no pl. para concordar com "torres". Uma leitura diferente da linha 3 também possui néca fairi para "pálidos fantasmas": o adjetivo néca está no sing. ao invés do pl. nécë. Tolkien brincava com a idéia de que adjetivos precedendo o substantivo que descrevem não concordam em número? Mas no Namárië no SdA temos lintë yuldar "goles rápidos", onde lintë parece ser o pl. de *linta "rápido", e o próprio poema Markirya tem ninqui carcar "rochas brancas" na linha 16 – e não ninquë carcar com ninquë "branca" na forma singular/não flexionada.

Quinta estrofe:

32) Man tiruva rácina cirya
Quem prestará atenção em um navio partido
33) ondolissë mornë
nas rochas negras
34) nu fanyarë rúcina,
sob céus partidos,
35) anar púrëa tihta
um sol obscurecido piscando
36) axor ilcalannar
sobre ossos brilhando
37) métim’ auressë?
na última manhã?
38) Man cenuva métim’ andúnë?
Quem verá o último entardecer?
 
32. Man "quem", tiruva "prestará atenção/observará" como na linha 6, rácina "partido", o particípio passado do radical rac- "partir, quebrar". O particípio passado regular é formado com a desinência -ina, e se não houver um encontro consonantal sucedendo a vogal do radical, ela é alongada como a > á neste caso. cirya "navio".
 
33. ondolissë "sobre rochas", ondo "rocha" + a desinência de plural partitivo -li + a desinência locativa -ssë "sobre, em". De acordo com as declinações de Tolkien na Carta Plotz, a palavra também poderia ter sido ondolissen, com a desinência locativa plural -ssen; quando o plural já for indicado com a desinência -li, aparentemente torna-se opcional acrescentar um indicador de plural na desinência casual seguinte. (A palavra falmalinnar no Namárië mostra tanto -li- como -r.) A palavra ondolissë é um dos nossos poucos exemplos do plural partitivo em -li. Talvez ondoli signifique literalmente algo como "algumas rochas", enquanto que o plural normal ondor simplesmente significaria "rochas" (locativo ondossen). Este é um dos exemplos que mostra que a desinência -li não pode implicar sempre "muitos", como o faz uma interpretação tradicional. Nada no contexto sugere que se pretenda que ondolissë signifique "sobre muitas rochas"; Tolkien simplesmente traduz "nas… rochas". mornë "negras", pl. (para concordar com "rochas") do adjetivo morna "negro, escuro, preto".
 
34. nu "sob", fanyarë "os céus, os ares e nuvens superiores " (e não "céu" ou "firmamento", que é menel). Note que, enquanto "os céus" em português está no plural, fanyarë é na verdade uma palavra no singular e adota um particípio na forma singular (rácina, e não o pl. *rácinë – veja abaixo). Compare com fanyar "nuvens" (sing. fanya) no Namárië; o substantivo fanyarë parece ser um tipo de formação coletiva produzida a partir desta palavra. rúcina "confuso, despedaçado, desordenado". Este é um particípio passado formado conforme o mesmo padrão de rácina na linha 32. *Ruc- seria um radical verbal significando "confundir, despedaçar, deixar desordenado", não atestado em outro lugar, uma vez que ele dificilmente seria distinguido do homófono ruc- "temer, ter medo" mencionado em WJ: 415 (1ª pessoa do aoristo, rucin "eu sinto medo ou horror", adjetivo derivado rúcima" "terrível").
 
35. anar "sol", púrëa "manchado, desbotado", tihta "piscar, espreitar", aqui usado na verdade como um particípio, "piscando, espreitando", embora a desinência participial normal -la não seja empregada (cf. yarra na linha 16 e rúma na linha 22).
 
36. axor "ossos", pl. de axo "osso". ilcalannar contém o mesmo particípio ilcala "brilhando" da linha 17. Lá ele possui a desinência locativa -ssë; aqui, é a desinência alativa -nna "a, sobre" que ocorre, além da desinência de plural -r (plural porque se refere a axor "ossos"). Assim, axor ilcalannar = "sobre ossos brilhando" (provavelmente *ilcala axonnar, *ilcal’ axonnar em estilo mais comum).
 
37. métim’ forma elidida do adjetivo métima "último, final, definitivo"; o -a final de métima é aqui omitido porque a palavra seguinte, auressë, começa com a mesma vogal (um -a final também pode ser perdido quando a palavra seguinte começar em o). Cf. ruxal’ ambonnar para *ruxala ambonnar acima. Enquanto que ruxal poderia ser uma palavra possível por si só, o mesmo não acontece no caso de **métim, uma vez que o quenya não permite m final. auressë é aurë "manhã" com a desinência locativa -ssë "em"; assim, métim’ auressë = "na última manhã".
 
38. Man "quem", cenuva "verá" como nas linhas 1 e 23, métim’ "último, final, definitivo"; o -a final do adjetivo métima é mais uma vez omitido porque a palavra seguinte começa com a mesma vogal. andúnë "entardecer". (No Namárië no SdA, Andúnë é traduzida "Oeste"; ela tem a ver propriamente com o pôr-do-sol. Veja o Apêndice do Silmarillion.)
 
Pode-se observar que, embora o texto em quenya empregue o artigo definido i apenas uma vez (i fairi nécë "os pálidos fantasmas" na linha 3), a tradução de Tolkien inclui muitos artigos. Ele fala de "o vento, as rochas brancas, a lua, a tempestade, o abismo, as nuvens, os céus, o mar, a antiga escuridão, as rochas negras, a última manhã, o último entardecer". Parece que o artigo definido i é facilmente omitido na poesia em quenya se ele não se adapta à métrica, e sua ausência não significa necessariamente que o substantivo é indefinido. (Contudo, Menel "os céus" pode ser considerado um nome próprio – note que ele aqui é escrito em letras maiúsculas. Como um nome, ele não exige o artigo.) A tradução de Tolkien emprega o artigo indefinido português um apenas três vezes: "um navio branco, um navio partido, um sol obscurecido". Há também os plurais indefinidos "gaivota, asas, florestas, colinas, ossos", traduzindo os plurais em quenya sem artigo. Temos que concluir que na poesia em quenya, ou pelo menos neste poema, os substantivos não tornados explicitamente definidos com o artigo i podem ser tanto definidos como indefinidos – e onde o contexto não exige um ou outro, a distinção é simplesmente transcendida de forma completa. (Como muitos russos e ainda mais chineses sabem, você não precisa de artigos para ter um idioma completamente funcional – embora as pessoas que usem as palavras "o(s), a(s)" centenas ou milhares de vezes por dia inevitavelmente sentiriam que algo estaria faltando!)
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Sindarin

Também chamado: élfico-cinzento, a língua de Beleriand, a língua nobre; no SdA freqüentemente mencionada simplesmente como "a língua élfica". Chamado "noldorin" nos papéis pré-SdA de Tolkien, mas isto está errado de acordo com sua visão "clássica" ou madura da história deste idioma (o cenário apresentado no Apêndices do SdA e em fontes posteriores)

HISTÓRIA INTERNA

O sindarin era a principal língua Eldarin na Terra-média, o vernáculo vivo dos elfos-cinzentos ou sindar. Ele era o descendente mais importante do telerin comum, o próprio telerin comum ramificando-se a partir do Eldarin comum, o ancestral do quenya, telerin, sindarin e nandorin. "O élfico-cinzento era na sua origem aparentado com o quenya", Tolkien explica, "pois era a língua dos Eldar que, chegando às margens da Terra-média, não haviam atravessado o Mar, detendo-se nas costas do país de Beleriand. Lá, Thingol Manto-Cinzento era seu rei, e, no longo crepúsculo, sua língua… se alheara muito da fala dos Eldar de além do Mar" (SdA Apêndice F). Embora seja dito que o sindarin é, das línguas Eldarin da Terra-média, a melhor preservada (PM: 305), ele é sem dúvida o idioma élfico mais radicalmente modificado de que temos conhecimento: "o idioma dos sindar havia mudado muito, mesmo um crescimento sem muita atenção, do mesmo modo como uma árvore poder mudar sua forma imperceptivelmente: talvez tanto quanto uma língua mortal oral pode mudar em quinhentos anos ou mais. Ele já era, antes do Surgimento do Sol, um idioma muito diferente ao ouvido do [quenya], e após este Surgimento, toda mudança foi rápida, realmente muito rápida durante algum tempo na segunda Primavera de Arda" (WJ: 20). O desenvolvimento do Eldarin comum para o sindarin envolve mudanças muito mais radicais do que o desenvolvimento do Eldarin comum para o quenya, ou para o  telerin de Aman. Tolkien sugeriu que o sindarin "mudara com a mutabilidade das terras mortais" (SdA Apêndice F). Isto não quer dizer que as mudanças foram caóticas e não sistemáticas; elas definitivamente forma regulares – mas elas mudaram dramaticamente o som geral e a "música" do idioma. Algumas mudanças importantes incluem a retirada das vogais finais, as oclusivas mudas p, t, k se tornando b, d, g sonoras sucedendo uma vogal, as oclusivas sonoras se tornando fricativas na mesma posição (exceto g, que desapareceu no geral) e muitas vogais sendo alteradas, freqüentemente pela assimilação de outras vogais. De acordo com PM: 401, "o desenvolvimento do sindarin havia se tornado, muito antes da chegada dos exilados ñoldorin, principalmente o produto de mudança imperceptível como as línguas dos homens". Comentando sobre as grandes mudanças, PM: 78 observa "ainda era uma língua bela, bem adequada às florestas, colinas e às costas onde ela tomou forma".
 
À época em que os noldor retornaram para a Terra-média, aproximadamente três milênios e meio após sua separação dos sindar, o idioma clássico sindarin estava completamente desenvolvido. (De fato ele parece ter entrado em uma fase mais estável, apesar da afirmação de Tolkien de que a mudança foi rápida após o surgimento do Sol: as mudanças que ocorreram durante os sete mil anos seguintes, até os dias de Frodo, foram pequenas comparadas ao rápido desenvolvimento nos três mil anos anteriores.) Na Primeira Era, havia vários dialetos de sindarin – o idioma arcaico de Doriath, o dialeto ocidental dos falathrim ou "povo da costa" e o dialeto setentrional de Mithrim. Qual destes foi a base do sindarin falado em eras posterio- res não é sabido com certeza, mas a língua dos falathrim parece a melhor candidata, uma vez que Doriath foi destruído e o pouco que é conhecido sobre o sindarin setentrional sugere que ele se diferenciava do sindarin dos dias de Frodo. (O nome Hithlum é do sindarin setentrional; ver WJ: 400.)
 
Os noldor e os sindar de início não eram capazes de se compreenderem mutuamente, com seus idiomas tendo se distanciado tanto durante a longa separação. Os noldor aprenderam sindarin rapidamente e começaram inclusive a traduzir seus nomes em quenya para élfico-cinzento, pois "achavam absurdo e desagradável chamar pessoas vivas que falavam sindarin diariamente por nomes de um modo lingüístico muito diferente" (PM: 341). Algumas vezes os nomes eram adaptados com muito cuidado, como quando Altariel deve ter sido levada até sua forma (hipotética) em Eldarin comum, *Ñalatârigellê; começando com esta "reconstrução", os noldor então produziram a forma sindarin que teria aparecido em sindarin se realmente houvesse um nome antigo *Ñalatârigellê: Galadriel. Os nomes não eram sempre convertidos com tanto cuidado. O famoso Fëanor é de fato um meio termo entre o FëanároFaenor ("correta" no sentido de que isto é o que o primitivo *Phayanâro teria se tornado em sindarin, se este nome tivesse realmente ocorrido no Eldarin comum em tempos antigos). Alguns nomes, como Turukáno ou Aikanáro, foram simplesmente sindarizados em som, embora as formas resultantes Turgon e Aegnor
 
Mas os noldor, sempre lingüistas ágeis, logo alcançaram total maestria no idioma sindarin e classificaram sua precisa relação com o quenya. Vinte anos após a chegada dos noldor na Terra-média, durante a Mereth Aderthad ou Festa da Reunião, "a língua dos elfos-cinzentos foi a mais falada, mesmo pelos noldor, pois eles aprenderam rapidamente o idioma de Beleriand, ao passo que os sindar eram lentos para dominar a língua de Valinor" (Silmarillion cap. 13). O quenya como uma língua falada foi finalmente abolida por Thingol quando este soube que os noldor haviam assassinado muitos teleri e roubado seus navios para voltar à Terra-média: "nunca mais chegará aos meus ouvidos a língua dos que assassinaram meus parentes em Alqualondë! Nem em todo o meu reino ela poderá ser falada abertamente". Consequentemente "os Exilados adotaram o idioma sindarin em todos os seus usos correntes" (Silm. cap. 15). Parece que o édito de Thingol meramente acelerou o processo; como visto, muitos dos noldor já falavam sindarin.
 
Posteriormente, os homens mortais apareceram em Beleriand. O Apêndice F do SdA (e CI: 472) nos informa que "somente os Dúnedain, dentre todas as raças dos homens, conheciam e falavam uma língua élfica, pois seus ancestrais haviam aprendido a língua sindarin e a passaram a seus filhos como um tema da tradição, quase imutável com o passar dos anos". Talvez tenham sido os Dúnedain a estabilizar o idioma sindarin, como menos como usado entre eles próprios  (CI: 471 afirma que o sindarin falado pelos homens mortais "tendia a tornar-se divergente e dialetal"). Qualquer que tenha sido o padrão do sindarin usado pelos homens usado em eras posteriores, na Primeira Era "a maior parte deles [dos Edain] logo aprendeu o idioma dos elfos-cinzentos, tanto como língua comum quanto porque muitos desejavam conhecer as tradições dos elfos" (Silmarillion cap. 17). No final das contas, alguns homens conheciam e falavam sindarin tão bem quanto os elfos. A famosa balada Narn i Chîn Húrin (como ela corretamente escrita) foi feita por um poeta humano chamado Dírhavel, "mas era apreciada pelos Eldar, pois Dírhavel usou a língua dos elfos-cinzentos, em que possuía grande habilidade" (CI: 462. Por outro lado, o povo de Haleth não aprendeu bem ou com entusiasmo o sindarin; ver CI: 415). Túrin aprendeu sindarin em Doriath; uma jovem chamada Nellas "o ensinou a falar o idioma sindarin à maneira do reino de outrora, mais antigo, mais cortês e mais rico em belas palavras". (CI: 74).
 
Os elfos continuaram a usar o sindarin entre si no decorrer da Primeira Era. Em uma colônia noldo como Gondolin, pode-se pensar que os noldor teriam revivido o quenya como idioma falado, mas parece não ter sido isto este caso, exceto na casa real: "para a maioria do povo de Gondolin [o quenya] se tornara uma linguagem dos livros; e eles, como os demais noldor, usavam o sindarin nas conversas diárias" (CI: 460). Tuor ouviu o guarda de Gondolin falar primeiro em quenya e então "na língua de Beleriand [sindarin], porém de uma maneira um tanto estranha a seus ouvidos, como de um povo há muito separado dos seus parentes" (CI: 39). Mesmo o nome em quenya da cidade, Ondolindë, sempre apareceu em sua forma sindarizada Gondolin (embora esta seja apenas uma mera adaptação e não sindarin "real"; o primitivo *Gondolindê deveria ter produzido **Gonglin, se a palavra fosse herdada).
 
Muitos falantes de sindarin pereceram na guerras de Beleriand, mas pela intervenção dos Valar, Morgoth foi finalmente subjugado na Guerra da Ira. Muitos elfos partiram para Eressëa quando a Primeira Era terminou, e daí em diante o sindarin evidentemente se tornou uma língua falada no Reino Abençoado assim como na Terra-média (uma passagem no Akallabêth, citada acima, indica que os númenoreanos conversavam com os eressëanos em sindarin). Os Valar queriam recompensar os Edain por seus sofrimentos na guerra contra Morgoth e ergueram uma ilha no mar, e os homens, seguindo a estrela de Eärendil até seu novo lar, fundaram o reino de Númenor.
 
O sindarin era amplamente usado em Númenor: "embora esse povo ainda usasse seu próprio idioma, seus reis e senhores conheciam e também falavam a língua élfica, que haviam aprendido nos tempos de sua aliança; e assim mantinham conversas com os Eldar, tanto de Eressëa quanto das regiões ocidentais da Terra-média" (Akallabêth). Os descendentes do povo de Bëor também usavam o sindarin como sua fala diária (CI: 471). Embora o adûnaico fosse o vernáculo para a maioria da população númenoreana, o sindarin era "conhecido até certo grau por quase todos" (CI: 471). Mas posteriormente os tempos mudaram. Os númenoreanos começaram a invejar a imortalidade dos elfos, e eventualmente eles abandonaram a antiga amizade com Aman e os Valar. Quando Ar-Gimilzôr "proibiu totalmente o uso das línguas Eldarin" por volta de 3100 da Segunda Era, devemos supor que mesmo os bëorianos abandonaram o sindarin e adotaram o adûnaico (CI: 253). A história da tolice de Ar- Pharazôn, a astuta "rendição" de Sauron, a corrupção total dos númenoreanos e a Queda de Númenor são bem conhecidas do Akallabêth. Após a Queda, os amigos-dos-elfos estabeleceram reinos no Exílio, Arnor e Gondor, na Terra-média. PM: 315 afirma: "os Fiéis [após a Queda]…usavam o sindarin, e nesta língua eles novamente criaram todos os nomes de lugares na Ter- ra-média. O adûnaico foi abandonado como o idioma cotidiano à mudanças sutis e corrupções, e como língua única dos iletrados. Todos os homens de alta linhagem e todos aqueles que foram ensinados a ler e escrever usavam o sindarin, mesmo como uma língua cotidiana entre si. Em algumas famílias, diz-se, o sindarin se tornou a língua materna, e a língua vulgar adûnaica era aprendida apenas casualmente, conforme se precisasse dela. O sindarin, porém, não era ensinado à estranhos, tanto por ser uma característica de origem númenoreana quanto por ser difícil de se adquirir – muito mais do que a ‘língua vulgar’." De acordo com isto, é afirmado que o sindarin fora "a língua falada normal do povo de Elendil" (CI: 486).
 
Entre os próprios elfos, o sindarin se arrastou para o leste na Segunda e na Terceira Era, e eventualmente deslocaram as línguas silvestres (nandorin). "No fim da Terceira Era, os idiomas silvestres provavelmente já não eram mais falados nas duas regiões que tinham importância ao tempo da Guerra do Anel: Lórien e o reino de Thranduil na Floresta das Trevas setentrional" (CI: 289). Silvestre estava fora, o sindarin não. Certo, temos a impressão a partir de SdA1/II cap. 6 que o idioma usado em Lórien era alguma língua silvestre estranha, mas Frodo, o autor do Livro Vermelho, entendeu errado. Uma nota de rodapé no Apêndice F do SdA explica que, nos dias de Frodo, o sindarin de fato era falado em Lórien, "se bem que com ‘sotaque’, pois a maior parte de sua gente era de origem silvestre. Esse ‘sotaque’ e seu limitado conhecimento de sindarin induziram Frodo a erro (como é destacado em O Livro do Thain
 
Mas no final da Terceira Era, os elfos estavam desaparecendo na Terra-média, independente do idioma que falavam. O domínio dos homens mortais, a segunda leva dos Filhos de Ilúvatar, estava para começar. Tolkien observa que, ao final da Terceira Era, havia mais homens que falavam sindarin ou conheciam quenya do que elfos (Letters: 425). Quando Frodo e Sam encontraram os homens de Faramir em Ithilien, eles os escutaram falando primeiro na língua comum (westron), mas depois eles mudaram para "outro idioma próprio. Para a sua surpresa, Frodo percebeu, conforme ouvia, que estavam falando a língua élfica, ou uma outra bastante semelhante, e olhou para eles admirado, pois soube então que deveriam ser Dúnedain do sul, homens da linhagem dos Senhores do Ponente" (SdA2/IV cap. 4). Em Gondor, "o sindarin era um idioma polido adquirido e usado por aqueles de ascendência n[úmenoreana] mais pura" (Letters: 425). O mestre de ervas tagarela das Casas de Cura se referiu ao sindarin como a "língua nobre" (SdA3/V cap. 8: "vossa senhoria solicitou a folha-do-rei, como os rústicos a cha- mam, ou athelas na língua nobre, ou ainda para aqueles que conhecem um pouco da língua de Valinor [= quenya]…").
 
Como o sindarin se comportou na Quarta Era nós nunca saberemos. Como o quenya, ele deve ter sido lembrado enquanto durou o reino de Gondor. em quenya puro e a forma sindarin "correta" fossem bastante sem sentido em élfico-cinzento (PM: 345). Muitas das traduções de nomes ocorreram muito cedo, antes que os noldor tivessem ordenado todas as sutilezas do sindarin – portanto os nomes resultantes "eram com freqüência imprecisos: isto é, eles nem sempre correspondiam precisamente em sentido; nem os elementos equiparados eram sempre as formas sindarin mais próximas dos elementos do quenya" (PM: 342). por um comentarista de Gondor)". CI: 288 acrescenta a isto: "em Lórien, onde grande parte do povo era de origem sindarin, ou noldor, sobreviventes de Eregion, o sindarin tornara-se a língua de todo o povo. Agora, naturalmente não se sabe de que maneira o sindarin deles diferia das formas de Beleriand – vide SdA1 II 6, onde Frodo relata que a fala do povo silvestre, que usavam entre si, era diferente da do oeste. É provável que diferisse em pouco mais do que hoje seria popularmente chamado ‘sotaque’: principalmente diferenças nos sons das vogais e na entonação, suficientes para induzir em erro alguém que, como Frodo, não estivesse bem familiarizado com o sindarin mais puro. É evidente que também podem ter existido alguns regionalismos e outras características que decorressem em última análise da influência da antiga língua silvestre". O sindarin padrão, sem "sotaque", era evidentemente falado em Valfenda e entre o povo de Círdan nos Portos.

Designações do idioma

"Sindarin" é o nome em quenya deste idioma, derivado de sindar *"cinzentos" = elfos-cinzentos; ele pode ser (e é) traduzido élfico-cinzento. Como o sindarin era chamado pelo seu próprio termo não é sabido com certeza. Diz-se dos elfos em Beleriand que "seu próprio idioma era o único que eles ouviram; e eles não precisavam de palavra para distinguí-lo" (WJ: 376). Os  sindar provavelmente se referiam à sua língua simplesmente como edhellen, "élfico". Como observado acima, o mestre de ervas das Casas de Cura se referiu ao sindarin como a "nobre língua" (enquanto que "a língua mais nobre do mundo" permanece sendo o quenya, CI: 247). No decorrer do SdA, o termo geralmente empregado é simplesmente "a língua élfica", uma vez que o sindarin era o vernáculo vivo dos elfos.

HISTÓRIA EXTERNA

Em 1954, em Letters: 176, Tolkien observou que "o idioma vivo dos elfos ocidentais (sindarin ou élfico-cinzento) é o geralmente encontrado [no SdA], especialmente em nomes. Este é derivado de uma origem comum a ele e ao quenya, mas as mudanças foram propositadamente planejadas para lhe dar uma característica lingüística muito parecida (embora não idêntica) com o inglês-galês: porque acho esta característica, em alguns modos lingüísticos, muito atrativa; e porque ele parece se ajustar particularmente ao tipo de lendas e histórias ‘celtas’ contados por seus falantes". Posteriormente, ele achou que "este elemento no conto talvez tenha dado a mais leitores mais prazer do que qualquer outra coisa nele" (MC: 197).
 
Um idioma de sonoridade galesa ou celta estava presente nos mitos de Tolkien desde o início. Este idioma era originalmente chamado gnômico ou i·lam na·ngoldathon, "a língua dos gnomos (noldor)". O dicionário gnômico original de Tolkien, datando de por volta de 1917, foi publicado no Parma Eldalamberon #11 e mostrou-se um documento muito abrangente, com milhares de palavras. Muitas palavras gnômicas também são encontradas nos apêndices do LT1 e do LT2. Parma também publicou uma gramática gnômica (nunca completada). Mas apesar de Tolkien ter trabalhado muito neste idioma, ele foi rejeitado de fato posteriormente. Em PM: 379, em um documento tardio, Tolkien se refere ao gnômico como "o idioma élfico que no final das contas de tornou aquele do tipo chamado sindarin" e observa que ele "estava em uma forma primitiva e desorganizada". Alguns dos conceitos centrais da gramática gnômica, em particular certas mutações de consoantes, foram posteriormente reciclados no sindarin. Alguns itens do vocabulário gnômico também sobreviveram no sindarin, imutáveis ou em formas reconhecíveis. Mesmo assim, o gnômico realmente era um idioma completamente diferente, apesar de possuir um estilo fonético um tanto parecido com o do sindarin (muitos ch‘s e th‘s, e a maioria das palavras terminando em uma consoante!) Uma característica importante do sindarin, a metafonia ou mutação de vogais, de acordo com o reportado, apareceu primeiro em gramáticas escritas por Tolkien nos anos vinte. Mas apenas nos anos trinta, com o Etimologias, um idioma realmente próximo ao sindarin do estilo do SdA surgiu nas notas de Tolkien. Este idioma foi, entretanto, chamado "noldorin", pois, como seu predecessor gnômico, ele foi concebido como o idioma não dos sindar, mas dos noldor – desenvolvido em Valinor. Neste estágio, o quenya era visto apenas como o idioma dos "lindar" (posteriormente: vanyar). Apenas mais tarde, quando os apêndices do SdA estavam sendo escritos, é que Tolkien abandonou esta idéia, e transformou o noldorin em sindarin. O quenya agora se tornara o idioma original tanto dos vanyar como dos noldor – os últimos simplesmente adotaram o sindarin quando chegaram na Terra-média. "Aconteceu que" o idioma de sonoridade celta dos mitos de Tolkien não era, afinal, sua própria língua (apesar de que, nos anais da Terra-média, eles vieram a ser os usuários mais proeminentes dele). Ele não se originou no Reino Abençoado de Valinor, mas era uma língua nativa da Terra-média.
 
Na concepção anterior, os elfos nativos de Beleriand falavam um idioma chamado ilkorin, que o sindarin, com efeito, substituiu quando Tolkien fez esta revisão (Edward Kloczko argumentou que alguns elementos do ilkorin foram mantidos como um dialeto setentrional do sindarin; seu artigo está anexado ao meu próprio tratado sobre ilkorin). A decisão de Tolkien de revisar fundamentalmente a história do idioma de sonoridade celta foi provavelmente uma decisão feliz, fazendo o cenário lingüístico muito mais plausível: certamente seria difícil imaginar que os vanyar e os noldor pudessem ter desenvolvido dois idiomas obviamente tão diferentes com o quenya e o "noldorin" quando viveram lado a lado em Valinor. Transformar o "noldorin" em sindarin cuidou deste problema; agora os dois ramos de élfico poderiam se desenvolver por completo independentemente durante as longas eras nas quais seus falantes viveram em absoluta separação.
 
O "noldorin" do Etimologias não é inteiramente idêntico ao sindarin como este aparece no SdA, uma vez que Tolkien nunca parou de refinar e alterar seus idiomas inventados. Mas muitas das diferenças que separam o "noldorin" do sindarin no estilo do SdA felizmente são regulares, com Tolkien ajustando algum detalhes da evolução do élfico primitivo. Portanto, a maioria do material "noldorin" pode ser facilmente atualizada para concordar com o cenários lingüístico do SdA. Algumas palavras devem ser sutilmente alteradas; por exemplo, o ditongo "noldorin" oe deveria ser ae em sindarin. Um exemplo envolve Belegoer como o nome do Grande Oceano (LR: 349, 352); esta forma Tolkien posteriormente mudou para Belegaer – e assim está no mapa do Silmarillion publicado. Outra mudança tem a ver com as consoantes lh- e rh-; onde eles ocorriam em "noldorin", muitos exemplos mostram que o sindarin deveria ter, ao invés disso, um l- e r- simples. Assim, podemos deduzir que uma palavra "noldorin" como rhoeg ("errado", LR: 383) deveria ser raeg em sindarin – apesar da última forma não ser atestada em nenhum lugar. Foi sugerido  que o "noldorin" do Etimologias, com suas várias peculiaridades, pode ser igualado com o dialeto "um tanto estranho" que os noldor falavam em Gondolin (CI: 460). Desta maneira, poderíamos ter razão em chamá-lo de noldorin ao invés de sindarin. Contudo, também é possível que Tolkien tivesse considerado o "noldorin" completamente obsoleto pelo nível em que ele se diferenciava de sua visão tardia do sindarin.

FONOLOGIA ELEMENTAR

A fonologia do sindarin é menos restritiva do que a do quenya. Muitas encontros consonantais são permitidos em todas as posições, enquanto que encontro iniciais e finais estão virtualmente ausentes em quenya. Os sons ch (do alemão ach-Laut, e NÃO "tsh" como na palavra inglesa church) e th, dh ("th" como em think e this, respectivamente) são freqüentes. Tolkien algumas vezes usou a letra especial eth (ð) para escrever dh, e ocasionalmente também vemos a letra thorn (þ) ao invés de th. Entretanto, aqui usaremos dígrafos, como no SdA. As oclusivas mudas p, t, c nunca ocorrem após uma vogal, mas são leniza- das (ver abaixo) para b, d, g. Note que, como em quenya, o c é sempre pronunciado kCeleborn = "Keleborn", e não "Seleborn"). No final de palavras, f é pronunciado v, como no inglês of. (Em escrita Tengwar, uma palavra como nef é na verdade escrita nev.) O r deve ser vibrante, como em espanhol, português, russo, etc. Os dígrafos rh e lh re- presentam r e lr + h ou l + h, como em Edhelharn – não surpreendente, nosso alfabeto não pode representar o sindarin adquadamente). (exemplo padrão: mudos (mas algumas vezes estas combinações podem realmente significar

O sindarin possui seis vogais, a, e, i, o, u e y, a última corresponde ao ilindo. Vogais longas são indicadas com um acento (á, é etc.), mas no caso de monossílabos tônicos, as vogais tendem a se tornarem especialmente longas e são indicadas com um circunflexo: â, êy. Para evitar grafias feias como my^l ("gaivotas", WJ: 418), usamos aqui, ao invés disso, um acento agudo (as palavras relevantes que ocorrem neste artigo são býr, thýn, fýr, rýn, mrýg, mýl, ‘lýg e hýn – em condições ideais, estas palavras devem ter um circunflexo). Isto não é muito crítico: na escrita Tengwar, nenhuma distinção é feita entre vogais longas e super- longas; o uso de circunflexos ao invés de acentos agudos em monossílabos é meramente uma complicação extra que Tolkien introduziu na sua ortografia romana do sindarin (evidentemente para deixar bem claro como as palavras devem ser pronunciadas).

Os ditongos em sindarin incluem ai (como em caixa), ei, ui (como em cuidado) e au (como em saudade). No final de palavras, au é escrito aw. Existem também os ditongos ae e oe, sem equivalentes em português; Tolkien na verdade sugere  substitui-los por ai e oi se você não se importa com tais detalhes (realmente, algumas vezes ele anglicizou MaedhrosAe e oe são simplesmente as vogais a e o pronunciadas como uma sílaba com a vogal e (como em sete), assim como ai e oi são a e o pronunciados com i. De modo um tanto confuso, nos escritos de Tolkien o dígrafo oe é também usado às vezes um o metafônico, aparentemente o mesmo som do alemão öö neste artigo, para evitar confusão). Ao final da Terceira Era, ö havia se fundido com e (é por isso que as Montanhas Cinzentas aparecem como Ered Mithrin e não Öröd Mithrin no mapa do SdA!), mas nós ainda temos que nos referir a este som ao tratar do sindarin arcaico. português como em etc. Infelizmente, em HTML não se pode colocar um circunflexo sobre a vogal como "Maidros", mas qualquer pessoa lendo este documento provavelmente se importa com os detalhes). (realmente preferimos a grafia

O CORPUS

Amostras importantes de sindarin no SdA incluem:
 
  • A saudação de Glorfindel a Aragorn: Ai na vedui Dúnadan! Mae govannen! (SdA1/I cap. 12). As primeiras palavras não são traduzidas, mas provavelmente significam *"Ah, finalmente, homem do oeste!" Mae govannen significa "feliz em te ver" (Letters: 308).
     
  • O grito de Glorfindel a seu cavalo: Noro lim, noro lim, Asfaloth! (mesmo capítulo). Não traduzido; significando evidente- mente *"corra rápido, corra rápido, Asfaloth!"
     
  • A magia de fogo de Gandalf: Naur an edraith ammen! Naur dan i ngaurhoth! A primeira parte significa literalmente, de acordo com TI: 175, "seja fogo para nossa salvação". (Na verdade, parece não haver uma palavra significando "seja".) A segunda parte deve significar *"fogo contra a hoste de lobisomens!" (Cf. a observação de Gandalf na manhã seguinte ao ataque dos lobos: "Era como eu temia. Estes não eram lobos comuns".) (SdA1/II cap. 4)
     
  • A invocação de Gandalf diante do Portão de Moria: Annon edhellen, edro hi ammen! Fennas nogothrim, lasto beth lammen! "Portão élfico abra agora para nós; entrada do povo dos anões escute a palavra de minha língua" (SdA1/II cap. 4, traduzido em RS: 463). Uma variante anterior da invocação é encontrada em RS: 451.
     
  • A inscrição no próprio Portão de Moria: Ennyn Durin Aran Moria: pedo mellon a minno. Im Narvi hain echant: Celebrimbor o Eregion teithant i thiw hin. "As Portas de Durin, Senhor de Moria. Fale, amigo, e entre. Eu, Narvi, as fiz. Celebrimbor de Azevim [Eregion] desenhou estes sinais".
     
  • A canção A Elbereth Gilthoniel / silivren penna míriel / o menel aglar elenath! / Na-chaered palan-díriel / o galadhremmin ennorath, / Fanuilos le linnathon / nef aear, sí nef aearon (SdA1/II cap. 1). Ela é traduzida em RGEO: 72 e significa aproximadamente, "Ó Elbereth Inflamadora, reluzindo branca, cintilando como jóias, a glória da hoste estrelada se curva. Tendo vislumbrado além das terras de árvores entrelaçadas, a ti, Semprebranca, cantarei, deste lado do mar, aqui neste lado do oceano" (minha tradução baseada na tradução entrelinhas de Tolkien). Uma variante mais antiga da canção é encontrada em RS: 394. (O hino é muito parecido com a Canção de Lúthien [não traduzida] no The Lays of BeleriandIr Ithil ammen Eruchîn / menel-vîr síla díriel / si loth a galadh lasto dîn! / A Hîr Annûn gilthoniel, le linnon im Tinúviel.)

  • O grito "inspirado" de Sam em Cirith Ungol: A Elbereth Gilthoniel o menel palan-diriel, le nallon sí di-nguruthos! A tiro nin, Fanuilos! "Ó Elbereth Inflamadora, dos céus vislumbrando ao longe, a ti eu chamo na [lit. sob] sombra da morte. Ó olhe por mim, Semprebranca!" (traduzido em Letters: 278 e RGEO: 72).
     
  • O louvor recebido pelos Portadores do Anel no Campo de Cormallen (SdA3/VI cap. 4): Cuio i Pheriain anann! Aglar’ni Pheriannath! … Daur a Berhael, Conin en Annûn, eglerio! … Eglerio! Isto é traduzido no Letters: 308 e significa "possam os pequenos viver longamente, glória aos pequenos… Frodo e Sam, príncipes do oeste, louvai (-os)! … Louvai (-os)!"
     
  • O linnod de Gilraen a Aragorn no Apêndice A do SdA: Ónen i-Estel Edain, ú-chebin estel anim, traduzido "Dei Esperança aos dúnedain; não guardei nenhuma esperança para mim".

    Fora do SdA, a fonte mais importante – de fato, o texto em sindarin mais longo que temos, e o maior texto em prosa em qualquer língua élfica – é a Carta do Rei, uma parte do Epílogo do SdA, que Tolkien posteriormente abandonou. Ela foi finalmente publicada em SD: 128-9: Elessar Telcontar: Aragorn Arathornion Edhelharn, aran Gondor ar Hîr i Mbair Annui, anglennatha i Varanduiniant erin dolothen Ethuil, egor ben genediad Drannail erin Gwirith edwen. Ar e aníra ennas suilannad mhellyn în phain: edregol e aníra tírad i Cherdir Perhael (i sennui Panthael estathar aen) Condir i Drann, ar Meril bess dîn; ar Elanor, Meril, Glorfinniel, ar Eirien sellath dîn; arIorhael, Gelir, Cordof, ar Baravorn, ionnath dîn. A Pherhael ar am Meril suilad uin aran o Minas Tirith nelchaenen uin Echuir. (Os nomes Elessar Tel-contar estão em quenya; a tradução em sindarin de Elessar, Edhelharn [Pedra Élfica], ocorre no texto.) Esta tradução é dada em SD: 128: "Aragorn Passolargo, o Pedra Élfica [mas o texto élfico tem "Elessar Telcontar: Aragorn, filho de Arathorn, Pedra Élfica"], Rei de Gondor e Senhor das Terras Ocidentais, se aproximará da Ponte do Baranduin no oitavo dia da Primavera, ou, no Registro do Condado, o segundo dia de abril. E ele deseja saudar lá todos os seus amigos. Em especial ele deseja ver Mestre Samwise (que deve ser chamado Fullwise), Prefeito do Condado, e RosaElanor, Rosa, Cachinhos Dourados, e Margarida suas filhas; e Frodo, Merry, Pippin e Hamfast, seus filhos. A Samwise e Rosa a saudação do Rei de Minas Tirith, o trigésimo primeiro dia da Agitação [não está no texto élfico:], sendo o vigésimo terceiro de fevereiro no seu calendário". As palavra nos parênteses ("que deve ser…") são omitadas da tradução em SD: 128, mas cf. SD: 126. sua esposa; e

    Outras amostras de sindarin incluem:

  • A exclamação de Voronwë ao ver as Montanhas Circundantes ao redor do reino de Turgon: Alae! Ered en Echoriath, ered e·mbar nín! "Alae [= ?contemple]! [As] montanhas de Echoriath, [as] montanhas de meu lar!" (CI: 34, traduzido em CI: 458 nota 19.)
     
  • Gurth an Glamhoth!, "morte à horda do alarido", Tuor amaldiçoando os orcs em CI: 32 (cf. CI: 458).
     
  • O grito de guerra dos edain do norte, dado em CI: 60: Lacho calad! Drego morn! "Fulgure a luz! Fuja a noite!"
     
  • Uma exclamação de Húrin: Tôl acharn, "A vingança chega", também na forma Tûl acharn (WJ: 254, 301).
     
  • Os nomes sindarin de certos Grandes Contos no Silmarillion, os Nern in Edenedair ou *"Contos dos Pais dos Homens", dado em MR: 373: 1) Narn Beren ion Barahir, "Conto de Beren filho de Barahir", também chamado Narn e·Dinúviel, "Conto do Rouxinol". 2) Narn e·mbar Hador *"Conto da Casa de Hador" incluindo Narn i·Chîn Hurin "Conto dos Filhos de Hurin" (também chamado Narn e·’Rach Morgoth "Conto da Maldição de Morgoth") e Narn en·Êl "Conto da Estrela" (ou Narn e·Dant Gondolin ar Orthad en·Êl, *"Conto da Queda de Gondolin e da Ascensão da Estrela").
     
  • Uma frase publicada em VT41: 11: Guren bêd enni "meu coração (pensamento interior) me conta".
     
  • Uma frase do assim chamado "Invólucro de Túrin": Arphent Rían Tuorna, Man agorech?, provavelmente significando *"E Rían disse a Tuor, O que você fez?" (Compare agor "fez" em WJ: 415. O conteúdo completo do Invólucro de Túrin "logo" será publicado e discutido no Vinyar Tengwar…ou assim Carl F. Hostetter escreveu na mensagem 21.09 da TolkLang lá em 1996.)

    A ESTRUTURA DO SINDARIN

    A característica mais distintiva do sindarin como um idioma provavelmente é a sua complexa fonologia, com o élfico-cinzento freqüentemente fazendo uso de aspectos fonológicos tais como metafonia e mutações ao invés de afixos para expressar várias idéias gramaticais. Teremos que tocar em tais assuntos com freqüência na nossa tentativa de analisar a estrutura do sindarin.

    1. OS ARTIGOS

    Como o quenya, o sindarin não possui artigo indefinido como "um(ns), uma(s)" em português; a ausência de um artigo definido indica que o substantivo é indefinido: Edhel = "elfo" ou "um elfo".

    O artigo definido, "o, a", é i no singular: aran "rei", i aran "o rei". Estes exemplos bem podem ser quenya. Em um texto não traduzido no The Lays of Beleriand pág. 354 encontramos a expressão ir Ithil. Se isto significa *"a lua", indicaria que o artigo assume a forma ir antes de uma palavra em i- (para evitar duas vogais idênticas em hiato).

    Diferente do quenya (e do inglês), o sindarin possui uma forma especial de plural do artigo, in. "Reis" é erain (formada a partir de aran por metafonia vocálica, ver abaixo); "os reis" é in erain.

    Tanto no singular como no plural, o artigo pode aparecer como um sufixon ou -in. Assim, a preposição na "para" se torna nan "ao, à". Ben "no" ou mais literalmente *"de acordo com o", uma palavra ocorrendo na Carta do Rei, parece ser uma preposição be "de acordo com" – não atestada por si mesma – com o sufixo -n para "o". (Este be seria o cognato sindarin do quenya venu (ou no) "sob, debaixo" se torna nuin "sob o, debaixo do" (como em Dagor-nuin-Giliath "Batalha sob as Estrelas", um nome ocorrendo no Silmarillion, capítulo 13). Quando o artigo ocorre na forma -in, ele pode desencadear mudanças fonológicas na palavra a qual ele está anexado. Or "sobre, em" se transforma em erin "sobre o, no", a vogal i modificando o para e (via ö; "sobre o" deve ter sido örin em um estágio primitivo). A preposição o "de, desde" aparece como uin quando o artigo é sufixado, uma vez que em sindarin o oi anterior se torna ui (cf. Uilos como o cognato da palavra em quenya Oiolossë). Pode-se pensar que a desinência -in adicionada a preposições corresponderia ao artigo independente in para o plural "os, as", de modo que palavras como erinuin seriam usadas em conjunto apenas com palavras no plural. Mas a Carta do Rei demonstra que este não é o caso; aqui encontramos estas palavras usadas juntamente com palavras no singular: erin dolothen Ethuiluin Echuir "da Agitação" (nome de mês). Presumidamente, -n e -in sufixados à preposições representam uma forma oblíqua do artigo que é usado tanto no singular como no plural. – Em alguns casos, o independente artigo normal é usado sucedendo uma preposição independente, assim como no português: cf. naur dan i ngaurhoth *"fogo contra a hoste de lobisomens" em uma das magias de fogo de Gandalf. Dan i "contra o" não é substituída por uma única palavra, isto é, alguma forma de dan "contra" com o artigo sufixado. Talvez algumas preposições apenas não possam receber um artigo sufixado, ou talvez isto seja opcional se deseja-se dizer nan ou na i(n) para "ao, à", erin ou or i(n) para "sobre o/no/em", uin ou o i(n) para "de/do/desde o". Não sabemos. anexado à preposições. Este sufixo possui a forma – "como".) A preposição ou "no oitavo [dia] da Primavera",

    O artigo genitivo: o sindarin freqüentemente expressa relações genitivas apenas pela ordem das palavras, como Ennyn Durin "Portas (de) Durin" e Aran Moria "Senhor (de) Moria" na inscrição do Portão de Moria. Contudo, se a segunda palavra da construção for um substantivo comum e não um nome como nestes exemplos, o artigo genitivo en "de, da, do" é usado se o substantivo é definido. Cf. nomes como Haudh-en-Elleth "Monte daSilmarillion cap. 21), Cabed-en-Aras "Salto do Cervo" (CI: 145), Methed-en-Glad "Fim da Floresta" (CI: 168) ou a expressão orthad en·Êl "Ascensão da Estrela" em MR: 373. Cf. também Frodo e Sam sendo chamados de Conin en Annûn "príncipes do oeste" no Campo de Cormallen. (Este artigo genitivo às vezes assume a forma curta e; cf. Narn Dinúviel "Conto do Rouxinol", MR: 373. Veja abaixo, na seção sobre mutações consonantais, a respeito das várias aparições deste artigo e dos ambientes nos quais elas ocorrem.) Apenas raramente o artigo singular normal i substitui e(n)- em expressões genitivas, mas na Carta do Rei temos Condir i Drann para "Prefeito do Condado". Mas no plural, o artigo plural normal in é geralmente usado mesmo em uma construção genitiva; cf. Annon-in-Gelydh "Portão (d)os Noldor" (CI: 5), Aerlinn in Edhil *"Hino (d)os Elfos" (RGEO: 70, em escrita Tengwar). Entretanto, existem exemplos do artigo explicitamente genitivo en sendo usado também no plural: Bar-en-Nibin–Noeg "Casa dos Anões-Pequenos" (CI: 105), Haudh-en-Ndengin "Colina do Morto", ou *"dos Mortos" (Silmarillion cap. 20). Porém, este parece ser menos comum. Donzela-elfo" (

    Em muitos casos, os artigos induzem a consoante inicial da palavra subsequente a mudar. Estas complexidades fonológicas são descritas abaixo, na seção sobre mutações consonantais. O artigo i ocasiona a lenição ou mutação suave do substantivo subsequente; veja abaixo. O nin é freqüentemente engolido em uma processo chamado mutação nasal; o n desaparece e a consoante inicial do substantivo é mudada. Por outro lado, a nasal do sufixo -n ou -in, "o(s), a(s)" anexado à preposições, aparentemente persiste – embora isto pareça ocasionar o que temporariamente chamamos de  mutação mista na palavra seguinte. final do artigo

    Os artigos também são usados como pronomes relativos; cf. Perhael (i sennui Panthael estathar aen) "Samwise (que deve ser chamado Panthael)" na Carta do Rei, ou o nome Dor Gyrth i chuinar "Terra dos Mortos que Vivem" (Letters: 417 – isto representa *Dor Gyrth in cuinar, um exemplo de mutação nasal. Dor Firn i Guinar no Silmarillion cap. 20 emprega o i no singular como um pronome relativo embora Firn seja plural; a leitura Dor Gyrth i chuinar de uma carta muito tardia (1972) é preferida).

    Irá se notar que Tolkien às vezes, mas não sempre, liga os artigos do sindarin à palavra seguinte por meio de um hífen ou um ponto. Isto aparentemente é opcional. Nesta obra, quando não citarmos as fontes diretamente, ligaremos o artigo genitivo e, en "de, do, da" à palavra seguinte por meio de um hífen (uma vez que, de outro modo, seria muito difícil diferenciar da preposição ed, e "fora de"), mas não hifenizamos os outros artigos.

    2. O SUBSTANTIVO

    Na linha do tempo fictícia, o substantivo do sindarin originalmente possuía três membros: singular, plural e dual. Contudo, nos é dito que a forma dual logo se tornou obsoleta, exceto em obras escritas (Letters: 427). Por outro lado, uma classe plural se desenvolveu, coexistindo com o plural "normal"; veja abaixo.

    Como na maioria dos idiomas, o singular é a forma básica, não declinada do substantivo. Tolkien observou que os plurais do sindarin "eram principalmente criados com mudanças de vogais" (RGEO: 74). Por exemplo, amon "colina" se torna emyn "colinas"; aran "rei" se torna erainman pl. men, woman pl. women (pronuncida "wimen"), goose pl. geese, mouse pl. mice etc. O inglês (assim como o português) também geralmente conta com a desinência de plural -s. Em sindarin, a situação é oposta: o truque de mudar as vogais é modo comum de se formar os plurais, e apenas algumas palavras apresentam algum tipo de desinência no plural. As regras para estas mudanças de vogais são as mesmas para substantivos e adjetivos (os últimos concordam em número), de forma que também citaremos adjetivos entre os exemplos conforme exploramos os padrões de plural do sindarin. No final das contas, as mudanças de vogais remetem ao fenômeno da metafonia. A metafonia (em origem um termo alemão significando literalmente algo como "som modificado") é uma característica importante da fonologia do sindarin; o termo sindarin para este fenômeno é prestanneth, significando distúrbio ou afeição. Isto tem a ver com uma vogal "afetar" outra vogal na mesma palavra, tornando-a mais parecida com ela mesma, em termos lingüísticos, assimilando-a. À metafonia relevante para a formação do plural, Tolkien se referiu como "afeição-i" (WJ: 376), uma vez que foi uma vogal i que originalmente ocasionou isto. Tolkien imaginou que o idioma élfico primitivo tinha uma desinência de plural *-î, ainda presente no quenya como -i (como em quendi, Atani, teleri etc). Esta desinência como talfang "barba" (como em Fangorn "Barbárvore") é feng, isto ocorre porque o a foi afetado pela antiga desinência de plural *-î, -i enquanto que a última ainda estava presente. Na forma mais primitiva de élfico, a palavra para "barba" aparecia como spangâ, plural spangâi; no estágio em que chamamos de sindarin antigo, ela havia se tornado sphanga pl. sphangi. A última rendeu o "clássico" sindarin fang, mas o plural sphangi se tornou feng, a vogal original a levada em direção à qualidade da desinência de plural -i antes que a desinência fosse perdida – e assim na forma posterior de plural feng temos o e como um tipo de acordo entre (a vogal original) a e (a desinência perdida) i. (Pode ser que houvesse um estágio intermediário que tivesse ei, assim ?feing.) "reis". As consoantes permanecem as mesmas, mas as vogais mudam. Existem alguns substantivos em inglês que formam seu plurais se maneira similar: não sobreviveu no sindarin, mas existem traços evidentes de sua presença anterior, e estes "traços" se tornaram o indicador de pluralidade no élfico-cinzento. Quando a forma plural de, digamos,

    PADRÕES DE PLURAL DO SINDARIN

    Quando "afetadas" ou "mutadas", as várias vogais e ditongos passam por diferentes mudanças. O ambiente preciso e a história fonológica devem às vezes ser levados em conta para determinar como a palavra apareceria no plural. Listaremos as vogais por suas formas "normais" ou não afetadas.
     

  • A vogal A: um a ocorrendo na última sílaba de uma palavra geralmente se transforma em ai no plural. Isto também se aplica quando a última sílaba também é a única sílaba, isto é, a palavra é monosilábica (em tais palavras geralmente vemos um â longo). O exemplo que usamos acima, fang pl. feng ao invés de **faing, é um tanto atípico (veja abaixo); de outra forma, este padrão é bem atestado:
    tâl "pé", pl. tail (singular em LR: 390 s.v. TAL; o plural tail é atestado na forma lenizada -dail na palavra composta tad-dail "bípedes" em WJ: 388)
    cant "forma", pl. caint
    (singular em LR: 362 s.v. KAT; para a forma pl. cf. morchaint = "formas negras, sombras" no Apêndice do Silmarillion [entrada gwath, wath]; isto é mor "negro" + caint "formas", o c aqui se tornando ch por razões fonológicas)
    rach "carroça", pl. raich
    (cf. Imrath Gondraich "Vale das Carroças de Pedra" em CI: 422)
    barad "torre", pl. beraid
    (Apêndice do Silmarillion, entrada barad)
    lavan "animal", pl. levain
    (WJ: 416)
    aran "rei", pl. erain
    (LR: 360 s.v. 3AR)

    NOTA: no "noldorin" do Etimologias, a em uma sílaba final freqüentemente surge como ei. Assim, temos adar "pai" pl. edeir (entrada ATA), Balan "Vala" pl. Belein (BAL), habad "costa" pl. hebeid (SKYAP), nawag "anão" pl. neweig (NAUK), talaf "solo, chão, assoalho" pl. teleif (TAL). A mesma coisa em monossílabos: dân "elfo nandorin", pl. dein (NDAN), mâl "pólen" pl. meil (SMAL), pân "tábua" pl. pein (PAN), tâl "pé" pl. teil (TAL). Mas como demonstrado acima,a forma plural de tâl se tornou tail no sindarin tardio de Tolkien (forma lenizada -dail em tad-dail em WJ: 388). De modo parecido, o plural sindarin de adar é visto ser, não edeir como no Etimologias, mas edair (como em Edenedair "Pais dos Homens", MR: 373 – esta é uma fonte pós-SdA). O Apêndice do Silmarillion, entrada val-, também confirma que em sindarin a forma plural de Balan "Vala" é Belain, e não Belein como no Etimologias. Parece que em todos os exemplos recém listados, devemos ler ai em sindarin para o ei "noldorin" nas formas plurais. Em pelo menos um caso, evidências do Etimologias concordam com os padrões observados em sindarin tardio: o exemplo já citado aran "rei" pl. erain (e não *erein) na entrada 3AR. (Para erain como o plural sindarin, compare com o nome Fornost Erain "Cidadela do Norte dos Reis" ocorrendo em SdA3/VI cap. 7.) Interessantemente, Christopher Tolkien observa que no Etimologias, o grupo de entradas ao qual 3AR pertence foi "riscado e substituído de forma mais legível" (LR: 360). Talvez isto tenha ocorrido após seu pai ter revisado os padrões de plural que de outra forma persistiam no Etim. PM: 31, reproduzindo um rascunho de um Apêndice do SdA, mostra Tolkien mudando o plural de Dúnadan de Dúnedein para Dúnedain. Parece que os plurais mais antigos do "noldorin" em ei não são conceitualmente obsoletos; eles podem ser vistos como sindarin arcaico: em certo ambientes, a mudança ei > ai ocorreu também dentro da história imaginada, de modo que Dúnedain realmente poderia ter sido Dúnedein em um estágio primitivo. Parece que Tolkien decidiu que ei na última sílaba de uma palavra (isto também vale para monossílabas) se tornou ai, mas fora isso permaneceu ei. Assim, temos teithant para "desenhou" (ou *"escreveu") na inscrição do Portão de Moria, e este teith- é relacionado ao segundo elemento -deith da palavra andeith "sinal longo" (um símbolo usado para indicar vogais longas na escrita, LR: 391 s.v. TEK). Ainda assim a palavra andeith do Etimologias aparece como andaith no Apêndice E do SdA, visto que ei aqui estava em uma sílaba final. Teithant não poderia se tornar **taithant porque ei aqui não está em uma última sílaba. Outras palavras confirmam este padrão. Como indicado acima, o plural normal de aran é erain, mas erein- é visto no nome Ereinion "Descendente de Reis" (um nome de Gil-galad, PM: 347/CI: 542). Evidentemente a forma plural era erein em sindarin arcaico, posteriormente se tornando erain porque ei mudou para ai em sílabas finais, mas em uma palavra composta como Ereinion, o ditongo ei não estava em uma sílaba final e permaneceu inalterado.

    Em palavras de uma determinada forma, o a na última (ou única) sílaba se e ao invés de ai. Nas formas de plural, o a a princípio pode ter se tornado ei como de costume, mas então o elemento final do ditongo foi evidentemente perdido (antes que o ei se transformasse em ai) deixando apenas o e que simplesmente permaneceu inalterado posteriormente. MR: 373 indica que a forma plural de narn "conto" é nern, e não **nairnneirn, embora a última possa ter ocorrido em um estágio mais primitivo. Parece que também temos e ao invés de ei/ai antes de ng; o Etimologias fornece o exemplo Anfang pl. Enfeng (e não **Enfaing) para "Barbas-longas", um dos clãs dos anões (LR: 387 s.v. SPÁNAG). WJ: 10, reproduzindo uma fonte pós- SdA, confirma que o plural Enfeng ainda era válido no sindarin tardio de Tolkien. Seguindo o exemplo de fang "barba" pl. feng, pereceria que os plurais de palavras como lang "espada, cutelo" (para o "noldorin" lhang, LR: 367), tang "corda de arco" ou thangleng, teng e theng. ou ** "necessidade" deveriam ser

    NOTA: No Etimologias, existem exemplos adicionais de plurais "noldorin" onde o a em uma sílaba final se torna e ao invés de ai ou ei. Temos adab "construção, edificação" pl. edeb (TAK), adar "pai" pl. eder além de edeir (ATA), Balan "Vala" pl. Belen além de Belein (BAL), falas "praia, costa" pl. feles (PHAL/PHALAS), nawag "anão" pl. neweg além de neweig (NAUK), rhofal "asa (grande)" pl. rhofel (RAM) e salab "erva" pl. seleb (SALÂK-WÊ). Entretanto, no caso dessas palavras parece haver pouca razão para se acreditar que os plurais -e ainda seriam válidos no sindarin tardio de Tolkien. Pelo menos dois destes plurais "noldorin" – eder e Belen – entram em conflito com os plurais sindarin atestados edair e Belain. Parece, então, que podemos nos sentir livres para também substituir edeb, feles, neweg, rhofel, seleb pelas palavras em sindarin edaib, felais, newaig, rovail, selaib, apesar das últimas formas não serem diretamente atestadas (note que a palavra "noldorin" rhofal "asa", pl. rhofel, deve se tornar roval pl. rovail se introduzirmos a fonologia e grafia do sindarin). – Outro caso "noldorin" de um plural a > e é rhanc "braço" pl. rhenc (RAK). O singular deve se tornar ranc se o atualizarmos para o estilo de sindarin do SdA, mas o plural deve ser renc ou rainc? O exemplo em sindarin cant "forma" pl. caint (ver acima) parece indicar que a antes de um encontro constituído de n + uma oclusiva muda se torna ai no plural; assim "braços" provavelmente deve ser rainc em sindarin.

    Em pelo menos uma palavra, o ei mais primitivo permanece inalterado e não se transforma em ai mesmo se ocorrer em uma sílaba final. De acordo com CI: 299, a forma plural de alph "cisne" é eilph; parece que eil. (Anteriormente, no "noldorin" do Etimologias, a palavra para "cisne" era escrita alf, e seu plural era dado como elf: LR: 348 s.v. ÁLAK; para a forma no plural, cf. hobas in Elf *"Porto dos Cisnes" em LR: 364 s.v. KHOP) De acordo com o exemplo eilph, o plural sindarin de lalf "olmo" provavelmente deveria ser leilf, embora o plural "noldorin" listado no Etimologias fosse lelf (LR: 348 s.v. ÁLAM). é inalterado antes de um encontro consonantal começando em

    Em uma sílaba que não seja final, a se torna e em formas de plural, como é visto em alguns dos exemplos já citados: aran "rei", pl. erain; amonemyn; lavan "animal", pl. levain. Isto não vale apenas para a vogal em uma penúltima sílaba como nestes exemplos; também pode ser aplicado a uma palavra mais longa, o a em qualquer sílaba que não seja final se transformando em e. Isto acontece mesmo quando a ocorre várias vezes: de acordo com WJ: 387, a palavra Aphadon "Seguidor" se torna Ephedyn no plural. LR: 391 s.v. TÁWAR indica que o adjetivo tawaren "de madeira" possui a forma de plural tewerin. Em MR: 373 temos Edenedairpara "Pais dos Homens", o plural da palavra composta Adanadar "Pai- homem" (adan "homem" + adar "pai"). Aqui vemos o aai, mas em todas as três sílabas que não são finais, a se torna e. É claro, o plural de adan seria edain (bem atestado) se a palavra ocorresse sozinha, uma vez que o segundo aAdanadar ele não está, e por isso vemos Eden- no plural.
     
    "colina", pl. na última sílaba se tornando estaria então na última sílaba. Mas na palavra composta

  • A vogal E: no que diz respeito a esta vogal, felizmente parece haver concordância entre o sindarin maduro de Tolkien e a maioria do material mais primitivo do Etimologias. O comportamento desta vogal é bem simples. Na última sílaba de uma palavra, e se transforma em i:
    edhel "elfo", pl. edhil (WJ: 364, 377; cf. "noldorin" eledh pl. elidh em LR: 356 s.v. ELED)
    ereg "azevinho", pl. erig
    (LR: 356 s.v. ERÉK)
    laegel "elfo-verde", pl. laegil
    (WJ: 385)
    lalven "olmo", pl. lelvin
    ( LR: 348 s.v. ÁLAM)
    malen "amarelo", pl. melin
    (LR: 386 s.v. SMAL)

    Isto também se aplica a monossílabas, onde a sílaba final também é a única sílaba:

    certh "runa", pl. cirth (WJ: 396)
    telch "haste", pl. tilch
    (LR: 391 s.v. TÉLEK)

    No caso de um ê longo, também encontramos î longo no plural:

    hên "criança", pl. hîn (WJ: 403)
    têw "letra", pl. tîw
    (WJ: 396)

    LR: 363 s.v. KEM lista a palavra cef "solo", pl. ceif; ambas as formas são um tanto estranhos. Se regularizarmos isto do "noldorin" para o sindarin, provavelmente seria melhor lido cêf (com uma vogal longa), pl. cîf.

    Se há outro i imediatamente antes do e na última sílaba, este grupo iei no plural: simplesmente se torna

    miniel "minya" (elfo do Primeiro Clã), pl. Mínil (WJ: 383 – talvez o i na primeira sílaba seja alongado para í para de alguma forma compensar pelo fato de que a palavra é reduzida de três para suas sílabas no plural? Porém, isto não acontece em casos comparáveis no "noldorin" do Etimologias – ex: mirion "silmaril" pl. miruin, e não ?Míruin, em LR: 373 s.v. MIR)

    Em sílabas que não são finais, o e é inalterado no plural, como pode ser visto a partir dos exemplos eledh pl. elidh e ereg pl. erig citados acima.
     

  • A vogal I: há apenas uma coisa a se dizer sobre esta vogal: no plural ela não muda, mesmo ocorrendo em uma sílaba final ou não. (Para exemplos da última, cf. ithron "mago" pl. ithryn em CI: 428, ou glinnelglinnil em WJ: 378.) Afinal, as mudanças de vogais vistas nos plurais do sindarin se devem definitivamente á afeição-i, a desinência de plural -i do sindarin antigo deixando as vogais do substantivo ao qual é adicionada mais parecidas com ela mesma antes que a desinência fosse perdida. Mas onde uma das vogais de tal palavra é i, ela obviamente não pode se tornar mais parecida com o -i que constituiu a desinência de plural simplesmente porque, para começar, ela já era 100 % i. A forma sindarin de silmaril, silevril, é vista abrangendo tanto o singular como o plural: o singular é listado em LR: 383 s.v. RIL, mas em LR: 202 e MR: 200 temos Pennas Silevril como o equivalente do quenya Quenta Silmarillion, a História das Silmarils (plural!) Outro exemplo aparente de uma palavra que é inalterada no plural é encontrado em WJ: 149, onde temos Amon Ethir para "Colina dos Espiões". A palavra ethirTIR- "observar" (LR: 394, embora esta palavra como tal não seja mencionada lá). Podemos estar bem certos de que o singular "espião" também é ethir. Apenas o contexto pode determinar se esta palavra está no singular ou plural, como também seria o caso com uma série de outras palavras do sindarin (ex: dîs "noiva" ou sigil "adaga"). Contudo, uma vez que os sindarin possui distintos artigos definidos de singular e plural, você pode diferenciar (por exemplo) "o espião" de "os espiões" – evidentemente i ethir vs. in ethir. Além disso, você pode adicionar a desinência de plural coletiva -ath a qualquer substantivo, e ela talvez seria usada mais freqüentemente no caso de palavras que de outra forma não teriam formas de plural distintas.
     
    "elfo do Terceiro Clã" pl. "espiões" é sem dúvida deriva a partir do radical
  • A vogal O: na última sílaba de uma palavra (sendo ela ou não também a única sílaba), o se torna y no plural; o ó logo, da mesma forma, se torna ý longo:
    orch "orc, goblin" pl. yrch (LR: 379 s.v. ÓROK)
    toll "ilha" pl. tyll
    (LR: 394 s.v. TOL2)
    bór "pessoas de confiança" pl. býr
    (e assim em LR: 353 s.v. BOR; de acordo com a grafia do estilo do SdA, o acento deveria ser um circunflexo tanto no sg. como no pl., uma vez que estas palavras são monossilábicas)
    amon "colina" pl. emyn
    (LR: 348 s.v. AM1)
    annon "grande portão" pl. ennyn
    (LR: 348 s.v. AD)

    No caso amon, o Etimologias também lista emuin como uma forma plural possível; devemos evidentemente supor que esta é uma forma mais antiga, com o ditongo ui se tornando y em um estágio mais tardio. (Também podemos concluir que, quando LR: 152 menciona "peringiul" como o pl. de peringol "meio-gnomo", esta certamente é uma leitura errada para peringuil – Christopher Tolkien descreve a passagem em questão como "escrita apressadamente", tendendo a ser mal interpretada. A forma tardia, não atestada, seria peringyl.)

    Se há um i antes do o na última sílaba, o que seria "iy" no plural é simplificado para y: assim temos thelyn como o pl. de thali- on "herói" (LR: 388 s.v. STÁLAG). Miruin como o pl. de mirion "silmaril" (LR: 373 s.v. MIR) deve ser vista como uma forma arcaica. Podemos supor que thelyntheluin e que miruin posteriormente se tornou miryn; os plurais-y são preferidos no estilo de sindarin do SdA. foi em um estágio mais primitivo

    NOTA: todos os exemplos acima são tirados do Etimologias, mas os plurais yrch, emyn e ennyn também são atestadas no SdA. Para um exemplo perfeitamente sindarin, cf. ithron "mago" pl. ithryn (CI: 428, reproduzindo uma fonte pós-SdA). Contudo, no "noldorin" do Etimologias, existem também exemplos de o em uma sílaba final se comportando de um modo muito diferente; em outras palavras, se tornando öi (no Etim escrito "oei") no plural. Este öi por sua vez se tornou ei quando todos os ö‘s se transformaram em e‘s. Assim, na entrada ÑGOL o pl. de golodh "noldo" é listado tanto como gölöidh ("goeloeidh") quanto geleidh – evidentemente pretendido como uma forma mais antiga e uma posterior. Em outros casos apenas a última forma em ei é listada: gwador "irmão de juramento" pl. gwedeir (TOR), orod "montanha" pl. ereid (ÓROT), thoron "águia" pl. therein (THOR/THORON). Entretanto, parece haver pouca razão para se supor que estas formas seriam válidas no estilo de sindarin do SdA: em dois destes casos, ereid e gölöidh/geleidh, os plurais correspondentes em sindarin são atestados, apresentando y ao invés de ei: a saber, eryd "montanhas" e gelydh "noldor" (cf. Eryd Engrin "Montanhas de Ferro" em WJ: 6 e Annon-in-Gelydh "Portão dos Noldor" no glossário do Silmarillion, entrada Golodhrim – em WJ: 364 o pl. de golodh é dado como "goelydh" = gölydh, mas esta é meramente uma forma arcaica de gelydh). Levando em consideração estes exem- plos, podemos nos sentir livres para atualizar os plurais "noldorin" gwedeir "irmãos" e therein "águias" para sindarin gwedyr, theryn (thöryn arcaico). No Etimologias também há dois exemplos de o na última sílaba de palavras se tornando e ao invés de y no plural: doron "carvalho" pl. deren (DÓRON) e orod "montanha" pl. ered além de ereid (ÓROT). O plural ered ainda é válido em sindarin tardio, competindo com eryd (veja as muitas variantes listadas no glossário do The War of the Jewels; ex: Eryd Engrin além de Ered Engrin, WJ: 440). Parece que ered não é geralmente usada como uma palavra independente para "montanhas" – que provavelmente deveria ser apenas eryd – mas ered pode ser usada quando a palavra é o primeiro elemento em um nome de várias partes; assim, Ered Engrin é uma alternativa válida para Eryd Engrin. Em Letters: 224, Tolkien dá enyd como o pl. de onod "ent", mas nota também que ened pode ser uma forma usada em Gondor. Talvez, então, os gondorianos tendessem a usar ered ao invés de eryd como o pl. de orod, mas não há dúvida de que eryd é a forma sindarin regular. Deren como o pl. de doron "carvalho" pode ser vista no mesmo contexto; apesar do plural sindarin regular deryn não ser atestado, ele talvez seja preferido.

    Em uma sílaba que não seja final, a vogal o geralmente se torna e no plural: alchoron "elfo ilkorin", pl. Elcheryn (LR: 367 s.v. LA). Tal e era ögolodh "noldo", pl. gelydh para o mais primitivo gölydh; ver referências na nota acima). Outro exemplo é nogoth "anão"; em WJ: 388 o plural é dado como nögyth ("noegyth"), mas em WJ: 338 temos Athrad-i-Negyth para "Vau dos Anões". Não há discrepância real; nögyth é simplesmente a forma arcaica que posteriormente se tornou negyth. No estilo de sindarin do SdA, preferiríamos ps plurais negyth e gelydh; cf. também Tolkien mencionando enyd como o plural de onodönyd.) em sindarin arcaico (ex: "ent" em Letters: 224. (O plural arcaico, não mencionado em lugar algum, seria

    Existem, entretanto, algumas palavras onde o ou ó em uma sílaba que não seja final não se torna (ö >) e nas formas de plural. Isto se dá quando o representa A mais primitivo; o desenvolvimento é aproximadamente â > au > o. Um exemplo é Rodon "Vala" pl. Rodyn ao invés de **Rödyn > **Redin (MR: 200 possui Dor-Rodyn para a palavra em quenya Valinor = "Terra dos Valar"; parece que Rodyn é uma alternativa para Belain como a palavra em sindarin para "Valar"; ainda foi sugerido que Rodyn subtituiu Belain na concepção de Tolkien). A primeira sílaba de Rodyn evidentemente possui a mesma origem da sílaba do meio -rat- em Aratar, o termo em quenya para alguns dos Valar supremos. Um o representando A mais primitivo não está sujeito à afeição-i. Compare ódhel "elfo que partiu da Terra-média" pl. ódhil em WJ: 364, este ó longo representando aw mais primitivo (a forma primitiva de ódhelaw(a)delo, literalmente "que vai longe"). A forma tardia gó-dhel (influenciada por golodh "noldo") possuía do mesmo modo a forma plural gódhil: apesar da influência de golodh pl. gelydh, nenhuma forma **gédhil surgiu. Estes exemplos vêm do sindarin pós-SdA, mas a mesma coisa já é encontrada no "noldorin" do Etimologias. O exemplo rhofal "asa grande" pl. rhofel na entrada RAM (LR: 382), onde a forma sing. primitiva é dada como râmalê, confirma que o a partir de â (via au) não está sujeito à afeição-i. Como mencionado acima, a palavra "noldorin" rhofal pl. rhofelroval pl. rovail se atualizarmos as formas para o estilo de grafia e fonologia do SdA – roval é na verdade atestada no SdA como parte do nome da águia Landroval – mas este oe no plural (**revail sendo impossível por causa da história fonológica).
     
    é citada como deve se tornar a palavra em sindarin ainda não deve se tornar

  • A vogal U: u curto, se em uma sílaba final ou não, no plural se torna y, como indicado pelo exemplo tulus "choupo", pl. tylys (LR: 395 s.v. TYUL). Contudo, û longo em uma sílaba final (ou em uma monossíla) se torna, ao invés disso, ui; assim, o adjetivo dûr "escuro" (como em Barad-dûrduir quando modificando uma palavra no plural em uma expressão como Emyn Duir "Montanhas Escuras" (CI: 485).
     
    "Torre Escura") aparece como


     
     

    NOTA: O plural da palavra "arco" provavelmente seria cui, aparentemente de acordo com o padrão esboçado acima. Mas, na verdade, cui representaria o plural mais antigo ku3i (ou kuhi), uma vez que o radical é KU3 (LR: 365). O som primitivo que Tolkien reconstruiu de várias maneiras como h ou 3 (a última = g fricativo) desapareceu no sindarin clássico, de modo que o uhi mais antigo se tornaria ui.
     

  • A vogal Y: até onde podemos imaginar, esta vogal (longa ou curta) não pode mudar no plural. Uma palavra ylf "recipiente de bebida" (WJ: 416) com toda probabilidade também abrange o plural "recipientes de bebida"; simplesmente não há nada que a metafonia possa "fazer" com tal vogal, assim como ela não pode mudar a vogal i. Carecemos de qualquer exemplo explícito de uma palavra com a vogal y ocorrendo tanto no singular como no plural, mas em WJ: 418 encontramos Bar-i(n)-Mýl para "Casa das Gaivotas". Provavelmente a palavra para "gaivota" também é mýl no singular (este seria o caso se ela fosse derivada do radical MIWmaiwë e "noldorin" maew, claramente reflete um radical infixado-a *MAIW-).
     
    "queixar" em LR: 373, apesar de uma palavra "noldorin" muito diferente para "gaivota" seja dada lá – muito diferente porque as formas listadas aqui, quenya
  • O ditongo AU: no "noldorin" do Etimologias, palavras contendo este ditongo são vistas possuindo formas plurais em ui:
    gwaun "ganso", pl. guin (LR: 397 s.v. WA-N)
    naw "idéia", pl. nui (LR: 378 s.v. NOWO)
    rhaw "leão", pl. rhui (LR: 383 s.v. RAW)
    saw "caldo", pl. sui (LR: 385 s.v. SAB)
    thaun "pinheiro", pl. thuin (LR: 392 s.v. THÔN)

    Contudo, parece que esta é uma característica do "noldorin" que não sobreviveu no sindarin tardio de Tolkien: em CI: 464 temos nibin-noegnaug (cf. naugrim como um nome da raça anã, encontrado no Silmarillion). Desso modo, em sindarin, au se transforma em oe no plural. Nas formas plurais das palavras "noldorin" listadas acima, deveríamos aparentemente ler oe ao invés de ui se o atualizarmos posteriormente para o sindarin. (a palavra "noldorin" rhaw pl. rhui se tornaria em sindarin raw pl. roe, mas thaun "pinheiro" Tolkien aparentmente mudou para thôn em sindarin; cf. Barbárvore cantando sobre Dorthonion e Orod-na-Thôn em SdA2/III cap. 4; o glossário do Silmarillion explica que Dorthonion significa "Terra dos Pinheiros". No Etimologias, thôn havia sido uma palavra "ilkorin". O pl. de thôn como uma palavra sindarin é presumidamente thýn.) como um nome dos anões-pequenos, e o último elemento é obviamente uma forma plural de

    NOTA: O ditongo au, quando ocorre em uma sílaba sem ênfase no segundo elemento de uma palavra composta, é freqüentemente reduzida para o, mas aparentemente ele ainda se torna oe no plural. Assim, a forma plural de uma palavra como balrog "demônio de força" (onde a parte -rog representa raug "demônio") presumidamente é belroeg – a menos que a analogia prevalessesse para produzir ?belryg.
     

  • Outros ditongos: na maior parte carecemos de exemplos completamente bons, mas se a nossa compreensão da fonologia geral do sindarin for testada, os ditongos ae, ai, ei e ui geralmente não mudam no plural (exceto pelo ai que em uma categoria especial de palavras geralmente se torna o plural î; veja abaixo). Como no caso das vogais i e y, não há muito o que a metafonia possa "fazer" com estes ditongos, de modo que uma palavra como aew "pássaro" provavelmente também abrange "pássaros". Para o ditongo ui, pelo menos, temos exemplos atestados: o adjetivo "azul" é visto como luin tanto no singular como no plural (ver nota abaixo). O numerosos adjetivos em -ui também parecem ficar inalterados no plural; na Carta do Rei temos i Mbair Annui para "as Terras Ocidentais", onde o adjetivo annui "ocidental" deve estar no plural para concordar com "terras". Infelizmente este adjetivo não é atestado de outra forma, mas não há qualquer razão para acreditar que sua forma sin- gular seria diferente (compare annûn "oeste" – e como observado acima, existem muitos outros adjetivos em -ui).
     


     
     

    NOTA: em uma expressão como Ithryn Luin "Magos Azuis" (CI: 428) o adjetivo luin "azul" deve estar no plural para concordar com "magos". Pode-se pensar que luin é a forma plural de lûn, que é o que conseguiríamos se fossemos fazer uma atualização para o sindarin da palavra "noldorin" para "azul", que é lhûn (LR: 370 s.v. LUG²). Como indicado acima, o û longo em uma sílaba final se torna ui no plural, então tudo parece de encaixar: luin poderia ser a forma plural de lûn. O que acaba com esta teoria sedutoramente promissora é o nome da montanha Mindolluin, "Proeminente Cabeça-azul" (traduzida no glossário do Silmarillion). Aqui, não há razão para o adjetivo "azul" estar no plural, de modo que luin também tem que ser a forma bácia/singular. Há também Luindirien "Torres Azuis" em WJ: 193; no início de uma palavra composta, seria esperado que a palavra para "azul" aparecesse em sua forma mais ou menos básica, não flexionada para o plural. Também deve ser observado que a mesma entrada no Etimologias que dá a palavra "noldorin" lhûn (> sindarin ?lûn) como a palavra para "azul", também dá lúne como a palavra correspondente em quenya. No Namárië no SdA, porém, o adjetivo "azul" é luini (esta é uma forma no plural, da expressão "abóbodas azuis"; o singular é provavelmente luinë). Então, enquanto no Etimologias as palavras para "azul" foram derivadas de uma forma primitiva lugni (radical LUG², LR: 370) produzindo a palavra em quenya lúne e a em "noldorin" lhûn, Tolkien deve ter decidido posteriormente que a forma primitiva era algo como *luini produzindo a palavra em quenya luinë e a em sindarin luin. O ponto principal é que luin "azul" parece abranger tanto o singular como o plural, indicando que o ditongo ui não passa por mudanças no plural. O fato de que o adjetivo annui "ocidental" está tanto no sg. como no pl. aponta na mesma direção.

    Plurais-ai especiais
    Como indicado acima, parece que o ditongo ai geralmente permanece inalterado no plural. Contudo, em um pequeno grupo de palavras, ai se torna ou i (geralmente î longo) ou mais raramente ý no plural. Por exemplo, a forma plural do substantivo fair "homem mortal" é dada como fîr (WJ: 387, onde o sg. fair é citado na forma arcaica feir). As formas plurais em î (i) ocorrem onde ai na forma singular por fim surge de i ou ey posteriormente em uma palavra. O exemplo recém citado, fair ou feir arcaico, vem de uma forma do sindarin antigo parecida com o cognato em quenya firya (em sindarin antigo tardio talvez firia; ver skhalia- na lista de palavras anexada ao artigo sobre sindarin antigo). Devemos supor que outras palavras compartilhando uma história fonológica parecida formariam seus plurais de maneira similar, embora em muitos casos estes plurais não são explicitamente mencionados no material publicado de Tolkien. Os substantivos e adjetivos em questão são cai "cerca" (pl. ), cair "navio" (pl. cîr), fair "homem mortal" (pl. fîr), gwain "novo" (pl. gwîn), lhain "magro, fino" (pl. lhîn), mail "querido" (pl. mîl) e paich "caldo, xarope" (pl. pich, note o i curto). A palavra "noldorin" sein "novo" pl. sîn (LR: 385 s.v. SI) poderia se tornar em sindarin sain pl. sîn, mas parece que Tolkien mudou a palavra sindarin para "novo" para gwain pl. gwîn como recém listado (note que a mesma entrada no Etimologias que fornece a palavra noldorin sein também apresenta sinyavinya – aparentemnte o cognato de gwain).
    sendo influenciados por como a palavra correspondente em quenya para "novo", mas em fontes tardias, o adjetivo em quenya "novo" é

    NOTA: Em "noldorin", lhain pl. lhîn apareceu como thlein pl. thlîn, a forma (sg.) primitiva sendo citada como slinyâ (LR: 386 s.v. SLIN). Uma revisão que separa o "noldorin" do sindarin é a de que, enquanto o sl- inicial primitivo se tornou thl- em noldorin, ele se torna lh- em sindarin. Modificamos a palavra de acordo com a fonologia revisada de Tolkien. Thlein pode ser mais diretamente adaptada como lhein, mas tal forma seria arcaica nos dias de Frodo, a forma atual sendo, ao invés disso, lhain. De maneira parecida, paich "caldo, xarope" na verdade aparece como peich no Etimologias (LR: 382 s.v. PIS); esta forma "noldorin" não é conceitualmente obsoleta, mas pode ser vista como sindarin arcaico. Este também é o caso de ceir "navio" (LR: 365 s.v. KIR); a forma cair no estilo de sindarin do SdA é atestada (cf. a nota de rodapé no Apêndice A do SdA explicando que Cair Andros significa "Navio da Espuma Longa"; ver também PM: 371). – A palavra cair fornece um exemplo de outra propriedade peculiar deste grupo de palavras: quando eles ocorrem como o primeiro elemento em palavras compostas, ai é reduzido para í-, como no nome Círdan "Armador". Contudo, ai permanece inalterado se tal palavra é o elemento final de uma palavra composta; assim gwain "novo" aparece como -wain no nome sindarin do mês de janeiro, Narwain (evidentemente significando "Sol Novo" ou "Fogo Novo"; compare com a palavra em quenya Narvinyë).

    Em três palavras, onde ai representa ei do ainda mais antigo öi (escrito "oei" por Tolkien), as formas de plural provavelmente deveriam mostrar a vogal y, ý, embora careçamos de confirmação explícita nos papéis de Tolkien publicados. Esta teoria é baseada no fato de que a primeira parte do ditongo arcaico öi representa o ou u no radical original, e o produto metafônico destas vogais é y, assim como em casos onde o som mais antigo da vogal ainda sobrevive em sindarin (como em orch "orc" pl. yrch). As palavras em questão são 1) fair adj. "direito" ou substantivo "mão direita" (pl. fýr, radical PHOR, cf. a palavra em quenya forya), 2) rainrýn, radical RUN, cf. a palavra em quenya runya) e 3) a palavra relacionada tellain "sola do pé" (pl. tellyn, uma vez que o elemento final -lain é na verdade assimilado de rain < runya, cf. a forma arcaica talrunya citada em LR: 390 s.v. TAL, TALAM). No "noldorin" do Etimologias, estas palavras aparecem como feir (a forma mais antiga "foeir" = föir também é mencionada), rein (röin mais antiga) e tellein (a forma mais antiga tellöin não mencionada mas claramente entendida). Note que, enquanto fair pode significar tanto "(mão) direita" como "homem mortal", as derivações diferentes criam plurais distintos: fýr no primeiro caso e fîr no último. "rastro, pegada" (pl.

    Monossílabos posteriormente se tornando polissílabos
    (mas talvez ainda se comportando como monosílabos para o propósito da formação do plural)
    Isto é algo que não é diretamente mencionado nas obras publicadas de Tolkien, mas por outro lado quase nada de seus escritos gramaticais está disponível para nós. Entretanto, nosso entendimento geral da evolução do élfico-cinzento parece sugerir fortemente que certos grupos de substantivos se comportariam de maneiras um tanto inesperadas no plural – embora isto seja perfeitamente justificado quando a história fonológica fundamental é levada em consideração.

    Uma importante mudança que ocorreu na evolução do sindarin foi a de que as vogais finais foram perdidas. Assim, a palavra antiga ndakrondakr. Em sindarin primitivo, esta palavra apareceu como dagr. Outro exemplo é makla "palavra" posteriormente aparecendo como makl, e em sindarin primitivo magl. Devemos supor que o plural de palavras como dagr e magl era formado conforme o mesmo padrão de outros monossílabos de forma comparável, como alph "cisne", pl. eilph. Portanto, os plurais "batalhas" e "espadas" presumivelmente seriam deigr, meigl (isto seria antes de ei em uma sílaba final geralmente se tornar ai). "batalha" posteriormente se tornou

    O que complica isso é que palavra como dagr e magl foram eventualmente modificadas. O r e l finais vieram a constituir uma sílaba separada, de modo que, por exemplo, magl era pronunciada mag-l assim como a palavra inglesa "eagle" é pronunciada eeg-l. Posteriormente, estas consoantes silábicas se transformaram em sílabas normais completas conforme a vogal o se desenvolvia antes delas: dagr (dag-r) se transformou em dagor e magl (mag-l) se tornou magol. (Casualmente, a última palavra aparentemente era freqüentemente substituída por megil, que deve ser uma forma adaptada da palavra em quenya para "espada", que é macil.) Os plurais deigr e meigl presumivelmente passariam pelo mesmo processo para se tornarem deigor e meigol (e a mudança tardia eiai em sílabas finais nunca ocorreria simplesmente porque ei não estavadagor e magol deveriam ter suas formas de plural degyr e megyl, uma vez que o o na última sílaba normalmente se torna y no plural (ex: amonemyn "colinas"). Mas em casos como dagor ou magol, o o foi inserido relativamente tarde e parece ser mais novo do que a metafonia oy; assim, tais o‘s recentemente desenvolvidos permaneceriam – presumidamente – intocados pela metafonia. Se Tolkien não imaginou que o nivelamento análogo faria desaparecer estas "irregularidades", todas as palavras de duas sílabas onde a segunda sílaba contém um oainda devem ser tratadas como monossílabas até o ponto em que a formação de plural está relacionada. O o deve ser deixado sozinho e a vogal na "penúltima" sílaba deve ser tratada como se fosse a vogal na última sílaba, que é precisamente o que ela costumava ser. > mais na última sílaba). De um ponto de vista sincrônico, isto resulta no que parecem ser irregularidades: geralmente, palavras no singular como "colina" vs. > desenvolvido de forma secundária

    Os adjetivos e substantivos em questão: badhor "juiz" (pl. beidhor se a teoria se sustenta – de outra forma, seria bedhyr análogo), bragolbreigol; este adjetivo também aparece como bregol, pl. presumidamente brigol), dagor "batalha" (pl. deigor), glamorgleimor), hador "arremessador, atirador" (pl. heidor), hatholheithol), idhor "consideração" (inalterado no pl.; felizmente, um substantivo com este significado geralmente não exigirá uma forma de plural), ivor ?"cristal" (inalterado no pl.), lagor "rápido, ligeiro" (pl. leigor), maethor "guerreiro" (inalterado no pl.), magolmeigol), magor "espadachim" (pl. meigor), nadhor "pasto" (pl. neidhor), nagol "dente" (pl. neigol), naugol "anão" (pl. noegol), tadolteidol), tathor "salgueiro" (pl. teithor), tavor "aldrava, pica-pau" (pl. teivor), tegol "pena de escrever" (pl. tigol). Talvez gollorgyllor ao invés de ?gellyr). "repentino, violento" (pl. "eco" (pl. "machado" (pl. "espada" (pl. "duplo" (pl. "bruxo" também pertença a esta lista (pl.

    NOTA: algumas outras peculiaridades sobre este grupo de palavras podem ser observadas aqui. Em palavras compostas (mais antigas?), o o recém desenvolvido não aparece, e a vogal final que de outra forma desapareceria, algumas vezes é preservada. Assim, magol, que vem da palavra primitiva makla, pode aparecer como magla- em uma palavra composta. LR: 371 s.v. MAK lista Magladhûr para "Espada Negra" (magol "espada" + dûr [dhûr lenizado] "preto, negro"). Se uma destas palavras é prefixada a um elemento começando por uma vogal, a vogal final original não reaparece, mas o o recém desenvolvido não é encontrado: LR: 398 s.v. TAM indica que tavr (também escrita tafr) "pica-pau" retém esta forma na palavra composta Tavr-obel, Tavrobel *"Cidade do Pica-pau" – embora tavr se tornasse tavor como uma palavra independente. De modo similar, LR: 361 s.v. ID indica que a palavra "idher" (leitura errada de idhor?) "consideração" aparece como idhr- no nome Idhril. – É possível que, em sindarin tardio, a analogia de certa forma prevalecese, este grupo de palavras sendo tratado como qualquer outro. Antes da desinência coletiva de plural -ath (veja abaixo), não esperaríamos ver a vogal o subsequentemente desenvolvida. Por exemplo, suporíamos que o plural coletivo de dagr "batalha" fosse dagrath (não atestada), não afetada pelo fato de que dagr posteriormente se tornou dagor quando ocorria como uma palavra simples (por si mesma). Ainda em CI: 435 encontramos não dagrath, mas dagorath, embora não possa haver dúvida de que a última é uma forma historicamente não justificada: o r não era final ou silábico em dagrath, de modo que nenhum o se desenvolveria na frente dele, e dagorath deve ser formada por analogia com a palavra simples dagor. Isto é ainda mais surpreendente quando outra forma atestada, o plural coletivo de nagol "dente", é o que suporíamos: naglath (WR: 122). Uma forma ?nagolath paralela a dagorath não é encontrada. (A palavra simples nagol não é atestada, mas Tolkien sem dúvida imaginou uma palavra primitiva *nakla "instrumento para morder" = "dente" [cf. o radi- cal NAK "morder", LR: 374], esta *nakla se tornando *nakl e então *nagl > *nagol em sindarin.) Há também Eglath "Os Abandonados" como o nome dos sindar, este plural coletivo refletindo a forma (singular) primitiva hekla ou heklô (WJ: 361; não sabemos se isto também abrangia uma forma singular independente em sindarin; sendo assim, seria egol para egl mais antiga, o plural normal sendo igl e posteriormente igol). Uma forma ?Egolath não ocorre em lugar algum (e seria tão surpreendente quanto se a palavra composta atestada Eglamar "Terra dos Elfos Abandonados" repentinamente aparecesse como *Egolmar). Devemos supor, então, que Tolkien esqueceu suas próprias regras quando ele escreveu (duas vezes) dagorath ao invés de dagrath em CI: 435? Ao invés disso, podemos imaginar que havia várias variantes de sindarin. Em um estilo mais "puro" ou mais "clássico", os plurais coletivos de palavras como dagor e nagol talvez fossem as formas historicamente corretas dagrath e naglath, mas em um estilo mais "coloquial" ou "informal", formas como dagorath e nagolath podem ter vindo a ser usadas por analogia. Podemos especular que, na forma de sindarin que preferia dagorath a dagrath, o plural historicamente justificado deigor também seria alterado para degyr, as mutações seguindo um padrão mais normal. Interessantemente, o nome Dagorlad "Planície de Batalha" ocorrendo no SdA revela que dagor não se torna ?dagro- como a primeira parte de uma palavra composta, refletindo a forma mais antiga ndakro (compare os exemplos citados acima: magol "espada" se tornando magla-, refletindo a primitiva makla na palavra composta Magladhûr, e tavor "pica-pau" ocorrendo na forma arcaica tavr na palavra composta Tavrobel). Assim, novamente, a analogia com a forma simples funciona. Talvez Dagorlad teria sido ?Dagrolad se a palavra composta fosse mais antiga, cunhada ainda nos bons dias antigos quando os elfos ainda diziam algo como *Nda-kro-lata (a vogal final é incerta). Ao invés disso Dagorlad foi claramente ligada a partir de dagor "batalha" e -lad "planície" posteriormente. Uma palavra composta tardia "Negra-Espada" presumidamente seria não Magladhûr, mas simplesmente Magoldhûr, e "Aldeia do Pica-pau" como uma palavra composta tardia bem poderia ser Tavorobel ao invés da forma atestada Tavrobel.

    Certos outros casos de monossílabas se transformando em polissílabas envolve não uma nova vogal se inserindo antes de uma consoante como em dagr > dagor, mas sim uma consoante se transformando em uma vogal. A maioria dos exemplos envolve o -w mais antigo se tornando -u. Antes do estágio no qual as vogais finais foram perdidas, algumas palavras terminavam em -wa (tipicamente adjetivos) ou -we (tipicamente substantivos abstratos). Quando as vogais finais desapareceram, sobrou apenas o -w destas desinências. Por exemplo, a palavra para "perícia" ou "habilidade" que aparece em quenya como kurwe (cur- ), que também seria a forma em sindarin antigo da palavra, surgiu como curw em sindarin primitivo. Devemos supor que no plural ela se tornaria cyrw, uma forma perfeitamente regular de acordo com as regras apresentadas acima. Mas como indicado em LR: 366 s.v. KUR, curw posteriormente se tornou curu: o -w final sucedendo outra consoante se tornou a vogal -u, a semivogal se tornando uma vogal completa. Novamente, a aparência de uma nova vogal presumidamente resultaria em aparentes irregularidades: apresentada com um substantivo como curu, seria tentador fazer como tulus "choupo", pl. tylys – assim, curu pl. ?cyry. Mas a última, se realmente ocorresse, seria uma forma análoga. O plural historicamente justificado de curu só pode ser cyru, o antigo pl. cyrw se transformando em cyru assim como o antigo sing. curw se transformou em curu.

    Aqui estão as palavras afetadas, com plurais sugeridos: anu "um macho" (forma plural einu), celu "fonte, nascente" (pl. cilu), coru adj. "perspicaz, malicioso" (pl. cyru), curu "habilidade, artifício engenhoso, perícia" (pl. novamente cyru), galu "boa sorte" (pl. geilu), gwanu "morte, ato de morrer" (pl. gweinu), haru "ferida" (pl. heiru), hethu "enevoado, obscuro, vago" (pl. hithu), hithu "neblina" (inalterada no pl. e não deve ser confundida com a forma de plural do adjetivo hethu), inu "uma fêmea" (inalterada no pl.), malu "pálido" (pl. meilu), naru "vermelho" (pl. neiru), nedhu "almofada, travesseiro" (pl. nidhu), pathu "espaço plano, gramado" (pl. peithu), talu "plano" (pl. teilu), tinu "centelha, pequena estrela" (inalterada no pl.) Deixamos palavras com a vogal raiz a possuírem formas de plural em ei ao invés de ai, novamente assumindo que estas palavras se tornaram dissilábicas antes que ei se tranformasse em ai em sílabas finais (isto é, quando esta mudança ocorreu, a sílaba em que eiw já havia se tornado -u, constituindo uma nova sílaba final). Assim, anu : einu, gwanu : gweinu, haru : heiru, malu : meilu, naru : neiru, pathu : peithu, talu : teilu. Se a mudança ei > ai em sílabas finais antecedeu estas palavras ao se tornarem polissilábicas, devemos ler ai ao invés de ei nas formas de plural – exceto no caso de haru e naru, as formas de plural destas provavelmente deveriam ser então heru e neru para herw e nerw mais primitivas (Cf. o pl. de narn "conto" sendo nern, presumidamente a partir de ?neirn mais primitivo, o ei aparentemente sendo simplificado para e antes de um encontro consonantal começando em r-. Se o pl. de naru é neru, isto significaria que ei foi simplificado para e antes do encontro rw das formas mais antigas narw pl. ?neirw deixar de ser um encontro pela consoante final w ter se transformado em uma vogal. De outra forma, como suposto acima, a regra de que ei se tornou e antes de um encontro em r- não se aplicaria: ao invés disso, o encontro original se transformou em uma consoante simples + uma vogal.) era encontrado não era mais final porque o -

    NOTA: no Etimologias, o estágio tardio onde o -w final se tornou -u com freqüência não é registrado. Existe curu além de curw (entrada KUR) e naru além do narw mais antigo (NAR&sup1;), mas de qualquer maneira, apenas as formas mais antigas onde o  -w ainda persiste são listadas: assim encontramos anw (3AN), celw (KEL), corw (KUR), galw (GALA), gwanw (WAN), harw (SKAR), hethw / hithw (KHITH), inw (INI), malw (SMAL), nedhw (NID), pathw (PATH) e tinw (TIN) ao invés de anu, celu, coru etc. como acima. Estas formas posteriores não são diretamente atestadas nos papéis de Tolkien. Pode ser que, até onde diz respeito ao "noldorin" do Etimologias, Tolkien ainda não havia decidido de uma vez por todas que o -w nesta posição se tornava -u; esta idéia apenas sugia em um ou outro lugar. Assim assim não precisamos hesitar em introduzir as formas tardias em -u se estamos almejando o tipo de sindarin exemplificado no SdA e no Silmarillion. Note que, no Etim, é dito que a forma "noldorin" do nome em quenya Elwë teria sido *Elw, marcado com um asterisco, uma vez que ele não era realmente usado em "exílico" nesta forma (LR: 398 s.v. WEG). Contudo, no capítulo 4 do Silmarillion publicado, o cenário é outro. O "noldorin" agora se tornara sindarin, e não há apenas uma forma sindarin de Elwë, mas ela também é Elu ao invés de "Elw" como no Etimologias: "o povo de Elwë que o procurava não o encontrou… Em tempos posteriores, Elwë tornou-se um rei célebre… Rei Manto-cinzento era ele, Elu Thingol na língua daquela terra [Beleriand]". Aqui devemos claramente um desenvolvimento Elwë > Elw > Elu. Parece totalmente justificado, então, alterar (digamos) celw "fonte, nascente" para sua forma tardia celu (combinando com Elu), mesmo que a forma celu como tal não seja explicitamente atestada. Uma caso paralelo é fornecido pelo nome Finwë; mais uma vez o Etimologias afirma que a forma "noldorin" seria *Finw, mas que tal forma não estava em uso (LR: 398 s.v. WEG). Uma fonte pós-SdA muito tardia concorda que não havia forma sindarin de Finwë, mas se este nome "fosse tratado como uma palavra desta forma teria sido, tendo ocorrido antigamente em sindarin, ele teria sido [não Finw, mas] Finu" (PM: 344). Se o "noldorin" Finw tivesse correspondido ao sindarin Finu, também podemos concluir que a palavra "noldorin" gwanw corresponderia à palavra em sindarin gwanu. – A palavra talu "plano" listada acima na verdade aparece como dalw (e não **talw) no Etimologias, mas listada imediatamente após dalw está dalath "superfície plana, plano, planície" (LR: 353 s.v. DAL), ocorrendo no nome Dalath Dirnen "Planície Protegida" (LR: 394 s.v.TIR). Entretanto, Tolkien posteriormente mudou dalath para talath; no Silmarillion publicado, a "Planície Protegida" em Beleriand é chamada, ao invés disso, Talath Dirnen. De acordo com esta revisão, também alteramos a palavra "noldorin" relacionada dalw "plano" para a palavra em sindarin talw > talu. Podemos ainda aceitar (dalw >) dalu – e, por este motivo, dalath – como formas secundárias válidas.

    Existem também alguns casos de -gh final (g fricativo) se tornando uma vogal. Um exemplo é fornecido por LR: 381 s.v. PHÉLEG, onde a palavra fela "caverna" é derivada do sindarin antigo (ou "noldorin antigo") phelga. Uma vez que as vogais finais foram perdidas sucedendo o estágio do sindarin antigo, fela não é um caso de um -a final original sobrevivendo no sindarin tardio. O que Tolkien imaginou parece ser isto: a palavra em sindarin antigo phelga naturalmente se tornou phelg quando as vogais finais se foram. Então oclusivas se transformaram em fricativas sucedendo l e r líquidos (CI: 299), de modo que phelg se tornou phelgh (ou felgh, uma vez que a troca ph > f ocorreu por volta do mesmo estágio). Contudo, ghfelghfela. O plural de felgh evidentemente foi filgh, formado de acordo com as regras normais (cf. ex: telch "haste", pl. tilch – LR: 391 s.v. TÉLEK). A forma plural filgh então se tornou fili, a vocalização do ghi ao invés de a (talvez g > gh fosse de alguma forma palatalizado pela desinência de plural perdida -i do sindarin antigo que também causou a metafonia, influenciando a subsequente vocalização em direção ao i). Pouco importa como imaginamos precisamente o desenvolvimento: de qualquer forma, o resultado final é o par peculiar fela pl. fili, para felgh pl. filgh mais antigos. de modo algum sobreviveu no sindarin dos dias de Frodo; inicialmente ele foi perdido sem deixar traços, mas nesta posição ele era vocalizado: se transformou em mais antigo aqui sendo

    Fela pl. fili é o único caso conhecido de Tolkien mencionando explicitamente tanto o singular como o plural de tal par. Existem, entretanto, duas ou três outras palavras que dividem um desenvolvimento fonológico similar. A palavra thela "ponta (de lança)" deriva do radical STELEG (LR: 388), e enquanto Tolkien não lista formas primitivas, provavelmente devemos supor a forma élfica primitiva stelgâ (vogal final incerta) se transformando na palavra em sindarin antigo sthelga e posteriormente (s)thelgh, a forma plural da qual seria (s)thilgh. O singular abrange então a forma sindarin atestada thela (completamente paralela à fela); o plural não atestado "pontas de lança" deve ser thili (para combinar com o plural atestado fili).

    Há também alguns poucos adjetivos. O adjetivo thala "robusto, firme, vigoroso" que está em LR: 388 s.v. STÁLAG é derivado da palavra em sindarin/"noldorin" antigo sthalga. A forma não atestada intermediária seria (s)thalgh pl. (s)theilgh, seguindo o padrão normal de (digamos) alpheilph. Devemos supor que a forma plural de thala é theili. Um caso parecido seria tara "rígido, imóvel", afirmava representar palavra em "noldin"/sindarin antigo targa (LR: 390); novamente a forma intermediária não atestada seria targh. A forma plural deste adjetivo poderia ser teirgh, que presumidamente produziria a palavra em sindarin teiri. Existe um outra possibilidade: como já mencionado, parece que ei foi em certo estágio simplificado para e antes de um encontro consonantal começando em r (assim temos nern ao invés de neirn > nairn como a forma de plural de narn "conto"). Se isto aconteceu antes do gh final do adjetivo plural teirgh ter se tornado uma vogal de modo que o encontro desapareceu, a forma se transformaria em tergh, em sindarin tardio teri. Atualmente não podemos dizer com certeza se teri ou teiri é a melhor forma de plural de tara, uma vez que não sabemos em que sequência exata Tolkien imaginou que as trocas de sons envolvidas teriam ocorrido; eu provavelmente usaria teiri. "cisne", pl.

    Plurais expandidos
    Este é um grupo de palavras que parece ser mais longo no plural do que no singular. Historicamente falando, seria mais preciso mudar a perspectiva e falar de "singulares reduzidos" pois, neste caso, a forma da palavra que fundamenta a forma de plural dá uma melhor impressão da palavra primitiva do que o faz a forma de singular atual.

    Em WJ: 363, êl é dita ser uma palavra (arcaica) em sindarin para "estela". De acordo com as regras estabelecidas acima, baseadas em padrõe como hên "criança" pl. hîn (WJ: 403), esperaríamos a forma plural fosse **îl. Contudo, WJ: 363 também nos informa que o plural verdadeiro de êl é elin. Aqui pode parecer que a desinência de plural -in está presente. Este, porém, não é realmente o caso. Ao comparar estas palavras ao seus cognatos em quenya elen pl. eleni pode-se começar a suspeitar do que realmente está acontecendo. Eleni também seria a forma de plural usada em sindarin antigo, eventualmente dando origem à palavra sindarin elin: a desinência de plural sendo perdida como todas as vogais finais, mas deixando sua marca na palavra ao mudar (por metafonia) o segundo ei. Mas uma coisa que ocasionalmente aconteceu em sindarin antigo foi que consoantes no final de palavras poderam desaparecer. O n da forma plural eleni estava "seguro" porque ele foi protegido pela desinência de plural que o sucede, mas a forma singular elen foi aparentemente reduzida para ele, embora esta forma não seja mencionada explicitamente por Tolkien. Posteriormente, as vogais finais se perderam, deixando apenas el, e ainda mais tarde, a vogal de uma monossílaba desta forma era alongada, produzindo a palavra em sindarin êl. Assim, somos deixados com o curioso par êl pl. elin no sindarin da Terceira Era. No caso de outro par similar, nêl "dente" pl. nelig, o Etimologias lista as formas do "noldorin" antigo/sindarin nele pl. neleki, confirmando que a explicação esboçada acima está correta: ao comparar o singular nele com o radical NÉL-EK(LR: 376) compreendemos que a consoante final desapareceu. (Em Eldarin comum, nele evidentemente ainda havia sido *nelek, forma que fundamentou a palavra em quenya nelet listada no mesmo lugar – a fonologia alto-élfica não permite -k final, logo, ao invés disso, ele se tornou -t.) Desse modo temos o singular *nelek > nele > *nel > sindarin nêl, mas o plural neleki (ainda usado em quenya) > *neliki metafonado> *nelik tardio com a perda da vogal final > nelig em sindarin. para

    Outras palavras que se comportam de maneira similar:

  • ael "lago, lagoa", pl. aelin (atualizado a partir da palavra "noldorin" oel pl. oelin, LR: 349 s.v. AY; temos Aelin-Uial para "Lagos do Crespúsculo" no Silmarillion)
  • âr "rei", pl. erain (mas o singular completo aran parece ser mais comum do que o âr encurtado)
  • bór (ou melhor, bôr) "fiel, leal, vassalo fiel", pl. beryn (LR: 353 s.v. BOR, onde o pl. ocorre na forma "noldorin" berein, beren; a atualizamos para sua forma sindarin provável. Cf. o plural "noldorin" geleidh "noldor" correspondendo ao sindarin gelydh. – A entrada BOR indica que o plural de bór posteriormente se tornou býr, formada por analogia com o singular reduzido; escritores provavelmente deveriam usar býr.)
  • fêr "faia", pl. ferin (LR: 352 s.v. BERÉTH, cf. LR: 381 s.v. PHER; a última fonte indica que esta palavra para "faia" foi posteriormente substituída por  brethil – palavra que seria inalterada no pl.)
  • ôr "montanha", pl. eryd ou a irregular ered(mas como no caso de âr acima, o singular completo orod aparentemente é mais comum do que o ôr reduzido; LR: 379 s.v. ÓROT lista dois singulares em "noldorin" antigo, a palavra completa oroto ou a reduzida oro; no idioma tardio elas apareceriam como orod e ôr, respectivamente, mas na verdade, o único singular listado é orod – originado a partir da palavra não reduzida oroto.)
  • tôr "irmão", pl. teryn (LR: 394 s.v. TOR; atualizamos a forma plural a partir da palavra "noldorin" terein. Contudo, a mesma entrada no Etimologias indica que esta palavra para "irmão" era geralmente substituída por muindor pl. muindyr, ou – quando "irmão" é usado em um sentido mais amplo de "associado masculino" – gwador, o plural "noldorin" do qual era gwedeir; leia gwedyr em sindarin.)
  • thôr "águia", pl. theryn (LR: 392 s.v. THOR; novamente atualizamos o plural a partir da palavra "noldorin" therein. – Este entrada no Etimologias indica que o singular não reduzido thoron também estava em uso)
  • Em acréscimo ao exposto acima, existem algumas palavras que pertencem à mesma categoria, embora as formas de plural não possuam consoante final; pêl "campo cercado" pl. peli, ôl "sonho" pl. ely e thêltheli. O que aconteceu foi que simplesmente a consoante original h, lenizada a partir de s no estágio do sindarin antigo, foi retirada nas formas de plural: os radicais relevantes são dados como PEL(ES), ÓLOS e THELES no Etimologias. Na primeira destas entradas, pêl "campo cercado" é mostrada como vindo de pele (LR: 380), que dada a forma do radical PEL(ES) é compreendida como uma forma reduzida de *peles (cf. o cognato em quenya peler, claramente pretendida como vindo de *pelez < *peles). O plural da antiga forma pele é dado como pelesi, e além disso é atestado que ele se tornou pelehi ("peleki" em LR: 380 é uma transparente interpretação errônea do manuscrito de Tolkien; para s se tornando h desse modo, cf. barasa > baraha em LR: 351 s.v. BARÁS). Assim como em um caso mencionado acima, neleki se tornando nelig, o plural pelehi se tornou *pelih – mas neste caso a agora consoante final era tão fraca que foi perdida para produzir a forma de plural peli, criando a falsa impressão de que o sindarin ocasionalmente emprega uma desinência de plural similar ao -i do quenya. "irmã" pl.

    NOTA: várias das formas citadas acima estão de certo modo regularizadas. Pêl "campo cercado" na verdade aparece como pel em LR: 380 s.v. PEL(ES); de acordo com a fonologia que podemos reconstruir a partir de muitos outros exemplos, a vogal definitivamente deve ser longa. A omissão do circunflexo na forma pel deve ser um mero engano, do próprio Tolkien ou do transcritor (talvez o singular fosse confundido com o plural peli, em cuja forma o e deve ser curto). – A forma plural de ôl "sonho" é dada como elei em LR: 379 s.v. ÓLOS; em sindarin evidentemente devemos escrever ely, como sugerido acima. Este é um caso completamente paralelo à palavra "noldorin" geleidh correspondendo à palavra sindarin gelydh como a palavra para noldor (sg. golodh): em ambos os casos, o ei "noldorin" derivado do o no singular corresponde ao y em sindarin (cf. também os plurais corrigidos/atualizados sugeridos acima: sindarin beryn, teryn e theryn, onde o "noldorin" do Etimologias na verdade possui berein, terein e therein). – Uma outra forma também é regularizada: no Etimologias, o plural de thêl não é theli como sugerido acima, mas sim thelei (LR: 392 s.v. THEL, THELES). Por que a palavra thêl derivada do radical THELES deve se comportar diferentemente no plural do que a palavra pêl derivada de PELES é difícil de compreender, de modo que, se o plural é peli no último caso, podemos nos sentir livres para corrigir o plural de thêl de thelei para theli. Os plurais theli e o atestado peli se ajustam melhor ao sistema geral: os plurais representam os radicais completos THELES e PELES, exceto pelo detalhe de que o -s final foi perdido posteriormente (após se tornar -h), e como sempre, e em uma sílaba final se torna i no plural (como em edhel "elfo" pl. edhil, WJ: 377). Assim, o pl. de *peles deve ser *pelis, e removendo a consoante final perdida, chegamos no plural atestado peli; em vista disso, o pl. de *theles deve ser *thelis > theli ao invés de "thelei". Se formos manter o plural thelei (e neste caso teríamos que alterar peli para pelei pelo bem da consistência), devemos levar em conta a descoberta pós-Etim de Tolkien de que ei em uma sílaba final eventualmente se tornava ai, o que levaria a thelai e pelai como os esquisitos plurais de thêl e pêl no sindarin tardio da Terceira Era. Portanto, todas as coisas consideradas, parece melhor regularizar thelei para theli de acordo com o exemplo atestado peli ao invés de se ir pelo outro caminho. (No caso de thelei/theli "irmãs", escritores podem felizmente evitar o problema; LR: 392 s.v. THEL indica que a palavra mais  normal para "irmã" era muinthel pl. muinthil, ou – onde "irmã" é usada em um sentido mais amplo de "companheira feminina" – gwathel pl. gwethil.) – Outro plural em -ei é a formado pela palavra "noldorin" tele "final, último, parte traseira", pl. telei (LR: 392 s.v. TELES). Até o ponto em que diz respeito ao singular, o desenvolvimento difere um pouco daquele que produziu thêl a partir do radical THELES; note que, em tele, a última vogal de TELES ainda está no lugar (ela não se tornou **têl para ser paralela a thêl). A forma primitiva de tele é dada como télesâ (o acento indica apenas a ênfase). Em "noldorin antigo", ela teria se tornado telesa > teleha (não explicitamente dada no Etim, mas compare a palavra primitiva barasâ "quente, ardente" produzindo em "noldorin antigo" barasa > baraha, LR: 351 s.v. BARÁS). Posteriormente as vogais finais foram perdidas, portanto teleha > teleh, mas eventualmente a consoante final fraca -h também foi retirada, deixando apenas tele (e a nova vogal final não se perdeu; o estágio onde tal perda ocorreu já havia passado). Mas o que dizer da forma plural telei? É difícil dizer que tipo de desenvolvimento Tolkien tinha em mente. O plural em "noldorin antigo" de teleha não é mencionado mas deve ter sido telehi (cf. por exemplo poto "pata de animal", pl. poti, LR: 384 s.v. POTÔ). Posteriormente, esperaríamos que o i final mutasse o e na penúltima sílaba, com telehi se tornando telihi; então as vogais finais e depois o h final se perdem, o que deve nos deixar teli como a forma plural. Então como, ao invés disso, Tolkien sugeriu telei? Devemos supor que, no estágio telehi, o h foi retirado de modo que as vogais e e i entraram em contato direto e formaram um ditongo telei? Mas isto seria inconsistente com o exemplo ao qual nos referimos acima: a forma plural pelehi se tornando peli ao invés de **pelei. Parece que, ao atualizar a palavra "noldorin" tele pl. telei para sindarin, é melhor interpretar tele pl. teli. Novamente, a forma plural telei não pode ser mantida de jeito que está em qualquer caso, uma vez que em sindarin ei em uma sílaba final se torna ai.

    Plurais em -in
    Existem algumas palavras que parecem apresentar uma genuína desinência de plural -in, embora a origem desta desinência possa ser incerta; concebivelmente Tolkien a imaginou para ser inventada na analogia de exemplos como êl pl. elin, onde (como demonstrado acima) nenhuma desinência genuína está presente.

    O que pode ser o melhor exemplo envolve uma palavra estrangeira, drûdrughu. De acordo com CI: 509, um plural em sindarin de drû era drúin. Talvez este plural extraordinário indique de alguma forma a palavra como um empréstimo; ela não é flexionada de acordo com o padrão normal (que teria nos levado a **drui como a forma de plural). "wose", o nome de um dos drúedain ou "homens selvagens"; o termo sindarin foi baseado na palavra nativa deles

    No Campo de Cormallen (SdA3/VI cap. 4), os Portadores do Anel foram saudados como Conin en Annûn, e de acordo com Letters: 308, isto significa "Príncipes do Oeste". Supondo que Conin "príncipes" contém a desinência de plural -in, esta poderia ser a forma plural de ?caun (visto que ao adicionar -in, constituindo uma nova sílaba, au se torna o no ambiente polissilábico que surge desse modo). Esta ?caun poderia por sua vez ser uma forma sindarinizada da palavra em quenya cánocaun, significando clamor ou gritaria). Se conincaun, ela poderia ser o plural de uma palavra de outra forma desconhecida *conen, mas ela também parece como um adjeti- vo ao invés de um substantivo. "comandente" (PM: 345), que novamente seria uma palavra estrangeira ao invés de uma palavra sindarin "nativa" (PM: 362 menciona uma palavra herdada bem distinta "príncipes" não é o plural de *

    O nome Dor-Lómin ocorrendo no Silmarillion é interpretada "Terra dos Ecos" em LR: 406. O Apêndice do Silmarillion lista a palavra lóm "eco", embora nada seja dito sobre de que idioma ela deve ser. Lómin é a forma plural de lóm? Devemos distinguir cuidadosamente vários estágios na concepção de. O Etimologias lista a palavra lóm "eco" (LR: 367 s.v. LAM), mas isto é doriathrin, e não "noldorin" > sindarin. Em doriathrin (um dialeto do idioma ilkorin cujo lugar nos mitos posteriormente seria usurpado pelo sindarin), de fato há uma desinência de plural -in, de modo que lómin poderia ser a palavra em doriathrin para "ecos". Ainda na entrada do Etimologias recém citada, o nome obviamente correspondente a Dor-Lómin no Silmarilli- on aparece como Dorlómen. Dorlómen é dito ser não doriathrin, mas uma forma "noldorinizada" do nome real em doriathrin  Lómendor. O primeiro elemento não é uma forma de plural, mas um adjetivo doriathrin lómen "ecoante". Isto pode fornecer uma pista de como Tolkien posteriormente teria interpretado o nome. Quando ele fez do sindarin o idioma de Beleriand, abandonando o "ilkorin", ele ainda fez referências ao peculiar dialeto sindarin setentrional, e o nome Dor-Lómin parece se adequar ao pouco que é conhecido sobre ele (m não é aberto para mh > v sucedendo uma vogal; cf. o nome em sindarin sententrional de Oromë sendo Arum ao invés de Araw [para *Arauv] como em sindarin padrão: WJ: 400). Um palpite pode ser o de que, no período pós-SdA, Tolkien interpretou Dor-Lómin como significando literalmente "Terra Ecoante", lómin sendo o adjetivo em sindarin setentrional descendendo da palavra mais antiga *lâmina. Em sindarin padrão, a desinência adjetiva seria -en no singular e -in apenas no plural, mas isto pode não ser verdade na forma dialetal do idioma. Se lómin realmente é um adjetivo, ela com certeza é irrelevante para a discussão da formação do plural sindarin.

    Singulares derivados de plurais
    Na grande maioria dos casos, o singular deve ser considerado a forma básica do substantivo, a partir da qual o plural é produzido. Contudo, existem alguns casos onde na verdade é o plural que é a forma básica, e o singular é dericado dele. Historicamente, fileg "pequeno pássaro", pl. filig, é um caso. O radical PHILIK (LR: 381) surgiu como filig em sindarin, mas uma vez que tantas formas de plural têm i representando o eedhil como o pl. de edhel "elfo"), a palavra filig foi tomada como tal como forma plural e um singular foi criado de acordo com o padrão normal: fileg. Visto que o radical era PHILIK, tal singular era completamente injustificado historicamente; ele é, como Tolkien observou no Etimologias, apenas um "singular análogo". O par fileg pl. filig, estando totalmente adaptado aos padrões normais, certamente não apresenta nenhum problema adicional para as pessoas que estudam o sindarin sincronicamente. Mas o Etimologias indica que o singular também poderia ser filigod, onde a desinência -od de fato é uma "desinência de singular", produzindo o par mais peculiar filigod pl. filig. Outro caso similar, envolvendo outra "desinência de singular", é lhewiglhaw. (Cf. a colina Amon Lhaw no SdA, "Colina da Audição" ou literalmente *"Colina das Ouvidos", mencionada próximo ao final do capítulo O Grande Rio no Volume 1.) O plural lhaw é explicado como representando uma antiga forma dual indicando um par de orelhas, ou como Tolkien escreveu, "orelhas (de uma pessoa)" (LR: 368 s.v. LAS2). O singular lhewig "orelha" por sua vez é derivado desta forma plural ou dual. Uma formação similar "singular-a partir-de-dual" em -ig é gwanuniggwanûn "par de gêmeos" (WJ: 367).
    singular na última sílaba (ex: "orelha", pl. "gêmeo", derivada a partir de

    NOTA: as desinências -od, -ig, -og usada para formar singulares a partir de plurais também podem ser usadas para formar as chamadas nomina unitatis, palavras indicando uma parte distinta de algo maior, ou palavras indicando uma única entidade dentro de um coletivo. De fato, esta provavelmente é a sua função adequada. WJ: 391 fornece um bom exemplo. Havia uma palavra sindarin glam "alarido, alvoroço, tumulto, os confusos gritos e bramidos de feras". Uma vez que bandos de orcs podiam ser muito barulhentos, a palavra glam "sozinha podia ser usada para qualquer grupo de orcs, e uma forma singular foi criada a partir dela, glamog". Assim, temos glamog como uma palavra para "orc", um membro individual de um glam ou grupo de orcs como um coletivo. Em tal caso, não se pode dizer bem dizer que glam realmente é a forma plural de glamog (seria o mesmo que dizer que "tropa" é a forma plural de "soldado"); talvez glamog pudesse por si só ser a base de uma forma plural ?glemyg. Outro caso parecido é a palavra linnod, não explicada claramente em nenhum lugar, mas usada no Apêndice A do SdA: "[Gilraen] respondeu apenas com este linnod: Onen i-Estel Edain, ú-chebin estel anim [Dei Esperança aos Dúnedain, não guardei nenhuma esperança para mim]". Então o que, realmente, é um linnod? Sabendo que -od é uma desinência usada para formar nomina unitatis, como em filigod a partir de filig acima, linnod pode ser reconhecido como tal formação, claramente baseada em lind "canção" (*lindod naturalmente se tornando linnod, uma vez que a fonologia sindarin não permite -nd- intervocálico em palavras unitárias; este grupo só pode ocorrer em palavras compostas, tais como Gondor "Terra de Pedra"). Sendo assim, um linnod é algum tipo de unidade dentro de uma canção, e o exemplo fornecido indica que isto significa um verso, uma única linha de uma canção. Mais uma vez faz pouco sentido dizer que linnod é a forma "singular" de lind (como se esta palavra para "canção" devesse ser considerada no plural só porque uma canção é feita de versos). De preferência devemos ver linnod como um substantivo derivado, uma palavra independente para "verso" que provavelmente pode possuir seu próprio plural linnyd "versos". (No caso do linnod de Gilraen, parece claro que seu "verso" particular não era parte de uma canção maior; ele era apenas um verso ou um poema muito curto em sua própria forma.) Substantivos em -ig parecem especialmente indicar algo de um par, como nos exemplos citados acima: gwanunig "um gêmeo" a partir de gwanûn "par de gêmeos", ou lhewig "uma orelha" de lhaw "par de orelhas". Novamente pode-se discutir se gwanûn e lhaw realmente são as formas de "plural" de gwanunig e lhewig; as últimas formas simplesmente indicam um elemento de um par.

    O primeiro elemento de palavras compostas
    Um exemplo citado acima, Edenedair "Pais dos Homens" ou literalmente *"Pais-homem" (MR: 373) é claramente o plural da palavra composta Adanadar "Pai-homem" (adan + adar). Aqui vemos a metafonia aplicada à palavra inteira, todos os a‘s em sílabas que não sejam finais se tornando e‘s, como se esta fosse uma palavra unitária. Ainda assim provavelmente também teria sido admissível usar o plural ?Adanedair, deixando o primeiro elemento da palavra composta não afetado e modificando apenas adar "pai" (para edair). Em WJ: 376, Tolkien faz uma nota sobre os plurais de orodben "monteiro" e rochben "cavaleiro" (na verdade palavras compostas, orod-ben "pessoa-montanha" e roch-beni ocorrendo no plural originalmente foi aplicada à palavra inteira, resultando nas formas örödbin e röchbineredbin e rechbin no sindarin dos dias de Frodo, embora Tolkien não mencione estas formas tardias). Entretanto, Tolkien observou também que "a forma normal [isto é, não metafônica] do primeiro elemento frequentemente era restaurada quando a natureza da composição permanecia evidente"; portanto, o plural de rochben também poderia ser rochbin, com a metafonia afetando apenas a vogal do elemento final -benroch "cavalo" é inalterado. (A implicação é que o plural de orodben "monteiro" pudesse ser de modo parecido orodbin com orod "montanha" em sua forma normal, apesar da forma orodbin não ser mencionada em WJ: 376.) Na palavra composta Edenedair o primeiro elemento não foi restaurado mas, como já mencionado, a forma ?Adanedair provavelmente também teria sido igualmente admissível.
    "cavalo-pessoa"). A afeição- (escritas "oeroedbin" e "roechbin" em WJ: 376; isto se teria de tornado "pessoa", enquanto que

    O PLURAL DE CLASSE

    Além do plural normal, o sindarin também possui o chamado plural de classe, ou plural coletivo. Em RGEO: 74, Tolkien afirma que "o sufixo -athelenathêl, pl. [irregular] elin) significava ‘a hoste das estrelas’: isto é,. (todas) as estrelas (visíveis) do firmamento. Cf. ennorath, o grupo de terras centrais, fazendo a Terra-média. Note também Argonath, ‘o par de pedras reais’, na entrada de Gondor; Perian-nath ‘os hobbits (como uma raça),’ como o plural coletivo de perian, ‘pequeno’ (pl. periain)." A Carta do Rei fornece mais exemplos: sellath dîn "suas filhas" e ionnath dîn "seus filhos", se referindoa todos os filhos e filhas de Sam como grupos. Em alguns casos, -ath parece possuir uma forma mais longa -iath. WJ: 387 dá firiath como o plural de classe de feir "um mortal" (plural normal fîr); cf. também a forma de "pl. coletivo" giliath "estrelas" em LR: 358 s.v. GIL (como em Osgiliath, "Cidadela das Estelas"). Em versões mais antigas deste artigo, explicamos que este i se inserindo antes de -ath é um remanescente de um y antigo que é aqui preservado (das palavras primitivas firya "mortal", gilya "estrela"). Isto pode estar correto no caso das palavras firiath e giliath, mas parece que a desinência mais longa -iath aparece sempre que a desinência de plural de classe é adicionada a uma palavra que possua a vogal raiz i: esta vogal é ecoada na desinência.
              Se a desinência -ath é adicionada a um substantivo terminando em -nc ou -m, por razões fonológicas eles iriam mudar para -ng- e -mm- duplo, respectivamente, enquanto que -nt e -nd finais se tornariam -nn-: os plurais de classe de palavras como ranc "braço", lam "língua", cantthond "raiz" evidentemente seriam rangath, lammath, cannath e thonnath, respectivamente. Lembre-se também que, uma vez que o [v] sonoro é escrito f apenas no final, ele seria escrito como é pronunciado – simplesmente v – se qualquer desinência for anexada. Assim, o plural de classe de uma palavra como ylf "recipiente de bebida" deve ser escrita ylvath.
              Em alguns casos outras desinências além de -ath parecem ser usadas, tais como -rim "povo"; em WJ: 388, é dito que Nogothrim é o plural de classe de Nogoth "anão". Outra desinência é -hoth "povo, hoste, horda", cf. dornhoth "o povo obstinado", outro termo élfico para os anões. O Apêndice do Silmarillion (entrada hoth) afirma que esta desinência é "usada quase sempre em sentido pejorativo" e menciona o exemplo glamhoth "horda barulhenta", um nome élfico para os orcs. Aquele que pela primeira vez chamou os homens das neves de Forochel de lossoth*loss-hoth, loss = "neve") evidentemente não gostava deles. Em Letters: 178, Tolkien explica que, enquanto o plural normal de orch "orc" é yrch, "os orcs, como uma raça, ou o todo de um grupo previamente mencionado, seriam orchoth" (para *orch-hoth, evidentemente). Poderia ser discutido se formas como Nogothrim e lossoth realmente são formas "plurais" ou simplesmente palavras compostas: povo anão, horda da neve. Palavras com a desinência "coletiva" -ath são vista assumindo o artigo plural in, de modo que elas são evidentemente consideradas plurais. Palavras em -rim e -hoth parecem se comportar da mesma maneira; cf. o namo Tol-in-Gaurhoth "Ilha dos Lobisomens" (Silmarillionplurais gerais [o itálico é meu] eram freqüentemente criados ao se adicionar a um nome (ou nome de lugar) alguma palavra significando ‘tribo, hoste, horda, povo’" – ou seja, as desinências que estivemos discutindo aqui. Assim, parece que, de um ponto de vista gramatical, as formas que empregam estas desinências realmente devem ser consideradas plurais, e não palavras compostas.
    (originalmente um sufixo não-coletivo) era usado como um plural de grupo, abrangendo todas as coisas de mesmo nome, ou aquelas associadas em alguma disposição ou organização especial. Logo, (como plural de "forma" e (para cap. 18, onde o nome é traduzido simplesmente como "Ilha de Lobisomens"). Em Letters: 178, Tolkien afirma que "os

    OS CASOS NÃO DECLINADOS

    Até onde podemos perceber pelo que já foi publicado, o substantivo no sindarin não é declinado em um grande número de casos, como em quenya. A língua ancestral comum do quenya e do sindarin aparentemente era um idioma declinável, mas em sindarin as desinências relevantes se perderam (embora traços delas possam ser encontrados em algumas palavras – por exemplo, ennas "lá" em alguma época deve ter resultado em uma desinência locativa parecida com a desinência do quenya -ssë). O élfico-cinzento depende de preposições ao invés de desinências casuais. É digno de nota, porém, que os substantivos no sindarin podem ser usados como genitivos sem mudar sua forma. Já citamos a inscrição do Portão de Moria como um exemplo disto: Ennyn Durin Aran Moria, "Portas de Durin, Rei de Moria", os nomes Durin e Moria funcionando como genitivos não declinados: de Durin, de Moria. Para dizer "X de Y", você simplesmente justapõe as palavras: X Y. A Carta do Rei fornece mais exemplos: Aran Gondor "Rei (de) Gondor", Hîr i Mbair AnnuiCondir i Drann "Prefeito (do) Condado". Tolkien observou que estes genitivos não declinados provavelmente descendiam de "formas indeclináveis" (WJ: 370). Em um estágio mais primitivo, o sindarin provavelmente tinha a mesma desinência genitiva -oa, como no epíteto de Túrin, Dagnir Glaurunga "A Perdição de Glaurung"; cf. também Bar Bëora para "a Casa de Bëor" em WJ: 230. A origem desta desinência é muito incerta, e aparentemente não é usada em sindarin padrão.)
              Algumas vezes, um ou ambos os substantivos em uma expressão genitiva são encurtados de algum forma: consoantes duplas podem ser simplificadas; compara toll "ilha" com tol em um nome como Tol Morwendôr "terra" com dor em Dor Caranthir "Terra de Caranthir" (WJ: 183). Mas tal encurtamento não é necessário para produzir um sindarin correto; cf. Hîr ao invés de Hir na expressão Hîr i Mbair Annui "Senhor (das) Terras Ocidentais" na Carta do Rei.
    "Senhor (das) Terras Ocidentais", como em quenya, mas ela se perdeu junto com as outras vogais finais. (O sindarin doriathrin às vezes mostra uma desinência genitiva – "Ilha de Morwen" (WJ: 296). Vogais longas podem ser encurtadas; compare

    Não apenas o genitivo, mas também o dativo pode ser expresso por um substantivo sindarin que não muda sua forma de modo algum. Isto está evidente a partir da primeira parte do linnod de Gilraen no Apêndice A do SdA: Onen i-Estel Edain, "Dei Esperança aos [Dún]edain". O objeto indireto, ou objeto dativo, é claramente Edain – mas ela não mostra qualquer desinência declinável, nem há ali qualquer coisa correspondendo à preposição "aos" na tradução em inglês de Tolkien. O dativo aparentemente é expresso apenas pela ordem das palavras.

    - – -

    O substantivo sindarin, assim como outras partes do idioma, freqüentemente está sujeito a certas mudanças regulares das consoantes iniciais. A estas devemos voltar nossa atenção agora.

    3. AS MUTAÇÕES CONSONANTAIS

    Em sindarin, a consoante inicial das palavras freqüentemente passa por certas mudanças, de modo que a mesma palavra pode aparecer em diferentes formas (palavras começando em uma vogal não são afetadas). Estas mudanças são chamadas mutações, com uma série de subcategorias (mutação suave, mutação nasal, etc.) Considere duas palavras completamente distinctas como saew "veneno" e haew "hábito". Uma regra de mutação dita que o s em certos contextos gramaticais se torna h. O artigo i "o, a" é um dos desencadeadores dessa mutação, de modo que se o prefixarmos a saew para expressar "o veneno", o resultada não é **i saew. "O veneno", ao invés disso, deve ser i haew. Embora haew também signifique "hábito", um usuário competente de sindarin não confundiria i haew (achando que isto significa "o hábito" ao invés de "o veneno"). Pois na mesma posição onde o s se torna h, a regra de mutação também dita que o h se torna ch. Então, se combinarmos haew "hábito" com o artigo i, teremos i chaew para "o hábito", com as palavra ainda sendo distintas. Contudo, é óbvio que há aqui um espaço considerável para confusão se o sistema de mutação do sindarin não for compreendido. É muito fácil imaginar algum estudante ingênuo vendo a combinação i haew em um texto e então procurando por haew ao invés de saew em sua lista de palavras – concluindo erroneamente que i haew significa "o hábito" ao invés de "o veneno", uma vez que não lhe ocorre que haew é meramente a forma que a palavra saew assume nesta posição em particular. É bastante impossível usar adequadamente uma lista de palavras do sindarin a menos que se compreenda o sistema de mutação; em alguns casos a lista de palavras seria um claramente enganosa.
              Tentaremos descrever as várias mutações, assim como elas podem ser reconstruídas. Com as evidências reais sendo escassas, em muitos casos devemos retornar à nossa compreensão geral da fonologia sindarin para preencher as lacunas. O que se segue é baseado em uma análise completa (conduzida principalmente pelo eminente sindarista David Salo), mas publi- cações futuras podem bem provar que ela está errada em alguns aspectos. Entretanto, as mutações mais freqüentes (suave e nasal) são relativamente bem atestada, de forma que podemos reconstruir as regras com alguma segurança.

    I. MUTAÇÃO SUAVE

    A mutação mais freqüente, ela também é conhecida como lenição (= "suavização"). O nome reflete o fato de que, por esta mutação, sons "duros" ou mudos como p ou t se tornam "suavizados" (ou lenizados) para b e d sonoros, enquanto que o b e d originais são mais adiante "suavizados" para fricativos: v, dh. Descreveremos os efeitos da mutação suave antes de discutir em detalhes onde ela ocorre, mas pode ser notado que geralmente a lenição ocorre após partículas terminando em uma vogali (singular "o, a"). Em Letters: 279, Tolkien comenta sobre a linição c > g e observa que ela é uasda "após partículas estritamente associadas (como o artigo)". O cenário fonológico para este fenômeno não é muito difícil de se compreender. Na evolução do sindarin, muitas consoantes mudaram ao suceder uma vogal; por exemplo, c se tornou g e t se tornou d (compare a palavra sindarin adar "pai" com a palavra primitiva atar, ainda preservada em quenya). O que aconteceu foi que partículas como preposições e artigos precedendo imediatamente uma palavra se tornaram tão estritamente associadas com a palavra em si que a expressão inteira de partícula + palavra principal foi percebida como um tipo de unidade. Assim, uma palavra como tâl "pé", ao ocorrer em uma expressão como i tâl "o pé", ficou sujeita à mesma regra que transformou uma palavra unificada como atar em adar: Há uma vogal precedendo o t, de modo que ele se transforma em d – e, enquanto tâl permaneceu como a palavra para "pé", "o pé" de agora em diante é i dâl (veja LR: 298 com respeito a este exemplo). Veja abaixo a respeito dos vários usos da mutação suave; ao descrever as mutações em si, usaremos como exemplo as mudanças que ocorrem após o artigo definido i. quando tal partícula imediatamente precede uma palavra e está estreitamente associada a ela, tal como o artigo definido

    A mutação suave transforma as oclusivas p, t e c em b, d e g sonoras; b e d originais se tornam v e dh, enquanto que g desaparece de um modo geral. (Deve ser notado que as mutações aqui descritas para b, d e gb, d e g primitivo. As letras iniciais b, de g em sindarin também podem derivar de mb, nd e ñg, e em tais casos, as formas lenizadas diferem. Veja a seção "O desenvolvimento das oclusivas nasalizadas" abaixo.) apenas se aplicam quando estes sons são produzidos a partir de

    pân "tábua" > i bân "a tábua"
    caw "topo" > i gaw "o topo"
    tâl "pé" > i dâl "o pé"
    bess "mulher" > i vess "a mulher"
    daw "escuridão" > i dhaw "a escuridão"
    gaw "vazio" > i ‘aw "o vazio"

    NOTA: g originalmente se transformava em gh fricativo posterior, mas este som posteriormente desapareceu (i ghaw se tornando i ‘aw). Para indicar que um g foi lenizado para zero, pode-se usar um apóstrofo como neste exemplo, mas os escritos de Tolkien são inconsistentes neste ponto. Em CI: 428 temos Curunír ‘Lân para "Saruman, o Branco", o apóstrofo indicando evidentemente que a segunda palavra (o adjetivo "branco") é glân quando não modificada. Cf. também galadh "árvore" > i ‘aladh "a árvore" em LR: 298 (lá escrita galað, i·’alað). Mas no Silmarillion temos nomes como Ered Wethrin "Montanhas Sombrias", wethrin sendo a forma lenizada de gwethrin, a forma plural do adjetivo gwathren "sombrio" (compa- re com gwath "sombra", LR: 396 s.v. WATH). Talvez uma grafia equivalente de Ered ‘Wethrin na verdade seria usada na escrita Tengwar, com Tolkien às vezes abandonando o apóstrofo em nomes que ocorrem em suas narrativas.

    Estas consoantes evidentemente passam pelas mesmas mutações se elas formam partes de encontros:

    blabed "bater de asas" > i vlabed "o bater de asas"
    brôg "urso" > i vrôg "o urso"
    claur "esplendor" > i glaur "o esplendor"
    crist "cutelo" (espada) > i grist "o cutelo"
    dring "martelo" > i dhring "o martelo"
    gloss "neve" > i ‘loss "a neve"
    grond "clava" > i ‘rond "a clava"
    gwath "sombra" > i ‘wath "a sombra"
    prestanneth "afeição" (perturbação) > i brestanneth "a afeição"
    trenarn "conto" > i drenarn "o conto"

    As consoantes h, s e m são lenizadas para ch, h e v, respectivamente:

    hammad "vestimenta" > i chammad "a vestimenta"
    salph "sopa" > i halph "a sopa"
    mellon "amigo" > i vellon "o amigo" (também escrito i mhellon)

    Se notará que b e m se tornam v quando lenizadas. Em alguns casos, a ambiguidade pode surgir. Considere dois adjetivos como bell "forte" e melli vess vell significa "a mulher forte" ou "a mulher querida". (Em sindarin, um adjetivo geralmente sucedem algumas vezes é escrito mh (como na Carta do Rei, SD: 128-9: e aníra ennas suilannad mhellyn în, "ele deseja lá saudar seus amigos"). Parece que, no sindarin da Terceira, este mh não era mais pronunciado diferente de v, embora a distinção possa ter sido mantida na escrita Tengwar. Anteriormente, mh evidentemente foi uma nasal  distintamente variante de v, que também pode ser chamada de "mm fricativo (ou v nasal)". "querido"; apenas o contexto pode decidir se o substantivo que ele descreve, e nesta posição, o adjetivo é lenizado.) O produto da mutação de aspirado". Compare com o Apêndice E do SdA, na discussão sobre as runas: "para o sindarin (arcaico) era necessário um sinal para

    O som hw (w mudo, como o wh do inglês em dialetos onde ele é mantido distinto de w) provavelmente se torna chw em posição de mutação:

    hwest "brisa" > i chwest "a brisa"

    (No "noldorin" do Etimologias, este som é chw em todas as posições, também onde a palavra não é lenizada, mas parece que Tolkien revisou isto.)

    F e th fricativos mudos, o n nasal e o r e l líquidos não são afetados pela mutação suave:

    fend "soleira" > i fend "a soleira"
    thond "raiz" > i thond "a raiz"
    nath "teia" > i nath "a teia"
    rem "rede" > i rem "a rede"
    lam "língua" > i lam "a língua"

    O comportamento de rh e lh líquidos mudos em posição de mutação é um tanto incerto. A visão apresentada em versões anteriores deste artigo foi de que eles se transformam em r e l sonoros normais. Isto foi baseado primeiramente no exemplo rhass "precipício", com o artigo i rass (LR: 363 s.v. KHARÁS). Contudo, isto provavelmente é "noldorin" ao invés de sindarin. Uma das revisões que Tolkien fez quando ele transformou o "noldorin" em sindarin afetou os sons rh elh. Em "noldorin", eles se originaram a partir de r e l normais no idioma primitivo, onde estes sons inicialmente ocorreram. Entretanto, Tolkien decidiu posteriormente que r e l iniciais primitivos ficaram inalterados em sindarin, uma palavra primitiva como lambâ "língua" dando origem à palavra sindarin lam (WJ: 394; compare com o "noldorin" mais primitivo, onde esta palavra havia sido, ao invés disso, lham: LR: 367 s.v. LAB). Os sons rh e lh ainda ocorrem inicialmente em sindarin, mas neste idioma eles são produzidos a partir de sr- e sl- iniciais primitivos (ex: srawê > sindarin rhaw, MR: 350), e não de r-, l- simples. Esta nova derivação deve ser levada em consideração quando fazemos uma suposição sobre como o rh e lh do sindarin se comportam em posição de mutação. Basicamente, a mutação suave corresponde a como certas consoantes se desenvolvem ao sucederem vogais. Sr e sl primitivos medianos se tornaram thr e thl; ex: a palavra "noldorin" lhathron "ouvinte" (sindarin lathron?) a partir da primitiva la(n)sro-ndo (LR: 368 s.v. LAS2). Assim, talvez isto também seja o que a mutação suave de rh- e lh- produziria, apesar de carecermos de exemplos:

    rhaw "carne" > i thraw "a carne" (primitiva *i srawê)
    lhûg "dragão" > i thlûg "o dragão" (primitiva *i slôkê)

    Os usos da mutação suave: a mutação suave possui uma variedade de usos. Ela ocorre após uma série de partículas, preposições e prefixos, o exemplo que usamos até agora – o artigo definido i – sendo apenas uma destas partículas. Tipicamente, estamos falando sobre partículas que, ou terminam em uma vogal, ou terminavam em uma vogal em um estágio primitivo. Uma preposição como na "para, a" desencadeia as mesmas mutações que o artigo i, por exemplo na venn "a um homem" (benn não mutado). No hino à Elbereth (A Elbereth Gilthoniel) temos a expressão na-chaered "a uma distância remota" (ver RGEO: 72 para a tradução), haered "distância remota, a remota" passando por mutação suave para se tornar chaered. (Para haered como a forma não mutada, compare com o nome Haerast "Litoral Distante" mencionado no glossário do Silmarillion; veja a entrada Nevrast.)

    Sabemos ou deduzimos que a mutação suave ocorre após os seguintes prefixos e partículas:

              – o prefixo e preposição (?) ab "após, depois, seguinte, posterior" (uma vez que esta era apa mais antiga em quenya)
              – a preposição adel "atrás, na traseira (de)" (uma vez que esta provavelmente era *atele em sindarin antigo)
              – a preposição e prefixo am "em cima, acima, sobre" (cf. a palavra em quenya amba); a mutação suave é atestada em palavras compostas como ambenn "ladeira acima" (am + uma forma lenizada de pend, penn
              – o prefixo ath- "em ambos os lados, através de" (*attha mais antigo)
              – o prefixo athra- "através" (cf. uma palavra como athrabeth, "debate", o segundo elemento sendo uma forma lenizada de peth
              – a preposição be "de acordo com" (talvez também "como", uma vez que ela deve corresponder à palavra em quenya ve)
              – o advérbio/prefixo dad "abaixo" (cf. dadbenn "ladeira abaixo", que é dad + uma forma lenizada de pend, penn "declividade")
              – a preposição di "sob, debaixo de"
              – o prefixo go-, gwa- "junto" (possivelmente também usada como uma preposição independente "com")
              – a preposição na "para, em direção de, por, com"
              – a preposição nu (no) "sob"
              – a preposição trî "através" e o prefixo correspondente tre-
              – o elemento negativo ú-, u- "não" ou "sem", usado como um prefixo; ex: ú-chebin *"eu não guardo" no linnod de Gilraen (compare a palavra não modificada hebin "eu guardo"). Cf. também uma palavra como ubed "negação" (u + ped, a última sendo o radical do verbo "dizer", assim ubed = "não-dizer").
    "declive") "palavra")

    A frase guren bêd enni "meu coração me conta" (VT41: 11) incorpora uma forma lenizada do verbo pêd "conta". Este exemplo parece indicar que um verbo, sucedendo imediatamente seu sujeito, é lenizado. Este não é o caso se o verbo vem antes do sujeito, como na frase silivren penna (…) aglar elenath! "reluzindo branca se curva (…) a glória da hoste estrelada". Se o verbo penna "curvar" viesse após seu sujeito, ele provavelmente seria lenizado: *Silivren aglar elenath benna, "reluzindo branca, a glória da hoste estrelada se curva" (talvez uma ordem de palavras mais normal; a versão no SdA é poética).
              Em sindarin, adjetivos (incluindo particípios) sucedendo o substantivo que eles descrevem são geralmente lenizados. Em sindarin, um adjetivo geralmente sucede o substantivo que ele descreve; ex: Tol Galen "Ilha Verde". Galen aqui é a forma lenizada de calen "verde". Outro exemplo do mesmo nome Pinnath Gelin "Cadeias (de montanhas) Verdes", gelincelin, por sua vez o plural de calen (no plural para concordar com "cadeias"). O nome Talath Dirnen "Planície Protegida" contém uma forma lenizada do particípio passado tirnentir- "observar, guardar, proteger"). Eryn "bosque, fleresta" + morn "escuro" produz Eryn Vorn "Floresta Escura" (CI: 295). Dor Dhínen "Terra Silenciosa" inclui a forma lenizada de dínen "silenciosa" (WJ: 333, 338). Existem, entretanto, poucos casos atestados onde a mutação falha em assumir seu lugar em tal combinação. O nome Dor Dhínen recém mencionado também aparece como Dor DínenSilmarillion publicado). Do SdA também nos lembramos  de Rath Dínen ou "Rua Silenciosa" em Minas Tirith; poderíamos supor, ao invés disso, *Rath Dhínen. (Porém, a forma Barad-dûr ao invés de *Barad-dhûr para "Torre Escura" pode ser explicada pelo fato de que as palavras são aqui praticamente um composto, como indicado pelo hífen – apesar do segundo elemento de palavra compostas também ser lenizado, veja abaixo.) Casos de d onde poderíamos supor dh podem em algumas ocasiões ser explicados como transcrição errada da parte de Tolkien, uma vez que ele às vezes substituía d por dh simplesmente porque ele achava o último dígrafo "rude" (CI: 267). Porém, não podemos explicar facilmente casos como Cú Beleg ao invés de *Cú Veleg para "Grande Arco" (beleg "grande"; para "grande arco" cf. a canção Laer Cú Beleg ou "Canção do Grande Arco" mencionada no Silmarillion, capítulo 21). Outro exemplo é o nome Nan Tathren, "Vale dos Salgueiros"; esperaríamos, ao invés disso, *Nan Dathren. Provavelmente temos que supor que as discrepâncias existem simplesmente devido ao fato de que havia muitas variantes ou dialetos de sindarin; as regras que dizem onde a mutação suave ocorre diferem um pouco de dialeto para dialeto. (Eu aconselharia, porém, que, ao escrever em sindarin, deixassem os adjetivos serem lenizados nesta posição, uma vez que esta parece ser a regra principal.)
              Quando uma palavra é usada como o segundo elemento de uma palavra composta, ela freqüentemente passa por mudanças parecidas com os efeitos da mutação suave. Tolkien afirmou (em Letters: 279) que "as iniciais de palavras em composição" são lenizadas (ele usou o exemplo Gil-galad, que representa *Gil-calad "Luz Estelar"; cf. a palavra não lenizada calad "luz" em CI: 60 – outra explicação do elemento galad, porém, é dada em PM: 347). Em RGEO: 73, Tolkien menciona "a mudança em s[indarin] de t > d mediano": no hino à Elbereth temos palan-dírielpalan-tíriel "vislumbar além" (compare com o verbo tir- "observar, ver, guardar").
              Outros exemplos incluem palavras compostas como Calenhadcalen "verde" + sad "lugar, ponto", CI: 495), ElvellynEl = forma reduzida da palavra para "elfo" + mellynNindalf "Planície Úmida" (uma palavra composta de nîn "úmido" e talf "campo plano", ver A Tolkien Compass pág. 195). Os mal informados têm algumas vezes suposto que um nome como GildorGondor, Mordor etc., mas "Terra da Estrela" parece um nome bem estranho para uma pessoa. O elemento final de Gildor na verdade é taur "rei, senhor", combinado com um adjetivo idêntico significando "altivo, nobre". Em Gildor, t se torna d por lenição, e o au não acentuado se torna o. O nome é melhor interpretado "Senhor da Estrela".
              O advérbio de negação avo, que é usado com um imperativo para expressar um comando negativo, ocasiona mutação suave do verbo que o sucede: caro! "faça (isto)!", mas avo garo! "não faça (isto)!" Avo também pode ser reduzido para o prefixo av-, ainda seguido pela mesma mutação: avgaro significa o mesmo que avo garo. Veja WJ: 371.
              Um substantivo também é lenizado se ele aparece como o objeto de um verbo, mesmo se não houver um artigo o precedendo. Assim, o sindarin possui um tipo de "acusativo". Note uma frase da Carta do Rei: ennas aníra i aran… suilan- nad mhellyn în, "lá o rei deseja… saudar seus amigos", mhellyn sendo a forma lenizada de mellyn "amigos" (e uma grafia variante de vellyn como em Elvellyn "amigos-dos-elfos" acima). A palavra "amigos" é lenizada como o objeto do verbo "saudar". Pode-se imaginar se a falta de lenição foi a razão pela qual Gandalf compreendeu errado a inscrição do Portão de Moria: pedo mellon a minno, "fale ‘amigo’ e entre". Gandalf, como lembramos, primeiramente pensou que isto significava "fale, amigo, e entre". Geralmente, mellon presumidamente deveria estar lenizado como o objeto de pedo "fale" (*pedo vellon), mas aqueles que fizeram a inscrição evidentemente ignoraram as regras normais de lenição e deram a palavra mellon na forma exata na qual ela devia ser dita para as portas abrirem. (É claro, não sabemos exatamente como a "mágica" ou mecanismo para-tecnológico por trás das portas funcionava, mas devia ser algum tipo de inteligência artificial respondendo apenas à sequência sonora M-E-L-L-O-N.) Talvez tenha sido por causa disso que Gandalf não compreendeu primeiramente que mellon era o objeto de pedo "diga, fale" e pensou que, ao invés disso, fosse um vocativo: "fale, ó amigo!" Pode ser que a forma de sindarin usada nesta inscrição realmente não usasse a lenição de m para mh/v, mas na verdade há uma variante da inscrição do Portão de Moria onde os tengwar parecem ler pedo mhellon ao invés de pedo mellon. (Veja J. R. R. Tolkien: Artist & Illustrator, pág. 158.)
              Se pensou anteriormente que a conjunção a "e" ocasionava a mutação suave (uma visão que também foi refletida em algumas das versões mais antigas deste artigo). Isto aconteceu por causa da expressão Daur a Berhael "Frodo e Samwise" em SdA3/VI cap. 4: alguém observou corretamente que Berhael "Samwise" é uma forma lenizada de Perhael e concluiu precipitadamente que fora a conjunção precedente aa minno, e não **a vinno, para "e entre". Visto que mellon "amigo" falha em lenizar para vellon na mesma inscrição, pode -se pensar que a inscrição está em uma forma de sindarin que não usa a lenição m > v. Porém, como mencionado acima, uma forma alternativa da inscrição ocorre em J. R. R. Tolkien: Artist & Illustrator pág. 158. Nesta versão, a palavra mellon é lenizada (mhellon/vellon) – mas a palavra minnoainda não mostra lenição, enterrando de uma vez por todas a teoria de que a "e" desencadeia a mutação suave. Por que, então, Perhael é lenizado? O contexto deve ser levado em consideração. A frase completa segue assim: Daur a Berhael, Conin en Annûn, eglerio!eglerio "louvai" é, claro, "Frodo e Sam", e sendo objetos, estes nomes são lenizados. A frase é simplesmente uma forma rearranjada de *eglerio Daur a Berhael, Conin en Annûn "louvai Frodo e Sam, heróis do oeste". Assim, não é apenas o nome Perhael que é lenizado (para Berhael); devemos supor que Daur também é uma forma lenizada, a versão não mutada sendo Taur. (De acordo com LR: 389 s.v. , TA3, o "Noldorin"/ sindarin possuía um antigo adjetivo taur "altivo, nobre", usado em "títulos antigos"; este seria um epíteto honorário adequado para Frodo.) – Como o exemplo Daur a Berhael, Conin en Annûn "Frodo e Sam, heróis do oeste" indica, a lenição não é realizada em uma frase inteira quando a última parte fica meramente em justaposição com a primeira. As palavras principais, Taur e Perhael, são lenizadas – mas a expressão Conin en Annûn "heróis do oeste", que meramente fica em justaposição com Daur a Berhael, não o é (assim, não temos "Gonin en Annûn"). Cf. também um exemplo como i Cherdir Perhael, Condir "o Mestre Samwise, Prefeito" da Carta do Rei: herdir "mestre" é lenizada por causa do artigo que a precede (na verdade, ela teria sido lenizada mesmo sem o artigo, uma vez que a expressão também é o objeto do verbo), mas aqui, o nome Perhael "Samwise" e seu título Condir não estão sujeitos à mutação suave, visto que eles ficam em justaposição com  Herdir (logo, não temos "i Cherdir Berhael, Gondir"). Assim, a regra é de que, quando várias palavras ficam em justaposição, apenas a primeira delas sofre mutação (e provavelmente isto serve para todas as mutações).
    sendo uma forma lenizada de "observado, protegido" (cf. o verbo em alguns textos (como no para * "Espaço Verde" ( "amigos-dos-elfos" ( "amigos", WJ: 412) ou significa "Terra da Estrela", isto é, que o elemento final é o mesmo de nomes de reinos como que causara a mutação. Contudo, a inscrição do Portão de Moria possui sucedendo a conjunção De acordo com Letters: 308, isto significa "Frodo e Sam, príncipes do oeste, louvai (-os)!" Na verdade não há qualquer pronome final "os" na frase em sindarin, como indicado pelos parênteses. O objeto do verbo

    NOTA: Tolkien revisava as regras de lenição repetidamente. Uma regra obsoleta pode ser mencionada. Como observado acima, o genitivo pode ser expresso apenas pela ordem das palavras em sindarin: Ennyn Durin Aran Moria, "Portas (de) Durin Senhor (de) Moria". De acordo com uma regra que Tolkien posteriormente rejeitou, o segundo substantivo de tal construção é lenizado. Portanto, a primeira versão da inscrição do Portão de Moria teria a leitura Ennyn Dhurin Aran Voria, com Durin e Moria lenizados. Compare com algumas expressões genitivas do Etimologias LR: 369: Ar Vanwë, Ar Velegol, Ar Uiar para "Dia de Manwë", "Dia de Belegol (Aulë)", "Dia de Guiar (Ulmo)" (b e m sendo lenizadas para v e g para zero). Após a revisão, as formas presumidamente seriam *Ar Manwë, *Ar Belegol e *Ar Guiar.

    II. MUTAÇÃO NASAL

    Enquanto isto pode soar um pouco como um filme de terror (ou como Pinocchio), ela na verdade se refere a outro fenômeno importante na fonologia sindarin. Assim como o artigo i para o singular "o, a" desencadeia a mutação suave, o artigo in para o  plural "os, as" desencadeia a mutação nasal: Tolkien afirmou explicitamente que "a mutação nasal… aparece após o artigo plural em: thîw, i Pheriannath" (Letters: 427 – parece que Humphrey Carpenter, ao editar esta carta, pensou que "in" (em) é aqui a preposição inglesa ao invés do artigo sindarin in, uma vez que ele não usa itálico!) Outras partículas que desencadeiam a mutação nasal seriam a preposição e prefixo an "a, para" e a preposição dan "contra", também usada como o prefixo "re-".
              Os exemplos que Tolkien usou em Letters: 427 citados acima, thîwi Pheriannath, vêm da inscrição do Portão de Moria e do louvor que os Portadores do Anel receberam no campo de Cormallen. No primeiro temos i thiw hin para "estes sinais", literalmente "os sinais estes". (O encurtamento de thîw para thiw provavelmente tem algo a ver com a palavra seguinte hin "estes" e não tem que ser considerada aqui.) Frodo e Sam foram louvados com as palavras aglar ‘ni Pheriannath, "glória aos pequenos" (‘ni sendo a forma curta para an i "aos"). Mas por que o artigo iin? Outra anomalia parece ser a de que "letras" e "pequenos" de repente aparecem como thîw (thiw) e Pheriannath ao invés de tîw e Periannath, embora estas palavras sejam atestadas no próprio SdA (Apêndice B, a cronologia da Terceira Era, entrada para 1050: "os Periannath pela primeira vez são mencionados nos registros…" – enquanto que no Apêndice E é feita referência aos "Tengwar ou Tîw, aqui traduzidos como ‘letras’ "). Ambos os problemas são resolvidos quando levamos em consideração os efeitos da mutação nasal: i thîw e i Pheriannath representam na verdade in tîw e in Periannath. A Carta do Rei possui a Pherhael para "para Perhael (Samwise)"; isto representa an "para" + Perhael. Se quisessemos dizer in cirth = "as runas", isto se manifestaria como i chirth. Em termo de fonologia diacrônica, todo este fenômeno é facilmente explicado. Em sindarin antigo, p, t e k (c) após um  n se tornaram aspirados, se transformando em ph, th e kh aspirados. Compare com uma palavra em sindarin antigo como thintha- "desvanecer" (LR: 392 s.v. THIN), representando indubitavelmente a palavra mais antiga *thintâ- com a desinência verbal comum -. Assim, também teríamos in tîw > i thîw (tht aspirado ao invés de um þ fricativo). Posteriormente, os aspirados se transformaram em fricativos e a nasal precedente foi assimilada por eles, desaparecendo (in þîw > iþ þîw, i þîw, geralmente escrito i thîw em letras romanas).
              As mutações nasais das oclusivas mudas p, t e c são, desse modo, ph, th e ch. Os encontros iniciais cl, cr, tr e pr provavelmente se comportam da mesma maneira como oclusivas simples quando a mutação nasal é adequada (então, se combinarmos palavras como claurcrûm "esquerdo", trenarn "relato", prestanneth "afeição" com a preposição an "a, para", podemos ver a chlaur, a chrûm, a threnarn e a phrestanneth).
              As oclusivas mudas b, d e g se comportam diferentemente quando submetidas à mutação nasal. Elas não se tornam fricativas como as outras oclusivas mudas. Tem havido, entretanto, alguma confusão com respeito a esse comportamento. Versões anteriores deste artigo apresentaram a visão de que n + b, d, g produz mb, nd, ng. Há pouca dúvida de que foi de fato isto que Tolkien imaginou em certo estágio. Isto é evidente a partir do exemplo Cerch iMbelain "Foice dos Valar" em LR: 365 s.v. KIRIK, claramente cerch "foice" + in artigo plural "(d)os" + Belain "Valar". Porém, um exemplo tardio indica que Tolkien abandonou este sistema "noldorin" no sindarin. Em WJ: 185, temos Taur-i-Melegyrn para "Floresta das Grandes Árvores". Isto é claramente taur "floresta" + in artigo plural "(d)as" + beleg "grande" + yrn "árvores". (A palavra beleg é listada no Apêndice do Silmarillion, como "forte".) Aqui, n + b visto produzindo m; pelo mesmo sistema, "Foice dos Valar" com certeza seria would Cerch i Melain (e não, como antes, Mbelain). Por analogia, temos que concluir que n + d produz n simples, enquanto n + g aparece como ng (um som unitário como na palavra inglesa sing, algumas vezes escrito ñ por Tolkien, e não este som unitário seguido por um g distinto, como na palavra inglesa finger):
    e aparentemente é usado em conjunção com estas palavras no plural, quando já estabelecemos que a palavra para o plural "os, as" é aqui sendo "esplendor",

    in pl. "os" + dúredhil "elfos escuros" = i núredhil "os elfos escuros"
    in pl. "as" + gelaidh "árvores" = i ngelaidh (isto é, i ñelaidh) "as árvores"
    in pl. "as" + beraid "torres" = i meraid "as torres"

    Teoricamente, temos consoantes longas ou duplas aqui (innúredhil, iññelaidh, immeraid), apesar disso dificilmente ser refletido na pronúncia. Mas no caso das preposições an "a, para" e dan "contra", que desencadeiam mutações parecidas, estaria de acordo com os príncipios gerais de Tolkien indicar isto na ortografia (apesar de carecermos de exemplos exatamente paralelos):

    an + dúredhel "elfo escuro" = an núredhel (ao invés de simplesmente a núr…) "para um elfo escuro"
    an + galadh "árvore" = an ngaladh "para uma árvore" (grafia romana provisória de añ Ñaladh, o equivalente do qual provavelmente aparece em escrita Tengwar)
    an + barad "torre" = am marad "para uma torre"

    É desejável manter a preposição an claramente separada da conjunção aa núredhel, a marad (a primeira podendo ser mal interpretada como "e um elfo profundo"). "e"; pode surgir confusão se simplesmente escrevermos

    Antes de alguns encontros consonantais começando por oclusivas sonoras, tais como dr, gl, gr e gw, parece que nenhuma mutação em particluar ocorre. No Apêndice A do SdA, temos Haudh in Gwanûr para "Monte dos Gêmeos" (e não **Haudh i Ngwanûr); cf. também Bar-in-Gwael "Lar das Gaivotas" (?) em WJ: 418 (e não **Bar-i-Ngwael). Então, combinar an, dan, in com palavras como draug "lobo", glân "fronteira", grond "clava" ou gwêdh "ligação" pode produzir simplesmente dan draug "contra um lobo", dan glân "contra uma fronteira", dan grond "contra uma clava", dan gwêdhin droeg "os lobos", in glain "as fronteiras", in grynd "as clavas", in gwîdh "as ligações"). Compare com Tawar-in-Drúedain para "Floresta dos Drúedain (Woses)" em CI: 500; o dr inicial não é modificado por qualquer mutação nasal visível, mesmo sucedendo o artigo plural in "(d)os". Cf. também a exclamação gurth an glamhoth "morte à horda do alarido (= orcs)" em CI: 32, 458, fornecendo um exemplo atestado de an "a, para" seguido por uma palavra em gl-. É provável, entretanto, que o n final de dan, an e in fosse pronunciado "ng" (ñ) antes de palavras começando com um encontro em g-, e talvez também escrito assim em Tengwar.
              Os encontros bl e br podem se tornar ml e mr quando submetidos à mutação nasal; ex: an "para" + brôg = a mrôg (ou am mrôg) "para um urso", plural definido i mrýg "os ursos". Não temos exemplos, mas os princípios gerais podem sugerir isto.
              Antes de m, a preposição an "a, para" aparece como am; a Carta do Rei possui am Meril para "a Meril [Rosa]". Dan "contra" certamente se tornaria dam na mesma posição (dam Meril "contra Meril"). O artigo plural in aparece como i quando seguida de m; WJ: 418 possui Bar-i-Mýl para "Lar das Gaivotas" (modificado por Tolkien a partir de Bar-in-Mýl com o nGwaith-i-Mírdain "Povo dos Joalheiros", representando claramente …in Mírdain. Antes de palavras em n, veríamos novamente in reduzido para i (cf. i Negyth para in Negyth "os anões", WJ: 338). As preposições an e dan ficariam inalteradas.
              Antes de s, in é mais uma vez reduzido para i, como em Echad i Sedryn "Acampamento dos Fiéis" (CI: 168). As preposições an "a, para" e dan "contra" podem aparecer como as e das antes de s- (ex: as Silevril
              Nenhum exemplo mostra o que a mutação nasal faz ao r- inicial. No sindarin da Terceira Era, pelo menos, n + r produzia dhr (como em Caradhras = caran "vermelho" + ras(s) "chifre"). Então talvez, digamos, "contra um chifre", dan + rass, produziria dadh rass??? Plural definido idh rais "os chifres", para in rais? Mas no sindarin da Primeira Era, ou ao menos no dialeto doriathrin, podemos simplesmente ver dan rass, in raisAranrúth "Ira do Rei", indicando que a mudança nr > dhr ainda não havia ocorrido em seus dias).
              Antes de l, a nasal final do artigo plural in desaparece. Compare com Dantilais como um nome do outono em PM: 135; isto é evidentemente Dant i Lais "Queda das Folhas" (para Dant in Lais) escrito em uma palavra como um pseudo- composto. As preposições an e danal e dal antes de uma palavra em l-.
              O comportamento do L e R mudos, isto é lh e rh, pode apenas ser suposto. An "para" + lhûg "dragão" ou rhavan "homem selvagem" pode produzir al ‘lûg "para um dragão", adh ‘ravan "para um homem selvagem" (ou, com in = plural "os, as", i ‘lýg para il ‘lýg "os dragões", mas idh ‘revain "os homens selvagens"). O indicaria a perda de uma consoante, o s dos encontros originais sl- e sr- que resultaram em lh- e rh-. Veja em Mutação Mista abaixo sobre o exemplo atestado (?) e-’Rach.
              A mutação nasal transforma h em ch, como em Narn i Chîn Húrini Chîn representando in Hîn (compare com hênhîn). Deve ser notado que a forma Narn i Hîn Húrin que ocorre no CI está errada. Em LR: 322, Christopher Tolkien confessa: "Narn i Chîn Húrin…é escrita dessa forma em todas as ocorrências, mas foi impropriamente modificada por mim para Narn i Hîn Húrin (porque eu não queria que Chîn fosse pronunciada como a palavra inglesa chin)." (Cf. MR: 373.) Antes de h > ch, as preposições an e dan simplesmente podem ser escritas a e da (a chên "para uma criança", da chên "contra uma criança" – ach chên e dach chên também seriam uma possibilidade, mas nenhuma palavra em sindarin não modificada começa em ch, de modo que não pode haver confusão com a hên "e uma criança").
              A mutação nasal de hw pode seguir o mesmo padrão (hipotético) de lh e rh; ex: an "para" + hwest "brisa" > a ‘west "para uma brisa".
              Os sons th e f parecem imunes a todos os tipos de mutações. Inthynd "raízes" provavelmente apareceria simplesmente como i thynd; no caso de an "para" e dan "contra" podemos ver ath thond "para uma raiz" e dath thond "contra uma raiz", ou pode-se simplesmente escrever a thond (e arriscar uma confusão com "e uma raiz") e da thond. Da mesma forma, in > i antes de f (cf. i-Fennyr para in-Fennyr em LR: 387 s.v. SPAN). An e dan podem aparecer como af e daf antes de f; neste caso, o f final na verdade seria pronunciado [f] ao invés de [v], apesar das convenções ortográficas normais de Tolkien. Compare seu uso de efed "fora de" antes de palavras em f-; veja a seção sobre a Mutação Mista abaixo.
    "contra uma ligação" (plurais definidos intacto). Cf. também uma expressão como "para uma Silmaril"). (compare com o nome da espada de Thingol, podem aparecer como "Conto dos Filhos de Húrin", "criança", pl. pl. "as" + como uma forma assimilada de

    III. MUTAÇÃO MISTA

    "Mutação mista" não é um termo criado por Tolkien; não sabemos como ela a chamava. No material publicado, não há referência explícita à esta mutação em nenhum lugar; meramente observamos seus efeitos em alguns textos. Algumas vezes ela é parecida com a mutação nasal, e historicamente as duas mutações provavelmente estão envolvidas – assim sendo, esta mutação pode ser chamada "mista" (mas às vezes ela difere tanto da mutação suave como da mutação nasal!)

    Nada menos do que três exemplos de mutação mista são encontrados em uma frase na Carta do Rei: erin dolothen Ethuil, egor ben genediad Drannail erin Gwirith edwen "no oitavo [dia] da Primavera ou, no registro do Condado, no segundo  [dia] de abril". Aqui temos três exemplos de preposições que incorporam o artigo definido na forma oblíqua -(i)n: duas vezes erin "no" (or "em" + in "o" > örin não mutado> erin tardio), mais ben, aqui traduzida "no", mas mais literalmente "de acordo com o" (beveben genediad Drannail "de acordo com o registro do Condado"). Outras preposições que incorporam o artigo na forma -in ou -n, tais como nan "à, ao", uin "de, desde" e possivelmente ‘nin "a/para o", seriam seguidas pelas mesmas mutações (pelo menos no singular – no plural podemos ver a mutação nasal, cf. ‘ni Pheriannath "aos pequenos", para ‘nin [= an in] Periannath). Mas de que tipo de mutações estamos falando?
              Por causa do -n podemos esperar algo parecido com a mutação nasal, mas a frase da Carta do Rei mostra que este não é o caso. Considere as expressões erin dolothen "no oitavo", ben genediad "de acordo com o registro" e erin Gwirith edwen "em abril o segundo" (literalmente "no segundo de abril"). A forma não mutada de dolothentolothen (compare com toloth "oito", LR: 394 s.v. TOL1-OTH/OT). Ainda assim não vemos qualquer mutação nasal (**eri[n] tholothen) mas, ao invés disso, uma mudança de t > d que é similar à mutação suave. Mas a mutação suave também lenizaria g a zero. Mesmo assim, genediad "registro" e Gwirith "abril" não são afetadas quando precedidas por ben e erin. (Sabemos que as formas não mutadas também apresentariam g-; para genediad, compare com o verbo gonod- "registrar, contar, computar" em LR: 378 s.v. NOT, enquanto que o nome do mês Gwirith é mencionado no Apêndice D do SdA.) Não vemos **erin ‘enediad e **erin ‘Wirith aqui com a mutação suave regular.
              O artigo genitivo singular e, en "do, da" desencadeia mutações parecidas. Considere alguns dos nomes dos vários contos listados em MR: 373. Em Narn e·Dinúviel, "Conto do Rouxinol", vemos a mesma "mutação suave" t > d como em erin dolothen para erin tolothen (a forma não mutada de Dinúviel é, claro, o epíteto bem conhecido de Lúthien, Tinúviel). Mas novamente vemos que a mutação suave não afeta oclusivas sonoras como b, d e g (cf. Gwirith, genediad permanecendo inalterados): MR: 373 também lista Narn e·Dant Gondolin, "Conto da Queda de Gondolin", onde dant "queda" não passa por mutação (sabemos que a forma não mutada também é dant; compare com Dantilais para *"Queda das Folhas = outono" em PM: 135; o radical é DAT, DANT "cair", LR: 354). Não vemos **e·Dhant com mutação suave.
              A origem destas mutações "contraditórias" evidentemente tem a ver com as mutações suave e nasal operando em diferentes estágios na evolução do sindarin. Não precisamos entrar em complicações fonológicas aqui, mas simplesmente apresentar seus efeitos até onde eles podem ser reconstruídos – pois em grande parte, temos que contar com a reconstrução.
    "de acordo com" sendo claramente o cognato da palavra em quenya "como"; assim, "oitavo" é claramente

    Os efeitos melhor atestados da mutação mista podem ser deduzidos a partir dos exemplos dados acima. As oclusivas mudas p, t e c são sonorizadas para b, d e g (pân "tábua", caw "topo", tâl "pé" > e-bân "da tábua", e-gaw "do topo", e-dâl "do pé", e da mesma forma erin bân, erin gaw e erin dâl para "na/no tábua/topo/pé"). As oclusivas sonorasb, d e gbenn "homem", daw "escuridão", gass "buraco" > e-benn "do homem", e-daw "da escuridão", e-gass "do buraco", e da mesma forma, erin benn "no homem" etc.) Dificilmente é necessário motrar que há espaço para alguma confusão aqui, uma vez que a distinção fonética entre oclusivas sonoras e mudas é neutralizada nesta posição. Apenas o contexto pode nos dizer se, digamos, e-gost significa "da disputa [cost]" ou "do terror [gost]". permanecem inalteradas (

    Antes de um encontro inicial tr-, provavelmente veríamos a forma completa do artigo genitivo (en), e o próprio encontro tr mutaria para dr; ex: trenarn "conto" > en-drenarn "do conto". O dr original, como em draug "lobo", se comportaria do mesmo modo, mas aqui, é claro, não há mutação visível (en-draug "do lobo"). Os encontro pr e br podem ambos surgir como mr, e o artigo assume a forma curta e-: prestannethe-mrestanneth "da afeição", brôg "urso" > e-mrôg "do urso". O encontro bl pode da mesma forma se tornar ml-, como em blabede-mlabed "do bater de asas". Aqui a mutação mista é similar à mutação nasal. Os encontros cl- e cr- se comportariam mais como tr-, sendo sonorizados (para gl-, gr-), mas veríamos apenas a forma curta do artigo diante deles: claur "esplendor" > e-glaur "do esplendor", crist "cutelo" (espada) > e-grist "do cutelo". Por outro lado, a forma longa en- é usada antes de gl-, gr- e gw-, e estes encontros não passam por mudança: gloss "neve" > en-gloss "da neve" (compare com Methed-en-glad "Fim da Floresta" em CI:168), grond "clava" > en-grondgwath "sombra" > en-gwath "da sombra". "afeição" > "bater de asas" > "da clava",

    Antes de palavras em f-, o exemplo Taur-en-Faroth parece indicar que o artigo aparece em sua forma completa en- (para este exemplo, veja o Apêndice do Silmarillion, entrada farothTaur-en-Faroth não parece significar, porém, precisamente "Colinas dos Caçadores"). É muito incerto o modo como as palavras em h-, l-, m- e th- se comportariam; possivelmente o artigo genitivo assumiria a forma curta e-, e a consoante inicial não passaria por mudança: e-hên "da criança", e-lam "da língua", e-mellon "do amigo", e-thond "da raiz". Talvez também teríamos e- curto antes de palavras em s-, mas esta consoan- te provavelmente se tornaria h-: salph "sopa" > e-halph "da sopa". Antes de n- temos en- longo; compare com um nome como Haudh-en-Nirnaeth "Colina das Lágrimas", ocorrendo no Silmarillion. Antes de r- o artigo genitivo pode assumir a forma edh- por causa da desassimilação nr > dhr; ex: edh-rem "da rede", mas en-rem também pode ser admissível, pelo menos no sindarin doriathrin.

    Isto deixa apenas três sons iniciais a serem considerados: todos descendem de encontros s-, ou seja, lh, rh e hw a partir dos primitivos sl-, sr- e sw-. Que efeito a mutação mista tem sobre L, R e W mudos? Temos uma confirmação possível de tal mutação: a expressão Narn e·’Rach Morgoth "Conto da Maldição de Morgoth" no MR: 373. Este exemplo indica que ‘rach é no que a palavra "maldição" se transforma quando sujeita à mutação mista. Infelizmente, esta palavra não é atestada de outra forma, de modo que não temos certeza de como a forma não mutada seria. Tem sido geralmente assumido que esta é uma forma lenizada de *grach. Mas assim sendo, exemplos análogos sugerem que "da maldição" seria *en-grach. Pode ser, então, que a forma não mutada seja na verdade *rhach, da primitiva *srakk-, o de e·’rach indicando a perda deste ss, embora não mais presente como um som distinto, tornou mudo o rrh). Se isto está correto, podemos supor que a mutação mista teria um efeito similar sobre lh e hw; ex: lhûg "dragão" > e-’lûg "do dragão", hwest "brisa" > e-’west "da brisa". (e/ou a perda de seus efeito sobre a forma não mutada, na qual o seguinte:

    As preposições que incorporam o artigo como -n ou -in desencadeariam mutações parecidas com aquelas recém descritas para o artigo genitivo en-, mas aparentemente não há variação entre formas onde o n está incluso e formas "curtas" onde ele é omitido, tornando paralela a variação en/e: um n representando o artigo está sempre presente. (Compare erin dolothen e e·Dant; não vemos **eri·dolothen paralelamente a e·Dant ou **en Dant paralelamente a erin dolothen.)

    IV. MUTAÇÃO OCLUSIVA

    O termo "mutação oclusiva" não ocorrem nos escritos publicados de Tolkien sobre o sindarin, mas uma referência a esta mutação (pelo seu nome) ocorre em uma das primeiras entradas do "Gnomish Lexicon" de 1917 (veja Parma Eldalamberon #11). Em material tardio, há uma breve referência ao que também poderia ser chamado de mutação oclusiva. Em WJ: 366, lemos: "como as mutações que sucedem as preposições o ['de, a partir de'] mostram, inicialmente ela devia terminar em -t ou -d." Infelizmente, o Professor não nos disse mais nada sobre estas mutações. Nossos poucos exemplos de o ocorrendo em textos parecem indicar que nada acontece a um m ou a um g sucedendo esta preposição (o menelo galadhremmin ennorath "das terras de árvores entrelaçadas da Terra-média" no hino à Elbereth, + o Minas Tirith "de Minas Tirith" na Carta do Rei), e o o também possui esta forma antes de vogais (o Imladris "desde/de Valfenda" em RGEO: 70, em escrita Tengwar; cf. também Celebrimbor o Eregion "Celebrimbor de Azevim" na inscrição do Portão de Moria). Tolkien posteriormente observou a respeito do desenvolvimento da preposição primitiva et "fora, fora de" em sindarin: "[ela] mantém sua consoante na forma ed antes de vogais, mas a perde antes de consoantes, embora es, ef e eth sejam frequentemente encontradas antes de s, f e th". Usaremos ed para ilustrar as mutações causadas pela oclusiva final, tão bem quanto elas podem ser reconstruídas. Devido à falta de exemplos, muito do que se segue deve permanecer como dedução hipotética. "do céu" e

    Antes de uma vogal, Tolkien nos informa que vemos a forma básica eded Annûn "[fora] do oeste"). Mas antes de consoantes, ed aparece como e, mas a consoante seguinte freqüentemente mudaria. Se podemos confiar na nossa compreensão da evolução fonológica do sindarin, as oclusivas mudas t-, p- e c- se transformariam nas fricativas th-, ph- e ch- (os encontros tr-, pr-, cl- e cr- da mesma forma se tornam thr-, phr-, chl- e chr-): (ex:

    pân "tábua" > e phân "fora de uma tábua"
    caw "topo" > e chaw "fora de um topo"
    taur "floresta" > e thaur "fora de uma floresta"
    claur "esplendor" > e chlaur "fora de um esplendor"
    criss "fenda" > e chriss "fora de uma fenda"
    prestanneth "afeição" > e phrestanneth "fora de uma afeição"
    trenarn "conto" > e threnarn "fora de um conto"

    Por outro lado, as oclusivas sonoras b-, d- e g- (que ocorrem sozinhas ou em encontros bl-, br-, dr-, gl-, gr- e gw-) não passariam por mudança: compare com o galadhremmin ennorath "das terras de árvores entrelaçadas da Terra-média" no hino à Elbereth; a palavra galadh "árvore" está inalterada.

    barad "torre" > e barad "fora de uma torre"
    daw "obscuridade" > e daw "fora da obscuridade"
    gass "buraco" > e gass "fora de um buraco"
    bronwe "resistência" > e bronwe "fora de resistência"
    blabed "bater de asas" > e blabed "fora do bater de asas"
    dring "martelo" > e dring "fora de um martelo"
    gloss "neve" > e gloss "fora da neve"
    groth "caverna" > e groth "fora de uma caverna"
    gwath "sombra" > e gwath "fora da sombra"

    O sistema aqui esboçado se refere ao b, d e g normais; note que, onde estes sons vêm dos primitivos mb, nd e ñg, eles se comportam de maneira diferente. Veja "O desenvolvimento das oclusivas nasalizadas" abaixo.

    Palavras em m- e n- também não mudariam:

    môr "escuridão" > e môr "fora da escuridão"
    nath "teia" > e nath "fora da teia"

    Mas h- e hw- podem se tornar ch- e w-, respectivamente:

    haust "cama" > e chaust "fora de uma cama"
    hwest "brisa" > e west "fora de uma brisa"

    Quanto à forma de ed antes de s-, f- e th-, nos é dito que "es, ef e eth são freqüentemente encontrados" (WJ: 367) antes destas consoantes:

    sarch "túmulo" > es sarch "fora de um túmulo"
    falch "ravina" > ef falch "fora de uma ravina"
    thôl "elmo" > eth thôl "fora de um elmo"

    Entretanto, a expressão de Tolkien, "freqüentemente encontrados" ao invés de "sempre encontrados" indica que e sarch, e falch e e thôl seriam igualmente admissíveis. A preposição ned *"em", que provavelmente se comporta como ed "fora de", provavelmente não deve ser nef (mas sim ne) antes de uma palavra em f-, uma vez que a grafia nef causaria confusão com a preposição distinta nef "neste lado de". (Não haveria confusão se não fosse pela idéia de Tolkien de que o [v] final deve ser escrito f na sua ortografia romana para o sindarin; nef "neste lado de" é pronunciado [nev], mas nef como uma forma de ned seria pronunciado [nef]. Ef e nef como formas de ed e ned deveriam, estritamente falando, ser escritos como eph, neph de acordo com o sistema ortográfico de Tolkien, visto que são pronunciados [ef] e [nef] – mas em WJ: 367, o próprio Tolkien usa a grafia "ef"!)

    Os líquidos mudos lh e rh podem se comportar como se tivéssemos assumido o que eles fazem sob influência de mutação suave: transformam-se em thl- e thr-. (Deve-se enfatizar que isto é especulação e, na melhor das hipóteses, um palpite qualificado, que serva para muitos dos possíveis efeitos da mutação oclusiva apresentados aqui. De todas as formas não atestadas, apenas o comportamento das oclusivas mudas é relativamente certo.)

    lhewig "orelha" > e thlewig "fora de um orelha"
    Rhûn "leste" > e Thrûn "fora do leste"

    Quanto aos sonoros l e r normais, os princípios da fonologia sindarin (até onde podem ser reconstruídos) podem sugerir que "fora de" apareceria aqui em sua forma completa, ed, a despeito da declaração de Tolkien em WJ: 367 de que a oclusiva final se perde antes de consoantes:

    lach "chama" > ed lach (e lach?) "fora de uma chama"
    rond "caverna" > ed rond (e rond?) "fora de uma caverna"

    Isto felizmente abrange as mutações causadas por ed "fora de"; nedo "de, desde, a partir de" causa as mesmas mutações, mas aqui a própria preposição não muda sua forma (sem variação correspondente a ed/e). Tolkien observou, porém, que o ocasionalmente aparece na forma od antes de vogais (WJ: 367). Como mencionado acima, o proprio Tolkien usou o Eregion "de Azevim" na inscrição do Portão de Moria e o Imladris para "desde/de Valfenda" em RGEO: 70 (em escrita Tengwar). Od Eregion e od Imladrisod era mais comum antes de o- do que antes de outras vogais, de modo que (digamos) "de um orc" talvez devesse ser traduzido od orch ao invés de o orch para evitar duas vogais idênticas em hiato.
    *"em" se comportaria da mesma forma. A preposição aparentemente teriam sido possíveis, mas não necessariamente. Contudo, Tolkien observou que

    V. MUTAÇÃO LÍQUIDA

    Esta mutação representa um ato de fé. Ela não é mencionada, insinuada ou diretamente exemplificada em qualquer lugar no material publicado; ainda assim, nossa compreensão geral da fonologia sindarin parece exigí-la. Se Tolkien aderiu às suas próprias regras (ele o fez algumas vezes), tem que haver uma mutação líquida.

    Sabemos que, sucedendo  l e r líquidas, o sindarin em certo ponto mudou as oclusivas para fricativas (CI: 299, nota de rodapé); compare a palavra telerin alpa "cisne" com a sindarin alph, ou a palavra em quenya urco "orc" com a em sindarin orch. Isto não acontece apenas em palavras unitárias. O prefixo or- "sobre", claramente separável, causa uma mudança parecida no verbo ortheri "dominar, conquistar", literalmente *"sobrepujar" (LR: 395, onde o radical é dado como TUR "poder, controle"). Há pouca razão para duvidar de que or, também quando aparece como uma preposição independente "sobre, acima, em", desencadearia mudanças parecidas na palavra seguinte: oclusivas se tornam fricativas.

    pân "tábua" > or phân "acima de uma tábua"
    caw "topo" > or chaw "acima do um topo"
    tâl "pé" > or thâl "acima de um pé"
    benn "homem" > or venn "acima de um homem"
    doron "carvalho" > or dhoron "acima de um carvalho"

    G originalmente se transformou em um gh fricativo, mas este som desapareceu posteriormente (indicado por onde ele ocorreu anteriormente):

    galadh "árvore" > or ‘aladh "acima de uma árvore" (da arcaica or ghaladh)

    Não importa se a oclusiva inicial ocorre sozinha ou como parte de um encontro; ela ainda se transformaria em uma fricativa sob a influência da mutação líquida (tr- > thr-, pr- > phr, cl- > chl-, cr- > chr-, dr- > dhr-, bl- > vl-, br- > vr-, gl- > ‘l, gr- > ‘r, gw- > ‘w).

    M, como b, provavelmente se transformaria em v quando sujeita à mutação líquida. Esta mudança é vista em palavra unitárias; cf. a primitiva *gormê (quenya ormë) "pressa" dando origem à palavra sindarin gorf (LR: 359 s.v. GOR; gorf é, claro, apenas o modo de Tolkien escrever gorv, visto que o [v] final é representado pela letra f). Assim:

    mîr "jóia" > or vîr "acima de uma jóia" (arcaica or mhîr, onde mh = v nasalizado)

    H- e hw- provavelmente são fortalecidos para ch- e chw-, sob a influência da mutação líquida:

    habad "costa" > or chabad "acima de uma costa"
    hwand "fungo" > or chwand "acima de um fungo"

    Para a mudança h > ch, compare com uma palavra como hall "alto" se tornando -chal quando or- é prefixada para produzir uma palavra para "superior, altivo, eminente" – orchal literalmente significa mais-alto, extra-alto. ("Orchel" em LR: 363 s.v. KHAL2 é um erro; compare com WJ: 305.)

    As líquidas lh e rh mudas podem se tornar ‘l e ‘r, como supomos ser o caso ma mutação nasal e mista:

    lhûg "dragão" > or ‘lûg "acima de um dragão"
    Rhûn "leste" > or ‘Rûn "acima do leste"

    As líquidas r e l sonoras não seriam afetadas pela mutação líquida:

    rem "rede" > or rem "acima de uma rede"
    lam "língua" > or lam "acima de uma língua"

    As fricativas f e th mudas, o n nasal e o s sibilante também não seriam afetados:

    fend "soleira" > or fend "acima de uma soleira"
    thond "raiz" > or thond "acima de uma raiz"
    nath "teia" > or nath "acima de uma teia"
    sirith "correnteza" > or sirith "acima de uma correnteza"


    CASOS ESPECIAIS: o desenvolvimento das oclusivas nasalizadas

    Existe uma subcategoria de palavras em b-, d- e g- que precisa ser observada, e que deve ser memorizada separadamente. Nas palavras em questão, b-, d- e g- não vêm de b-, d- e g- no idioma primitivo. Ao invés disso, elas originalmente eram as oclusivas nasalizadas mb-, nd- e ñg- (ñng como na palavra inglesa sing, e ñg sendo, portanto, pronunciado como "ng" na palavra inglesa finger, com um distinto g audível). Em sindarin, você não pode dizer facilmente se a consoante inicial em uma palavra como golodh "noldo" é um g "normal", isto é, um que sempre foi g, ou se ela representa o ñg- mais primitivo. Mas é importante saber isto pois, quando as mutações são esperadas, uma palavra que orginalmente começava em uma oclusiva nasalizada se comporta bem diferente de uma palavra que sempre possuiu uma oclusiva simples. Por exemplo, se a primeira consoante de golodh tivesse sido um g "normal", prefixar o artigo i teria produzido i ‘olodh para "o noldo" – ggaladh "árvore" > i ‘aladh "a árvore" (LR: 298). Mas o g de galadhg simples no idioma primitivo (onde a palavra aparecia como galadâ). O g de golodh, por outro lado, originalmente era ñg; a palavra descende da primitiva ñgolodô. Quando prefixamos o artigo e, por conseguinte, a mutação suave, a forma resultante na verdade não é i ‘olodh, mas sim i ngolodh. representando o som de sendo lenizado a zero por causa da mutação suave desencadeada pelo artigo. Cf. um exemplo citado acima, na seção sobre a mutação suave: também era um

    Já no idioma "gnômico" mais primitivo de Tolkien (por volta de 1917), encontramos a idéia de que as oclusivas nasalizadas originais se comportavam de um modo especial em posição de mutação. Na Gramática Gnômica de 1917 (publicada junto com o Léxico Gnômico no Parma Eldalamberon #11), o princípio descrito é o de que as oclusivas nasalizadas originais eram preservadas quando o artigo é prefixado. Assim temos, por exemplo, balrog "demônio, balrog" > i mbalrog "o demônio", dôr "terra" > i ndôr "a terra", golda "gnomo, noldo" > i ngolda "o gnomo". Este sistema ainda é válido no sindarin? Em WJ: 383, em um ensaio datando de cerca de 1960, Tolkien indicou que a palavra sindarin para noldo era "golodhngolodh)". Desse modo, a palavra golodh às vezes aparece como ngolodh. No ensaio em questão, Tolkien não deixa claro onde a forma ngolodhgolodh/ngolodh parecia corresponder à palavra gnômica golda/ngolda. Versões anteriores deste artigo apresentaram, entretanto, a visão de que a mutação suave de b, d e g, onde estes sons eram nasalizados no idioma primitivo, é mb, nd, e ng – as oclusivas nasalizadas sendo restauradas, ou de preferência preservadas, nesta posi-
    ção.
    ( seria usada, mas a variação

    Contudo, um olhar mais atento à fonologia sindarin parece indicar que foi precipitado concluir que o sistema "gnômico" ainda era válido em élfico-cinzento tardio (e demonstra que o material mais primitivo de Tolkien deve ser tratado com considerável ceticismo se se quiser aprender o élfico do estilo do SdA, apesar de certas declarações feitas pelos editores de que a publicação da Gramática e do Léxico Gnômico jogaria mais luz sobre o sindarin). A mutação suave corresponde a como certas consoantes ou grupos consonantais se desenvolvem entre vogais. Ela é desencadeada, entre outras coisas, pelo prefixo de negação ú-. Então, se o prefixarmos a um verbo como bartha- "condenar", derivado do radical MBARAT, o que conseguimos? A palavra relacionada úmarth "desgraça", onde o mesmo prefixo ocorre (embora com uma nuança de significado diferente), aponta claramente para *ú-martha para "não condenar". A mutação suave de b, onde ele representa o mb primitivo, é desse modo m. A mutação suave de d derivada do nd primitivo seria então n. Isto corresponde amplamente ao desenvolvimento de mb e nd medialmente, onde eles se tornam m(m) e n(n) – ex: amar "terra" como o cognato da palavra em quenya ambar, ou annon "portão" correspondendo à palavra em quenya andon. O que dizer, então, da forma atestada ngolodh – aparentemente a mutação suave de golodh? O encontro original inicial da palavra primitiva ngolodô não é preservado aqui, assim como em gnômico? Provavelmente não; estamos simplesmente sendo confundidos por uma infeliz deficiência do alfabeto inglês, a ausência de uma única letra para o som que freqüentemente se escreve ng, como em sing, thing. Como já mencionado, Tolkien às vezes indicou este som como ñ. Este simples som unitário deve ser distinguido de ñ + g, que é o que a grafia ng indica em finger. Parece que na palavra sindarin ngolodh, o ng inicial deve ser pronunciado como em sing, isto é, ñ simples sem g audível – enquanto que na palavra gnômica ngolda, a grafia ng indica um encontro real, pronunciado como na palavra inglesa finger. Assim, os produtos da mutação de g a partir do ñg primitivo não são os mesmos em sindarin e gnômico no final das contas, e o tratamento de b e d a partir de mb e nd também difere.

    bâr "terra, casa" (radical MBAR) > i mâr "a terra, a casa" (e não i mbâr como indicado em versões anteriores deste artigo)
    dôl "cabeça" (primitiva ndolo) > i nôl "a cabeça" (e não i ndôl)
    golodh "noldo" (primitiva ngolodô) > i ngolodh "o noldo" (isto é, i ñolodh, e não i Ñgolodh com um encontro consonantal real)

    Encontros reais, ou oclusivas nasalizadas, surgem quando a mutação nasalbâr "terra, casa", bair, ocorre na Carta do Rei (SD: 129), combinado com o artigo plural in, e esta combinação produz i Mbair "as terras". Assim, quando in = plural "os, as" ocorre ante de b ou dmb e nd, o n final da partícula é retirado, mas a oclusiva nasalizada original reaparece. No caso de outras partículas desencadeando a mutação nasal, ou seja, an "para" e dan "contra", pode ser conveniente deixar a nasal final partícula permanecer na grafia; por exemplo, "para uma terra" (an + bâr) pode ser representado como am mbâr (an se tornando am antes de m-), e da mesma forma dam mbâr "contra uma terra" (dan + bâr). De maneira similar an ndôl "para uma cabeça" e dan ndôl "contra uma cabeça" (an/dan + dôl).
              Quanto à mutação nasal de g a partir de ng, este seria no mesmo princípio ng; logo, se você quer dizer "para um noldo" (an + golodh), esperaríamos an ngolodh (na verdade, añ ñgolodh, com ñg como ng na palavra inglesa finger, com um g audível). Esta grafia, entretanto, criaria um problema. A forma nasal mutada do g normal (derivada do g primitivo, e não do ng) também é escrita ng (ex: an + galadh = an ngaladh [isto é, añ ñaladh] "para uma árvoree"). Manter a distinção entre ñ e ñg não é problema na escrita Tengwar, mas ao usar nosso alfabeto para escrever sindarin, temos que usar soluções especiais. O plural gelydh, quando combinado com o artigo in, pode ter produzido i ngelydh (isto é, i(ñ) ñgelydh – a grafia correspondente seria usada na escrita Tengwar). Mas, presumidamente, para deixar isto claro, que a pronúncia pretendida é de fato i ñgelydh e não i ñelydh, Tolkien usou, ao invés disso, a grafia in gelydh (cf. os nomes de lugares como Annon-in-Gelydh "Portão dos Noldor" mencionado no Silmarillion). Deste modo – ao se manter o n e o gñg ao invés de ñ – a distinção pode ser mantida. Assim, "para um noldo" ou "contra um noldo" também seria simplesmente an golodh, dan Golodh (como se não houvesse qualquer mutação – mas se deve notar que as grafias próprias ou ideais seriam a(ñ) ñgolodh e da(ñ) ñgolodh, e que a grafia correspondente seria usada na escrita Tengwar). Quando in, dan ou ang-, lembre-se que o n final é pronunciado ngsing.
    é pretendida. O plural de representando claramente separados quando a pronúncia pretendida é preceder uma palavra em como em

    NOTA: é interessante notar as diferentes mutações afetando o plural coletivo gaurhoth = "lobisomens" ou "horda de lobisomens". Gaur "lobisomem" vem de um radical ng (ÑGAW "uivo", LR: 377). No caso de um plural coletivo como gaurhoth, é opcional usar o artigo singular i ou o artigo plural in. Em uma das magias de fogo de Gandalf, naur dan i ngaurhoth! *"fogo contra os lobisomens!", o artigo singular i é usado, causando mutação suave: i ngaurhoth = i ñaurhoth. Mas no Silmarillion, encontramos o nome de lugar Tol-in-Gaurhoth "Ilha dos Lobisomens", onde o artigo plural in é usado na frente do mesmo plural coletivo. A grafia romana in-Gaurhoth aqui representa i Ñgaurhoth com a mutação nasal desencadeada pela nasal final de in, exatamente paralela a in-gelydh = i ñgelydh "os noldor".

    Quanto à mutação mista de b, d e g a partir de mb, nd e ng, o exemplo Narn e·mbar Hador *"Conto da casa de Hador" indica que ela é similar à mutação nasal, mbar "casa" exemplificando a mutação mista de bar (bâr) "casa, lar, terra" (radical MBAR "habitar, morar", embora esta palavra não seja listada no Etim, LR: 372). Assim, b, d e g novamente "revertem" para mb, nd, ng originais e, da mesma forma que temos e-mbar para "da casa", veríamos, por exemplo, e-ndôl "da cabeça", en-golodh "do noldo" (grafia romana provisória de e-ñgolodh). Mas grafias como en-ndôlHaudh-en-Ndengin "Colina dos Mortos" de ocorre no Silmarillion.
              Quando o artigo aparece como -n ou -in diretamente sufixado a uma preposição, como em nan "para o/a, à, ao" (na "para" + -n "o, a"), este -n final não parece ser assimilado de qualquer modo (ao menos isto não é refletido mesmo na escrita Tengwar):
    também podem ser admissíveis; compare com um nome como

    nan "para a" + bâr "casa" = nan mbâr "para a casa"
    nan "para a" + dôl "cabeça" = nan ndôl "para a cabeça"
    nan "para o" + golodh "noldo" = nan golodh (grafia romana provisória e não completamente satisfatória para nan ñgolodh) "para o noldo"

    A mutação oclusiva sucedendo preposições como o "desde/de", ed "fora de" e ned "em" produziria formas parecidas com a mutação mista acima. As preposições ed e ned apareceriam nas formas curtas e e ne (mas e ñg- e ne ñg- infelizmente têm que ser representadas como en g- e nen g- na grafia romana; morfologicamente falando, a nasal não tem o que fazer onde ortograficamente nos força a colocá-la):

    bâr "casa" > e mbâr "fora de uma casa"
    dôr "terra" > e ndôr "fora de uma terra"
    gorth "horror" > en gorth "fora de um horror" (grafia romana provisória para o que apropriadamente é e ñgorth – não confundir com en-gorth "de horror")

    A mutação líquida causada provavelmente pela preposição or "sobre, acima, em" não teria efeito aparente sobre b-, d- e g- que descendem das oclusivas nasalizadas primitivas (enquanto que b-, d- e g- "normais" se transformam em v-, dh-, - fricativos):

    bâr "casa" > or bâr "acima de uma casa"
    dôr "terra" > or dôr "acima de uma terra"
    golodh "noldor" > or golodh "acima de um noldo"

    As palavras envolvidas: as palavras com b, d e g iniciais representando oclusivas nasalizadas primitivas devem ser memorizadas, e tentaremos listar a maioria delas. Como um exemplo de uma mutação real, usamos a lenição (mutação suave); as outras mutações estão descritas acima. Onde a palavra em questão é um verbo e não um substantivo, listo a forma que ela teria após a partícula i quando usada como um pronome relativo ("quem, qual") e não como o artigo "o, a"; uma vez que este é meramente um uso secundário do artigo definido (também encontrado em alemão), as mutações que o seguem são as mesmas. Logo, a partir de bartho "condenar" temos, por exemplo, i martha "que condena" ou "aquele que condena" (verbos com infinitivos em -o formando seu tempo presente em -a; veja a seção sobre verbos abaixo). No plural, o artigo plural in é usado como um pronome relativo, desencadeando a mutação nasal (assim, "mortos que vivem" é gyrth i chuinar = …in cuinar), de modo que "que condenam" ou "aqueles que condenam" deve ser i mbarthar.

    1: mutação de B a partir de MB primitivo

    As palavras de "comércio" deriavadas a partir do radical primitivo MBAKH:

    bachor "comerciante" > i machor "o comerciante"
    bach "artigo (para troca)" > i mach "o artigo"

    O par "condenação" a partir de MBARAT:

    barad "condenado" > i marad "o condenado" (compare com a palavra homófona barad "torre" > i varad "a torre")
    bartho "condenar" > i martha "aquele que condena"

    O par "pão" a partir de MBAS:

    bast "pão" > i mast "o pão"
    basgorn "fatia" > i masgorn "a fatia"

    O grupo "cárcere" a partir de MBAD e MBAW:

    band "cárcere, prisão" > i mand "a prisão"
    baug "tirano (adj.), cruel, opressivo" > i maug "o tirano (adj.)"
    bauglo "oprimir" > i maugla "aquele que oprime"
    bauglir "tirano (subst.), opressor" > i mauglir "o tirano (subst.)"
    baur "necessidade" > i maur "a necessidade"

    O grupo "festivo" a partir de MBER:

    bereth "festa, festival, banquete" > i mereth "a festa" (mas mereth > i vereth pode ser mais comum, cf. Mereth Aderthad, e não *Bereth Aderthad, para "Festa da Reunão" no Silmarillion)
    beren "festivo, alegre, contente" > i meren "o festivo"
    (compare com a palavra homófona beren "destemido" > i veren "o destemido" – mas uma vez que Tolkien evidentemente ficou com mereth ao invés de bereth como a palavra para "festa", provavelmente  devemos ler meren ao inves de beren como a palavra para "festivo")

    E vários:

    bâr "lar, terra" > i mâr "o lar" (radical MBAR, mas esta palavra não é apresentada no Etim)
    both "poça" > i moth "a poça" (MBOTH)
    bund "focinho, nariz, cabo" > i mund "o focinho" (MBUD)

    2: mutação de D a partir de ND primitivo

    O grupo "assassino" a partir de NDAK:

    daen "cadáver" > i naen "o cadáver"
    dangen "morto" > i nangen "o morto"
    dagor (de dagr mais antiga) "batalha" > i nagor (i nagr) "a batalha"
    daug "guerreiro (órquico)" > i naug "o guerreiro"

    O grupo "martelo" a partir de NDAM:

    dam "martelo" > i nam "o martelo"
    damma- "martelar" como verbo ("damna" em LR: 375 deve ser um erro) > i namma "aquele que martela"

    O par "cabeça" a partir de NDOL:

    dôl "cabeça" > i nôl "a cabeça"
    dolt "protuberância" > i nolt "protuberância"

    (Estas podem ser um tanto incertas; David Salo argumenta que dôl se comporta como uma palavra normal em D; assim *i dhol. Compare com o nome da montanha Fanuidhol.)

    E vários:

    dûn "oeste" > i nûn "o oeste" (NDÛ)
    dân "elfo nandorin" > i nân "o elfo nandorin" (NDAN)
    dangweth "resposta" > i nangweth "a resposta" (visto que a forma primitiva da palavra é dada como ndangwetha em PM: 395; evidentemente o primeiro elemento deve ser igualado com o radical NDAN)
    daer "noivo" > i naer "o noivo" (NDER; a forma "noldorin" doer deve ser corrigida para daer em sindarin.)
    dess "mulher jovem" > i ness "a mulher jovem" (NDIS)
    dôr "terra" > i nôr "a terra" (NDOR)
    dortho "ficar" > i northa "aquele que fica" (NDOR)
    doll "escuro" > i noll "o escuro" (NDUL)

    3: mutação de G a partir de ÑG primitivo

    O par "harpista" a partir de ÑGAN:

    gannel "harpa" > i ngannel "a harpa"
    ganno "tocar uma harpa" > i nganna "aquele que toca uma harpa"

    O grupo "lobo" a partir de ÑGAR(A)M e ÑGAW:

    garaf "lobo" > i ngaraf "o lobo"
    gaur "lobisomem" > i ngaur "o lobisomem" (cf. i ngaurhoth
    gawad "uivo" > i ngawad "o uivo"
    em uma das magias de fogo de Gandalf).

    O grupo "sábio" a partir de ÑGOL:

    golu "tradição" > i ngolu "a tradição" (a palavra "noldorin" golw deve se tornar golu em sindarin)
    golwen "sábio" > i ngolwen "o sábio"
    goll "sábio" > i ngoll "o sábio"
    gollor "mago" > i ngollor "o mago"
    golodh "noldo" > i ngolodh "o noldo"
    gûl "mágica" > i ngûl "a mágica"
    golovir "silmaril, jóia-noldo" > i ngolovir "a silmaril"

    e finalmente as palavras para "morte" e "horror":

    gûr "morte" > i ngûr "a morte" (também guruth, i nguruth) (ÑGUR)
    goroth "horror" > i ngoroth "o horror" (ÑGOROTH)


    SUMÁRIO

    Listaremos todas as mutações atestadas e supostas em forma de tabela. Na primeira coluna, listaremos todas as consoantes iniciais e grupos consonantais do sindarin alfabeticamente, em sua forma "Básica" = não mutada. A mutação suave é exemplificada pelo artigo i = "o, a" singular. Para tornar as coisas mais complicadas do que o necessário, há duas colunas para a mutação nasal. As mutações como tais são exatamente as mesmas, mas na primeira coluna ("Nasal I") os exemplos dados envolvem o artigo plural in, que é reduzido para i na maioria dos casos. Contudo, no caso das preposições an "a, para" e dan "contra" em muitos casos é preferível (e em harmonia com o exemplo atestado am Meril "à Meril/Rosa") usar variantes assimiladas das preposições ao invés de simplesmente reduzí-las à a e da na grafia, embora isto aconteça em alguns contextos (cf. a Pherhael "a Perhael/Samwise" na mesma fonte que fornece am Meril). A coluna "Nasal II" sugere várias formas de an. A mutação mista é exemplificada pelo artigo genitivo en- "do, da", a mutação oclusiva pela preposição ed "fora de", e a mutação líquida pela preposição or "acima, em". (Antes de uma palavra começando por uma vogal, que não pode ser modificada de qualquer modo, todas estas partículas apareceriam em suas formas completas, como recém citado: i ael "a lagoa", in aelin "as lagoas", an ael "para uma lagoa", en-ael "da lagoa", ed ael "fora de uma lagoa", or ael "acima de uma lagoa".)


    Básica Suave Nasal I Nasal II Mista Oclusiva Líquida
    b…  i v… i m…  am m…  e-b… e b… or v…
    bl…  i vl…  i ml…  a ml… e-ml…  e bl…  or vl… 
    br… i vr…  i mr…  a mr… e-mr…  e br…  or vr… 
    c…  i g….  i ch…  a ch… e-g…  e ch… or ch…
    cl…  i gl… i chl…  a chl… e-gl…  e chl… or chl…
    cr…  i gr…  i chr… a chr… e-gr…  e chr… or chr…
    d…  i dh….  i n…  an n… e-d…  e d… or dh…
    dr…  i dhr… in dr…  an dr… en-dr…  e dr… or dhr…
    f…  i f…  i f… af f… en-f…  ef f… or f…
    g…  i ‘….  i ng…  an ng… e-g…  e g… or ‘…
    gl…  i ‘l… in gl…  an gl… en-gl…  e gl… or ‘l…
    gr…  i ‘r…  in gr… an gr… en-gr…  e gr… or ‘r…
    gw…  i ‘w….  in gw…  an gw… en-gw…  e gw… or ‘w…
    h…  i ch… i ch… a ch… e-h…  e ch… or ch…
    hw…  i chw…  i ‘w… a ‘w… e-’w…  e w… or chw…
    l…  i l….  i l…  al l… e-l…  ed l… or l…
    lh…  i thl… i ‘l… al ‘l… e-’l…  e thl… or ‘l…
    m…  i v…  i m… am m… e-m…  e m… or v…
    n…  i n….  i n…  an n… en-n… e n… or n…
    p…  i b… i ph…  a ph… e-b…  e ph… or ph…
    pr…  i br…  i phr… a phr… e-mr…  e phr… or phr…
    r…  i r….  idh r…  adh r… edh-r…  ed r… or r…
    rh…  i thr… idh ‘r…  adh ‘r… e-’r…  e thr… or ‘r…
    s…  i h…  i s… as s… e-h…  es s… or s…
    t…  i d….  i th…  a th… e-d…  e th… or th…
    th…  i th… i th…  ath th… e-th…  eth th… or th…
    tr… i dr…  i thr… a thr… en-dr…  e thr… or thr…

    Casos especiais: b, d e g derivadas a partir das oclusivas nasalizadas primitivas mb, nd e ñg:




    Básica Suave Nasal I Nasal II Mista Oclusiva Líquida
    b…  i m… i mb…  am mb…  e-mb… e mb… or b…
    d…  i n…  i nd…  an nd… e-nd…  e nd…  or d… 
    g…  i ng…  in g…  an g… en-g…  en g…  or g… 

    As mutações mistas descritas acima seguem o sistema visto em expressões como e-mbar Hador "da casa de Hador" (MR: 373) e possivelmente Taur e-Ndaedelos "Floresta do Grande Medo" (mencionada no Apêndice F do SdA como um nome sindarin da Floresta das Trevas). Bar-en-Danwedh "Casa do Resgate", um nome mencionado no SilmarillionNDAN, deve ser, ao invés disso, escrito Bar-e-Ndanwedh. Talvez Tolkien tenha achado que isto parecia um tanto grosseiro e usou uma grafia mais agradável aos seus leitores. A forma completa do artigo en "do, da" é vista em outro nome do Silmarillion, Haudh-en-Ndengin "Colina dos Mortos". Aqui, um descendente do radical  NDAK está presente, e o nd inicial é restaurado após o en "dos". De acordo com o sistema esboçado acima, isto deve ser escrito Haudh-e-Ndengin (cf. Taur e-Ndaedelos), enquanto que, baseados no exemplo Bar-en-Danwedh, devemos escrever Haudh-en-Dengin. Não precisamos nos preocupar com isto. Se o sindarin tivesse sido um idioma falado real em uma era "medieval", assim como Tolkien imaginou, há várias razões para acreditar que tais inconsistências na grafia seriam bem comuns – vários escribas usando seus sistemas mais ou menos "particulares", não havendo uma autoridade central ou academia de idiomas que pudesse estabelecer uma ortografia padronizada. e incorporando claramente um descendente do radical

    Dificilmente é necessário reiterar que o sistema apresentado varia de formas atestadas certas a especulações e puros palpites, com várias nuanças de interpolação mais ou menos plausível entre estes extremos. Complexo como este sistema pode parecer, ele ainda pode ser mais simplificado. Alguns pontos podem ser comentados:

              1) Thr e thl como as mutações suaves de rh e lh são foneticamente sonoras, mas permanecem especulativas. Em um nome mencionado no Silmarillion, Talath Rhúnen "Vale Oriental", ou literalmente "Planície Oriental", o adjetivo rhúnen "oriental" não é lenizado de qualquer forma, embora adjetivos nessa posição sejam. Não seria errado, então, deixar os adjetivos em lh- e rh- permanecerem inalterados quando ficam em justaposição a um substantivo. Por analogia, também não seria nenhum grande pecado deixar substantivos em lh- e rh- permaneceram inalterados quando colocados como o objeto de um verbo, apesar dos "acusativos" geralmente serem lenizados. Quando uma palavra funciona como o segundo elemento de uma palavra composta, a consoante inicial geralmente passa por mudanças comparáveis à mutação suave, mas lh e rh parece se tornar l e r nesta posição. Compare Rhûn "leste" com -rûn na palavra mais longa Amrûn de significado similar. Se thr e thl ocorrem como mutações de lh e rh, eles podem aparecer mais tipicamente sucedendo partículas que terminam em uma vogal, tais como o artigo i ou a preposição na "a, para".


              2) Listamos m, n e ng como as mutações suaves de b, d e gmb, nd e ñg primitivos, mas em alguns casos parece que estes sons se comportam como b, d e g normais, de modo que as variantes lenizadas são v e dh e zero, respectivamente. Um exemplo "noldorin" é Nann Orothvor "Vale do Horror Negro" (LR: 355 s.v. DUN), onde orothvor ("horror-negro") é uma forma lenizada de gorothvor, o primeiro elemento goroth "horror" representando o radical ÑGOROTH de significado similar (LR: 377). É notável que mesmo o g representando o ñgOrothvor. Em sindarin, em oposição ao "noldorin", um substantivo em posição genitiva não seria lenizado, de modo que veríamos Nan(n) Gorothvor sem qualquer mutação. Mas em sindarin, a lenição não ocorrem em posições comparáveis, como quando um adjetivo em justaposição (sucedendo o substantivo) passa por mutação suave. Somos deixados para imaginar se um adjetivo como gollÑGOL) apareceria como ‘oll ou ngoll nesta posição; talvez ambas fossem admissíveis. Acima, listamos nôl como a forma lenizada de dôl "cabeça" (< radical NDOL), mas no nome da montanha Fanuidhol "Cabeça-nublada" (encontrado no próprio SdA e, portanto, decididamente sindarin ao invés de "noldorin"), a lenição d > dh é vista. Seria então admissível usar i dhôl ao invés de i nôl para "a cabeça"? Tolkien decidiu que o radical era  DOL, e não NDOL como o era no Etimologias (LR: 376)? representando primitivo lenize a zero em "sábio" (< radical


              3) A lenição m > v algumas vezes é ignorada. Compare um nome como Eryn Vorn "Floresta Escura" (CI: 295, cf. morn "escuro") com Ered Mithrin "Montanhas Cinzentas" no mapa do SdA, ou Imloth Melui em SdA3/V cap. 8 – não traduzido mas significando evidentemente "Vale da Flor Adorável". Levando em consideração o exemplo Eryn Vorn, devemos supor que *Imloth Velui e *Ered Vithrin seriam igualmente possíveis – e ao mesmo tempo, se podemos ter  Imloth Melui e Ered Mithrin, presumidamente também podemos ter *Eryn Morn. Acima observamos que deve-se basear no contexto para distinguir as variantes lenizadas de dois adjetivos como bell "forte" e mell "querido, amado"; ex: para decidir se i vess vell significa "a mulher forte" ou "a mulher amada". Mas se a lenição m > v for ignorada, podmos ter a expressão ambígua i vess mell para o último significado.

    4. O ADJETIVO

    As desinências adjetivas típicas são -eb, -en e -ui: aglareb "glorioso" (< aglar "glória"), brassen "incandescente" (< brass "incandescência"), uanui "monstruoso, hediondo" (< úan "monstro") (AKLA-R, BAN, BARÁS). Contudo, muitos adjetivos não possuem desinências especiais, e as funções de tais às vezes pertencem a mais de uma parte da língua. Morn "escuro" pode ser tanto adjetivo como substantivo, assim como em português.

    Os adjetivos concordam com seus substantivos em número. Parece que os adjetivos formam seus plurais seguindo padrões parecidos aos dos plurais de substantivos; ex: malen "amarelo", pl. melin (SMAL). Note que a consoante inicial de adjetivos que sucedem o substantivo que descrevem é lenizada (veja acima).

    Em PM: 358, Aran Einior é traduzido "o Rei Mais Velho". Einior é o nosso único exemplo da forma comparativa do adjetivo; a forma não declinada é iaur (vista no nome Iant Iaur "a Ponte Velha"). O prefixo ein- parece estar relacionado ao prefixo superlativo do quenya an-. O prefixo pode não ter a forma ein- prefixada a qualquer adjetivo; ele parece ser mutado pelo i que o sucede.

    Acontece também que podemos ter a forma superlativa de iaur "velho"; durante o Conselho de Elrond, o nome sindarin de Tom Bombadil foi dado como Iarwain, significando "o Mais Velho". A desinência -wain parece ser o sufixo superlativo. Por que não *Iorwain, com a mudança normal au > o? (David Salo responde, "porque você está olhando para o descendente direto de uma forma como *Yarwanya (talvez, não tenho certeza da forma exata do elemento final) na qual a vogal estava em uma sílaba fechada". Não concordo muito, mas também não sou tão aprofundado na fonologia Eldarin como David.)

    5. VERBOS

    "O sistema verbal do sindarin não é completamente compreendido – longe disso". Assim começava a seção sobre o Verbo no meu artigo original do sindarin, e em grande parte isto ainda é verdade. Contudo, desde então eu tive a oportunidade de me inteirar com as teorias e interpretações de David Salo com respeito ao verbo sindarin, e o que se segue deve-se em grande parte ao seu trabalho. As teorias de David parecem fazer bastante sentido. Ainda deve ser percebido que temos desesperada- mente poucos exemplos nos quais nos basear, e que muitas conclusões devem permanecer experimentais neste estágio. Para ser exato, centenas de verbos são listados no Etimologias, mas temos tão poucos textos reais em sindarin que nem sempre podemos ter certeza de como estes verbos são conjugados. No próprio Etim, Tolkien às vezes listou algumas formas flexionadas de um verbo próximo à forma básica, mas suas notas são extremamente densas, e freqüentemente não fica claro qual o significado pretendido das formas flexionadas. Mas se tentarmos generalizar a partir de nossos poucos exemplos, levando em conta tudo o que achamos que sabemos sobre a fonologia Eldarin, a evolução do sindarin e o sistema verbal primitivo como pode ser suposto a partir do quenya, podemos chegar a algo como o sistema que vamos esboçar aqui. Os detalhes certemente podem ser discutidos. Para fazer isto legível, irei na maioria das vezes evitar as deduções complexas que fundamentam o cenário que se segue, mas o leitor pode estar certo de que a escassa evidência disponível foi examinada a fundo. Mesmo assim, publicações futuras podem bem despedaçar o sistema esboçado abaixo, mas creio que podemos estar razoavelmente certos sobre as linhas gerais.

    Geral: parece haver duas categorias principais de verbos no sindarin. Como em quenya, podemos falar de verbos derivados e básicos. A primeira, e maior, classe consiste dos verbos que originalmente eram formados ao se combinar um radical primitivo com alguma desinência, tais como *-na), *- (sindarin -ia), *- (sindarin -da/-tha/-ta/-na, dependendo do ambiente fonológico), *- (sindarin -ra) ou *-â (sindarin -a). Visto que todas estas terminam em -a, esta classe pode ser chamada de radicais A. A outra classe, menor, consiste dos verbos que vêm diretamente de um radical primitivo sem sufixos. Por exemplo, nag- "morder" é simplesmente o radical  puro NAK como ele aparece em sindarin. Uma vez que esta categoria de verbos possui radicais de tempo presente em -i-, eles também podem ser chamados de radicais I. (sindarin -

    Sufixos: em muitas formas, os verbos em sindarin (derivados ou básicos) adotam desinências para número e pessoa. O sindarin, como o quenya, adiciona a desinência -r a verbos com um sujeito no plural; cf. a expressão gyrth i-chuinar "mortos que vivem" em Letters: 417 (cuinarchuinar, sendo o plural de cuina "vive, está vivo"). Outras desinências indicam várias pessoas. Desinências pronominais conhecidas incluem -nm para "nós" e aparentemente -ch ou -g para "você". É possível que a desinência de plural -r possa indicar "eles" assim como meramente pluralidade. O verbo cuina- "viver" pode evidentemente possuir formas como cuinon "eu vivo" (para *cuinan), cuinam "nós vivemos", cuinach ou cuinag "você vive" e cuinar "eles vivem". A 3ª pessoa do singular parece não possuir qualquer desinência por si só: cuina "(ele, ela) vive". A 3ª pessoa do singular pode em alguns casos ser considerada a forma básica a qual várias desinências são adicionadas para produzir formas para outras pessoas e números. "vivem, estão vivos", aqui incidentalmente na forma mutada para nasal para "eu", -

    I. VERBOS DERIVADOS

    A conjugação dos verbos derivados (radicais A) parece ser razoavelmente clara, na maior parte envolvendo simplesmente uma série de sufixos. Evidências indiretas parecem sugerir que Tolkien teria chamado esta classe de verbos "fracos".
     

  • O infinitivo é formado com a desinência -o, deslocando a desinência -a:
    bronia- > bronio "suportar"


  • dagra- > dagro "guerrear"


  • esta- > esto "chamar, nomear"


  • ertha- > ertho "unir"


  • lacha- > lacho "flamejar"


  • linna- > linno "cantar"


  • harna- > harno "ferir"

  • O presente (da 3ª pessoa do singular) é idêntico ao próprio radical A:
    bronia- "suportar" > bronia "suporta, está suportando"


  • dagra- "guerrear" > dagra "guerreia, está guerreando"


  • ertha- "unir" > ertha "une, está unindo"


  • esta- "nomear" > esta "nomeia, está nomeando"


  • lacha- "flamejar" > lacha "flameja, está flamejando"


  • linna- "cantar" > linna "canta, está cantando"


  • harna- "ferir" > harna "fere, está ferindo"

    As desinências plurais ou pronominais mencionadas acima são adicionadas à esta forma: broniar "(eles) suportam", broniam "nós suportamos" etc. Note que a desinência -n para "eu" faz o -a final se tornar -o: assim, bronion "eu suporto", dagron "eu guerreio" etc.

  •  
  • O pretérito (da 3ª pessoa do singular) desta classe de verbos é na maioria das vezes formado com o sufixo -nt:
    bronia- "suportar" > broniant "suportou"


  • dagra- "guerrear" > dagrant "guerreou"


  • esta- "chamar, nomear" > estant "chamou, nomeou"


  • ertha- "unir" > erthant "uniu"


  • lacha- "flamejar" > lachant "flamejou"


  • linna- "cantar" > linnant "cantou"


  • harna- "ferir" > harnant "feriu"

    Novamente, as desinências plurais ou pronominais podem ser adicionadas, assim como no presente. Assim sendo, o sufixo -nt se torna -nne- antes da desinência se seguir:

    broniant "suportou" > bronianner "eles suportaram" (também plural; ex: in edhil bronianner "os elfos suportaram"), broniannen "eu suportei", broniannem "nós suportamos" etc.

    Para, digamos, "(eles) cantaram" podemos supor linnanner (uma vez que "cantou" é linnant), mas onde quer que o "nn duplo" ocorra, o verbo provavelmente é contraído: "(eles) cantaram" pode simplesmnte ser linner.

  •  
  • O futuro é formado ao se adicionar o sufixo -tha ao radical:
    bronia- "suportar" > broniatha "suportará"


  • dagra- "guerrear" > dagratha "guerreará"


  • esta- "chamar, nomear" > estatha "chamará, nomeará"


  • ertha- "unir" > erthatha "unirá"


  • lacha- "flamejar" > lachatha "flamejará"


  • linna- "cantar" > linnatha "cantará"


  • harna- "ferir" > harnatha "ferirá"

    Mais uma vez, as desinências plurais e pronominais podem ser adicionadas, seguindo as mesmas regras do presente. Como no presente, a desinência -n para "eu" faz o -a final se tornar -o: broniathon "eu suportarei" (linnathon para "eu cantarei" é realmente atestado no SdA). De outros modos, o -a final fica inalterado: broniatham "nós suportaremos", linnathar "eles cantarão" etc.

  •  
  • O imperativo é formado com a desinência -o, substituindo o -a final. Nesta classe de verbos, o imperativo é, portanto, idêntico ao infinitivo (veja acima). O imperativo em -o abrange todas as pessoas (Letters: 427); assim, a forma é a mesma, não importando se o comando é direcionado a uma pessoa ou a várias. Um elfo gritou daro! "alto!" para toda a Sociedade conforme eles entravam em Lórien; veja SdA1/II cap. 6. (Em quenya, é opcional fazer ou não uma distinção entre plural e singular no imperativo; não sabemos se isto realmente pode ser feito em sindarin.)
  •  
  • O particípio ativo (também chamado particípio presente) é um adjetivo derivado de um verbo, descrecendo a condição na qual algo está quando sofre a ação indicada pelo verbo (se você canta, você está cantando; portanto, cantando é o particípio do verbo "cantar"). [Cuidado para não confundir este particípio com o gerúndio em português, que também é formado pela desinência -ndo; isto pode ser evitado, contudo, levando-se em conta o contexto. N. do T.] Em sindarin, o particípio ativo de verbos derivados é formado por meio da desinência -ol, substituindo o -a final do radical verbal:
    bronia- "suportar" > broniol "suportando"


  • glavra- "balbuciar" > glavrol "balbuciando"


  • ertha- "unir" > erthol "unindo"


  • lacha- "flamejar" > lachol "flamejando"


  • linna- "cantar" > linnol "cantando"


  • harna- "ferir" > harnol "ferindo"

    (O exemplo glavrol é atestado, LR: 358 s.v. GLAM; cf. também chwiniolchwinio "rodopiar", LR: 388 s.v. SWIN. Em sindarin maduro, em oposição ao "noldorin" do Etimologias, provavelmente leríamos hw- para chw-.) Parece que os particípios adjetivos assim produzidos não possuem uma forma plural explícita, como a maioria dos outros adjetivos possui.
    "rodopiando" a partir de

  •  
  • Há também outro particípio ativo, que pode ser chamado de particípio ativo perfeito. No significado ele é similar ao particípio ativo normal em -olestá sofrendo a ação do verbo; ele descreve o estado de alguém que já sofreu esta ação. Ele parece possuir a desinência -iel, substituindo o -a final do radical (ou no caso de verbos em -ia, esta desinência inteira): descrito acima, exceto pelo fato de que ele não descreve o estado de alguém (ou algo) que
    esta- "chamar, nomear" > estiel "tendo nomeado"


  • hwinia- "rodopiar" > hwíniel "tendo rodopiado"


  • linna- "cantar" > linniel "tendo cantado"

    No caso de numerosos verbos em -ia, formas paralelas suegerem que a vogal raiz deve ser alongada, como em hwíniel a partir de hwinia- acima. (Os verbos siria- "fluir", thilia- "cintilar" e tiria- "observar, vigiar" presumidamente se comportaria do mesmo modo: síriel, thíliel e tíriel.) Entretanto, isto tem consequências um tanto complicadas. Se ousarmos acreditar no sistema fonológico que vislumbramos nas obras de Tolkien, devemos freqüentemente levar em conta quais eram as vogais originais nestes verbos.

    Onde a raiz ou radical primitivo original possuía a vogal A, o particípio perfeito mostra ó (representando á longo, uma vez que o á longo primitivo se tornou óem sindarin):

    beria- "proteger" (radical BAR) > bóriel "tendo protegido"


  • gweria- "trair, trapacear" (radical WAR) > gwóriel "tendo trapaceado"


  • henia- "compreender" (radical KHAN) > hóniel "tendo compreendido"


  • pelia- "estender" (radical PAL) > póliel "tendo estendido"


  • penia- "fixar, marcar" (radical PAN) > póniel "tendo fixado, tendo marcado"


  • renia- "extraviar-se, perder-se" (radical RAN) > róniel "tendo extraviado, tendo perdido"


  • revia- "voar, navegar" (radical RAM) > róviel "tenod voado, tendo navegado"


  • telia- "tocar" (radical TYAL) > tóliel "tendo tocado"

    Note especialmente egleria- "glorificar" (relacionado a aglar "glória"), que pode ter o particípio perfeito aglóriel "tendo glorificado".

    Onde o radical original possui a vogal O ou U, o particípio perfeito mostraria ú (representando ó longo, uma vez que o ó longo mais primitivo se tornou ú em sindarin):

    delia- "ocultar, esconder" (radical DUL) > dúliel "tendo ocultado, tendo escondido"


  • elia- "chover" (radical ULU) > úliel "tendo chovido"


  • eria- "erguer" (radical ORO) > úriel "tendo erguido"


  • heria- "começar repentinamente" (radical KHOR) > húriel "tendo começado repentinamente"

    (Em sindarin arcaico, era mais fácil manter esta categoria separada daquela acima, uma vez que estes verbos antigamente mostravam ö ao invés de e: dölia- etc. Tendo ö se tornado e, estes verbos devem ser memorizados.) O verbo bronia- "suportar" (radical BORÓN-) originaria da mesma forma brúniel "tendo suportado". De fato, é um mistério o porque bronia- não aparece como *brenia-, do arcaico *brönia-; em todos os casos comparáveis, a desinência -ia causa metafonia (cf. por exemplo delia-, de dölia- mais antigo, a partir de *duljâ- ou *dolja- tardio).

    Outros verbos derivados além dos em -ia podem mostrar metafonia simples quando a desinência -iel é adicionda (não temos certeza disto). Assim sendo, as vogais a e o se tornam e (novamente, o se tornou ö em sindarin arcaico, ö posteriormente se fundindo com e):

    awartha- "abandonar" > ewerthiel "tendo abandonado"


  • banga- "negociar, trocar" > bengiel "tendo negociado, tendo trocado"


  • dortha- "ficar" > derthiel "tendo ficado" (arcaico dörthiel)


  • edonna- "gerar" > edenniel "tendo gerado" (arcaico edönniel)

    Radical verbal com as vogais e ou i não seria afetado pela metafonia:

    critha- "ceifar" > crithiel "tendo ceifado"


  • ertha- "unir" > erthiel "tendo unido"

    Verbos com um ditongo (ei, ui, ae e au etc.) também não mudariam:

    eitha- "insultar" > pl. eithiel "tendo insultado"


  • gruitha- "aterrorizar" > pl. gruithiel "tendo aterrorizado"


  • maetha- "lutar" > pl. maethiel "tendo lutado"


  • baugla- "oprimir" > pl. baugliel "tendo oprimido"

  • A última das formas participiais das quais sabemos alguma coisa é o particípio passivo (ou particípio passado), um adjetivo descrevendo a condição de algo ou alguém que é (ou foi) exposto à ação do verbo correspondente: se alguém você, você é visto; "visto" é portanto o particípio passivo do verbo "ver". "Visto" na verdade é irregular; na maioria dos casos, o português forma seus particípios passivos por meio das desinências -ido e -ado (ex: assassinado a partir de assassinar). O sindarin geralmente forma seus particípios passados com a desinência adjetiva -ennt, os particípios passivos correspondentes terminam em -nnen representando -nten (a fonologia sindarin indicando que o encontro nt se torna nn entre vogais) adicionada ao pretérito ( da 3ª pessoa do singular). Uma vez que os verbos derivados formam seus pretéritos em -[mais uma vez cuidado para não confundir, em português, o particípio passivo com o particípio ativo perfeito, que fazem uso das mesmas desinências; novamente, isto pode ser evitado levando-se em conta o contexto em sindarin. N. do T.]:
    gosta- "temer excessivamente" > gostannen "temido" (cf. gostant como o pretérito do verbo)


  • egleria- "glorificar, louvar" > egleriannen "glorificado"


  • eitha- "insultar" > eithannen "insultado"


  • esta- "chamar, nomear" > estannen "chamado, nomeado"


  • ertha- "unir" > erthannen "unido"


  • gruitha- "aterrorizar" > gruithannen "aterrorizado"


  • harna- "ferir" > harnannen "ferido"


  • maetha- "lutar" > maethannen "lutado"


  • baugla- "oprimir" > bauglannen "oprimido"

    Como o particípio passado de linna- "cantar", podemos supor linnannennn duplo" ocorre, a forma provavelmente é simplesmente contraída: linnen. ("cantado"), mas como em outros casos onde "

    Em forma, os particípios passados coincidem com o pretérito de 1ª pessoa: gostannen também poderia significar "eu temi", egleriannen também é "eu glorifiquei" etc. O contexto deve decidir como a forma deve ser compreendida.

    Em alguns casos, onde o verbo correspondente é intransitivo (isto é, quando ele geralmente não leva um objeto direto; ex: "ir"), o particípio passado pode descrever o estado no qual aquele que pratica a ação verbal está ao completá-la. Por exemplo, alguém que vai, portanto, terá idolacha- "flamejar" (lachannen) talvez possa ser usado para descrever um fogo que teria flamejado. Mas em  sindarin, pode ser melhor usar o particípio ativo perfeito (como lechiel ("ido" é o particípio passado de "ir"). De modo similar, o particípio passado de um verbo intransitivo como neste caso); veja acima.

    Diferente dos particípios ativos (achamos), o particípio passado ou passivo possui uma forma plural distinta (usada quando o particípio descreve uma palavra no plural). Isto é formado ao se alterar a desinência -nnen para -nnin, combinada com a mutação-I por toda a palavra. como sempre, o efeito disto é de que as vogais a e o, onde elas ocorrem, são alteradas para e (mas novamente, e a partir de o na verdade foi ö em sindarin arcaico):

    harnannen "ferido" > pl. hernennin


  • gostannen "temido" > pl. gestennin (arcaico göstennin)

    Note que a desinência -a no próprio radical verbal, aqui o -a final de harnagosta-, também é modificada para e: no plural, -annen sempre se torna -ennin. e

    As vogais e e i não são afetadas pela metafonia:

    linnen "cantado" > pl. linnin


  • erthannen "unido" > pl. erthennin

    Novamente, os ditongos também não o são (ei, ae, ui, au etc.):

    eithannen "insultado" > pl. eithennin


  • gruithannen "aterrorizado" > pl. gruithennin


  • maethannen "lutado" > pl. maethennin


  • bauglannen "oprimido" > pl. bauglennin

    Por uma razão parecida, pode ser que o particípio passado plural do verbo boda- "banir, proibir" deva ser bodennin, e NÃO **bedennin com metafonia de o > e, uma vez que este o representa um ditongo mais antigo au (compare com a palavra relacionada baw! "não! não faça!")

  •  
  • A última forma do verbo da qual sabemos alguma coisa é o gerúndio, na verdade um substantivo derivado, a ação verbal considerada como uma "coisa". (Em inglês, o gerúndio pode funcionar como um substantivo abstrato, um infinitivo ou mesmo um adjetivo, além de sua função que encontra paralelo em português, formada em inglês pela desinência -ing e em português por -ndo; levando-se em conta o contexto de onde ele ocorre, pode-se distinguir entre as diversas formas com certa facilidade. Cuidado também para não confundir o gerúndio com o particípio ativo; ver nota acima. N. do T.)  Todos os verbos derivados, ou radicais A, formam seus gerúndios por meio da desinência -d:
    bronia- "suportar" > broniad "resistência, suportação" (= o ato de suportar)


  • nara- "contar" > narad "narração" (como em "a narração de um conto")


  • ertha- "unir" > erthad "união" (subst. abstrato)

    (Cf. a Mereth Aderthad, Festa da Reunião, mencionada no Silmarillion.)

    Parace que os gerúndios são freqüentemente usados onde em português teríamos um infinitivo. Na Carta do Rei (SD: 129), Aragorn escreve que ele aníra…suilannad mhellyn în = "deseja… saudar seus amigos". De fato é possível que Tolkien tenha decidido abandonar os infinitivos em -o e -io e -i não são atestados em nenhuma outra fonte posterior ao Etimologias. Isto pode não significar muito, visto que nossa evidência pós-Etim é muito escassa, mas eu geralmente usaria gerúndios para os infinitivos portugueses ao escrever em sindarin. (veja abaixo com respeito ao último), substituindo-os por gerúndios. Os infinitivos em -

    NOTA: como mencionado acima, o objeto de uma frase sofre lenição (mutação suave). Deve-se notar que, na expressão aníra… suilannad mhellyn în = "deseja… saudar seus amigos, o objeto de um ponto de vista gramatical sem dúvida seria suilannad ou "saudar (ger. funcionando como infinitivo". Contudo, o obejto lógico é mellyn "amigos", e esta é a palavra que é lenizada (para mhellyn). o gerúndio suilannad não é lenizado (para *huilannad). Isto sugere fortemente que o gerúndio é aqui percebido como um infinitivo, e não como um substantivo que poderia ser lenizado como o objeto de uma frase; a lenição afeta, ao invés disso, o objeto lógico "amigos".

    II. VERBOS BÁSICOS

    A conjugação dos verbos básicos, sem desinência (também conhecidos como verbos primários), é um tanto mais complexa do que a dos verbos derivados. Tolkien pode ter pensado nesta classe como a dos verbos "fortes"; cf. WJ: 415.

  •  
  • O infinitivo é formado com a desinência -i (e não -o como no caso dos radicais A acima):
    fir- > firi "desvanecer, morrer"


  • gir- > giri "estremecer"


  • ped- > pedi "falar"


  • pel- > peli "murchar"


  • redh- > redhi "semear"

    Esta desinência faz as vogais a e o serem modificadas pela metafonia para e:

    blab- > blebi "bater (asas)"


  • dag- > degi "matar, assassinar"


  • dar- > deri "parar, deter"


  • nor- > neri "correr" (arcaico nöri)


  • tol- > teli "vir, chegar" (arcaico töli)


  • tog- > tegi "guiar" (arcaico tögi)

    Alguns verbos inevitavelmente coincidem no infinitivo; por exemplo, can- "chamar, gritar" e cen- "ver" teriam ambos o infinitivo ceni. O contexto deve decidir qual verbo é pretendido. (Mas como sugerido acima, o sindarin freqüentemente usa o gerúndio onde em português temos um infinitivo, e aqui a distinção é preservada: caned "grito", mas cened
    "visão".)

  •  
  • O presente destes verbos é formado de dois modos diferente. A terceira pessoa do singular, que não exige desinência adicional, é a mesma do radical verbal, mas no caso de radical verbais monossilábicos, a vogal se torna longa:
    dar- "parar" > dâr "(ele, ela) para"


  • fir- "desvanecer, morrer" > fîr "desvanece, morre"


  • ped- "falar" > pêd "fala"


  • tol- "vir, chegar" > tôl "vem, chega"

    (Estes também podem abranger tempos compostos: "está parando", "está desvanecendo" etc., mas não temos certeza; veja Nota (i) abaixo.) Exemplos atestados incluem blâb como o presente de blebi- "bater de asas" (LR: 380 s.v. PALAP), e – com uma expressão mais clara – a entrada TUL- em LR: 395, onde tôl é traduzido "ele chega", assim sendo claramente identificado como a 3ª pessoa do singular de teli "chegar". Que a forma em si é simplesmente de 3ª pessoa e não necessariamente "masculino" ou mesmo animado ("ele chega") é aparente a partir de outra atestação, a frase tôl acharn "vingança chega" (WJ: 254; de acordo com WJ: 301, Tolkien posteriormente escreveu tûl acharn, mas aceitar esta mudança causaria tamanha reviravolta no sistema verbal e na fonologia que provavelmente é melhor ignorá-la neste ponto).

    NOTA (i): Pêd como o presente "fala" também é atestado (incidentalmente em forma lenizada: bêd) em VT41: 11, onde é visto corresponder ao aoristo em quenya quete. Se o sindarin possui um aoristo distinto do presente, isto ainda não está claro; assim sendo, formas como  pêd são provavelmente aoristos: "fala" como oposto ao presente "está falando".

    NOTA (ii): quando final, v é escrito f. Portanto, o presente da 3ª pessoa do singular de lav- "lamber" é lâf. Em outras formas, onde o v não é final, ele também seria escrito v (ex: levin "eu lambo" – cf. abaixo).

    No caso de radicais verbais básicos polissilábicos (geralmente verbos com algum elemento preposicional prefixado), não há alongamento da vogal, e o presente da 3ª pessoa do singular é idêntico ao próprio radical verbal:

    osgar- "amputar" > osgar "amputa" (esta forma é explicitamente mencionada em LR: 379 s.v. OS)

    Em todas as formas do presente, com exceção da 3ª pessoa do singular, alguma desinência é exigida, como esboçado inicialmente. Estas desinências são adicionadas a uma forma do verbo que é idêntica ao infinitivo, portanto com a desinência -i e metafonia onde o radical verbal possui a vogal a ou o (enquanto que i e e não são afetados de qualquer modo):

    dar- "parar" > derin "eu paro", derir "(eles) param" (com sujeitos múltiplos; ex: in edhil derir "os elfos param"), derig/derich "você pára", derim "nós paramos"


  • fir- "desvanecer, morrer" > firin "eu morro" etc. com as várias desinências


  • ped- "falar" > pedin "eu falo" etc.


  • tol- "vir, chegar" > telin "eu chego" etc.


  • osgar- "amputar" > esgerin "eu amputo" etc.

    Esta forma por muito tempo foi tida como o tempo perfeito, a qual também era a visão apresentada em versões anteriores deste artigo. Isto se deu primeiramente por causa do linnod de Gilraen no Apêndice A do SdA: Onen i-Estel Edain, ú-chebin estel anim, traduzido em uma nota de rodapé como "dei Esperança aos dúnedain, não guardei nenhuma esperança para mim" (ênfase adicionada). Contudo, devido a outros exemplos, pode ser melhor ser ú-chebin como a forma do presente (e traduzir "não guardo [qualquer] esperança para mim"), supondo que a tradução de Tolkien do tempo perfeito "não (tenho guardado) guardei nenhuma esperança para mim" é levemente livre e faz uma concessão ao inglês natural. (Costuma não ser claro qual é a forma básica de ú-chebin; removendo o prefixo negativo ú- "não" e a mutação suave h > ch que ele desenca- deia, somos deixados com hebin "eu guardo". Isto poderia vir de hab-, heb- ou hob- "guardar", a metafonia neutralizando as  vogais na forma hebin. Contudo, o radical KHEP "reter, guardar" publicado no VT41: 6 deve ser a raiz fundamentando este verbo; assim, a forma básica evidentemente é heb-.)

  •  
  • O pretérito de verbos básicos envolve um sufixo ou infixo nasal, embora algumas vezes ele seja assimilado além do reconhecimento possível. Nos concentraremos primeiro nas formas da 3ª pessoa do singular, uma vez que as outras formas, por sua vez, podem ser produzidas a partir delas.
  •  

    No caso de verbos básicos em -r, um -n é simplesmente sufixado ao radical (um remanescente da desinência de pretérito mais longa -ne, ainda corrente em quenya):

    dar- "parar" > darn "parou"


  • gir- "estremecer" > girn "estremeceu"


  • nor- "correr" > norn "correu"

    Radicais verbais em -n provavelmente se comportam do mesmo modo (cen- "ver" > cenn "viu"). Quanto aos verbos em -l, a desinência -nprovavelmente é assimilada a ele (pel- "murchar" > pell "murchou"). Carecemos de exemplos, mas deduções a partir do quenya apontariam nesta direção.

    Em se tratando de radicais verbais terminando em -b, -d, -g, -v e -dh, o elemento nasal indicando pretérito se manifestaria como um infixo ao invés de um prefixo. Isto é, ele não é adicionado à consoante final do radical, mas inserido antes dela. Isto tem algumas consequências que podem surpreender estudantes não familiarizados com a evolução do Eldarin. Em sindarin, b, d, g, v e dh sucedendo uma vogal descendem de p, t, c, b (ou m) e d mais primitivos, respectivamente. Mas onde o infixo nasal se inseriu entre a vogal e a consoante, esta mudança não poderia ocorrer: o infixo "protege" a consoante da vogal que, de outra forma, faria ela mudar. Assim, b, d e g aparentemente revertem para p, t e c sucedendo o infixo. Na verdade, elas não revertem; simplesmente nunca mudaram:

    had- "arremessar" > pret. hant "arremessou" (radical original KHAT; este pretérito é realmente atestado em LR: 363)


  • cab- "pular" > pret. camp "pulou" (radical original KAP)


  • dag- "matar" > pret. danc "matou" (radical original NDAK; sindarin c = k).

    (Se observará que o infixo nasal, que freqüentemente se manifesta como n, é assimilado para m antes de p.) Presumidamente dh, a partir de d mais primitivo, reverte da mesma maneira a sua característica original:

    redh- "semear" > pret. rend "semeou" (radical RED)

    Uma caso atestado é gwend (ou gwenn) como o pretérito do verbo gwedhiWED-, onde o infinitivo é dado como "gwedi", mas isto com certeza é uma leitura errada para gweði= gwedhi; compare com a palavra relacionada angweð = angwedh). Entretanto, Tolkien observou que gwend foi posteriormente substituída por gwedhant (escrita gweðantgwedha-; talvez os pretéritos em -nd não fossem agradáveis aos elfos (/a Tolkien). Pode ser que o pretérito rend "semeou" (não atestado diretamente nos papéis de Tolkien) tenha sido da mesma maneira substituído por redhant em sindarin tardio. "prender" (LR: 397 s.v. no LR), como se este fosse um verbo derivado *

    Verbos de mais de uma sílaba teriam pretéritos em -nn ao invés de -nd, se ousarmos confiar na nossa fonologia reconstruída do sindarin. Existem apenas dois verbos conhecidos de tal tipo: neledh- "entrar" (pret. nelenn?) e edledh- "ir para o exílio" (pret. edlenn?). O último verbo não é diretamente atestado, mas é reconstruído a partir do verbo "noldorin" egledh- (LR: 368 s.v. LED).

    Verbos com -v final também podem ser levemente especiais. Na maioria dos casos, o v pós-vocálico viria do b mais primitivo, de modo que estes verbos com certeza em algum ponto terminaram em -mb (o infixo nasal se manifestando como m antes de b, assim como antes de p). Mas mbm simples em sindarin. (Cf. WJ: 394, onde Tolkien afirma que a palavra primitiva *lambê "língua" se tornou lam em sindarin, com certeza representando *lamb mais primitivo. Compare com a forma  "noldorin" lham(b) em LR: 367 s.v. LAB, que corresponderia ao sindarin lam(b).) Assim, verbos básicos em -v podem ter pretéritos em -m, para -mb: final se tornou

    lav- "lamber" > lam (para lamb) "lambeu" (o substantivo lam "língua" é relacionado e compartilha a mesma história fonológica)

    Como mencionado acima, as formas até agora produzidas estão na 3ª pessoa do singular. Outras formas são facilmente derivadas a partir delas por meio das mesmas desinências que foram mencionadas acima: -nm "nós", -r "eles" ou apenas pluralidade, etc. A questão é: que vogal de ligação adicionamos entre o verbo e a desinência? Em termos de história fonológica, definitivamente esperaríamos e: a forma sindarin correspondendo à forma em quenya quenten "eu disse" seria suposta ser *pennen. Contudo, nosso primeiro e único exemplo aponta em uma direção diferente, e este é um dos casos onde devemos generalizar a partir de uma única forma, com grandes consequências para uma classe inteira de verbos. Eu gostaria de possuir outros exemplos (e, em particular, posteriores), para ter certeza que esta não é apenas uma idéia passageira na evolução de Tolkien do "noldorin"/sindarin, ou de fato um erro da parte de Christopher Tolkien. "eu", -

    O exemplo em questão é encontrado no Etimologias, LR: 363, radical KHAThedi, claramente o infinitivo perfeitamente regular de had-, mas então duas formas claramente identificadas como "pret." são listadas: hennin e hant. A última é evidentemente a 3ª pessoa do singular, "(ele/ela) arremessou", formado a partir de had- com um infixo nasal de acordo com as regras que tentamos esboçar (usando de fato este exemplo). Mas hennin, com a desinência -n que sabemos significar "eu", deve ser o pretérito da 1ª pessoa: "eu arremessei". A mudança nt > nn intervocálico é o que esperaríamos em bases fonológicas, mas é surpreendente que i seja usado como a vogal de ligação antes que a desinência pronominal seja adicionada. Seria tentador admitir hennin como um erro para hannen, mas a metafonia a > e é exatamente o que seria esperado quando há um i na sílaba seguinte. Sabemos de casos de confusão a/e e e/i nos textos produzidos por vários editores ao tentar decifrar a caligrafia de Tolkien, mas supor que Christopher Tolkien conseguiu errar a leitura de duas vogais na mesma palavra, e que o resultado veio a obedecer belamente a fonologia sindarin, pode ser suposição demais. Pode ser que JRRT tenha imaginado que formas como hannen tivessem sido reformadas em analogia com as formas corresponden- tes do presente (nesta caso hedini e portanto também a metafonia sendo introduzi- dos no pretérito assim como no presente: hannen > hennin. "arremessar". Aqui temos o verbo "eu arremesso"), com a vogal de ligação

    Aceitando este exemplo, podemos formular esta regra: todas as formas de pretérito de verbos básicos, exceto a 3ª pessoa do singular, são formadas ao se adicionar -i- e a desinência apropriada à 3ª pessoa do singular:

    gir- "estremecer" > pret. 3ª pes. sing. girn "(ele, ela) estremeceu" > girnin "eu estremeci", girnim "nós estemecemos", girnig/girnich "você estemeceu", girnir "(eles) estremeceram"

    cen- "ver" > pret. 3ª pes. sing. cenn "(ele, ela) viu" > cennin "eu vi" (etc. com as várias desinências)

    Como o exemplo hant > hennin indica, a vogal de ligação i desencadeia as mutações normais na sílaba antes dela, tanto a como o se tornando e:

    dar- "parar" > pret. 3ª pes. sing. darn "(ele, ela) parou" > dernin "eu parei" (etc.)


  • nor- "correr" > pret. 3ª pes. sing. norn "(ele, ela) correu" > nernin (arcaico nörnin) "eu corri" (etc.)

    O exemplo hant > hennin também ilustra outro fenômeno: nem todos os encontros consonantais finais que ocorrem no pretérito podem permanecer inalterados quando não são mais finais, mas se tornam intervocálicos porque uma desinência foi adicionada. Os encontros -nt, -nc e -mp se tornam -nn-, -ng- e -mm-:

    ped- "falar" > pret. 3ª pes. sing. pent "(ele, ela) falou" > pennin "eu falei" (etc.)


  • dag- "matar" > pret. 3ª pes. sing. danc "(ele, ela) matou" > dengin "eu matei" (etc.)


  • cab- "pular" > pret. 3ª pes. sing. camp "(ele, ela) pulou" > cemmin "eu pulei" (etc.)

    O encontro nd, como nt, se tornaria nn intervocalicamente:

    gwedh- "prender" > pret. 3ª pes. sing. gwend "(ele, ela) prendeu" > gwennin "eu prendi" (etc.)

    O m final (geralmente representando mb) se tornaria -mm- duplo:

    lav- "lamber" > pret. 3ª pes. sing. lam "(ele, ela) lambeu" > lemmin "eu lambi" (etc.)

  • Quanto ao futuro, devemos supor que a desinência -tha também é relevante para esta classe de verbos, mas obviamente alguma vogal de ligação é exigida. Apesar de não termos exemplos diretos, a analogia com outras formas sugere que um i seria inserido antes desta desinência. Este i causaria as mutações normais onde apropriado. Em resumo, o futuro de um verbo desta classe pode ser construído ao se adicionar -tha à forma infinitiva (veja regras abaixo):
    dar- > inf. deri "parar" > futuro deritha "parará"


  • ped- > inf. pedi "falar" > futuro peditha "falará"


  • gir- > inf. giri "estremecer" > futuro giritha "estremecerá"


  • tol- > inf. teli "chegar" (arcaico töli) > futuro telitha (arcaico tölitha) "chegará"

    Estas formas de futuro (da 3ª pessoa do singular) podem então ser modificadas com as desinências normais, assim como no caso dos verbos derivados: telithon "eu chegarei", telitham "nós chegaremos", plural telithar "(eles) chegarão" etc. (Como sempre, -a se torna -o antes da desinência -n para "eu"; assim, telithon ao invés de **telithan.)

  •  
  • O imperativo destes verbos básicos é facilmente formado com a desinência -o:
    dar- "parar" > daro "pare!"


  • ped- "falar" > pedo "fale!"


  • tir- "observar, olhar" > tiro "observe! olhe!"


  • tol- "vir" > tolo "venha!"

    Três destes são atestados no SdA: um elfo parou a Sociedade com o comando daro! quando eles entraram em Lórien. Pedo "fale, diga" é encontrado na inscrição do portão de Moria (pedo mellon, que deveria ser traduzido "diga amigo", embora Gandalf primeiramente achou que significasse "fale, amigo"). Sam em Cirith Ungol usou a expressão a tiro nin, Fanuilos! "ó, olhe por mim, Semprebranca!" (um título de Varda); veja Letters: 278 ou RGEO: 72 para a tradução.

  •  
  • O particípio ativo desta classe de verbos provavelmente adotaria a desinência -el (para a mais antiga *-ila):
    dar- "parar" > darel "parando"


  • ped- "falar" > pedel "falando"


  • tol- "chegar" > tolel "chegando"

    Contudo, onde a vogal raiz é i, esta desinência parece ser expandida para -iel:

    fir- "morrer, desvanecer" > firiel "morrer, desvanecendo"


  • gir- "estremecer" > giriel "estremecendo"


  • glir- "cantar" (também "recitar poema") > gliriel"cantando" (ou, "recitando")


  • tir- "observar" > tiriel "observando" (o único exemplo atestado – veja abaixo)

  • O particípio ativo perfeito parece possuir a desinência -iel combinada com o alongamento da vogal raiz. A vogal i simplesmente se tornaria í longo:
    fir- "desvanecer, morrer" > fíriel "tendo morrido, tendo desvanecido"


  • glir- "cantar" (/"recitar") > glíriel "tendo cantado" (/"recitado")


  • tir- "observar" > tíriel "tendo observado".

    (Se notará que o comprimento da vogal distingue sozinho tirieltíriel "tendo observado". Compare com RGEO: 73, onde Tolkien explica que, enquanto palan-diriel significa "observando ao longe", palan-díriel possui um significado de perfeito: "tendo observado ao longe". Nestas palavras, -diriel/-díriel são simplesmente formas lenizadas de -tiriel/-tíriel.) "observando" de

    Este alongamento de vogais provavelmente ocorreu tão cedo que as mudanças subsequentes que afetam vogais longas também devem ser levadas em consideração. Os é, á e ó primitivos se manifestariam como í, ó e ú, respectivamente – refletindo uma mudança que ocorreu no estágio do sindarin antigo:

    mad- "comer" > módiel (para mádiel) "tendo comido"


  • ped- "falar" > pídiel (para pédiel) "tendo falado"


  • nor- "correr" > núriel (para nóriel) "tendo corrido"

    Parece que nenhum dos particípios ativos assim produzidos (em -el e -iel) possui formas plurais distintas.

  •  
  • O particípio passivo (ou particípio passado) desta classe de verbos pode ser construído ao se adicionar -en à forma de pretérito da 3ª pessoa do singular (veja regras acima):
    dar- "parar" > pret. 3ª pes. sing. darn "(ele, ela) parou" > particípio passivo darnen "parado"


  • sol- "fechar" > pret. 3ª pes. sing. soll "(ele, ela) fechou" > particípio passivo sollen "fechado" (a última forma sendo tudo o que é atestado deste verbo: o SdA se refere a Fen Hollen ou "Porta Fechada" em Minas Tirith, hollen presumidamente sendo uma forma lenizada de sollen)


  • tir- "observar, vigiar, proteger" > pret. 3ª pes. sing. tirntirnen "(ele, ela) observou, vigiou" > particípio passivo "observado, vigiado"

    (O último é atestado no Silmarillion, no nome Talath Dirnen "Planície Protegida": dirnen é a forma lenizada de tirnen.)

    Novamente, quando outra vogal vem a sucedê-las, -nt, -nc, -mp, -nd e -mnn-, -ng-, -mm-, -nn- e -mm-, respectivamente: finais se tornam -

    ped- "falar" > pret. 3ª pes. sing. pent "(ele, ela) falou" > particípio passivo pennen "falado"


  • dag- "matar" > pret. 3ª pes. sing. danc "(ele, ela) matou" > part. pass. dangen "morto" (atestado em LR: 375 s.v. NDAK)


  • hab- "vestir" > pret. 3ª pes. sing. hamp "(ele, ela) vestiu" > part. pass. hammen "vestido"


  • redh- "semear" > pret. 3ª pes. sing. rend "(ele, ela) semeou" > part. pass. rennen "semeado"


  • lav- "lamber" > pret. 3ª pes. sing. lam "(ele, ela) lambeu" > part. pass. lammen "lambido"

    Estes particípios passivos em -en teriam formas plurais em -in, causando as mutações normais: tanto a como o se tornam e:

    dangen "morto" > pl. dengin


  • hollen "fechado" > pl. hellin (arcaico höllin)

    (Compare com Haudh-en-Ndengin ou "Colina dos Mortos" mencionada no Silmarillion; ndengin é uma forma de dengin.) Como sempre, as vogais ei não seriam afetadas de qualquer modo: e

    pennen "falado" > pl. pennin


  • tirnen "protegido, observado" > pl. tirnin

  • Finalmente temos o gerúndio, o substantivo verbal, que também pode ser usado para traduzir infinitivos portugueses (veja acima). Os gerúndios de verbos básicos são facilmente formados com a desinência -ed:
    cab- "pular, saltar" > cabed "salto"


  • cen- "ver, olhar" > cened "visão"


  • glir- "cantar" > glired "canto"


  • tol- "vir, chegar" > toled "chegada"

    Os verbos sindarin cab- "pular, saltar" e cen- "ver, olhar" na verdade são atestados apenas como gerúndios! De acordo com o Silmarillion, a ravina onde Túrin matou Glaurung foi chamada de Cabed-en-Aras ou "Salto do Cervo". O verbo cab- obviamente se refere ao radical KAP "saltar" listado no Etimologias (LR: 362), mas isto não é mencionado lá. Cened "vista" ocorre como parte da palavra composta cenedril "espelho" em RS: 466.

    III. A CONJUGAÇÃO MISTA

    Alguns verbos que por sua forma pareceriam ser radicais A na verdade se situam entre as duas conjugações esboçadas acima. Um exemplo é o verbo drava- "cortar (com machado)". Na maioria das formas ele provavelmente é um radical A bem comportado: infinitivo dravo, presente drava, futuro dravatha, imperativo dravo, particípio ativo dravol, gerúndio dravad. Mas no pretérito esperaríamos a forma *dravant, que não ocorre. Nas notas de Tolkien, como reproduzidas em LR: 354 s.v. DARÁM, ele apresenta o pretérito da 1ª pessoa como drammen ("eu cortei"), apontando para uma forma de 3ª pessoa, dram ("ele, ela cortou"). (Há também um pretérito irregular dramp, com o qual não precisamos nos preocupar aqui – veja parte IV abaixo.) Um pretérito dram é precisamente o que esperaríamos se este fosse um verbo básico, com radical drav- (infinitivo **drevi) ao invés de drava- (inf. dravo). Outro exemplo é o verbo nara- "contar" (infinitivo naro, LR: 374 s.v. NAR2); o pretérito em sindarin antigo ("noldorin antigo") é dado como narne, implicando que o pretérito sindarin seria narn ao invés de **narant. Em resumo: alguns radicais A formam seus pretéritos (da 3ª pessoa do sing.) como se a vogal final não existisse; o pretérito é formado, ao invés disso, de acordo com as regras dos verbos básicos. Nossos poucos exemplos sugerem que este grupo inclui a maioria dos verbos com uma única consoante antes do -a final, enquanto esta consoante não for th ou ch (representando encontros consonantais mais primitivos). Ignorando a vogal final e empregando as mesmas regras dos verbos básicos, chegaríamos à formas de pretérito como as seguintes:

    ava- "não irá" > am "não iria"


  • brona- "durar, sobreviver" > bronn "durou, sobreviveu"


  • drava- "cortar" > dram "cortou"


  • fara- "caçar" > farn "caçou"


  • gala- "crescer" > gall "cresceu"


  • groga- "sentir terror" > grunc "sentiu terror"


  • laba- "saltitar" > lamp "saltitou"


  • loda- "flutuar" > lunt "flutuou"


  • nara- "contar" > narn "contou"


  • pada- "caminhar (em uma trilha ou caminho)" > pant "caminhou"


  • rada- "abrir caminho, encontrar um caminho" > rant "abriu caminho, encontrou um caminho"


  • soga- "beber" > sunc "bebeu"


  • toba- "cobrir" > tump "cobrir"

    (Com respeito à mudança o > u em groga-, loda-, soga-, toba- > pret. grunc, lunt, sunc, tump, veja a seção IV abaixo.)

    Alguns radicais verbais de três sílabas em -da também devem ser designados para a conjugação mista: aphada- "seguir", athrada- "atravessar", gannada- "tocar uma harpa", lathrada- "escutar furtivamente", limmida- "umedecer", nimmida- "branquear" e tangada- "firmar": pretéritos aphant, athrant, gannant, lathrant, limmint, nimmint e tangant, ou com desinências, aphanne- etc. (O pretérito "noldorin" lhimmint, que corresponderia ao sindarin limmint, é mencionado por Tolkien em LR: 369 s.v. LINKWI.)

    Vogais longas provavelmente seriam encurtadas antes do encontro consonantal que surge no pretérito:

    aníra- "desejar" > anirn "desejou"


  • síla- "brilhar" > sill "brilhou"


  • tíra- "observar, guardar" > tirn "observou, guardou"

    Quando desinências adicionais são adicionadas (para produzir outras formas além da 3ª pessoa do singular), a vogal de ligação é aqui e, como o exemplo drammen "eu cortei" demonstra.

    NOTA: uma vez que estes verbos parecem passar para os radicais I no pretérito, podemos supor a vogal de ligação i como em hennin "eu arremessei", de modo que **dremmin "eu cortei", mas este não é o caso. Isto pode ser sustentado pela teoria de que a vogal de ligação i no pretérito surgiu em analogia com seu uso no presente (hedin "eu arremesso"). O verbo drava- não possui i no presente (drava "corta, está cortando"), e assim também não mostra i no pretérito. Ao invés disso encontra- mos e, como poderíamos supor apenas pelas razões fonológicas: drammen.

    Como sempre, -m, -nc, -nt e -mp finais se tornam -mm-, -ng-, -nn- e -mm- entre vogais:

    drava- "cortar" > dram "(ele, ela) cortou" > drammen "eu cortei", drammem "nós cortamos", drammeg/drammechdrammer "(eles) cortaram" "você cortou",


  • laba- "saltitar" > lamp "saltitou" > lammen "eu saltitei" (etc. com as várias desinências)


  • loda- "flutuar" > lunt "flutuou" > lunnen "eu flutuei" (etc.)


  • soga- "beber" > sunc "bebeu" > sungen "eu bebi" (etc.)

    O particípio passivo seria produzido com a desinência -en, assim como no caso de verbos básicos normais. Assim, como sempre, o particípio passado é idêntico à forma da 1ª pessoa do singular, de modo que drammen também poderia ser "cortado" como um particípio, sungeninu, onde ela ocorre, seria y. Assim, a forma plural de sungen seria syngin.) também é "bebido" etc. Estes particípios teriam formas plurais em – (causando metafonia), em outras palavras, se comportando como os particípios passivos de verbos básicos normais. Veja as regras na seção II acima. (O produto da metafonia de

    Como observado acima, estes verbos provavelmente possuem particípios ativos em -ol, como radicais A normais (drava- "cortar" > dravolperfeito presumidamente seria formado de acordo com as regras dos radicais I, como se a vogal final não existisse. Assim, veríamos a desinência -iel combinada com o alongamento da vogal raiz, í, ó e ú representando í, á e ó (drava- "cortar" > dróviel "tendo cortado", soga- "beber" > súgiel "tendo bebido"). Se a vogal já é longa, devemos supor que ela simplesmente permanece longa (síla- "brilhar" > síliel "tendo brilhado"). "cortando"). O particípio ativo

    IV. VERBOS IRREGULARES E ESPECIAIS

    Ao aderir às regras acima, pode-se conseguir a maioria dos verbos corretamente – supondo que o sistema verbal do sindarin tenha sido reconstruído corretamente. Felizmente somos deixados com um número bem pequeno de casos especiais. Alguns deles são facilmente explicáveis em termos da evolução fonológica que Tolkien imaginou, alguns podem refletir as constantes mudanças nas idéias do criador do idioma, alguns são evidentemente estranhos – felizmente não implicando que nossa reconstrução do sistema verbal do sindarin é defeituosa, com as principais deficiências e falhas ao se analisar as intenções de   Tolkien.

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  • U original sobrevivendo antes de uma nasal: em um ponto na evolução do sindarin, o u original em muitos casos se tornou o. Por exemplo, o verbo soga- "beber" vem do radical SUK. Contudo, esta mudança não ocorreu antes de uma nasal, como n ou m. Logo, se um radical verbal contendo a vogal o < u possui uma forma de pretérito envolvendo infixação nasal, a característica original da vogal permaneceria antes desta consoante. Assim, Tolkien observou que o pretérito da 3ª pessoa do  sing. de soga- é sunc (LR: 388 s.v. SUK, embora a forma sogant também fosse válida, o verbo sendo transferido à classe normal dos radicais A). Outros casos prováveis do mesmo fenômeno (não diretamente atestados nos papéis de Tolkien):
    groga- "sentir terror" > pret. 3ª pes. sing. grunc (radical original RUK)


  • loda- "flutuar" > pret. lunt (radical LUT)


  • nod- "amarrar, atar" > pret. nunt (radical NUT)


  • toba- "cobrir" > pret. tump (radical *TUP)


  • tog- "guiar, trazer" > pret. tunc (radical TUK)

    NOTA: no Etimologias, LR: 378 s.v. NOT, o verbo nod- é dado como "nud-", mas isto iria contradizer tudo que sabemos sobre a fonologia sindarin. O verbo toba- [inf. tobo] é derivado a partir do radical TOP em LR: 379, caso no qual o pretérito seria tomp, mas o verbo em quenya untúpa "cobre" no Namárië no SdA sugere que Tolkien decidiu que o radical fosse TUP, apesar de um radical distinto TUP ocorrer no Etim.

    Grunc, lunt, sunc e tump apareceriam como grunge-, lunne-, sunge- e tumme- antes de desinências plurais/pronominais normais – grungergrungen "eu senti medo" etc. Se o exemplo hanthennin (LR: 363 s.v. KHAT) se sustenta, no caso de nunt e tunci antes que as desinências normais fossem adicionadas. Este i desencadearia a mutação u > y, de modo que (com a mudança normal de nt e nc intervocálicos para nn e ng) teríamos, por exemplo, a 1ª pessoa do sing. nynnin "eu atei" e tyngin "eu guiei, eu trouxe". (Mas groga-, loda- e toba- pertenceriam à conjugação mista, com e ao invés i como a vogal de ligação, e assim também sem metafonia: grungen "eu senti medo", lunnen "eu flutuei", tummen "eu cobri".) "(eles) sentiram medo", > veríamos a vogal de ligação

    Os particípios passados de todos os verbos com os quais estamos lidando aqui podem ser formados, com certa regularidade, ao se adicionar -en ao pretérito da 3ª pessoa do sing. (com as mudanças normais nos grupos consonantais finais quando eles se tornam intervocálicos):

    groga- "sentir terror" > pret. grunc > particípio passivo grungen


  • loda- "flutuar" > pret. lunt > particípio passivo lunnen


  • nod- "atar, amarrar" > pret. nunt > particípio passivo nunnen


  • soga- "beber" > pret. sunc > particípio passivo sungen


  • toba- "cobrir" > pret. tump > particípio passivo tummen


  • tog- "guiar, trazer" > pret. tunc > particípio passivo tungen

    E, novamente, veríamos a mutação u > y nas formas plurais destes particípios: gryngin, lynnin, nynnin, tymmin, syngin e tyngin. (Alguns destes verbos, "sentir terror" e "flutuar", geralmente podem, porém, não possuir particípios passivos – visto que eles eram intransitivos.)

    Mas no caso de groga-, loda-, soga- e toba-, também pode ser admissível tomar o caminho mais fácil e simplesmente deixá-los como radicais A (Tolkien fez uma clara observação a este efeito no caso de soga-). Assim, teríamos os pretéritos (na 3ª pes. do sing) grogant, lodant, sogant e tobant (-nt regularmente se tornando -nne- antes de desinências), e os particípios passados grogannen, lodannen, sogannen e tobannen (pl. gregennin, ledennin, segennin e tebennin – ou o arcaico grögennin etc.)


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  • Verbos impessoais: o verbo impessoal "noldorin" bui "é necessário, deve-se, ser compelido a" aparece no Etimologias; em  sindarin ele teria se tornado boe. Não temos exemplos, mas ele provavelmente pode ser usado em contextos como boe maethad in yrch "é necessário combater os orcs". ("deve-se" pode ser expressado como "é necessário ao X fazer Y": boe ‘nin edhil maethad in yrch "é necessário aos elfos combater os orcs" = "os elfos devem combater os orcs"; boe anim baded "é necessário que eu vá" = "eu devo ir".) Talvez boe não possua formas declinadas para tempos etc.; nada desse tipo é sugerido no Etimologias.
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    Outro verbo impessoal é elia- "chover". A forma impessoal "noldorin" expressando "chove", isto é, oeil [= öil], eil posterior, é dado no EtimologiasULU). No sindarin da Terceira Era, a forma seria ail. O pretérito, indicando "choveu", poderia ser aul ou o regular eliant. Podemos conjugar o verbo assim: infinitivo elio "chover", presente ail = forma impessoal da 3ª pessoa do sing. "chove", pretérito eliant ou aul = impessoal da 3ª pessoa do sing "choveu", futuro eliatha = "choverá", imperativo elio "chove!", particípio eliol "chovendo" (perfeito úliel "tendo chovido"), gerúndio eliad "chovendo". Um verbo com este significado dificilmente teria quaisquer particípios passivos. A forma seria eliannen, ou, se usarmos aul como o pretérito, olen. (LR: 396 s.v.


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  • Vários verbos irregulares: no linnod de Gilraen, a palavra onen (ou em algumas edições do SdA, ónen) é usada para "eu dei". Este parece ser o pretérito irregular do verbo anna- "dar" listado no Etimologias (se o verbo fosse regular, o pretérito deveria ser **annant, com annannen > annenOnen aponta para uma forma da 3ª pessoa do singular aun "(ele, ela) deu", que poderia ser regularmente derivada a partir de um pretérito mais antigo áne (compare com óne como o pretérito do verbo em quenya onta- "gerar", LR: 379 s.v. ONO; dado o fato de que o verbo sindarin anna- corresponde ao verbo em quenya anta-, não é inconcebível supor que o pretérito áne pode ter existido em algum estágio, e é na verdade atestado no QL: 31). Aun se torna one- quando uma desinência é adicionada, o ditongo au sendo modificado para o. Conjugação sugerida de anna- "dar": infinitivo anno "dar", presente anna "dá, está dando", pretérito irregular: 3ª pes. sing. aun "deu" com desinências one- (onenonem "nós demos" etc.), futuro annatha "dará", imperativo annoannol "dando", particípio perfeito óniel "tendo dado", particípio passado onen (pl. onin) "dado", gerúndio annad "dando". Note que não há metafonia na forma plural do particípio passado (onin, e não **enin para o arcaico **önin), porque o o a partir de au não é mutado dessa forma.
    para "eu dei"). "eu dei", "dê!", particípio ativo
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    Em LR: 375 s.v. NDAM, o verbo damna- "martelar" é listado, com o pretérito (da 3ª pessoa do sing.) dammint. Ambas as formas são positivamente estranhas. Não pode haver dúvida de que damna é uma leitura errada para damma-, a forma que esperaríamos em termos fonológicos; cf. mm no pretérito. O pretérito "dammint" é muito estranho. Definitivamente suporíamos dammant. Em primeiro lugar, de onde vem o i no pretérito, e se afinal de contas é para ele estar lá, por que ele não causa a mutação de a para e (isto é, demmint)? Se aceitarmos esta forma de pretérito (com desinências damminne-), também teríamos que usar damminnen pl. damminnin como o particípio passivo. Mas, pessoalmente, estou fortemente inclinado a dispensar dammint como uma leitura errada para dammant, caso no qual o verbo seria perfeitamente regular.

    O verbo drava- "cortar" regularmente teria o pretérito dram (com desinências dramme-). De acordo com LR: 354 s.v. DARÁM, um pretérito irregular (da 3ª pessoa do sing.) dramp era usado em poesia – como se o verbo fosse **draba-. Esta forma foi aparentemente usada em adição ao (e não ao invés do) pretérito regular. Com desinências, tanto dramp como dram apareceriam de qualquer forma como dramme- (ex: o pret. da 1ª pessoa drammen que é mencionado nesta entrada no Etimologias).

    Como mencionado acima, o pretérito regular do verbo gwedh- "prender" é gwend (com desinências gwenni-), mas Tolkien indicou que um pretérito irregular gwedhant (como se este fosse um radical A **gwedha-) entrou em uso "posteriormente". O pretérito regular veio a ser considerado como arcaico ou poético. Quando a mudança ocorreu, é possível que o particípio passivo "preso" também tenha sido alterado de gwennen para gwedhannen. Presumidamente, o verbo ainda era, de outra forma, declinado como um verbo "primário" regular (infinitivo gwedhi, presente gwêdh ou, antes de desinências, gwedhi-, futuro gwedhitha, imperativo gwedho, particípio ativo gwedhel, particípio perfeito gwídhiel). Quem sabe o verbo redh- "semear" tenha passado por um desenvolvimento parecido, de modo que o pretérito regular rend foi substituído por redhant?

    O verbo soga- "beber" regularmente teria a 3ª pessoa do singular sogasôg (como se este fosse um verbo primário sog-). Quando desinências são adicionadas para produzir outras formas além da 3ª pessoa do sing., podemos usar o radical de presente regular soga- (assim, sogon [para **sogan] "eu bebo", sogam "nós bebemos" etc.). O pretérito (da 3ª pessoa do sing.) é tanto o regular sunc (com desinências sunge-) como o irregular sogant (com desinências soganne-); Tolkien indicou que ambos são válidos. O particípio passivo "bebido" então seria tanto sogannen (pl. segennin) para o pretérito sogant, como sungen (pl. syngin) se for preferido o pretérito sunc. Felizmente, o verbo soga- "beber" é um bem comportado verbo normal de conjugação mista, como o infinitivo sogo (dado em LR: 388) sugere. Assim, futuro sogatha "beberá", imperativo sogo "beba!", particípio sogol "bebendo" (perfeito súgiel "tendo bebido"), gerúndio sogad "bebida" (como substantivo). "(ele, ela) bebe", mas LR: 388 indica que a 3ª pessoa do sing. é na verdade

    NOTA: a real expressão no LR: 388 s.v. SUK é "N sogo, 3ª pes. sing. sôg, pret. sunc, asogant (sogennen)". Sogo é claramente o infinitivo "beber", sôg é identificado como a 3ª pessoa do singular (no presente), e sunc é, da mesma forma, identificado como o pretérito (da 3ª pessoa do singular). Contudo, asogant não pode ser uma leitura correta do texto de Tolkien. É muito difícil compreender de onde este prefixo a poderia vir, e além do mais, tal prefixo muito provavelmente causaria a mutação suave do s inicial, de modo que teríamos a forma **ahogant. O que Tolkien na verdade escreveu em sua caligrafia complicada deve ter sido "sunc, ou sogant", alternativamente "sunc, e sogant" – um pequeno rabisco representando ou ou possivelmente e sendo lido erroneamente como a por Christopher Tolkien, e prefixado diretamente ao verbo seguinte. A forma sogennen deve ser o particípio passivo "bebido", mas uma vez que o particípio passado é produzido ao se sufixar -en ao pretérito (nt regularmente se tornando nn entre vogais), devemos concluir que "sogennen" é uma leitura errada para sogannen.

    É afirmado que o verbo thora- "cercar" possui o particípio passivo thorenTHUR). Thoren sugere um pretérito thaur. O verbo pode se comportar desse modo: infinitivo thoro "cercar", presente thorathaurthore-; ex: thoren "eu cerquei, eu estava cercando"), futuro thoratha "cercará", imperativo thoro "cerque!", particípio ativo thorol "cercando" (perfeito thóriel "tendo cercado"), particípio passivo thoren "cerdado" (pl. thorin), gerúndio thorad. Note que o particípio perfeito é thóriel ao invés de **thúriel, e que não há metafonia na forma plural do particípio thoren (pl. thorin, e não **therin). Como no caso de outros verbos, isto de deve porque o e ó aqui representam o ditongo au. "cercado" (LR: 393 s.v. "cerca, está cercando", pretérito irregular (da 3ª pessoa do sing.) (com desinências

    O verbo trenar- "relatar, contar até o fim" possui o pretérito (da 3ª pessoa do singular) trenor ou trener (LR: 374 s.v. NAR2). Regularmente, esperaríamos **trenarn. O verbo pode se comportar desse modo: infinitivo treneri "relatar", presente da 3ª pessoa trenar "relata, está relatando" (com desinências treneri-, assim trenerin "eu relato", treniremtrenor ou trener (com desinências tanto trenori- como treneri-; assim, trenorin "eu relatei" etc.; a forma alternativa trenerin entraria em conflito com o presente), futuro treneritha "relatará", imperativo trenaro "relate!", particípio ativo trenareltrenóriel "tendo relatado"), particípio passivo ?trenoren (plural trenorin) "relatado", gerúndio trenared "relatando". Note a ausência de metafonia na forma trenorin ("eu relatei" ou a forma pl. do particípio passivo "relatado"). Provavelmente não encontraríamos trenerin, uma vez que o o de trenorin pode representar au (por sua vez derivado a partir de á longo, uma versão alongada da vogal do radical NAR2; trenortrenâr-). "nós relatamos" etc.), pretérito irregular "relatando" (perfeito pode refletir um pretérito primitivo *

    Na entrada MBAKH no Etimologias (LR: 372), lemos: "Q[uenya] manka- comercializar; makar comerciante, mankale comércio. N[oldorin] banc, banga." O que devemos fazer com isto? Banga- com certeza é a palavra "noldorin" > sindarin correspondente à palavra em quenya manka-, daí o verbo "comercializar". Mas o que significa banc? Se banc é uma forma de banga-, muito provavelmente ela seria um pretérito irregular da 3ª pessoa: "(ele/ela) comercializou" (ao invés do regular bangant). Novamente supondo que se pode confiar no exemplo hennin "eu arremessei", teríamos bengi- antes de desinências; ex: bengin "eu comercializei", bengir "(eles) comercializaram" etc. O particípio passivo também seria bangen (pl. bengin) ao invés de bangannen (pl. bengennin). Mas não vou excluir a possibilidade de que banc não é pretendido como uma forma do verbo banga-; ele poderia ser o substantivo "comércio", correspondendo ao (mas não um cognato exato do) quenya mankale.


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  • Uma possível revisão do sistema: uma passagem no ensaio Quendi and Eldar de cerca de 1960 sugere que Tolkien havia feito uma grande revisão em uma parte do sistema verbal do sindarin (WJ: 415). A referência é feita a
    …um pretérito primitivo, indicado como tal pelo vogal base ‘aumentada’ ou duplicada, e pela vogal raiz longa. Pretéritos desta forma eram comuns em verbos sindarin ‘fortes’ ou primários: como *akâra ‘criou, fez’ > S agor.

    As novas regras para a derivação do pretérito de verbos primários são facilmente reconstruídas: a vogal que ocorre no verbo é prefixada, mas no próprio radical verbal, a, e e o são alteradas para o, i e u, respectivamente (representando a  "vogal raiz longa" â, ê e ô, uma vez que a característica de tais vogais longas foi mudada em sindarin antigo). A vogal i não mudaria. A consoante inicial passaria por mutação suave quando uma vogal fosse prefixada a ela, p > b, t > d, c > g (assim, agor a partir de car-), b > v, d > dh, g > zero, m > v, s > h. (As consoantes f e th ficariam inalteradas.)

    ped- "falar" > ebid "falous"


  • tir- "observar" > idir "observou"


  • car- "fazer" > agor "fez"


  • bad- "ir" > avod "foi"


  • dar- "parar" > adhor "parou"


  • gwedh- "prender" > ewidh (= e’widh) "prendeu"


  • mad- "comer" > avod "comeu" (o mesmo que o pret. de bad-!)


  • nor- "correr" > onur "correu"


  • sog- "beber" > ohug "bebeu"


  • fir- "morrer" > ifir "morreu"

    É claro, isto iria contradizer o sistema mais antigo vislumbrado no Etimologias, onde, por exemplo, o pretérito de gwedh- é  explicitamente dado como gwend (ou gwedhant posterior) ao invés de ewidh. O Etim também possui sunc e sogant ao invés de ohug para "bebeu". Além disso, pent ao invés de ebid para "falou, disses" é atestado fora do Etimologias. Devemos esperar a publicação de mais material antes que possamos determinar até onde Tolkien levou esta revisão – se este foi realmente pretendido como o novo modo de se derivar os pretéritos de verbos primários, tornando completamente obsoleto o sistema anterior que tentamos reconstruir acima. Por enquanto, eu aceitaria agor como o pretérito de car- "fazer", mas de outra forma continuando a usar largamente o sistema "clássico". Talvez a expressão de Tolkien – de que pretéritos do tipo agor eram "comuns" ao invés de universais – implica que se poderia escolher de certa forma de que modo formar o pretérito (está claro a partir de vários textos que Tolkien imaginou que havia muitas variedades e dialetos de sindarin). Podemos deixar  car- "fazer" se comportar assim: infinitivo ceri, presente: 3ª pes. sing. câr "(ele, ela) faz", com desinências ceri- (cerin "eu faço", cerim "nós fazemos" etc.), pretérito irregular agor "fez" (antes de desinências agore-; ex: agoren "eu fiz"), futuro ceritha "fará", imperativo caro "faça!", particípio ativo carelcóriel "tendo feito", particípio passivo coren(ou carnen?) "feito", gerúndio cared "fazendo".
    "fazendo", particípio perfeito

  •  
  • A questão da metafonia em prefixos: alguns verbos sindarin possuem um elemento prefixado (tipicamente preposicional). A questão é: a vogal em tais elementos prefixados deve ser modificada nas formas do verbo que exigem metafonia? Considere o verbo aníra- "desejar a, querer a". Este, até onde podemos dizer, consiste de dois elementos: um verbo íra- "desejar" com o prefixo an- "a, ao". O particípio passivo deste verbo provavelmente seria anirnen. Mas e quanto ao plural? Anirnin ou enirnin
    com metafonia no decorrer da palavra?
  •  

    As notas de Tolkien parecem menos do que consistentes. O verbo osgar- "cortar ao redor, amputar" inclui o elemento prefixado os- "ao redor". O infinitivo esgeri, listado em LR: 379 s.v. OS, mostra metafonia no decorrer da palavra (e não *osgeri, o prefixo sendo excluído da metafonia). Por outro lado, o verbo orthor- "sobrepujar, conquistar" não mostra metafonia no infinitivo, que é listado em LR: 395 s.v. TUR como ortheri. Se esgeri a partir de osgar-, por que não *ertheri a partir de orthor-? Alternativamente, se ortheri a partir de orthor, por que não *osgeri a partir de osgar-?

    Talvez isto seja de certo modo opcional. WJ: 379, tratando de plurais substantivos, sugere que a "afeição" ou metafonia foi aplicada no decorrer da palavra, de modo que uma palavra composta como orodben "monteiro, alpinista" antigamente possuía o plural oerydbin (= örydbin, sindarin clássico erydbin). Mas posteriormente, em certa medida esta palavra foi reconhecida como uma palavra composta orod-benorodbin. Logo, talvez esgeri "amputar" tenha se tornado posteriormente *osgeri, e talvez ortheri represente *ertheri mais antigo. "pessoa-de-montanha", e apenas o segundo elemento foi modificado no plural:

    Aqui estão alguns verbos com prefixos e conjugações sugeridas.

    Com o prefixo go- "juntos":

  • govad- "encontrar, reunir", infinitivo gevedi, presente gevedi- (adicione a desinência apropriada, exceto na 3ª pessoa do singular, que é govad), pretérito gevenni- (3ª sing govant), futuro geveditha, imperativo govado, particípio govadel (perfeito govódiel), particípio passado govannen, gerúndio govaded
  • gonathra- "enredar, emaranhar", inf. gonathro, pres. gonathra, pret. gonathranne- (3ª sing gonathrant), fut. gonathratha, imp. gonathro, part. gonathrol (perfeito genethriel), pp. gonathrannen (pl. genethrennin), ger. gonathrad
  • gonod- "contar, somar", inf. genedi, pres. genedi- (3ª sing gonod), pret. genenni- (3ª sing gonont), fut. geneditha, imp. gonodo, part. gonodel (perfeito gonúdiel), pp. gononnen, ger. gonoded
  • genedia- "calcular", inf. genedio, pres. genedia, pret. genedianne- (3ª sing genediant), fut. genediatha, imp. genedio, part. genediol (perfeito gonúdiel), pp. genediannen (pl. genediennin), ger. genediad
  • (Note que no último verbo, go- aparece na forma modificada em todas as formas exceto no particípio perfeito gonúdiel "tendo calculado". Os verbos intimamente relacionados gonod- e genedia- teriam particípios perfeitos idênticos.)

    Este grupo de verbos que incorpora os prefixos ad- "re-" e an- "a, ao" provavelmente não os mudaria para ed- ou en- onde pode-se pensar que a metafonia ocorra, apesar de não termos exemplos claros:

  • adertha- "reunir", inf. adertho, pres. adertha, pret. aderthanne- (3ª sing aderthant), fut. aderthatha, imp. adertho, part. aderthol (perfeito aderthiel ao invés de ?ederthiel), pp. aderthannen (pl. aderthennin ao invés de ?ederthennin), ger. aderthad
  • anglenna- "aproximar", inf. anglenno, pres. anglenna, pret. anglenne- (3ª sing anglennant), fut. anglennatha, imp. anglenno, part. anglennol (perfeito anglenniel (ao invés de ?englenniel), pp. anglennen (pl. anglennin ao invés de ?englennin), ger. anglennad
  • aníra- "desejar", inf. aníro, pres. aníra, pret. anirne- (3ª sing anirn), fut. aníratha, imp. aníro, part. anírol (perfeito aníriel ao invés de ?eníriel?), pp. anirnen (pl. anirnin ao invés de ?enirnin), ger. anírad

  •  
  • Com o prefixo os- "ao redor":

    osgar- "cortar ao redor, amputar", inf. esgeri, pres. esgeri- (3ª sing osgar), pret. esgerni- (3ª sing osgarn), fut. esgeritha, imp. osgaro, part. osgarel (perfeito osgóriel), pp. osgarnen (pl. esgernin), ger. osgared

    Um longo prefixo claramente independente como palan- "ao longe" pode não mostrar qualquer metafonia:

    palan-dir- "ver/observar ao longe", inf. palan-diri, pres. palan-diri- (3ª sing palan-dir), pret. palan-dirni- (3ª sing palan-dirn), fut. palan-diritha, imp. palan-diro, part. palan-diriel (perfeito palan-díriel – dificilmente ?pelen-díriel), pp. palan-dirnen (pl. palan-dirnin, dificilmente ?pelen-dirnin), ger. palan-dired

    5. PRONOMES

    Pronomes sindarin atestados incluem:

    1ª pessoa do sing: pronome independente im "eu", também a desinência -n; cf. também nin "mim", genitivo nín "meu", também anim "para mim" (evidentemente an "para" + im "eu, *mim") e enni "a mim".


  • 2ª pessoa do sing: a desinência -ch, supondo que agorech signifique *"você fez"; cf. também o pronome dativo reverencial le "a ti", dito ser de origem quenya (RGEO: 73), e lín como o genitivo "teu, seu".


  • 3ª pessoa do sing: e "ele", genitivo dîn "seu, sua" (este provavelmente também poderia ser escrito dín, cf. lín "seu" acima). A palavra den na tradução do Pai Nosso pode significar "ele" como objeto; sendo assim, também poderia abranger "lhe, o".


  • 1ª pessoa do pl: desinência -m "nós" (em avam "nós não iremos", WJ: 371), evidentemente men e mín como pronomes independentes "nós" ou "nos", também ammen "para nós" ou "de nós" (para *an men; an "para, a", men = "nós"?). "Nosso" é vín.


  • 2ª pessoa do pl: nenhum encontrado, a não ser que -ch abranja tanto sing. como o pl. "vós" (cf. PM: 45-46)


  • 3ª pessoa do pl: hain "os, as, lhes" (provavelmente também como sujeito "eles")

    Quando adicionada a um radical terminando em -a, a desinência pronominal -n "eu" parece mudar esta vogal para -o; compare avam "nós não iremos" com avon "eu não irei" (WJ: 371, ava = "não irá"). Cf. também linnon "eu canto" e linnathon "eu cantarei"; os radicais são evidentemente linna e *linnatha, "canta" e "cantará" (assim, *linnam "nós cantamos", *linnach "você canta"?)

    Embora uma palavra independente para "meu" seja dada em CI: 34 (nín), também existe uma desinência -en que pode expressar o mesmo significado. Ela é atestada na palavra lammen "minha língua" na invocação de Gandalf diante do Portão de Moria (SdA1/II cap. 4; veja RS: 463 para a tradução). Compare com a desinência em quenya -nya "meu". Uma segunda atestação da desinência sindarin correspondente se tornou disponível em julho de 2000, quando uma frase incluindo a palavra gurenen "meu" foi publicada. Uma vez que Tolkien usa em outros lugares pronomes independentes para "meu" e "seu", pode ser que ele tenha mudado de idéia constantemente quanto ao sindarin usar desinências ou pronomes genitivos independentes. "meu coração" foi publicada no VT41: 11, 15. Presuidamente, o sindarin também possui outras desinências pronominais possessivas, mas apenas -

    Em adição ao pronome genitivo dîn "seu", a Carta do Rei também possui în: o rei deseja saudar mhellyn în phain, todos seus amigos. Embora în, como dîn, seja traduzido "seu(s)" em português, parece que este, na verdade, é um pronome genitivo reflexivo, se referindo ao sujeito anterior na frase. Em sindarin pode haver uma distinção que não é regularmente expressa em português. Duas frases como *i venn hunc haw în e *i venn hunc haw dîn seriam ambas traduzidas como "o homem bebeu seu suco" em português, mas a primeira significa "o homem bebeu seu (próprio) suco", enquanto que a segunda significa "o homem bebeu seu suco (de outra pessoa)".

    Sob o radical S- no Etimologias, alguns pronomes "noldorin" são listados, mas não se sabe se eles são válidos no sindarin no estilo do SdA: ho, hon, hono "ele", he, hen, hene "ela"; ha, hana "isto". Os plurais são dados como huin, hîn, hein, evidentemente significando "eles" se referindo a um grupo de homens, mulheres e coisas, respectivamente. Hein mais tarde apareceria como hain por causa da mudança regular de som; cf. a inscrição do Portão de Moria: Im Narvi hain echant "eu, Narvi, as [= as letras] fiz". Além disso, o pronome "noldorin" huin apareceria como *hýn no sindarin (da Terceira Era).

  • Publicado em As línguas de Arda | 1 comentário

    Namárië (Quenya)

    Também chamado: O Lamento de Galadriel
    Erroneamente (?) chamado: A Canção dos Elfos além do Mar

    Namárië é o maior texto em quenya no SdA. Junto com o poema Markirya em MC: 220-221, é nosso principal exemplo de um texto em quenya "maduro" ou no estilo do SdA. Entre os estudantes de élfico, a canção é quase que invariavelmente chamada de Namárië, "Adeus", este sendo o título que Tolkien usou para ela em The Road Goes Ever On. Contudo, ela também é conhecida como Lamento de Galadriel. Algumas pessoas também a tem chamado de Canção dos Elfos além do Mar, um título que elas evidentemente encontraram no glossário do SdA. Porém, este deve ser na verdade o título de outra canção, a cantada por Galadriel previamente neste capítulo ("Cantei as folhas, de ouro folhas, e folhas de ouro vi brotar"…). Em uma edição do SdA, o glossário inclui a entrada "Canção dos Elfos além do Mar" que se refere à página onde o Namárië é encontrado – mas Tolkien não se refere à esta canção por qualquer título no material publicado.

    Em The Road Goes Ever On (RGEO), o poema é dado em três versões. A primeira é o Namárië escrito em Tengwar, nosso único exemplo substancial de um texto em quenya na escrita élfica. As duas outras versões são dadas em RGEO: 66-67. Uma é (quase) idêntica ao texto do SdA, mas Tolkien acrescentou acentos, indicando toda as menores e maiores ênfases. Ela é seguida por uma versão com uma tradução entrelinhas. A última versão de certo modo difere dos outros textos, principalmente na ordem das palavras, pois Tolkien reorganizou-a em "em estilo mais claro e normal". Ele explicou que o texto no SdA possui uma ordem de palavras e estilo "poéticos", fazendo concessões à métrica.

    Um versão muito antiga do Namárië, da qual apenas a primeira linha sobreviveu no SdA, foi publicada em TI: 284-285: Ai! laurie lantar lassi súrinen / inyalemíne rámar aldaron / inyali ettulielle turme márien / anduniesse la míruvórion / Varda telúmen falmar kírien / laurealassion ómar mailinon. / Elentári Vardan Oiolossëan / Tintallen máli ortelúmenen / arkandavá-le qantamalle túlier / e falmalillon morne sindanórie / no mírinoite kallasilya Valimar. A maioria das palavras pode ser identificada, mas uma tradução direta é difícil de dar e, de qualquer forma, isto pode não ser 100 % quenya maduro. Esta versão primitiva não é discutida além disso aqui. (Para uma discussão quase exaustiva dos várias estágios e variantes do Lamento, ver o artigo de David Salo no Tyalië Tyelelliéva #12.)

    NAMÁRIË, com a tradução de Tolkien intercalada (a maioria das linhas traduz o texto em quenya acima delas, mas em alguns casos as linhas não podem ser perfeitamente combinadas com a tradução, uma vez que a ordem de palavras não é a mesma):

              Ai! laurië lantar lassi súrinen,
              Ah! como ouro caem as folhas ao vento,
              yéni únótimë ve rámar aldaron!
              longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
              Yéni ve lintë yuldar avánier
              Os longos anos se passaram como goles rápidos
              mi oromardi lissë-miruvóreva
              do doce hidromel em salões altos
              Andúnë pella, Vardo tellumar
              além do Oeste, sob as abóbadas azuis de Varda
              nu luini yassen tintilar i eleni
              onde as estrelas tremem
              ómaryo airetári-lírinen.
              na voz de sua canção, de santa e rainha.

              Sí man i yulma nin enquantuva?
              Quem agora há de encher-me a taça outra vez?

              An sí Tintallë Varda Oiolossëo
              Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,
              ve fanyar máryat Elentári ortanë
              do Monte Semprebranco ergueu suas mãos como nuvens
              ar ilyë tier undulávë lumbulë
              e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
              ar sindanóriello caita mornië
              e de uma terra cinzenta a escuridão se deita
              i falmalinnar imbë met,
              sobre as ondas espumantes entre nós,
              ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
              e a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
              Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
              Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
              Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
              Adeus! Talvez tu hajas de encontrar Valimar!
              Nai elyë hiruva. Namárië!
              Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!

    Na versão em Tengwar da canção encontrada em RGEO, há o sobrescrito Namárië. Altariello Nainië Lóriendessë ("Adeus. Lamento de Galadriel em Lorien").
     

    ANÁLISE PALAVRA POR PALAVRA

    Ai! laurië lantar lassi súrinen "ah! como ouro caem as folhas": Ai! interjeição de pesar, aqui traduzida "ah!"; a tradução entrelinhas em RGEO: 66 tem "ai!" laurië "douradas" (aqui traduzida "como ouro"), a forma plural do adjetivo laurëa (pl. para concordar com lassi "folhas", ver abaixo). Em várias passagens, Tolkien afirmou que o substantivo correspondente laurë não se refere ao metal ouro, mas à cor dourada ou luz. lantar: uma forma do verbo lanta- "cair", aqui no aoristo plural, em português "caem" (em oposição ao tempo presente *lantëar "estão caindo" – o aoristo do quenya freqüentemente corresponde ao presente do indicativo do português, em oposição à construção "está/estão …-ndo"). No caso de um verbo "radical A" como este, o aoristo como tal é idêntico ao radical verbal sem adições. Aqui o verbo recebe também a desinência de plural -r: o verbo está no plural para concordar com seu sujeito, que é lassi: pl. de lassë "folha", cf. o último elemento do nome Legolas "Verdefolha" (ele mesmo uma amostra de uma variante dialetal de sindarin). súrinen "ao vento", súrë "vento" (MC: 222) + a desinência instrumental -nen "ao, pelo, com", aqui indicando o que faz a ação verbal acontecer (o que faz as folhas caírem). "pelo vento" seria uma tradução mais literal do que o "ao vento" de Tolkien. Não está bem claro por que o ë final de súrë torna-se i quando a desinência -nen é adicionada; talvez o i seja preferido quando há uma vogal longa na sílaba anterior, como ú neste caso. Por outra teoria talvez mais provável, súrë pode ter sido antigamente *súri, uma vez o -i curto de final de palavras do élfico primitivo tornou-se -ë em quenya. Contudo, o *i primitivo ficou inalterado não sendo final, como quando desinências gramaticais são adicionadas depois dele. SD: 415 fornece outro exemplo de uma palavra -ë que muda esta vogal para -i- quando uma desinência é adicionada: é dito que o substantivo lómë "noite" possui o radical lómi-, de modo que sua forma instrumental evidentemente seria *lóminen.
     
    Na versão em prosa, Tolkien corrigiu a ordem das palavras para Ai! lassi lantar laurië súrinen, "ah! [as] folhas caem douradas ao vento". Note que o sujeito lassi fica aqui antes de seu verbo lantar; esta aparentemente é a ordem normal "não-poética".
     
    yéni únótimë ve rámar aldaron "longos anos inumeráveis como as asas das árvores": yéni: pl. de yén. Por Tolkien, yéni foi traduzida tentativamente por "longos anos". Um yén é a palavra em quenya para o período de 144 anos solares, um "século" élfico – os elfos freqüentemente usavam um sistema numérico duodecimal, no qual 144 é o primeiro dígito de três números, como o nosso 100. Em obras mais antigas, porém, parece que Tolkien pretendia que yén significasse um ano solar normal: ver a entrada YEN no Etimologias. (Nesta entrada, também é afirmado que o substantivo yén possui a forma de radical yen-, de modo que seu plural seria *yeni ao invés de yéni, como no texto diante de nós; Tolkien parece ter revisado isto.) únótimë "incontáveis": prefixo ú- "in-", not- "contar" e a desinência adjetiva -ima, aqui na forma plural -imë, que freqüentemente possui o significado "-ável". Quando usada neste sentido e adicionada a um radical verbal básico, esta desinência faz com que a vogal raiz torne-se longa, daí not- > -nót-. Na tradução entrelinhas dada em The Road Goes Ever On, Tolkien não disse explicitamente que únótimë é um adjetivo no plural, embora ele o tenha feito no caso de outros verbos e adjetivos no plural. Por causa disso, os autores de An Introduction to Elvish (1978) concluíram que a desinência -imë é tanto singular como plural (pág. 32). Isto está errado; a forma singular -ima está bem atestada agora (apesar de que a forma singular *únótima raramente será encontrada, exceto em um dicionário; por razões semânticas óbvias, um adjetivo que significa "incontável" geralmente estará no plural em um contexto textual). ve "como". rámar pl. de ráma "asa". aldaron "das árvores", genitivo plural de alda "árvore". Esta palavra possui um indicador de plural duplo: o nominativo plural é aldar, ao qual é adicionado a desinência genitiva -o, que exige ainda outro indicador de plural, -n, quando ela é sufixada a um substantivo no plural. Esta é a mesma desinência genitiva plural -on como em Silmarillion, "(a História) das Silmarils".
    Na versão em prosa, Tolkien corrigiu a ordem das palavras para yéni únótime ve aldaron rámar, com o genitivo aldaron precedendo rámar "asas", a palavra que ele rege.
     
    yéni ve lintë yuldar avánier "[os] longos anos se passaram como goles rápidos": yéni "longos anos" novamente. ve "como" novamente. lintë "rápidos", pl. do adjetivo *linta, não atestado de outra forma como uma palavra do quenya. Porém, esta palavra remete à infância de Tolkien; no primitivo idioma nevbosh, que ele e outras crianças inventaram, lint significava "rápido, ágil, hábil" (MC: 205). Lintë está no plural para concordar com yuldar, pl. de *yulda "gole". avánier "se passaram", o tempo perfeito particularmente irregular do verbo auta- "passar", que também ocorre no grito ouvido antes da Nirnaeth Arnoediad: Auta i lómë! "A noite está passando!" (Silmarillion cap. 20). Apesar das irregularidades, avánier possui a desinência -ië, que é característica de perfeitos (aqui com a desinência de plural -r para concordar com seu sujeito no plural: yéni). Ele também possui o aumento prefixado: a vogal raiz (aqui a) é duplicada no início da palavra (compare com utúlië como o perfeito de tul- "chegar, vir"). A própria vogal raiz é é alongada se não for seguida por um encontro consonantal; por isso o á longo de avánier.
     
    Suspeito que, quando Tolkien escreveu o Namárië, ele pensou em avánier - ou, mais exatamente, a forma sem aumento vánier, que era a existente na primeira edição do SdA – como o tempo perfeito de um verbo encontrado no Etimologias: vanya- "ir, partir, desaparecer" (LR: 397, radical WAN). O verbo auta- e sua conjugação irregular só apareceram mais tarde; ver WJ: 366.
     
    Em uma versão gravada do Namárië, com o poema sendo lido pelo próprio Tolkien, uma leitura diferente ocorre: Inyar únóti nar ve rámar aldaron! Inyar ve lintë yulmar vánier… *"Anos incontáveis são como asas de árvores! Anos como taças rápidas se passaram…" (Ver An Introduction to Elvish pág. 5). Aqui, ocorre outra palavra para "anos", inyar, e há um verbo nar "são", útil aos escritores.
     
    mi oromardi lissë-miruvóreva Andúnë pella "[goles...] em salões altos do doce hidromel": mi "no". No Etimologias, radical MI, a preposição mi é listada simplesmente como "em, dentro" (LR: 373), e não "no". O texto do Namárië no RGEO: 66 possui com uma vogal longa (duas vezes, de modo que esse não é um erro de impressão). Uma vez que "o" é i, a forma parece representar mi i, sugerindo que a leitura correta deveria ser mi = "em" e = "no (em + o)". (Mas em CI: 340, é novamente afirmado que mi com uma vogal curta significa "no".) oromardi "salões altos". O elemento oro- evidentemente é a parte traduzida "altos"; cf. o radical  ORO "acima; erguer; alto; etc." no Etimologias (LR: 379). Mardi poderia ser o plural da palavra, não atestada de outro modo, *mardë "salão"; ela também pode ser uma forma de mar "lar, casa" (como em Eldamar "Casadelfos"), supondo que ela tenha o radical mard- (cf. sar "pedra", pl. sardi). lissë-miruvóreva "do doce hidromel". Lissë é claramente o elemento traduzido "doce"; o Etimologiaslis "mel", dativo sing. lissen (LR: 369, radical LIS). Miruvóreva é a forma possessiva de miruvórë, aqui traduzida "hidromel". De acordo com RGEO: 69, miruvórë era "uma palavra derivada do idioma dos Valar; o nome que eles deram à bebida servida em seus festivais" (ver mirub- na lista de palavras anexada ao artigo sobre o valarin para maiores informações). O caso possessivo, ou genitivo "possessivo-adjetivo" como Tolkien o chama em WJ: 369, é usado aqui adjetivamente – para indicar do que alguma coisa é feita ou composta. (Este caso era na verdade chamado "composto", embora este fosse o único exemplo que tivemos.) Miruvóreva "do doce hidromel" refere-se a lintë yuldar ou "rápidos goles" na linha anterior: "rápidos goles do doce hidromel". Andúnë "Oeste", derivada do mesmo radical NDU da palavra mais comum Númen (cf. Númenor = Ponente). No Etimologias, Andúnë é listada como "pôr-do-sol" (LR: 376), enquanto que ela é usada para significar "entardecer" no poema Markirya (MC: 222 cf. 214-215). pella "além"; note que, em quenya, esta parece ser uma posposição ao invés de uma preposição: Andúnë pella "(o) Oeste além". Compare com elenillor pella, "das estrelas além" = "de além das estrelas" no poema Markirya.
     
    Vardo tellumar nu luini yassen tintilar i eleni ómaryo airetári-lírinen "sob as abóbadas azuis de Varda onde as estrelas tremem na voz de sua canção, de santa e rainha": Vardo é o genitivo de Varda; a desinência genitiva -o omite o -a final; outro exemplo de Namárië é Calaciryo"de Calacirya" (para *Calaciryao – ver abaixo). tellumar "abóbadas", pl. de telluma. WJ: 399 explica que esta palavra é alterada a partir da forma original em quenya telumë "abóbada, especialmente do céu" (cf. LR: 391, radical TEL, TELU). Ela foi modificada para telluma sob a influência da palavra valarin delgûmâ. A nova palavra telluma era aplicada especialmente à "Abóbada de Varda" sobre Valinor; ela também era usada para as abóbadas da mansão de Manwë e Varda em Taniquetil. A primeiro significado parece ser relevante aqui. nu "sob". luini "azuis", plural para concordar com tellumar; a forma sing. é tanto *luin como *luinë. A ordem das palavras faz grandes concessões à métrica; de fato, o texto ameaça acabar em algo sem sentido ("as abóbadas de Varda sob os azuis" para "sob as abóbadas azuis de Varda"). yassen "onde" ou *"nas quais": pronome relativo ya "qual" + a desinência -ssen para o locativo plural (plural para concordar com as tellumar ou "abóbadas"; a forma singular seria *yassë; ex: *Vardo telluma yassë… "a abóbada de Varda onde…") tintilar "tremem", mais literalmente "cintilam" (e assim se encontra na tradução entrelinhas em RGEO: 67). Aparentemente um radical A *tintila- (funcionando aqui como o aoristo) + a desinência de plural -r para concordar com o subseqüente sujeito no plural, "as estrelas". *Tintila- na verdade pode ser um radical passivo ou reflexivo de tinta- "fazer cintilar; inflamar" – com a forma tintilar implicando que as estrelas *"vem a cintilar" ou *"fazem cintilarem a si mesmas"? i "as". eleni "estrelas", pl. de elen "estrela"; a expressão i eleni é o sujeito de tintilar. ómaryo "de sua voz", genitivo de ómarya "sua voz" (como em Vardo "de Varda", com a desinência genitiva -o omitindo o -a final). ómarya é óma "voz" com a desinência -rya "seu, sua (dele/dela)". Em quenya, os pronomes – mesmo os pronomes possessivos como "meu", "seu" ou "dela" – são geralmente expressos como desinências, e não como palavras separadas. Por muito tempo se pensou que a desinência -rya significava apenas "seu (dela)", mas em WJ: 369 há dois exemplos desta desinência, significando "seu (dele)" em um caso e "seu (dela)" no outro. O contexto determina o gênero. Esta desinência ocorre mais uma vez no Namárië, na palavra máryat "suas mãos"; ver abaixo. airetári-lírinen, "pela canção de rainha sagrada (= de Varda)". Esta é a palavra regida pelo genitivo precedente, de modo que ómaryo airetári-lírinen significa literalmente "pela canção de rainha sagrada de sua voz" ou, como Tolkien a traduziu: "na voz de sua canção, de santa e rainha". Airetári é tári "rainha" com um elemento airë prefixado, traduzido aqui como "sagrado, santo"; Mais tarde Tolkien explicou isto em PM: 364: "O adjetivo aira era o equivalente mais próximo de ‘sagrado’; e o substantivo airë de ‘santidade’. Airë era usado pelos Eldar como um título de referência aos Valar e aos maiores Máyar [Maiar]. Dirigiriam-se à Varda como Airë Tári. (Cf. o Lamento de Galadriel, onde é dito que as estrelas tremiam ao som da voz da rainha sagrada: cuja forma normal ou prosaica teria sido tintilar lirinen ómaryo Airë-tário.)" – PM: 364.
     
    Na versão prosaica em The Road Goes Ever On, Tolkien usou a ordem de palavras yéni avánier ve lintë yuldar lisse-miruvóreva mí oromardi Andúnë pella Vardo nu luini tellumar, yassen tintilar i eleni ómaryo lírinen aire-tário. *"Os longos anos se passaram como goles rápidos do doce hidromel nos salões altos além do Oeste sob as abóbadas azuis de Varda, nas quais as estrelas cintilam pela canção de sua voz, de santa e rainha". Observe especialmente que a expressão lintë yuldar lisse-miruvóreva "goles rápidos do doce hidromel" não é mais interrompida por mí oromardi "nos salões altos". A ordem das palavras da expressão "sob as abobadas azuis de Varda" é muito estranha: Vardo nu luini tellumar, "de Varda sob abóbadas azuis". Foi sugerido que, em quenya, não é permitido que um genitivo venha entre uma preposição e a expressão substantiva que ele rege. Contudo, a versão prosaica do Namárië também tem ve aldaron rámar "como as asas das árvores" com a ordem de palavras que esperaríamos, e não *aldaron ve rámar, de modo que esta pode não ser uma regra absoluta. Uma mudança vai além do que apenas alternar a ordem das palavras: a estranha palavra composta airetári-lírinen "pela canção de rainha sagrada" é dissolvida agora em no genitivo aire-tário "de santa e rainha" regendo o substantivo instrumental lírinen "pela canção", daí "pela canção de rainha sagrada". Já citamos outra "forma prosaica ou normal", aquela que é apresentada em PM: 364: lirinen [leia lírinen] ómaryo Airë-tário, isto é, *"pela canção de sua voz, de rainha sagrada".
     
    A primeira metade do poema termina na pergunta sí man i yulma nin enquantuva? "quem agora há de encher-me a taça outra vez" (a análise dos elementos da frase será feita com o significado literal dos mesmos, para melhor entendimento das partes que os compõem) : "agora", man "quem", i "a", yulma "taça", nin "para mim" (ni "eu" + desinência dativa -n "para"), enquantuva "reencherá". A palavra enquantuva consiste de en- "re", o radical quat- "encher" e a desinência de futuro -uva. O radical aparece aqui em uma forma infixada por nasalização: quant-. De fato tem-se pensado que o radical do verbo "encher" é quant- ou *quanta-, que seria flexionado mais ou menos assim: aoristo *quanta "enche", presente *quantëa "está enchendo", pretérito *quantanë "encheu" (cf. ortanë a partir de orta-), perfeito *aquantië "tem enchido", futuro quantuva. Porém, WJ: 392 sugere que *quanta- pode não ser realmente o radical do verbo: no ensaio Quendi and Eldar, Tolkien parece estar dizendo que o radical do verbo quenya "encher" é quat-. Considerado junto com a forma de futuro quantuva, isto parece indicar que esta classe de verbos passa por infixação nasal no futuro. Assim sendo, devemos supor que a conjugação não é aquela esboçada acima, e sim aquela de um verbo básico: aoristo *quatë (quati-) "enche", presente *quáta "está enchendo", pretérito *quantë "encheu", perfeito aquátië "tem enchido", futuro quantuva "encherá" (o qual, parece, é atestado aqui com o prefixo en-). Se a idéia de Tolkien era a de que esta classe de verbos mostrasse infixação nasal no futuro, então esta idéia pode ser tardia; de fato há uma inscrição desta linha em Tengwar que parece ser lida enquatuva (ver Vinyar Tengwar #21, pág. 6). Mas também é possível que o verbo quenya "encher" possa ser tanto quat- como quanta-; assim sendo, quatuva é o futuro da variante anterior, enquanto que quantuva é o futuro da última.
     
    An sí Tintallë Varda Oiolossëo "Pois agora [a] Inflamadora, Varda, do Monte Semprebranco…" an "pois". "agora", como na linha anterior. Tintallë "[a] Inflamadora", um título de Varda, que inflamou as estrelas: o radical verbal tinta- "inflamar", com o sufixo -llë, evidentemente uma desinência agental feminina. Varda "a Sublime", nome da Rainha dos Valar, esposa de Manwë. Oiolossëo "do Monte Semprebranco". Na verdade, não há um elemento que significa "Monte", mas todos os elfos sabiam que Oiolossë era uma montanha. Os morfemas são oio- "sempre", lossë "branco" ou "branco como a neve", e -o, que geralmente é a desinência genitiva, mas é usada aqui no sentido ablativo "do". Este parece ser um uso excepcional do genitivo, apesar da desinência -o na verdade vir do elemento quendiano primitivo HO "de". Oiolossëo é usada ao invés do ablativo normal *Oiolossello provavelmente porque a última não se adequaria à métrica do poema. Da forma em que se encontra, Varda Oiolossëo poderia bem ser compreendida como **"Varda de Oiolossë".
     
    ve fanyar máryat Elentári ortanë "…como nuvens suas mãos [a] Rainha das Estrelas ergueu": ve "como". fanyar: pl. de fanya "nuvem". máryat "suas mãos", isto é, "mão" + -rya "sua (dele/dela)" + a desinência dual -t, indicando um par de mãos. Como observado acima, os pronomes – mesmo possessivos como "meu", "seu" or "dela" – são geralmente expressos como desinências, e não como palavras separadas. Já encontramos a desinência -rya "sua (dele/dela)" em ómaryo, genitivo de ómarya "sua voz". Elentári "a Rainha das Estrelas" (elen "estrela" + tári "rainha"). ortanë: o pretérito de orta- "erguer, levantar" (LR: 379, radical ORO). (Em 1978, em An Introduction to Elvish pág. 37, pensou-se que o radical desta palavra fosse **ortan- com uma desinência de pretérito -ë; esta divisão equivocada foi baseada na teoria de que -ë de certo modo era a desinência de pretérito universal. Esta teoria estava errada, mas parecia razoável pelo ínfimo corpus então disponível.)
     
    ar ilyë tier undulávë lumbulë: ar "e". ilyë o pl. de ilya "todo" (LR: 361, radical IL), aqui usado adjetivamente e, portanto, deve concordar com a palavra seguinte no plural: tier pl. de tië "caminhos" (LR: 391 radical TE3). undulávë literalmente "engolido" (undu + lávë); lávë é um tipo incomum de pretérito, formado pelo alongamento da vogal raiz do radical lav- "lamber" e ao adicionar-se -ë. lumbulë "sombra, trevas". A linha é traduzida "e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas", literalmente *"e todos os caminhos a sombra engoliu".
     
    ar sindanóriello caita mornië i falmalinnar imbë met "e de uma terra cinzenta a escuridão se deita sobre as ondas espumantes entre nós": ar "e". sindanóriello o ablativo de sindanórië, uma palavra composta de sinda "cinzento" (cf. Sindar = *"Cinzentos", elfos-cinzentos; sindarin "élfico-cinzento") e nórië"país, terra", aparentemente uma variante de nórë "terra"; nórië não é atestada de outra forma. caita "deita", um verbo só atestado aqui, embora ele seja claramente derivado do radical KAY "deitar", que ocorre no Etimologias. A desinência -ta é usada freqüentemente para produzir verbos; o radical verbal caita funciona aqui como um aoristo. mornië "escuridão" (aparentemente uma formação abstrata baseada no adjetivo morna "negro, escuro"). i "as", falmalinnar "sobre as ondas espumantes". Os elementos são falma "onda espumante ou encrespada" (primitiva *phalmâ, reconstrução minha, significaria algo como "algo-de-espuma"), -li para o plural partitivo, -nna para o alativo "a" ou "sobre", e uma desinência extra de plural (na verdade, opcional) -r. O porque do plural partitivo ser usado, ou mesmo qual é a função deste plural, não se sabe completamente. Combinado com o artigo i "as" como se apresenta aqui, ele pode indicar muitos: que estejamos falando sobre um grande número de ondas. Interessantemente, Tolkien analisou falmalinnar como falma-li-nnar na tradução entrelinhas em RGEO: 67 e listou o elemento central como "muitas". imbë "entre". met: o pronome me "nós" com a desinência dual -t que já encontramos em máryat "suas [duas] mãos". Meté "nós" exclusivo, isto é, "eu e outra pessoa", e não inclusivo "eu e tu": Galadriel está se referindo à si mesma e à Varda, e não a si mesma e Frodo, que está escutando sua canção (ela se dirigirá a ele como "tu" nas linhas finais da canção).
     
    Na versão prosaica, estas linhas apresentam an sí Varda, Tintallë, Elentári ortanë máryat Oiolossëo ve fanyar, ar lumbulë undulávë ilyë tier; ar sindanóriello mornië caita i falmalinnar imbë met. A ordem das palavras é aqui sempre sujeito-verbo, enquanto que os verbos freqüentemente precedem seus sujeitos na versão poética (cf. lantar lassi tornando-se lassi lantar "folhas caem" na primeira linha do poema). Observe especialmente que lumbulë "trevas" é claramente aqui o sujeito e ilyë tier "todos os caminhos" é claramente o objeto do verbo undulávë, e não vice-versa. Na versão poética, evita-se a confusão apenas pelo fato de que o verbo está no singular, enquanto que ilyë tier está no plural e, assim, não pode ser seu sujeito.
     
    ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë "e a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre": ar "e", hísië "névoa", untúpa "cobre". Literalmente, o prefixo un- aparentemente é a parte que significa "abaixo" (cf. nu "sob"); túpa pode ser o presente (ou "contínuo") de um radical *tup- "cobrir", formado pelo alongamento da vogal raiz e ao se adicionar -a. O Etimologias lista a raiz variante TOP- "cobrir", daí tópa- "encimar". Se este for um verbo radical A por si só, e que foi alterado posteriormente para túpa-, o verbo que ocorre no poema na verdade pode estar ser uma forma aorista (e não presente). A tradução entrelinhas de Tolkien "cobre" (RGEO: 67), e não "está cobrindo", pode apontar na mesma direção. Calaciryo "de Calacirya"; como no caso de Varda vs. a forma genitiva Vardo, a desinência genitiva -o omite o -a final. míri, "jóias",pl. de mírë "jóia". oialë é aqui traduzida como "para sempre"; de acordo com o Etimologias, entrada OY, este é um substantivo que significa "era interminável" (na verdade, a palavra "era" não estava certamente legível, mas a forma da própria palavra parece confirmar a leitura de Christopher Tolkien). Aqui, oialë é usada adverbialmente: "(em uma) era interminável".
     
    Si vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar "agora perdida está, do Leste perdida, Valimar": "agora", uma palavra que já encontramos duas vezes anteriormente. vanwa "perdida", o particípio passado irregular do verbo auta- "ir embora, partir", cuja forma perfeita, avánier, também ocorre neste poema (ver WJ: 366). "está", nossa única atestação deste importante verbo em um texto real. Porém, LR: 374 lista como o "radical do verbo ‘ser’ em quenya". Rómello "do Leste", ablativo de Rómen "(o) Leste", o -n final é elidido quando a desinência -llo "de, a partir de" é sufixada, uma vez que o encontro **nll é impossível. (Alternativamente, uma vogal poderia ter sido inserida: *Rómenello.) vanwa "perdida" novamente. Valimar, apropriadamente o nome da Cidade dos Valar no Reino Abençoado; ele significa "Casa  dos Vali", com Vali sendo uma variante de Valar (também em Valinor). No Silmarillion, a forma mais curta Valmar é usada. Nesta canção, Valimar é usada em um sentido mais amplo, e parece incluir toda Valinor.
     
    Namárie! Nai hiruvalyë Valimar: "Adeus! Talvez tu hajas de encontrar Valimar! "Namárië! "Adeus!" (creio que esta palavra agrega *márië "bondade, bem-estar", uma formação abstrata não atestada de outra forma, baseada no adjetivo mára "bom"; compare com mornië "escuridão" a partir de morna "escuro".) Nai: aqui traduzida "talvez", mas nai seguida por um verbo no futuro, como aqui, constitui uma fórmula optativa ou "de desejo". Na tradução entrelinhas no RGEO: 67, Tolkien traduziu nai como "seja que", e a expressão inteira nai hiruvalyë significa "seja que tu hajas de encontrar" (ou *"que tu encontres"). hiruvalyë "tu hajas de encontrar": hir- radical "encontrar" + a desinência de futuro -uva + a desinência pronominal -lyë"tu". Diferente do "tu" português, -lyë pode não apresentar número; assim sendo, ela também poderia ser o plural "vocês". De acordo com PM: 42-43, Tolkien escreveu: "Todos estes idiomas, humanos e élficos, não possuíam, ou originalmente não possuíam distinção entre o singular e o plural dos pronomes de segunda pessoa." Mas, se esta idéia é válida em todos os (e em particular nos tardios) estágios da concepção de Tolkien do élfico, não temos como saber. Valimar ocorre novamente, sendo aqui o objeto de hiruvalyë.
     
    Nai elyë hiruva. Namárië! "Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la." Nai "seja que". elyë "tu", o único pronome independente neste texto. Ele obviamente está relacionado com a desinência -lyë na frase anterior. A forma independente é usada aqui porque o pronome é enfático: "Talvez tu hajas de encontrar" – ou, como Tolkien o traduz, "talvez tu mesmo hajas de encontrar". Supõe-se que a maioria dos pronomes independentes são produzidos como elyë: ao se prefixar e- à desinência pronominal correspondente. (Entretanto, a forma independente de -nyë "eu" parece ser inyë ao invés de *enyë.) hiruva "hajas de encontrar", como em hiruvalyë, mas aqui sem a desinência -lyë, uma vez que o pronome já foi expresso como uma palavra separada. O poema termina em um segundo namárië, "adeus!"
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    Naffarin

    "Pelo menos sabemos que ‘vrú’ significa ‘sempre’

    O Naffarínos cutá vu navru cangor luttos ca vúna tiéranar, dana maga tíer ce vru encá vún’ farta once ya merúta vúna maxt’ amámen.

    O significado desta estranha frase provavelmente está perdido para sempre, exceto que a palavra vru, ou vrú, significa "sem- pre". Este é o único exemplo que Tolkien fornece do naffarin (MC: 209), o idioma particular mais sofisticado que ele come-  çou a desenvolver quando o nevbosh morreu. De fato, o naffarin parcialmente sobrepôs os últimos estágios do nevbosh. Ao contrário do nevbosh, o naffarin nunca foi partilhado com outros; não parece que o jovem Tolkien sequer tenha tentado ensinar seus amigos. Ele observa que teria gostado de propagá-lo, mas nunca o fez – provavelmente por pensar que ninguém estaria interessado. Parece que o naffarin era apenas um idioma e carecia de uma mitologia para acompanhá-lo. Apesar de tudo, ele representou um grande salto à frente: no caso do naffarin, o adolescente Tolkien pela primeira vez criou um idioma inteiro ao unir som e significado de acordo com suas próprias preferências ao invés de alterar palavras a partir de línguas existentes. Em nevbosh, apenas algumas das palavras eram deste tipo, como lint "rápido, ágil" (que bem pode ter sido uma das palavras que foram adotadas no naffarin a partir do nevbosh; ela sobreviveu até mesmo no quenya!) Tolkien menciona vrú "sempre" como "uma associação curiosamente predominante em meus idiomas, que está sempre abrindo seu caminho à força (um caso de fixação primitiva de associação individual, creio, do qual agora não se pode livrar)" (MC: 209). Em quenya ela aparece como voro "sempre, continuamente" (LR: 353).

    O estilo fonético geral do naffarin foi inspirado pelo latim e pelo espanhol. Tolkien evitou deliberadamente certos sons ingleses, tais como w, th e sh. Mas nunca saberemos mais sobre o naffarin do que isto, pois Tolkien nos informa que "faz muito tempo que desde que ele foi insensatamente destruído" – e isto foi escrito por volta de 1931. Ainda assim já vemos uma aproximação com as formas élficas; o gosto linguístico de Tolkien estava amadurecendo. Muitas das palavras, embora não todas, poderiam ter sido do quenya até o ponto em que vai o estilo e estrutura: a forma mais primitiva de "qenya" estava apenas alguns anos distante – e dificilmente pode-se falhar em notar que a própria palavra "naffarin" possui a desinência -rin também vista nos nomes de tantos idiomas posteriores: sindarin, vanyarin, valarin, telerin etc.  

    Lista de palavras do naffarin

    Para dar consistência ao que de outra forma teria sido uma lista bem pouco informativa, eu menciono formas élficas tardias parecidas com as palavras em naffarin, mas isto é apenas para demonstrar que Tolkien já estava se aproximando do "estilo" élfico característico e não uma tentativa de adivinhar o que as palavras do naffarin realmente significam, exceto no caso de navru.
      amámen ??? (quenya Aman "o Reino Abençoado")  ca ???  ce ??? (quenya *ce "você" – uma tentativa de reconstrução baseada nas desinências sindarin -ch, -g e a acusativa tye, que pode representar *kye mais primitiva. Mas a forma em quenya também pode ser *ci.)  cangor ??? (radicais élficos KAN "ousar", GOR "violência, impulso, pressa", LR: 362, 359)  cutá??? (quenya cua "pombo", "arco", cúma "o Vazio")  dana ??? (sindarin danath "nandor", os elfos que não cruzaram as montanhas na marcha a partir de Cuiviénen)  encá ??? (quenya enta "longínquo".)  farta ??? (radical élfico PHAR "alcançar, bastar, ir todo o caminho", LR: 381)  luttos??? (quenya lusta "nulo, vazio", radical élfico LUT "flutuar, boiar", quenya luntë "barco")  maxt??? evidentemente uma forma elidida de *maxta, na medida em que a palavra seguinte começa em  a. (quenya maxa "flexível, suave", masta "pão")  naffarin naffarin, nome do idioma, etimologia desconhecida. (Cf. nomes de idiomas tardios como sindarin, vanyarin etc.) naffarínos evidentemente uma forma declinada de naffarin ou de uma palavra composta incuindo-a.  navru ??? pode incorpor vru, vrú "sempre". Em élfico tardio, NA é o radical de palavras como "a" e "para", assim, navru pode significar "para sempre". o ??? (sindarin o "de, desde")  once ??? (radical élfico ONO "gerar", quenya onta- "gerar, criar", onna "criatura")  tíer ??? Cf. tiéranar? (quenya tier pl. de tie"caminho".)  tiéranar??? (quenya tie "caminho", Rána um nome da Lua)  vru ou vrú "sempre". (MC: 209) (quenya voro"sempre".) Cf. navru.  vu ??? (radical élfico "junto", quenya ve "como")  vún’ evidentemente uma forma elidida de vúna abaixo.  vúna ??? Cf. ?  ya ??? (quenya yapronome relativo "que, qual")
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    Nevbosh

    "Novo absurdo" 
     
    O rude idioma animálico parece ter morrido quando uma de suas inventoras, Majorie Incledon, perdeu o interesse nele. Contudo, sua irmã Mary e algumas outras crianças começaram a construção de um novo idioma. Ele foi chamado nevbosh, que é a palavra em nevbosh para "novo absurdo" – novo no sentido de que ele substituiu o animálico, o absurdo antigo. Porém, este novo idioma era acentuadamente menos absurdo do que o animálico. "Eu era um membro do mundo falante de nevbosh", Tolkien orgulhosamente relembra. (MC: 203)

    Quais formas as contribuições do Tolkien adolescente para o nevbosh? De acordo com Humphrey Carpenter em J. R. R. Tolkien – Uma Biografia, capítulo 3, ele e Mary "colaboraram para inventar [este] novo e mais sofisticado idioma". Entretan- to, esta não é a história contada pelo próprio Tolkien em The Monsters and the Critics pág. 203. De acordo com isto, o papel de Tolkien na construção do nevbosh foi mais humilde; ele meramente contribuiu para o vocabulário e influenciou a ortografia.

    De qualquer forma, o nevbosh foi o primeiro idioma inventado relativamente sofisticado com o qual Tolkien veio a entrar em contato, apesar de já ter começado tal invenção por si mesmo (MC: 203: "Eu era mais antigo no vício secreto… do que a criadora do nevbosh"). Mas o único texto sobrevivente do nevbosh, sem contar algumas palavras isoladas mencionadas por Tolkien, é este poema apresentado na biografia de Carpenter e em MC: 203: 

    Dar fys ma vel gom co palt ‘hoc
    pys go iskili far maino woc?
    Pro si go fys do roc de
    Do cat ym maino bocte
    De volt fac soc ma taimful gyróc!’

    "Havia um velho que disse ‘como/ eu posso, quiçá, carregar minha vaca? / Pois seu eu perguntasse a ela/ para entrar no meu bolso/ ela faria uma briga terrível!’" (A tradução de dada por Carpenter substitui "basket" (cesta) por "pocket" (bolso), mas isto evidentemente é apenas para salvar a rima com "ask it" (perguntar a ela): bocte significa "pocket" (bolso), assim como a palavra inglesa da qual ela é uma distorção.) A respeito das fontes para o vocabulário, veja a lista de palavras abaixo. O inglês, francês e latim são os ingredientes principais.

    Tolkien observa que as crianças, ao alterarem palavras conhecidas, mostravam uma compreensão de fonética básica – elas sentiram que certos sons eram "parecidos". Elas podiam tornar sons sonoros em mudos ("get" > cat) ou vice versa ("to" > do), transformar fricativas em oclusivas ("there" > dar) ou alternar entre várias nasais ("in" > ym). Outra "lei sonora primitiva e arbitrária" era substituir o -ow final de palavras nativas com -oc: "how" > hoc, "row" > gyróc (mas de onde veio o gy?)

    Ao se recordar, o Tolkien já adulto considerou o nevbosh mais um código do que um idioma. O que ele achava mais interes- sante eram as poucas palavras que não eram simplesmente distorções de palavras existentes, tais como iski-li "possivelmente" ou lint "rápido, ágil, hábil" (MC: 205, 206). A fusão de som e significado em um modo que simplesmente agradasse o inven- tor foi o princípio sobre o qual ele iria construir seus próprios idiomas – o exemplo preservado mais antigo sendo o naffarin

    Lista de palavras do nevbosh

    bocte "pocket" (bolso). (Distorção de palavra inglesa; traduzida erroneamente como "cesta" na biografia de Carpenter) bosh "nonsense" (absurdo). Atestado apenas na palavra composta nevbosh, q.v. dar "there" (lá). (Distorção de palavra inglesa) co "who" (quem), atestada apenas como pronome relativo. (Latim qui "quem, que" + a palavra inglesa who.) cat "get" (conseguir, pegar, etc.). (Distorção de palavra inglesa) de "it" (ele, ela, isto), sujeito ou objeto como em português e inglês. do "to" (-r), indicador de infinitivo. (Distorção de palavra inglesa) fac "make" (fazer) (Latim facio "fazer"). Pretérito *fact "fez"? Também em faclint. faclint "teach" (ensinar) (fac + lint, isto é, "fazer lint", ver lint). (MC: 206) far "carry" (carregar). Pretérito *fart "carregou"? fys "was, were" (foi, era) (para o sentido no plural, ver MC: 205). (Latim fui "tenho sido", espanhol fui) go pronome da pessoa do sg., eu.(Latin e grego ego) gom "man" (homem) (Latim homo, inglês antigo guma) gyróc "row" (briga) (Distorção de palavra inglesa + um elemento prefixado não analisável gy-) hoc "how" (como) (Distorção de palavra inglesa.) iski-li "possivelmente" (*iski "possível" + li desinência adverbial?) (MC: 205) -li possível desinência adverbial; veriskili. (Grafia alternativa do inglês -ly.) lint "quick, clever, nimble" (rápido, ágil, hábil). (Quenya *linta "rápido"; apenas o pl. lintë é atestado.) ma "a, an" (um, uma) (artigo indefinido) Palavra inglesa an invertida e outra nasal substituída? (Cf. ym para "em") maino pronome possessivo da primeira pessoa do sg, meu. Distorção de palavra inglesa. nev "new" (novo). (Distorção de palavra inglesa.) Atestada apenas na palavra composta nevbosh, q.v. nevbosh "novo absurdo" (nev + bosh), um idioma inventado por alguns dos jovens amigos de Tolkien. palt "said" (disse) (pal- radical do verbo "dizer" [MC: 205] + t pretérito. Cf. volt.) (Distorção da palavra francesa parler.) pro "for" (para) (Do latim, cognata com a palavra inglesa) pys "can" (poder). (Do francês pouvoir, presente do indicativo puis, imperfeito do subjuntivo pusse) Pretérito *pyst "pôde"? roc "ask" (perguntar). Pretérito *roct "perguntou"? (Latim rogo) si "if" (se) (nas palavras de Tolkien, "plágio puro" da palavra em francês e espanhol para "se") soc "such" (tal) (Distorção de palavra inglesa.) -t evidentemente uma desinência de pretérito (ver palt, volt). Inglês -ed, pronunciada d ou t. taim "fear" (medo) (Latin timeo). taimfulterrível, temeroso vel "old" (velho) (Francês vieil, vieux.) volt "would" (aux. do condicional dos verbos) (provavelmente radical *vol- "aux. de futuro" + t pretérito. Cf. palt.) Distorção de palavra inglesa; também influenciada pelo auxiliar do futuro em latim e francês (volo, voloir). woc "cow" (vaca). (Palavra inglesa invertida; cf. também a palavra latina vacca, francês vache; as crianças estavam bem cientes desta "etimologia" dupla) ym "in" (em). (Distorção de palavra inglesa?)
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    Animálico

    "Rude ao extremo" 
     
    O animálico era um rudimentar idioma particular inventado por Mary e Marjorie Incledon, os jovens primos de Tolkien, por volta de 1905. Tolkien, então no início de sua adolescência e já aprofundado em latim e anglo-saxão, achou ele divertido e o aprendeu. O único fragmento sobrevivente de animálico é a frase de exemplo dada por Tolkien em The Monsters and the Critics pág. 200: Cachorro rouxinol pica-pau quarenta, significando "você é um asno". Quarenta era a palavra em animálico para "asno, burro", enquanto que asno era a palavra para 40!

    Parece que o animálico era um idioma preferencialmente desajeitado; certamente não era racional que palavras gramaticais extremamente freqüentes como "é" ou o artigo "um" fossem traduzidas por palavras longas como rouxinol e pica-pau. (Creio que a palavra animálica para "o" fosse *hipopótamo ou algo do gênero.) Nunca saberemos o quanto de animálico Mary e sua irmã criaram, mas provavelmente não era suficiente para traduzir obras de Shakespeare. Provavelmente ele era apenas um jogo; talvez as crianças se decidiram por palavras como "idiota", "estúpido" e semelhantes, e então sentaram por horas lançan- do insultos umas nas outras: *Cachorro rouxinol pica-pau cavalo! *Cachorro rouxinol pica-pau cem! *Cachorro rouxinol pica-pau brontossauro! (Mãe um pouco preocupado: "Ei, crianças, o que vocês estão dizendo?" Crianças com olhar inocente: "Nada, mãe! (risos) Nada mesmo!")

    O julgamento de Tolkien é duro, mas justificado: o animálico era "rude…ao extremo". (MC: 200) Apesar de tudo, esta foi uma de suas primeiras relações com um idioma inventado, talvez a primeira. E ela conduziu ao nevbosho primeiro idioma inventado para o qual o próprio Tolkien contribuiu.

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