Outros ditongos: na maior parte carecemos de exemplos completamente bons, mas se a nossa compreensão da fonologia geral do sindarin for testada, os ditongos ae, ai, ei e ui geralmente não mudam no plural (exceto pelo ai que em uma categoria especial de palavras geralmente se torna o plural î; veja abaixo). Como no caso das vogais i e y, não há muito o que a metafonia possa "fazer" com estes ditongos, de modo que uma palavra como aew "pássaro" provavelmente também abrange "pássaros". Para o ditongo ui, pelo menos, temos exemplos atestados: o adjetivo "azul" é visto como luin tanto no singular como no plural (ver nota abaixo). O numerosos adjetivos em -ui também parecem ficar inalterados no plural; na Carta do Rei temos i Mbair Annui para "as Terras Ocidentais", onde o adjetivo annui "ocidental" deve estar no plural para concordar com "terras". Infelizmente este adjetivo não é atestado de outra forma, mas não há qualquer razão para acreditar que sua forma sin- gular seria diferente (compare annûn "oeste" – e como observado acima, existem muitos outros adjetivos em -ui).
NOTA: em uma expressão como Ithryn Luin "Magos Azuis" (CI: 428) o adjetivo luin "azul" deve estar no plural para concordar com "magos". Pode-se pensar que luin é a forma plural de lûn, que é o que conseguiríamos se fossemos fazer uma atualização para o sindarin da palavra "noldorin" para "azul", que é lhûn (LR: 370 s.v. LUG²). Como indicado acima, o û longo em uma sílaba final se torna ui no plural, então tudo parece de encaixar: luin poderia ser a forma plural de lûn. O que acaba com esta teoria sedutoramente promissora é o nome da montanha Mindolluin, "Proeminente Cabeça-azul" (traduzida no glossário do Silmarillion). Aqui, não há razão para o adjetivo "azul" estar no plural, de modo que luin também tem que ser a forma bácia/singular. Há também Luindirien "Torres Azuis" em WJ: 193; no início de uma palavra composta, seria esperado que a palavra para "azul" aparecesse em sua forma mais ou menos básica, não flexionada para o plural. Também deve ser observado que a mesma entrada no Etimologias que dá a palavra "noldorin" lhûn (> sindarin ?lûn) como a palavra para "azul", também dá lúne como a palavra correspondente em quenya. No Namárië no SdA, porém, o adjetivo "azul" é luini (esta é uma forma no plural, da expressão "abóbodas azuis"; o singular é provavelmente luinë). Então, enquanto no Etimologias as palavras para "azul" foram derivadas de uma forma primitiva lugni (radical LUG², LR: 370) produzindo a palavra em quenya lúne e a em "noldorin" lhûn, Tolkien deve ter decidido posteriormente que a forma primitiva era algo como *luini produzindo a palavra em quenya luinë e a em sindarin luin. O ponto principal é que luin "azul" parece abranger tanto o singular como o plural, indicando que o ditongo ui não passa por mudanças no plural. O fato de que o adjetivo annui "ocidental" está tanto no sg. como no pl. aponta na mesma direção.
Plurais-ai especiais
Como indicado acima, parece que o ditongo ai geralmente permanece inalterado no plural. Contudo, em um pequeno grupo de palavras, ai se torna ou i (geralmente î longo) ou mais raramente ý no plural. Por exemplo, a forma plural do substantivo fair "homem mortal" é dada como fîr (WJ: 387, onde o sg. fair é citado na forma arcaica feir). As formas plurais em î (i) ocorrem onde ai na forma singular por fim surge de i ou ey posteriormente em uma palavra. O exemplo recém citado, fair ou feir arcaico, vem de uma forma do sindarin antigo parecida com o cognato em quenya firya (em sindarin antigo tardio talvez firia; ver skhalia- na lista de palavras anexada ao artigo sobre sindarin antigo). Devemos supor que outras palavras compartilhando uma história fonológica parecida formariam seus plurais de maneira similar, embora em muitos casos estes plurais não são explicitamente mencionados no material publicado de Tolkien. Os substantivos e adjetivos em questão são cai "cerca" (pl. cî), cair "navio" (pl. cîr), fair "homem mortal" (pl. fîr), gwain "novo" (pl. gwîn), lhain "magro, fino" (pl. lhîn), mail "querido" (pl. mîl) e paich "caldo, xarope" (pl. pich, note o i curto). A palavra "noldorin" sein "novo" pl. sîn (LR: 385 s.v. SI) poderia se tornar em sindarin sain pl. sîn, mas parece que Tolkien mudou a palavra sindarin para "novo" para gwain pl. gwîn como recém listado (note que a mesma entrada no Etimologias que fornece a palavra noldorin sein também apresenta sinyavinya – aparentemnte o cognato de gwain). sendo influenciados por como a palavra correspondente em quenya para "novo", mas em fontes tardias, o adjetivo em quenya "novo" é
NOTA: Em "noldorin", lhain pl. lhîn apareceu como thlein pl. thlîn, a forma (sg.) primitiva sendo citada como slinyâ (LR: 386 s.v. SLIN). Uma revisão que separa o "noldorin" do sindarin é a de que, enquanto o sl- inicial primitivo se tornou thl- em noldorin, ele se torna lh- em sindarin. Modificamos a palavra de acordo com a fonologia revisada de Tolkien. Thlein pode ser mais diretamente adaptada como lhein, mas tal forma seria arcaica nos dias de Frodo, a forma atual sendo, ao invés disso, lhain. De maneira parecida, paich "caldo, xarope" na verdade aparece como peich no Etimologias (LR: 382 s.v. PIS); esta forma "noldorin" não é conceitualmente obsoleta, mas pode ser vista como sindarin arcaico. Este também é o caso de ceir "navio" (LR: 365 s.v. KIR); a forma cair no estilo de sindarin do SdA é atestada (cf. a nota de rodapé no Apêndice A do SdA explicando que Cair Andros significa "Navio da Espuma Longa"; ver também PM: 371). – A palavra cair fornece um exemplo de outra propriedade peculiar deste grupo de palavras: quando eles ocorrem como o primeiro elemento em palavras compostas, ai é reduzido para í-, como no nome Círdan "Armador". Contudo, ai permanece inalterado se tal palavra é o elemento final de uma palavra composta; assim gwain "novo" aparece como -wain no nome sindarin do mês de janeiro, Narwain (evidentemente significando "Sol Novo" ou "Fogo Novo"; compare com a palavra em quenya Narvinyë).
Em três palavras, onde ai representa ei do ainda mais antigo öi (escrito "oei" por Tolkien), as formas de plural provavelmente deveriam mostrar a vogal y, ý, embora careçamos de confirmação explícita nos papéis de Tolkien publicados. Esta teoria é baseada no fato de que a primeira parte do ditongo arcaico öi representa o ou u no radical original, e o produto metafônico destas vogais é y, assim como em casos onde o som mais antigo da vogal ainda sobrevive em sindarin (como em orch "orc" pl. yrch). As palavras em questão são 1) fair adj. "direito" ou substantivo "mão direita" (pl. fýr, radical PHOR, cf. a palavra em quenya forya), 2) rainrýn, radical RUN, cf. a palavra em quenya runya) e 3) a palavra relacionada tellain "sola do pé" (pl. tellyn, uma vez que o elemento final -lain é na verdade assimilado de rain < runya, cf. a forma arcaica talrunya citada em LR: 390 s.v. TAL, TALAM). No "noldorin" do Etimologias, estas palavras aparecem como feir (a forma mais antiga "foeir" = föir também é mencionada), rein (röin mais antiga) e tellein (a forma mais antiga tellöin não mencionada mas claramente entendida). Note que, enquanto fair pode significar tanto "(mão) direita" como "homem mortal", as derivações diferentes criam plurais distintos: fýr no primeiro caso e fîr no último. "rastro, pegada" (pl.
Monossílabos posteriormente se tornando polissílabos
(mas talvez ainda se comportando como monosílabos para o propósito da formação do plural)
Isto é algo que não é diretamente mencionado nas obras publicadas de Tolkien, mas por outro lado quase nada de seus escritos gramaticais está disponível para nós. Entretanto, nosso entendimento geral da evolução do élfico-cinzento parece sugerir fortemente que certos grupos de substantivos se comportariam de maneiras um tanto inesperadas no plural – embora isto seja perfeitamente justificado quando a história fonológica fundamental é levada em consideração.
Uma importante mudança que ocorreu na evolução do sindarin foi a de que as vogais finais foram perdidas. Assim, a palavra antiga ndakrondakr. Em sindarin primitivo, esta palavra apareceu como dagr. Outro exemplo é makla "palavra" posteriormente aparecendo como makl, e em sindarin primitivo magl. Devemos supor que o plural de palavras como dagr e magl era formado conforme o mesmo padrão de outros monossílabos de forma comparável, como alph "cisne", pl. eilph. Portanto, os plurais "batalhas" e "espadas" presumivelmente seriam deigr, meigl (isto seria antes de ei em uma sílaba final geralmente se tornar ai). "batalha" posteriormente se tornou
O que complica isso é que palavra como dagr e magl foram eventualmente modificadas. O r e l finais vieram a constituir uma sílaba separada, de modo que, por exemplo, magl era pronunciada mag-l assim como a palavra inglesa "eagle" é pronunciada eeg-l. Posteriormente, estas consoantes silábicas se transformaram em sílabas normais completas conforme a vogal o se desenvolvia antes delas: dagr (dag-r) se transformou em dagor e magl (mag-l) se tornou magol. (Casualmente, a última palavra aparentemente era freqüentemente substituída por megil, que deve ser uma forma adaptada da palavra em quenya para "espada", que é macil.) Os plurais deigr e meigl presumivelmente passariam pelo mesmo processo para se tornarem deigor e meigol (e a mudança tardia eiai em sílabas finais nunca ocorreria simplesmente porque ei não estavadagor e magol deveriam ter suas formas de plural degyr e megyl, uma vez que o o na última sílaba normalmente se torna y no plural (ex: amonemyn "colinas"). Mas em casos como dagor ou magol, o o foi inserido relativamente tarde e parece ser mais novo do que a metafonia oy; assim, tais o‘s recentemente desenvolvidos permaneceriam – presumidamente – intocados pela metafonia. Se Tolkien não imaginou que o nivelamento análogo faria desaparecer estas "irregularidades", todas as palavras de duas sílabas onde a segunda sílaba contém um oainda devem ser tratadas como monossílabas até o ponto em que a formação de plural está relacionada. O o deve ser deixado sozinho e a vogal na "penúltima" sílaba deve ser tratada como se fosse a vogal na última sílaba, que é precisamente o que ela costumava ser. > mais na última sílaba). De um ponto de vista sincrônico, isto resulta no que parecem ser irregularidades: geralmente, palavras no singular como "colina" vs. > desenvolvido de forma secundária
Os adjetivos e substantivos em questão: badhor "juiz" (pl. beidhor se a teoria se sustenta – de outra forma, seria bedhyr análogo), bragolbreigol; este adjetivo também aparece como bregol, pl. presumidamente brigol), dagor "batalha" (pl. deigor), glamorgleimor), hador "arremessador, atirador" (pl. heidor), hatholheithol), idhor "consideração" (inalterado no pl.; felizmente, um substantivo com este significado geralmente não exigirá uma forma de plural), ivor ?"cristal" (inalterado no pl.), lagor "rápido, ligeiro" (pl. leigor), maethor "guerreiro" (inalterado no pl.), magolmeigol), magor "espadachim" (pl. meigor), nadhor "pasto" (pl. neidhor), nagol "dente" (pl. neigol), naugol "anão" (pl. noegol), tadolteidol), tathor "salgueiro" (pl. teithor), tavor "aldrava, pica-pau" (pl. teivor), tegol "pena de escrever" (pl. tigol). Talvez gollorgyllor ao invés de ?gellyr). "repentino, violento" (pl. "eco" (pl. "machado" (pl. "espada" (pl. "duplo" (pl. "bruxo" também pertença a esta lista (pl.
NOTA: algumas outras peculiaridades sobre este grupo de palavras podem ser observadas aqui. Em palavras compostas (mais antigas?), o o recém desenvolvido não aparece, e a vogal final que de outra forma desapareceria, algumas vezes é preservada. Assim, magol, que vem da palavra primitiva makla, pode aparecer como magla- em uma palavra composta. LR: 371 s.v. MAK lista Magladhûr para "Espada Negra" (magol "espada" + dûr [dhûr lenizado] "preto, negro"). Se uma destas palavras é prefixada a um elemento começando por uma vogal, a vogal final original não reaparece, mas o o recém desenvolvido não é encontrado: LR: 398 s.v. TAM indica que tavr (também escrita tafr) "pica-pau" retém esta forma na palavra composta Tavr-obel, Tavrobel *"Cidade do Pica-pau" – embora tavr se tornasse tavor como uma palavra independente. De modo similar, LR: 361 s.v. ID indica que a palavra "idher" (leitura errada de idhor?) "consideração" aparece como idhr- no nome Idhril. – É possível que, em sindarin tardio, a analogia de certa forma prevalecese, este grupo de palavras sendo tratado como qualquer outro. Antes da desinência coletiva de plural -ath (veja abaixo), não esperaríamos ver a vogal o subsequentemente desenvolvida. Por exemplo, suporíamos que o plural coletivo de dagr "batalha" fosse dagrath (não atestada), não afetada pelo fato de que dagr posteriormente se tornou dagor quando ocorria como uma palavra simples (por si mesma). Ainda em CI: 435 encontramos não dagrath, mas dagorath, embora não possa haver dúvida de que a última é uma forma historicamente não justificada: o r não era final ou silábico em dagrath, de modo que nenhum o se desenvolveria na frente dele, e dagorath deve ser formada por analogia com a palavra simples dagor. Isto é ainda mais surpreendente quando outra forma atestada, o plural coletivo de nagol "dente", é o que suporíamos: naglath (WR: 122). Uma forma ?nagolath paralela a dagorath não é encontrada. (A palavra simples nagol não é atestada, mas Tolkien sem dúvida imaginou uma palavra primitiva *nakla "instrumento para morder" = "dente" [cf. o radi- cal NAK "morder", LR: 374], esta *nakla se tornando *nakl e então *nagl > *nagol em sindarin.) Há também Eglath "Os Abandonados" como o nome dos sindar, este plural coletivo refletindo a forma (singular) primitiva hekla ou heklô (WJ: 361; não sabemos se isto também abrangia uma forma singular independente em sindarin; sendo assim, seria egol para egl mais antiga, o plural normal sendo igl e posteriormente igol). Uma forma ?Egolath não ocorre em lugar algum (e seria tão surpreendente quanto se a palavra composta atestada Eglamar "Terra dos Elfos Abandonados" repentinamente aparecesse como *Egolmar). Devemos supor, então, que Tolkien esqueceu suas próprias regras quando ele escreveu (duas vezes) dagorath ao invés de dagrath em CI: 435? Ao invés disso, podemos imaginar que havia várias variantes de sindarin. Em um estilo mais "puro" ou mais "clássico", os plurais coletivos de palavras como dagor e nagol talvez fossem as formas historicamente corretas dagrath e naglath, mas em um estilo mais "coloquial" ou "informal", formas como dagorath e nagolath podem ter vindo a ser usadas por analogia. Podemos especular que, na forma de sindarin que preferia dagorath a dagrath, o plural historicamente justificado deigor também seria alterado para degyr, as mutações seguindo um padrão mais normal. Interessantemente, o nome Dagorlad "Planície de Batalha" ocorrendo no SdA revela que dagor não se torna ?dagro- como a primeira parte de uma palavra composta, refletindo a forma mais antiga ndakro (compare os exemplos citados acima: magol "espada" se tornando magla-, refletindo a primitiva makla na palavra composta Magladhûr, e tavor "pica-pau" ocorrendo na forma arcaica tavr na palavra composta Tavrobel). Assim, novamente, a analogia com a forma simples funciona. Talvez Dagorlad teria sido ?Dagrolad se a palavra composta fosse mais antiga, cunhada ainda nos bons dias antigos quando os elfos ainda diziam algo como *Nda-kro-lata (a vogal final é incerta). Ao invés disso Dagorlad foi claramente ligada a partir de dagor "batalha" e -lad "planície" posteriormente. Uma palavra composta tardia "Negra-Espada" presumidamente seria não Magladhûr, mas simplesmente Magoldhûr, e "Aldeia do Pica-pau" como uma palavra composta tardia bem poderia ser Tavorobel ao invés da forma atestada Tavrobel.
Certos outros casos de monossílabas se transformando em polissílabas envolve não uma nova vogal se inserindo antes de uma consoante como em dagr > dagor, mas sim uma consoante se transformando em uma vogal. A maioria dos exemplos envolve o -w mais antigo se tornando -u. Antes do estágio no qual as vogais finais foram perdidas, algumas palavras terminavam em -wa (tipicamente adjetivos) ou -we (tipicamente substantivos abstratos). Quando as vogais finais desapareceram, sobrou apenas o -w destas desinências. Por exemplo, a palavra para "perícia" ou "habilidade" que aparece em quenya como kurwe (cur- wë), que também seria a forma em sindarin antigo da palavra, surgiu como curw em sindarin primitivo. Devemos supor que no plural ela se tornaria cyrw, uma forma perfeitamente regular de acordo com as regras apresentadas acima. Mas como indicado em LR: 366 s.v. KUR, curw posteriormente se tornou curu: o -w final sucedendo outra consoante se tornou a vogal -u, a semivogal se tornando uma vogal completa. Novamente, a aparência de uma nova vogal presumidamente resultaria em aparentes irregularidades: apresentada com um substantivo como curu, seria tentador fazer como tulus "choupo", pl. tylys – assim, curu pl. ?cyry. Mas a última, se realmente ocorresse, seria uma forma análoga. O plural historicamente justificado de curu só pode ser cyru, o antigo pl. cyrw se transformando em cyru assim como o antigo sing. curw se transformou em curu.
Aqui estão as palavras afetadas, com plurais sugeridos: anu "um macho" (forma plural einu), celu "fonte, nascente" (pl. cilu), coru adj. "perspicaz, malicioso" (pl. cyru), curu "habilidade, artifício engenhoso, perícia" (pl. novamente cyru), galu "boa sorte" (pl. geilu), gwanu "morte, ato de morrer" (pl. gweinu), haru "ferida" (pl. heiru), hethu "enevoado, obscuro, vago" (pl. hithu), hithu "neblina" (inalterada no pl. e não deve ser confundida com a forma de plural do adjetivo hethu), inu "uma fêmea" (inalterada no pl.), malu "pálido" (pl. meilu), naru "vermelho" (pl. neiru), nedhu "almofada, travesseiro" (pl. nidhu), pathu "espaço plano, gramado" (pl. peithu), talu "plano" (pl. teilu), tinu "centelha, pequena estrela" (inalterada no pl.) Deixamos palavras com a vogal raiz a possuírem formas de plural em ei ao invés de ai, novamente assumindo que estas palavras se tornaram dissilábicas antes que ei se tranformasse em ai em sílabas finais (isto é, quando esta mudança ocorreu, a sílaba em que eiw já havia se tornado -u, constituindo uma nova sílaba final). Assim, anu : einu, gwanu : gweinu, haru : heiru, malu : meilu, naru : neiru, pathu : peithu, talu : teilu. Se a mudança ei > ai em sílabas finais antecedeu estas palavras ao se tornarem polissilábicas, devemos ler ai ao invés de ei nas formas de plural – exceto no caso de haru e naru, as formas de plural destas provavelmente deveriam ser então heru e neru para herw e nerw mais primitivas (Cf. o pl. de narn "conto" sendo nern, presumidamente a partir de ?neirn mais primitivo, o ei aparentemente sendo simplificado para e antes de um encontro consonantal começando em r-. Se o pl. de naru é neru, isto significaria que ei foi simplificado para e antes do encontro rw das formas mais antigas narw pl. ?neirw deixar de ser um encontro pela consoante final w ter se transformado em uma vogal. De outra forma, como suposto acima, a regra de que ei se tornou e antes de um encontro em r- não se aplicaria: ao invés disso, o encontro original se transformou em uma consoante simples + uma vogal.) era encontrado não era mais final porque o -
NOTA: no Etimologias, o estágio tardio onde o -w final se tornou -u com freqüência não é registrado. Existe curu além de curw (entrada KUR) e naru além do narw mais antigo (NAR¹), mas de qualquer maneira, apenas as formas mais antigas onde o -w ainda persiste são listadas: assim encontramos anw (3AN), celw (KEL), corw (KUR), galw (GALA), gwanw (WAN), harw (SKAR), hethw / hithw (KHITH), inw (INI), malw (SMAL), nedhw (NID), pathw (PATH) e tinw (TIN) ao invés de anu, celu, coru etc. como acima. Estas formas posteriores não são diretamente atestadas nos papéis de Tolkien. Pode ser que, até onde diz respeito ao "noldorin" do Etimologias, Tolkien ainda não havia decidido de uma vez por todas que o -w nesta posição se tornava -u; esta idéia apenas sugia em um ou outro lugar. Assim assim não precisamos hesitar em introduzir as formas tardias em -u se estamos almejando o tipo de sindarin exemplificado no SdA e no Silmarillion. Note que, no Etim, é dito que a forma "noldorin" do nome em quenya Elwë teria sido *Elw, marcado com um asterisco, uma vez que ele não era realmente usado em "exílico" nesta forma (LR: 398 s.v. WEG). Contudo, no capítulo 4 do Silmarillion publicado, o cenário é outro. O "noldorin" agora se tornara sindarin, e não há apenas uma forma sindarin de Elwë, mas ela também é Elu ao invés de "Elw" como no Etimologias: "o povo de Elwë que o procurava não o encontrou… Em tempos posteriores, Elwë tornou-se um rei célebre… Rei Manto-cinzento era ele, Elu Thingol na língua daquela terra [Beleriand]". Aqui devemos claramente um desenvolvimento Elwë > Elw > Elu. Parece totalmente justificado, então, alterar (digamos) celw "fonte, nascente" para sua forma tardia celu (combinando com Elu), mesmo que a forma celu como tal não seja explicitamente atestada. Uma caso paralelo é fornecido pelo nome Finwë; mais uma vez o Etimologias afirma que a forma "noldorin" seria *Finw, mas que tal forma não estava em uso (LR: 398 s.v. WEG). Uma fonte pós-SdA muito tardia concorda que não havia forma sindarin de Finwë, mas se este nome "fosse tratado como uma palavra desta forma teria sido, tendo ocorrido antigamente em sindarin, ele teria sido [não Finw, mas] Finu" (PM: 344). Se o "noldorin" Finw tivesse correspondido ao sindarin Finu, também podemos concluir que a palavra "noldorin" gwanw corresponderia à palavra em sindarin gwanu. – A palavra talu "plano" listada acima na verdade aparece como dalw (e não **talw) no Etimologias, mas listada imediatamente após dalw está dalath "superfície plana, plano, planície" (LR: 353 s.v. DAL), ocorrendo no nome Dalath Dirnen "Planície Protegida" (LR: 394 s.v.TIR). Entretanto, Tolkien posteriormente mudou dalath para talath; no Silmarillion publicado, a "Planície Protegida" em Beleriand é chamada, ao invés disso, Talath Dirnen. De acordo com esta revisão, também alteramos a palavra "noldorin" relacionada dalw "plano" para a palavra em sindarin talw > talu. Podemos ainda aceitar (dalw >) dalu – e, por este motivo, dalath – como formas secundárias válidas.
Existem também alguns casos de -gh final (g fricativo) se tornando uma vogal. Um exemplo é fornecido por LR: 381 s.v. PHÉLEG, onde a palavra fela "caverna" é derivada do sindarin antigo (ou "noldorin antigo") phelga. Uma vez que as vogais finais foram perdidas sucedendo o estágio do sindarin antigo, fela não é um caso de um -a final original sobrevivendo no sindarin tardio. O que Tolkien imaginou parece ser isto: a palavra em sindarin antigo phelga naturalmente se tornou phelg quando as vogais finais se foram. Então oclusivas se transformaram em fricativas sucedendo l e r líquidos (CI: 299), de modo que phelg se tornou phelgh (ou felgh, uma vez que a troca ph > f ocorreu por volta do mesmo estágio). Contudo, ghfelghfela. O plural de felgh evidentemente foi filgh, formado de acordo com as regras normais (cf. ex: telch "haste", pl. tilch – LR: 391 s.v. TÉLEK). A forma plural filgh então se tornou fili, a vocalização do ghi ao invés de a (talvez g > gh fosse de alguma forma palatalizado pela desinência de plural perdida -i do sindarin antigo que também causou a metafonia, influenciando a subsequente vocalização em direção ao i). Pouco importa como imaginamos precisamente o desenvolvimento: de qualquer forma, o resultado final é o par peculiar fela pl. fili, para felgh pl. filgh mais antigos. de modo algum sobreviveu no sindarin dos dias de Frodo; inicialmente ele foi perdido sem deixar traços, mas nesta posição ele era vocalizado: se transformou em mais antigo aqui sendo
Fela pl. fili é o único caso conhecido de Tolkien mencionando explicitamente tanto o singular como o plural de tal par. Existem, entretanto, duas ou três outras palavras que dividem um desenvolvimento fonológico similar. A palavra thela "ponta (de lança)" deriva do radical STELEG (LR: 388), e enquanto Tolkien não lista formas primitivas, provavelmente devemos supor a forma élfica primitiva stelgâ (vogal final incerta) se transformando na palavra em sindarin antigo sthelga e posteriormente (s)thelgh, a forma plural da qual seria (s)thilgh. O singular abrange então a forma sindarin atestada thela (completamente paralela à fela); o plural não atestado "pontas de lança" deve ser thili (para combinar com o plural atestado fili).
Há também alguns poucos adjetivos. O adjetivo thala "robusto, firme, vigoroso" que está em LR: 388 s.v. STÁLAG é derivado da palavra em sindarin/"noldorin" antigo sthalga. A forma não atestada intermediária seria (s)thalgh pl. (s)theilgh, seguindo o padrão normal de (digamos) alpheilph. Devemos supor que a forma plural de thala é theili. Um caso parecido seria tara "rígido, imóvel", afirmava representar palavra em "noldin"/sindarin antigo targa (LR: 390); novamente a forma intermediária não atestada seria targh. A forma plural deste adjetivo poderia ser teirgh, que presumidamente produziria a palavra em sindarin teiri. Existe um outra possibilidade: como já mencionado, parece que ei foi em certo estágio simplificado para e antes de um encontro consonantal começando em r (assim temos nern ao invés de neirn > nairn como a forma de plural de narn "conto"). Se isto aconteceu antes do gh final do adjetivo plural teirgh ter se tornado uma vogal de modo que o encontro desapareceu, a forma se transformaria em tergh, em sindarin tardio teri. Atualmente não podemos dizer com certeza se teri ou teiri é a melhor forma de plural de tara, uma vez que não sabemos em que sequência exata Tolkien imaginou que as trocas de sons envolvidas teriam ocorrido; eu provavelmente usaria teiri. "cisne", pl.
Plurais expandidos
Este é um grupo de palavras que parece ser mais longo no plural do que no singular. Historicamente falando, seria mais preciso mudar a perspectiva e falar de "singulares reduzidos" pois, neste caso, a forma da palavra que fundamenta a forma de plural dá uma melhor impressão da palavra primitiva do que o faz a forma de singular atual.
Em WJ: 363, êl é dita ser uma palavra (arcaica) em sindarin para "estela". De acordo com as regras estabelecidas acima, baseadas em padrõe como hên "criança" pl. hîn (WJ: 403), esperaríamos a forma plural fosse **îl. Contudo, WJ: 363 também nos informa que o plural verdadeiro de êl é elin. Aqui pode parecer que a desinência de plural -in está presente. Este, porém, não é realmente o caso. Ao comparar estas palavras ao seus cognatos em quenya elen pl. eleni pode-se começar a suspeitar do que realmente está acontecendo. Eleni também seria a forma de plural usada em sindarin antigo, eventualmente dando origem à palavra sindarin elin: a desinência de plural sendo perdida como todas as vogais finais, mas deixando sua marca na palavra ao mudar (por metafonia) o segundo ei. Mas uma coisa que ocasionalmente aconteceu em sindarin antigo foi que consoantes no final de palavras poderam desaparecer. O n da forma plural eleni estava "seguro" porque ele foi protegido pela desinência de plural que o sucede, mas a forma singular elen foi aparentemente reduzida para ele, embora esta forma não seja mencionada explicitamente por Tolkien. Posteriormente, as vogais finais se perderam, deixando apenas el, e ainda mais tarde, a vogal de uma monossílaba desta forma era alongada, produzindo a palavra em sindarin êl. Assim, somos deixados com o curioso par êl pl. elin no sindarin da Terceira Era. No caso de outro par similar, nêl "dente" pl. nelig, o Etimologias lista as formas do "noldorin" antigo/sindarin nele pl. neleki, confirmando que a explicação esboçada acima está correta: ao comparar o singular nele com o radical NÉL-EK(LR: 376) compreendemos que a consoante final desapareceu. (Em Eldarin comum, nele evidentemente ainda havia sido *nelek, forma que fundamentou a palavra em quenya nelet listada no mesmo lugar – a fonologia alto-élfica não permite -k final, logo, ao invés disso, ele se tornou -t.) Desse modo temos o singular *nelek > nele > *nel > sindarin nêl, mas o plural neleki (ainda usado em quenya) > *neliki metafonado> *nelik tardio com a perda da vogal final > nelig em sindarin. para
Outras palavras que se comportam de maneira similar:
ael "lago, lagoa", pl. aelin (atualizado a partir da palavra "noldorin" oel pl. oelin, LR: 349 s.v. AY; temos Aelin-Uial para "Lagos do Crespúsculo" no Silmarillion)
âr "rei", pl. erain (mas o singular completo aran parece ser mais comum do que o âr encurtado)
bór (ou melhor, bôr) "fiel, leal, vassalo fiel", pl. beryn (LR: 353 s.v. BOR, onde o pl. ocorre na forma "noldorin" berein, beren; a atualizamos para sua forma sindarin provável. Cf. o plural "noldorin" geleidh "noldor" correspondendo ao sindarin gelydh. – A entrada BOR indica que o plural de bór posteriormente se tornou býr, formada por analogia com o singular reduzido; escritores provavelmente deveriam usar býr.)
fêr "faia", pl. ferin (LR: 352 s.v. BERÉTH, cf. LR: 381 s.v. PHER; a última fonte indica que esta palavra para "faia" foi posteriormente substituída por brethil – palavra que seria inalterada no pl.)
ôr "montanha", pl. eryd ou a irregular ered(mas como no caso de âr acima, o singular completo orod aparentemente é mais comum do que o ôr reduzido; LR: 379 s.v. ÓROT lista dois singulares em "noldorin" antigo, a palavra completa oroto ou a reduzida oro; no idioma tardio elas apareceriam como orod e ôr, respectivamente, mas na verdade, o único singular listado é orod – originado a partir da palavra não reduzida oroto.)
tôr "irmão", pl. teryn (LR: 394 s.v. TOR; atualizamos a forma plural a partir da palavra "noldorin" terein. Contudo, a mesma entrada no Etimologias indica que esta palavra para "irmão" era geralmente substituída por muindor pl. muindyr, ou – quando "irmão" é usado em um sentido mais amplo de "associado masculino" – gwador, o plural "noldorin" do qual era gwedeir; leia gwedyr em sindarin.)
thôr "águia", pl. theryn (LR: 392 s.v. THOR; novamente atualizamos o plural a partir da palavra "noldorin" therein. – Este entrada no Etimologias indica que o singular não reduzido thoron também estava em uso)
Em acréscimo ao exposto acima, existem algumas palavras que pertencem à mesma categoria, embora as formas de plural não possuam consoante final; pêl "campo cercado" pl. peli, ôl "sonho" pl. ely e thêltheli. O que aconteceu foi que simplesmente a consoante original h, lenizada a partir de s no estágio do sindarin antigo, foi retirada nas formas de plural: os radicais relevantes são dados como PEL(ES), ÓLOS e THELES no Etimologias. Na primeira destas entradas, pêl "campo cercado" é mostrada como vindo de pele (LR: 380), que dada a forma do radical PEL(ES) é compreendida como uma forma reduzida de *peles (cf. o cognato em quenya peler, claramente pretendida como vindo de *pelez < *peles). O plural da antiga forma pele é dado como pelesi, e além disso é atestado que ele se tornou pelehi ("peleki" em LR: 380 é uma transparente interpretação errônea do manuscrito de Tolkien; para s se tornando h desse modo, cf. barasa > baraha em LR: 351 s.v. BARÁS). Assim como em um caso mencionado acima, neleki se tornando nelig, o plural pelehi se tornou *pelih – mas neste caso a agora consoante final era tão fraca que foi perdida para produzir a forma de plural peli, criando a falsa impressão de que o sindarin ocasionalmente emprega uma desinência de plural similar ao -i do quenya. "irmã" pl.
NOTA: várias das formas citadas acima estão de certo modo regularizadas. Pêl "campo cercado" na verdade aparece como pel em LR: 380 s.v. PEL(ES); de acordo com a fonologia que podemos reconstruir a partir de muitos outros exemplos, a vogal definitivamente deve ser longa. A omissão do circunflexo na forma pel deve ser um mero engano, do próprio Tolkien ou do transcritor (talvez o singular fosse confundido com o plural peli, em cuja forma o e deve ser curto). – A forma plural de ôl "sonho" é dada como elei em LR: 379 s.v. ÓLOS; em sindarin evidentemente devemos escrever ely, como sugerido acima. Este é um caso completamente paralelo à palavra "noldorin" geleidh correspondendo à palavra sindarin gelydh como a palavra para noldor (sg. golodh): em ambos os casos, o ei "noldorin" derivado do o no singular corresponde ao y em sindarin (cf. também os plurais corrigidos/atualizados sugeridos acima: sindarin beryn, teryn e theryn, onde o "noldorin" do Etimologias na verdade possui berein, terein e therein). – Uma outra forma também é regularizada: no Etimologias, o plural de thêl não é theli como sugerido acima, mas sim thelei (LR: 392 s.v. THEL, THELES). Por que a palavra thêl derivada do radical THELES deve se comportar diferentemente no plural do que a palavra pêl derivada de PELES é difícil de compreender, de modo que, se o plural é peli no último caso, podemos nos sentir livres para corrigir o plural de thêl de thelei para theli. Os plurais theli e o atestado peli se ajustam melhor ao sistema geral: os plurais representam os radicais completos THELES e PELES, exceto pelo detalhe de que o -s final foi perdido posteriormente (após se tornar -h), e como sempre, e em uma sílaba final se torna i no plural (como em edhel "elfo" pl. edhil, WJ: 377). Assim, o pl. de *peles deve ser *pelis, e removendo a consoante final perdida, chegamos no plural atestado peli; em vista disso, o pl. de *theles deve ser *thelis > theli ao invés de "thelei". Se formos manter o plural thelei (e neste caso teríamos que alterar peli para pelei pelo bem da consistência), devemos levar em conta a descoberta pós-Etim de Tolkien de que ei em uma sílaba final eventualmente se tornava ai, o que levaria a thelai e pelai como os esquisitos plurais de thêl e pêl no sindarin tardio da Terceira Era. Portanto, todas as coisas consideradas, parece melhor regularizar thelei para theli de acordo com o exemplo atestado peli ao invés de se ir pelo outro caminho. (No caso de thelei/theli "irmãs", escritores podem felizmente evitar o problema; LR: 392 s.v. THEL indica que a palavra mais normal para "irmã" era muinthel pl. muinthil, ou – onde "irmã" é usada em um sentido mais amplo de "companheira feminina" – gwathel pl. gwethil.) – Outro plural em -ei é a formado pela palavra "noldorin" tele "final, último, parte traseira", pl. telei (LR: 392 s.v. TELES). Até o ponto em que diz respeito ao singular, o desenvolvimento difere um pouco daquele que produziu thêl a partir do radical THELES; note que, em tele, a última vogal de TELES ainda está no lugar (ela não se tornou **têl para ser paralela a thêl). A forma primitiva de tele é dada como télesâ (o acento indica apenas a ênfase). Em "noldorin antigo", ela teria se tornado telesa > teleha (não explicitamente dada no Etim, mas compare a palavra primitiva barasâ "quente, ardente" produzindo em "noldorin antigo" barasa > baraha, LR: 351 s.v. BARÁS). Posteriormente as vogais finais foram perdidas, portanto teleha > teleh, mas eventualmente a consoante final fraca -h também foi retirada, deixando apenas tele (e a nova vogal final não se perdeu; o estágio onde tal perda ocorreu já havia passado). Mas o que dizer da forma plural telei? É difícil dizer que tipo de desenvolvimento Tolkien tinha em mente. O plural em "noldorin antigo" de teleha não é mencionado mas deve ter sido telehi (cf. por exemplo poto "pata de animal", pl. poti, LR: 384 s.v. POTÔ). Posteriormente, esperaríamos que o i final mutasse o e na penúltima sílaba, com telehi se tornando telihi; então as vogais finais e depois o h final se perdem, o que deve nos deixar teli como a forma plural. Então como, ao invés disso, Tolkien sugeriu telei? Devemos supor que, no estágio telehi, o h foi retirado de modo que as vogais e e i entraram em contato direto e formaram um ditongo telei? Mas isto seria inconsistente com o exemplo ao qual nos referimos acima: a forma plural pelehi se tornando peli ao invés de **pelei. Parece que, ao atualizar a palavra "noldorin" tele pl. telei para sindarin, é melhor interpretar tele pl. teli. Novamente, a forma plural telei não pode ser mantida de jeito que está em qualquer caso, uma vez que em sindarin ei em uma sílaba final se torna ai.
Plurais em -in
Existem algumas palavras que parecem apresentar uma genuína desinência de plural -in, embora a origem desta desinência possa ser incerta; concebivelmente Tolkien a imaginou para ser inventada na analogia de exemplos como êl pl. elin, onde (como demonstrado acima) nenhuma desinência genuína está presente.
O que pode ser o melhor exemplo envolve uma palavra estrangeira, drûdrughu. De acordo com CI: 509, um plural em sindarin de drû era drúin. Talvez este plural extraordinário indique de alguma forma a palavra como um empréstimo; ela não é flexionada de acordo com o padrão normal (que teria nos levado a **drui como a forma de plural). "wose", o nome de um dos drúedain ou "homens selvagens"; o termo sindarin foi baseado na palavra nativa deles
No Campo de Cormallen (SdA3/VI cap. 4), os Portadores do Anel foram saudados como Conin en Annûn, e de acordo com Letters: 308, isto significa "Príncipes do Oeste". Supondo que Conin "príncipes" contém a desinência de plural -in, esta poderia ser a forma plural de ?caun (visto que ao adicionar -in, constituindo uma nova sílaba, au se torna o no ambiente polissilábico que surge desse modo). Esta ?caun poderia por sua vez ser uma forma sindarinizada da palavra em quenya cánocaun, significando clamor ou gritaria). Se conincaun, ela poderia ser o plural de uma palavra de outra forma desconhecida *conen, mas ela também parece como um adjeti- vo ao invés de um substantivo. "comandente" (PM: 345), que novamente seria uma palavra estrangeira ao invés de uma palavra sindarin "nativa" (PM: 362 menciona uma palavra herdada bem distinta "príncipes" não é o plural de *
O nome Dor-Lómin ocorrendo no Silmarillion é interpretada "Terra dos Ecos" em LR: 406. O Apêndice do Silmarillion lista a palavra lóm "eco", embora nada seja dito sobre de que idioma ela deve ser. Lómin é a forma plural de lóm? Devemos distinguir cuidadosamente vários estágios na concepção de. O Etimologias lista a palavra lóm "eco" (LR: 367 s.v. LAM), mas isto é doriathrin, e não "noldorin" > sindarin. Em doriathrin (um dialeto do idioma ilkorin cujo lugar nos mitos posteriormente seria usurpado pelo sindarin), de fato há uma desinência de plural -in, de modo que lómin poderia ser a palavra em doriathrin para "ecos". Ainda na entrada do Etimologias recém citada, o nome obviamente correspondente a Dor-Lómin no Silmarilli- on aparece como Dorlómen. Dorlómen é dito ser não doriathrin, mas uma forma "noldorinizada" do nome real em doriathrin Lómendor. O primeiro elemento não é uma forma de plural, mas um adjetivo doriathrin lómen "ecoante". Isto pode fornecer uma pista de como Tolkien posteriormente teria interpretado o nome. Quando ele fez do sindarin o idioma de Beleriand, abandonando o "ilkorin", ele ainda fez referências ao peculiar dialeto sindarin setentrional, e o nome Dor-Lómin parece se adequar ao pouco que é conhecido sobre ele (m não é aberto para mh > v sucedendo uma vogal; cf. o nome em sindarin sententrional de Oromë sendo Arum ao invés de Araw [para *Arauv] como em sindarin padrão: WJ: 400). Um palpite pode ser o de que, no período pós-SdA, Tolkien interpretou Dor-Lómin como significando literalmente "Terra Ecoante", lómin sendo o adjetivo em sindarin setentrional descendendo da palavra mais antiga *lâmina. Em sindarin padrão, a desinência adjetiva seria -en no singular e -in apenas no plural, mas isto pode não ser verdade na forma dialetal do idioma. Se lómin realmente é um adjetivo, ela com certeza é irrelevante para a discussão da formação do plural sindarin.
Singulares derivados de plurais
Na grande maioria dos casos, o singular deve ser considerado a forma básica do substantivo, a partir da qual o plural é produzido. Contudo, existem alguns casos onde na verdade é o plural que é a forma básica, e o singular é dericado dele. Historicamente, fileg "pequeno pássaro", pl. filig, é um caso. O radical PHILIK (LR: 381) surgiu como filig em sindarin, mas uma vez que tantas formas de plural têm i representando o eedhil como o pl. de edhel "elfo"), a palavra filig foi tomada como tal como forma plural e um singular foi criado de acordo com o padrão normal: fileg. Visto que o radical era PHILIK, tal singular era completamente injustificado historicamente; ele é, como Tolkien observou no Etimologias, apenas um "singular análogo". O par fileg pl. filig, estando totalmente adaptado aos padrões normais, certamente não apresenta nenhum problema adicional para as pessoas que estudam o sindarin sincronicamente. Mas o Etimologias indica que o singular também poderia ser filigod, onde a desinência -od de fato é uma "desinência de singular", produzindo o par mais peculiar filigod pl. filig. Outro caso similar, envolvendo outra "desinência de singular", é lhewiglhaw. (Cf. a colina Amon Lhaw no SdA, "Colina da Audição" ou literalmente *"Colina das Ouvidos", mencionada próximo ao final do capítulo O Grande Rio no Volume 1.) O plural lhaw é explicado como representando uma antiga forma dual indicando um par de orelhas, ou como Tolkien escreveu, "orelhas (de uma pessoa)" (LR: 368 s.v. LAS2). O singular lhewig "orelha" por sua vez é derivado desta forma plural ou dual. Uma formação similar "singular-a partir-de-dual" em -ig é gwanuniggwanûn "par de gêmeos" (WJ: 367). singular na última sílaba (ex: "orelha", pl. "gêmeo", derivada a partir de
NOTA: as desinências -od, -ig, -og usada para formar singulares a partir de plurais também podem ser usadas para formar as chamadas nomina unitatis, palavras indicando uma parte distinta de algo maior, ou palavras indicando uma única entidade dentro de um coletivo. De fato, esta provavelmente é a sua função adequada. WJ: 391 fornece um bom exemplo. Havia uma palavra sindarin glam "alarido, alvoroço, tumulto, os confusos gritos e bramidos de feras". Uma vez que bandos de orcs podiam ser muito barulhentos, a palavra glam "sozinha podia ser usada para qualquer grupo de orcs, e uma forma singular foi criada a partir dela, glamog". Assim, temos glamog como uma palavra para "orc", um membro individual de um glam ou grupo de orcs como um coletivo. Em tal caso, não se pode dizer bem dizer que glam realmente é a forma plural de glamog (seria o mesmo que dizer que "tropa" é a forma plural de "soldado"); talvez glamog pudesse por si só ser a base de uma forma plural ?glemyg. Outro caso parecido é a palavra linnod, não explicada claramente em nenhum lugar, mas usada no Apêndice A do SdA: "[Gilraen] respondeu apenas com este linnod: Onen i-Estel Edain, ú-chebin estel anim [Dei Esperança aos Dúnedain, não guardei nenhuma esperança para mim]". Então o que, realmente, é um linnod? Sabendo que -od é uma desinência usada para formar nomina unitatis, como em filigod a partir de filig acima, linnod pode ser reconhecido como tal formação, claramente baseada em lind "canção" (*lindod naturalmente se tornando linnod, uma vez que a fonologia sindarin não permite -nd- intervocálico em palavras unitárias; este grupo só pode ocorrer em palavras compostas, tais como Gondor "Terra de Pedra"). Sendo assim, um linnod é algum tipo de unidade dentro de uma canção, e o exemplo fornecido indica que isto significa um verso, uma única linha de uma canção. Mais uma vez faz pouco sentido dizer que linnod é a forma "singular" de lind (como se esta palavra para "canção" devesse ser considerada no plural só porque uma canção é feita de versos). De preferência devemos ver linnod como um substantivo derivado, uma palavra independente para "verso" que provavelmente pode possuir seu próprio plural linnyd "versos". (No caso do linnod de Gilraen, parece claro que seu "verso" particular não era parte de uma canção maior; ele era apenas um verso ou um poema muito curto em sua própria forma.) Substantivos em -ig parecem especialmente indicar algo de um par, como nos exemplos citados acima: gwanunig "um gêmeo" a partir de gwanûn "par de gêmeos", ou lhewig "uma orelha" de lhaw "par de orelhas". Novamente pode-se discutir se gwanûn e lhaw realmente são as formas de "plural" de gwanunig e lhewig; as últimas formas simplesmente indicam um elemento de um par.
O primeiro elemento de palavras compostas
Um exemplo citado acima, Edenedair "Pais dos Homens" ou literalmente *"Pais-homem" (MR: 373) é claramente o plural da palavra composta Adanadar "Pai-homem" (adan + adar). Aqui vemos a metafonia aplicada à palavra inteira, todos os a‘s em sílabas que não sejam finais se tornando e‘s, como se esta fosse uma palavra unitária. Ainda assim provavelmente também teria sido admissível usar o plural ?Adanedair, deixando o primeiro elemento da palavra composta não afetado e modificando apenas adar "pai" (para edair). Em WJ: 376, Tolkien faz uma nota sobre os plurais de orodben "monteiro" e rochben "cavaleiro" (na verdade palavras compostas, orod-ben "pessoa-montanha" e roch-beni ocorrendo no plural originalmente foi aplicada à palavra inteira, resultando nas formas örödbin e röchbineredbin e rechbin no sindarin dos dias de Frodo, embora Tolkien não mencione estas formas tardias). Entretanto, Tolkien observou também que "a forma normal [isto é, não metafônica] do primeiro elemento frequentemente era restaurada quando a natureza da composição permanecia evidente"; portanto, o plural de rochben também poderia ser rochbin, com a metafonia afetando apenas a vogal do elemento final -benroch "cavalo" é inalterado. (A implicação é que o plural de orodben "monteiro" pudesse ser de modo parecido orodbin com orod "montanha" em sua forma normal, apesar da forma orodbin não ser mencionada em WJ: 376.) Na palavra composta Edenedair o primeiro elemento não foi restaurado mas, como já mencionado, a forma ?Adanedair provavelmente também teria sido igualmente admissível. "cavalo-pessoa"). A afeição- (escritas "oeroedbin" e "roechbin" em WJ: 376; isto se teria de tornado "pessoa", enquanto que
O PLURAL DE CLASSE
Além do plural normal, o sindarin também possui o chamado plural de classe, ou plural coletivo. Em RGEO: 74, Tolkien afirma que "o sufixo -athelenathêl, pl. [irregular] elin) significava ‘a hoste das estrelas’: isto é,. (todas) as estrelas (visíveis) do firmamento. Cf. ennorath, o grupo de terras centrais, fazendo a Terra-média. Note também Argonath, ‘o par de pedras reais’, na entrada de Gondor; Perian-nath ‘os hobbits (como uma raça),’ como o plural coletivo de perian, ‘pequeno’ (pl. periain)." A Carta do Rei fornece mais exemplos: sellath dîn "suas filhas" e ionnath dîn "seus filhos", se referindoa todos os filhos e filhas de Sam como grupos. Em alguns casos, -ath parece possuir uma forma mais longa -iath. WJ: 387 dá firiath como o plural de classe de feir "um mortal" (plural normal fîr); cf. também a forma de "pl. coletivo" giliath "estrelas" em LR: 358 s.v. GIL (como em Osgiliath, "Cidadela das Estelas"). Em versões mais antigas deste artigo, explicamos que este i se inserindo antes de -ath é um remanescente de um y antigo que é aqui preservado (das palavras primitivas firya "mortal", gilya "estrela"). Isto pode estar correto no caso das palavras firiath e giliath, mas parece que a desinência mais longa -iath aparece sempre que a desinência de plural de classe é adicionada a uma palavra que possua a vogal raiz i: esta vogal é ecoada na desinência.
Se a desinência -ath é adicionada a um substantivo terminando em -nc ou -m, por razões fonológicas eles iriam mudar para -ng- e -mm- duplo, respectivamente, enquanto que -nt e -nd finais se tornariam -nn-: os plurais de classe de palavras como ranc "braço", lam "língua", cantthond "raiz" evidentemente seriam rangath, lammath, cannath e thonnath, respectivamente. Lembre-se também que, uma vez que o [v] sonoro é escrito f apenas no final, ele seria escrito como é pronunciado – simplesmente v – se qualquer desinência for anexada. Assim, o plural de classe de uma palavra como ylf "recipiente de bebida" deve ser escrita ylvath.
Em alguns casos outras desinências além de -ath parecem ser usadas, tais como -rim "povo"; em WJ: 388, é dito que Nogothrim é o plural de classe de Nogoth "anão". Outra desinência é -hoth "povo, hoste, horda", cf. dornhoth "o povo obstinado", outro termo élfico para os anões. O Apêndice do Silmarillion (entrada hoth) afirma que esta desinência é "usada quase sempre em sentido pejorativo" e menciona o exemplo glamhoth "horda barulhenta", um nome élfico para os orcs. Aquele que pela primeira vez chamou os homens das neves de Forochel de lossoth*loss-hoth, loss = "neve") evidentemente não gostava deles. Em Letters: 178, Tolkien explica que, enquanto o plural normal de orch "orc" é yrch, "os orcs, como uma raça, ou o todo de um grupo previamente mencionado, seriam orchoth" (para *orch-hoth, evidentemente). Poderia ser discutido se formas como Nogothrim e lossoth realmente são formas "plurais" ou simplesmente palavras compostas: povo anão, horda da neve. Palavras com a desinência "coletiva" -ath são vista assumindo o artigo plural in, de modo que elas são evidentemente consideradas plurais. Palavras em -rim e -hoth parecem se comportar da mesma maneira; cf. o namo Tol-in-Gaurhoth "Ilha dos Lobisomens" (Silmarillionplurais gerais [o itálico é meu] eram freqüentemente criados ao se adicionar a um nome (ou nome de lugar) alguma palavra significando ‘tribo, hoste, horda, povo’" – ou seja, as desinências que estivemos discutindo aqui. Assim, parece que, de um ponto de vista gramatical, as formas que empregam estas desinências realmente devem ser consideradas plurais, e não palavras compostas. (originalmente um sufixo não-coletivo) era usado como um plural de grupo, abrangendo todas as coisas de mesmo nome, ou aquelas associadas em alguma disposição ou organização especial. Logo, (como plural de "forma" e (para cap. 18, onde o nome é traduzido simplesmente como "Ilha de Lobisomens"). Em Letters: 178, Tolkien afirma que "os
OS CASOS NÃO DECLINADOS
Até onde podemos perceber pelo que já foi publicado, o substantivo no sindarin não é declinado em um grande número de casos, como em quenya. A língua ancestral comum do quenya e do sindarin aparentemente era um idioma declinável, mas em sindarin as desinências relevantes se perderam (embora traços delas possam ser encontrados em algumas palavras – por exemplo, ennas "lá" em alguma época deve ter resultado em uma desinência locativa parecida com a desinência do quenya -ssë). O élfico-cinzento depende de preposições ao invés de desinências casuais. É digno de nota, porém, que os substantivos no sindarin podem ser usados como genitivos sem mudar sua forma. Já citamos a inscrição do Portão de Moria como um exemplo disto: Ennyn Durin Aran Moria, "Portas de Durin, Rei de Moria", os nomes Durin e Moria funcionando como genitivos não declinados: de Durin, de Moria. Para dizer "X de Y", você simplesmente justapõe as palavras: X Y. A Carta do Rei fornece mais exemplos: Aran Gondor "Rei (de) Gondor", Hîr i Mbair AnnuiCondir i Drann "Prefeito (do) Condado". Tolkien observou que estes genitivos não declinados provavelmente descendiam de "formas indeclináveis" (WJ: 370). Em um estágio mais primitivo, o sindarin provavelmente tinha a mesma desinência genitiva -oa, como no epíteto de Túrin, Dagnir Glaurunga "A Perdição de Glaurung"; cf. também Bar Bëora para "a Casa de Bëor" em WJ: 230. A origem desta desinência é muito incerta, e aparentemente não é usada em sindarin padrão.)
Algumas vezes, um ou ambos os substantivos em uma expressão genitiva são encurtados de algum forma: consoantes duplas podem ser simplificadas; compara toll "ilha" com tol em um nome como Tol Morwendôr "terra" com dor em Dor Caranthir "Terra de Caranthir" (WJ: 183). Mas tal encurtamento não é necessário para produzir um sindarin correto; cf. Hîr ao invés de Hir na expressão Hîr i Mbair Annui "Senhor (das) Terras Ocidentais" na Carta do Rei. "Senhor (das) Terras Ocidentais", como em quenya, mas ela se perdeu junto com as outras vogais finais. (O sindarin doriathrin às vezes mostra uma desinência genitiva – "Ilha de Morwen" (WJ: 296). Vogais longas podem ser encurtadas; compare
Não apenas o genitivo, mas também o dativo pode ser expresso por um substantivo sindarin que não muda sua forma de modo algum. Isto está evidente a partir da primeira parte do linnod de Gilraen no Apêndice A do SdA: Onen i-Estel Edain, "Dei Esperança aos [Dún]edain". O objeto indireto, ou objeto dativo, é claramente Edain – mas ela não mostra qualquer desinência declinável, nem há ali qualquer coisa correspondendo à preposição "aos" na tradução em inglês de Tolkien. O dativo aparentemente é expresso apenas pela ordem das palavras.
- – -
O substantivo sindarin, assim como outras partes do idioma, freqüentemente está sujeito a certas mudanças regulares das consoantes iniciais. A estas devemos voltar nossa atenção agora.
3. AS MUTAÇÕES CONSONANTAIS
Em sindarin, a consoante inicial das palavras freqüentemente passa por certas mudanças, de modo que a mesma palavra pode aparecer em diferentes formas (palavras começando em uma vogal não são afetadas). Estas mudanças são chamadas mutações, com uma série de subcategorias (mutação suave, mutação nasal, etc.) Considere duas palavras completamente distinctas como saew "veneno" e haew "hábito". Uma regra de mutação dita que o s em certos contextos gramaticais se torna h. O artigo i "o, a" é um dos desencadeadores dessa mutação, de modo que se o prefixarmos a saew para expressar "o veneno", o resultada não é **i saew. "O veneno", ao invés disso, deve ser i haew. Embora haew também signifique "hábito", um usuário competente de sindarin não confundiria i haew (achando que isto significa "o hábito" ao invés de "o veneno"). Pois na mesma posição onde o s se torna h, a regra de mutação também dita que o h se torna ch. Então, se combinarmos haew "hábito" com o artigo i, teremos i chaew para "o hábito", com as palavra ainda sendo distintas. Contudo, é óbvio que há aqui um espaço considerável para confusão se o sistema de mutação do sindarin não for compreendido. É muito fácil imaginar algum estudante ingênuo vendo a combinação i haew em um texto e então procurando por haew ao invés de saew em sua lista de palavras – concluindo erroneamente que i haew significa "o hábito" ao invés de "o veneno", uma vez que não lhe ocorre que haew é meramente a forma que a palavra saew assume nesta posição em particular. É bastante impossível usar adequadamente uma lista de palavras do sindarin a menos que se compreenda o sistema de mutação; em alguns casos a lista de palavras seria um claramente enganosa.
Tentaremos descrever as várias mutações, assim como elas podem ser reconstruídas. Com as evidências reais sendo escassas, em muitos casos devemos retornar à nossa compreensão geral da fonologia sindarin para preencher as lacunas. O que se segue é baseado em uma análise completa (conduzida principalmente pelo eminente sindarista David Salo), mas publi- cações futuras podem bem provar que ela está errada em alguns aspectos. Entretanto, as mutações mais freqüentes (suave e nasal) são relativamente bem atestada, de forma que podemos reconstruir as regras com alguma segurança.
I. MUTAÇÃO SUAVE
A mutação mais freqüente, ela também é conhecida como lenição (= "suavização"). O nome reflete o fato de que, por esta mutação, sons "duros" ou mudos como p ou t se tornam "suavizados" (ou lenizados) para b e d sonoros, enquanto que o b e d originais são mais adiante "suavizados" para fricativos: v, dh. Descreveremos os efeitos da mutação suave antes de discutir em detalhes onde ela ocorre, mas pode ser notado que geralmente a lenição ocorre após partículas terminando em uma vogali (singular "o, a"). Em Letters: 279, Tolkien comenta sobre a linição c > g e observa que ela é uasda "após partículas estritamente associadas (como o artigo)". O cenário fonológico para este fenômeno não é muito difícil de se compreender. Na evolução do sindarin, muitas consoantes mudaram ao suceder uma vogal; por exemplo, c se tornou g e t se tornou d (compare a palavra sindarin adar "pai" com a palavra primitiva atar, ainda preservada em quenya). O que aconteceu foi que partículas como preposições e artigos precedendo imediatamente uma palavra se tornaram tão estritamente associadas com a palavra em si que a expressão inteira de partícula + palavra principal foi percebida como um tipo de unidade. Assim, uma palavra como tâl "pé", ao ocorrer em uma expressão como i tâl "o pé", ficou sujeita à mesma regra que transformou uma palavra unificada como atar em adar: Há uma vogal precedendo o t, de modo que ele se transforma em d – e, enquanto tâl permaneceu como a palavra para "pé", "o pé" de agora em diante é i dâl (veja LR: 298 com respeito a este exemplo). Veja abaixo a respeito dos vários usos da mutação suave; ao descrever as mutações em si, usaremos como exemplo as mudanças que ocorrem após o artigo definido i. quando tal partícula imediatamente precede uma palavra e está estreitamente associada a ela, tal como o artigo definido
A mutação suave transforma as oclusivas p, t e c em b, d e g sonoras; b e d originais se tornam v e dh, enquanto que g desaparece de um modo geral. (Deve ser notado que as mutações aqui descritas para b, d e gb, d e g primitivo. As letras iniciais b, de g em sindarin também podem derivar de mb, nd e ñg, e em tais casos, as formas lenizadas diferem. Veja a seção "O desenvolvimento das oclusivas nasalizadas" abaixo.) apenas se aplicam quando estes sons são produzidos a partir de
pân "tábua" > i bân "a tábua"
caw "topo" > i gaw "o topo"
tâl "pé" > i dâl "o pé"
bess "mulher" > i vess "a mulher"
daw "escuridão" > i dhaw "a escuridão"
gaw "vazio" > i ‘aw "o vazio"
NOTA: g originalmente se transformava em gh fricativo posterior, mas este som posteriormente desapareceu (i ghaw se tornando i ‘aw). Para indicar que um g foi lenizado para zero, pode-se usar um apóstrofo ‘ como neste exemplo, mas os escritos de Tolkien são inconsistentes neste ponto. Em CI: 428 temos Curunír ‘Lân para "Saruman, o Branco", o apóstrofo indicando evidentemente que a segunda palavra (o adjetivo "branco") é glân quando não modificada. Cf. também galadh "árvore" > i ‘aladh "a árvore" em LR: 298 (lá escrita galað, i·’alað). Mas no Silmarillion temos nomes como Ered Wethrin "Montanhas Sombrias", wethrin sendo a forma lenizada de gwethrin, a forma plural do adjetivo gwathren "sombrio" (compa- re com gwath "sombra", LR: 396 s.v. WATH). Talvez uma grafia equivalente de Ered ‘Wethrin na verdade seria usada na escrita Tengwar, com Tolkien às vezes abandonando o apóstrofo em nomes que ocorrem em suas narrativas.
Estas consoantes evidentemente passam pelas mesmas mutações se elas formam partes de encontros:
blabed "bater de asas" > i vlabed "o bater de asas"
brôg "urso" > i vrôg "o urso"
claur "esplendor" > i glaur "o esplendor"
crist "cutelo" (espada) > i grist "o cutelo"
dring "martelo" > i dhring "o martelo"
gloss "neve" > i ‘loss "a neve"
grond "clava" > i ‘rond "a clava"
gwath "sombra" > i ‘wath "a sombra"
prestanneth "afeição" (perturbação) > i brestanneth "a afeição"
trenarn "conto" > i drenarn "o conto"
As consoantes h, s e m são lenizadas para ch, h e v, respectivamente:
hammad "vestimenta" > i chammad "a vestimenta"
salph "sopa" > i halph "a sopa"
mellon "amigo" > i vellon "o amigo" (também escrito i mhellon)
Se notará que b e m se tornam v quando lenizadas. Em alguns casos, a ambiguidade pode surgir. Considere dois adjetivos como bell "forte" e melli vess vell significa "a mulher forte" ou "a mulher querida". (Em sindarin, um adjetivo geralmente sucedem algumas vezes é escrito mh (como na Carta do Rei, SD: 128-9: e aníra ennas suilannad mhellyn în, "ele deseja lá saudar seus amigos"). Parece que, no sindarin da Terceira, este mh não era mais pronunciado diferente de v, embora a distinção possa ter sido mantida na escrita Tengwar. Anteriormente, mh evidentemente foi uma nasal distintamente variante de v, que também pode ser chamada de "mm fricativo (ou v nasal)". "querido"; apenas o contexto pode decidir se o substantivo que ele descreve, e nesta posição, o adjetivo é lenizado.) O produto da mutação de aspirado". Compare com o Apêndice E do SdA, na discussão sobre as runas: "para o sindarin (arcaico) era necessário um sinal para
O som hw (w mudo, como o wh do inglês em dialetos onde ele é mantido distinto de w) provavelmente se torna chw em posição de mutação:
hwest "brisa" > i chwest "a brisa"
(No "noldorin" do Etimologias, este som é chw em todas as posições, também onde a palavra não é lenizada, mas parece que Tolkien revisou isto.)
F e th fricativos mudos, o n nasal e o r e l líquidos não são afetados pela mutação suave:
fend "soleira" > i fend "a soleira"
thond "raiz" > i thond "a raiz"
nath "teia" > i nath "a teia"
rem "rede" > i rem "a rede"
lam "língua" > i lam "a língua"
O comportamento de rh e lh líquidos mudos em posição de mutação é um tanto incerto. A visão apresentada em versões anteriores deste artigo foi de que eles se transformam em r e l sonoros normais. Isto foi baseado primeiramente no exemplo rhass "precipício", com o artigo i rass (LR: 363 s.v. KHARÁS). Contudo, isto provavelmente é "noldorin" ao invés de sindarin. Uma das revisões que Tolkien fez quando ele transformou o "noldorin" em sindarin afetou os sons rh elh. Em "noldorin", eles se originaram a partir de r e l normais no idioma primitivo, onde estes sons inicialmente ocorreram. Entretanto, Tolkien decidiu posteriormente que r e l iniciais primitivos ficaram inalterados em sindarin, uma palavra primitiva como lambâ "língua" dando origem à palavra sindarin lam (WJ: 394; compare com o "noldorin" mais primitivo, onde esta palavra havia sido, ao invés disso, lham: LR: 367 s.v. LAB). Os sons rh e lh ainda ocorrem inicialmente em sindarin, mas neste idioma eles são produzidos a partir de sr- e sl- iniciais primitivos (ex: srawê > sindarin rhaw, MR: 350), e não de r-, l- simples. Esta nova derivação deve ser levada em consideração quando fazemos uma suposição sobre como o rh e lh do sindarin se comportam em posição de mutação. Basicamente, a mutação suave corresponde a como certas consoantes se desenvolvem ao sucederem vogais. Sr e sl primitivos medianos se tornaram thr e thl; ex: a palavra "noldorin" lhathron "ouvinte" (sindarin lathron?) a partir da primitiva la(n)sro-ndo (LR: 368 s.v. LAS2). Assim, talvez isto também seja o que a mutação suave de rh- e lh- produziria, apesar de carecermos de exemplos:
rhaw "carne" > i thraw "a carne" (primitiva *i srawê)
lhûg "dragão" > i thlûg "o dragão" (primitiva *i slôkê)
Os usos da mutação suave: a mutação suave possui uma variedade de usos. Ela ocorre após uma série de partículas, preposições e prefixos, o exemplo que usamos até agora – o artigo definido i – sendo apenas uma destas partículas. Tipicamente, estamos falando sobre partículas que, ou terminam em uma vogal, ou terminavam em uma vogal em um estágio primitivo. Uma preposição como na "para, a" desencadeia as mesmas mutações que o artigo i, por exemplo na venn "a um homem" (benn não mutado). No hino à Elbereth (A Elbereth Gilthoniel) temos a expressão na-chaered "a uma distância remota" (ver RGEO: 72 para a tradução), haered "distância remota, a remota" passando por mutação suave para se tornar chaered. (Para haered como a forma não mutada, compare com o nome Haerast "Litoral Distante" mencionado no glossário do Silmarillion; veja a entrada Nevrast.)
Sabemos ou deduzimos que a mutação suave ocorre após os seguintes prefixos e partículas:
– o prefixo e preposição (?) ab "após, depois, seguinte, posterior" (uma vez que esta era apa mais antiga em quenya)
– a preposição adel "atrás, na traseira (de)" (uma vez que esta provavelmente era *atele em sindarin antigo)
– a preposição e prefixo am "em cima, acima, sobre" (cf. a palavra em quenya amba); a mutação suave é atestada em palavras compostas como ambenn "ladeira acima" (am + uma forma lenizada de pend, penn
– o prefixo ath- "em ambos os lados, através de" (*attha mais antigo)
– o prefixo athra- "através" (cf. uma palavra como athrabeth, "debate", o segundo elemento sendo uma forma lenizada de peth
– a preposição be "de acordo com" (talvez também "como", uma vez que ela deve corresponder à palavra em quenya ve)
– o advérbio/prefixo dad "abaixo" (cf. dadbenn "ladeira abaixo", que é dad + uma forma lenizada de pend, penn "declividade")
– a preposição di "sob, debaixo de"
– o prefixo go-, gwa- "junto" (possivelmente também usada como uma preposição independente "com")
– a preposição na "para, em direção de, por, com"
– a preposição nu (no) "sob"
– a preposição trî "através" e o prefixo correspondente tre-
– o elemento negativo ú-, u- "não" ou "sem", usado como um prefixo; ex: ú-chebin *"eu não guardo" no linnod de Gilraen (compare a palavra não modificada hebin "eu guardo"). Cf. também uma palavra como ubed "negação" (u + ped, a última sendo o radical do verbo "dizer", assim ubed = "não-dizer"). "declive") "palavra")
A frase guren bêd enni "meu coração me conta" (VT41: 11) incorpora uma forma lenizada do verbo pêd "conta". Este exemplo parece indicar que um verbo, sucedendo imediatamente seu sujeito, é lenizado. Este não é o caso se o verbo vem antes do sujeito, como na frase silivren penna (…) aglar elenath! "reluzindo branca se curva (…) a glória da hoste estrelada". Se o verbo penna "curvar" viesse após seu sujeito, ele provavelmente seria lenizado: *Silivren aglar elenath benna, "reluzindo branca, a glória da hoste estrelada se curva" (talvez uma ordem de palavras mais normal; a versão no SdA é poética).
Em sindarin, adjetivos (incluindo particípios) sucedendo o substantivo que eles descrevem são geralmente lenizados. Em sindarin, um adjetivo geralmente sucede o substantivo que ele descreve; ex: Tol Galen "Ilha Verde". Galen aqui é a forma lenizada de calen "verde". Outro exemplo do mesmo nome Pinnath Gelin "Cadeias (de montanhas) Verdes", gelincelin, por sua vez o plural de calen (no plural para concordar com "cadeias"). O nome Talath Dirnen "Planície Protegida" contém uma forma lenizada do particípio passado tirnentir- "observar, guardar, proteger"). Eryn "bosque, fleresta" + morn "escuro" produz Eryn Vorn "Floresta Escura" (CI: 295). Dor Dhínen "Terra Silenciosa" inclui a forma lenizada de dínen "silenciosa" (WJ: 333, 338). Existem, entretanto, poucos casos atestados onde a mutação falha em assumir seu lugar em tal combinação. O nome Dor Dhínen recém mencionado também aparece como Dor DínenSilmarillion publicado). Do SdA também nos lembramos de Rath Dínen ou "Rua Silenciosa" em Minas Tirith; poderíamos supor, ao invés disso, *Rath Dhínen. (Porém, a forma Barad-dûr ao invés de *Barad-dhûr para "Torre Escura" pode ser explicada pelo fato de que as palavras são aqui praticamente um composto, como indicado pelo hífen – apesar do segundo elemento de palavra compostas também ser lenizado, veja abaixo.) Casos de d onde poderíamos supor dh podem em algumas ocasiões ser explicados como transcrição errada da parte de Tolkien, uma vez que ele às vezes substituía d por dh simplesmente porque ele achava o último dígrafo "rude" (CI: 267). Porém, não podemos explicar facilmente casos como Cú Beleg ao invés de *Cú Veleg para "Grande Arco" (beleg "grande"; para "grande arco" cf. a canção Laer Cú Beleg ou "Canção do Grande Arco" mencionada no Silmarillion, capítulo 21). Outro exemplo é o nome Nan Tathren, "Vale dos Salgueiros"; esperaríamos, ao invés disso, *Nan Dathren. Provavelmente temos que supor que as discrepâncias existem simplesmente devido ao fato de que havia muitas variantes ou dialetos de sindarin; as regras que dizem onde a mutação suave ocorre diferem um pouco de dialeto para dialeto. (Eu aconselharia, porém, que, ao escrever em sindarin, deixassem os adjetivos serem lenizados nesta posição, uma vez que esta parece ser a regra principal.)
Quando uma palavra é usada como o segundo elemento de uma palavra composta, ela freqüentemente passa por mudanças parecidas com os efeitos da mutação suave. Tolkien afirmou (em Letters: 279) que "as iniciais de palavras em composição" são lenizadas (ele usou o exemplo Gil-galad, que representa *Gil-calad "Luz Estelar"; cf. a palavra não lenizada calad "luz" em CI: 60 – outra explicação do elemento galad, porém, é dada em PM: 347). Em RGEO: 73, Tolkien menciona "a mudança em s[indarin] de t > d mediano": no hino à Elbereth temos palan-dírielpalan-tíriel "vislumbar além" (compare com o verbo tir- "observar, ver, guardar").
Outros exemplos incluem palavras compostas como Calenhadcalen "verde" + sad "lugar, ponto", CI: 495), ElvellynEl = forma reduzida da palavra para "elfo" + mellynNindalf "Planície Úmida" (uma palavra composta de nîn "úmido" e talf "campo plano", ver A Tolkien Compass pág. 195). Os mal informados têm algumas vezes suposto que um nome como GildorGondor, Mordor etc., mas "Terra da Estrela" parece um nome bem estranho para uma pessoa. O elemento final de Gildor na verdade é taur "rei, senhor", combinado com um adjetivo idêntico significando "altivo, nobre". Em Gildor, t se torna d por lenição, e o au não acentuado se torna o. O nome é melhor interpretado "Senhor da Estrela".
O advérbio de negação avo, que é usado com um imperativo para expressar um comando negativo, ocasiona mutação suave do verbo que o sucede: caro! "faça (isto)!", mas avo garo! "não faça (isto)!" Avo também pode ser reduzido para o prefixo av-, ainda seguido pela mesma mutação: avgaro significa o mesmo que avo garo. Veja WJ: 371.
Um substantivo também é lenizado se ele aparece como o objeto de um verbo, mesmo se não houver um artigo o precedendo. Assim, o sindarin possui um tipo de "acusativo". Note uma frase da Carta do Rei: ennas aníra i aran… suilan- nad mhellyn în, "lá o rei deseja… saudar seus amigos", mhellyn sendo a forma lenizada de mellyn "amigos" (e uma grafia variante de vellyn como em Elvellyn "amigos-dos-elfos" acima). A palavra "amigos" é lenizada como o objeto do verbo "saudar". Pode-se imaginar se a falta de lenição foi a razão pela qual Gandalf compreendeu errado a inscrição do Portão de Moria: pedo mellon a minno, "fale ‘amigo’ e entre". Gandalf, como lembramos, primeiramente pensou que isto significava "fale, amigo, e entre". Geralmente, mellon presumidamente deveria estar lenizado como o objeto de pedo "fale" (*pedo vellon), mas aqueles que fizeram a inscrição evidentemente ignoraram as regras normais de lenição e deram a palavra mellon na forma exata na qual ela devia ser dita para as portas abrirem. (É claro, não sabemos exatamente como a "mágica" ou mecanismo para-tecnológico por trás das portas funcionava, mas devia ser algum tipo de inteligência artificial respondendo apenas à sequência sonora M-E-L-L-O-N.) Talvez tenha sido por causa disso que Gandalf não compreendeu primeiramente que mellon era o objeto de pedo "diga, fale" e pensou que, ao invés disso, fosse um vocativo: "fale, ó amigo!" Pode ser que a forma de sindarin usada nesta inscrição realmente não usasse a lenição de m para mh/v, mas na verdade há uma variante da inscrição do Portão de Moria onde os tengwar parecem ler pedo mhellon ao invés de pedo mellon. (Veja J. R. R. Tolkien: Artist & Illustrator, pág. 158.)
Se pensou anteriormente que a conjunção a "e" ocasionava a mutação suave (uma visão que também foi refletida em algumas das versões mais antigas deste artigo). Isto aconteceu por causa da expressão Daur a Berhael "Frodo e Samwise" em SdA3/VI cap. 4: alguém observou corretamente que Berhael "Samwise" é uma forma lenizada de Perhael e concluiu precipitadamente que fora a conjunção precedente aa minno, e não **a vinno, para "e entre". Visto que mellon "amigo" falha em lenizar para vellon na mesma inscrição, pode -se pensar que a inscrição está em uma forma de sindarin que não usa a lenição m > v. Porém, como mencionado acima, uma forma alternativa da inscrição ocorre em J. R. R. Tolkien: Artist & Illustrator pág. 158. Nesta versão, a palavra mellon é lenizada (mhellon/vellon) – mas a palavra minnoainda não mostra lenição, enterrando de uma vez por todas a teoria de que a "e" desencadeia a mutação suave. Por que, então, Perhael é lenizado? O contexto deve ser levado em consideração. A frase completa segue assim: Daur a Berhael, Conin en Annûn, eglerio!eglerio "louvai" é, claro, "Frodo e Sam", e sendo objetos, estes nomes são lenizados. A frase é simplesmente uma forma rearranjada de *eglerio Daur a Berhael, Conin en Annûn "louvai Frodo e Sam, heróis do oeste". Assim, não é apenas o nome Perhael que é lenizado (para Berhael); devemos supor que Daur também é uma forma lenizada, a versão não mutada sendo Taur. (De acordo com LR: 389 s.v. TÂ, TA3, o "Noldorin"/ sindarin possuía um antigo adjetivo taur "altivo, nobre", usado em "títulos antigos"; este seria um epíteto honorário adequado para Frodo.) – Como o exemplo Daur a Berhael, Conin en Annûn "Frodo e Sam, heróis do oeste" indica, a lenição não é realizada em uma frase inteira quando a última parte fica meramente em justaposição com a primeira. As palavras principais, Taur e Perhael, são lenizadas – mas a expressão Conin en Annûn "heróis do oeste", que meramente fica em justaposição com Daur a Berhael, não o é (assim, não temos "Gonin en Annûn"). Cf. também um exemplo como i Cherdir Perhael, Condir "o Mestre Samwise, Prefeito" da Carta do Rei: herdir "mestre" é lenizada por causa do artigo que a precede (na verdade, ela teria sido lenizada mesmo sem o artigo, uma vez que a expressão também é o objeto do verbo), mas aqui, o nome Perhael "Samwise" e seu título Condir não estão sujeitos à mutação suave, visto que eles ficam em justaposição com Herdir (logo, não temos "i Cherdir Berhael, Gondir"). Assim, a regra é de que, quando várias palavras ficam em justaposição, apenas a primeira delas sofre mutação (e provavelmente isto serve para todas as mutações). sendo uma forma lenizada de "observado, protegido" (cf. o verbo em alguns textos (como no para * "Espaço Verde" ( "amigos-dos-elfos" ( "amigos", WJ: 412) ou significa "Terra da Estrela", isto é, que o elemento final é o mesmo de nomes de reinos como que causara a mutação. Contudo, a inscrição do Portão de Moria possui sucedendo a conjunção De acordo com Letters: 308, isto significa "Frodo e Sam, príncipes do oeste, louvai (-os)!" Na verdade não há qualquer pronome final "os" na frase em sindarin, como indicado pelos parênteses. O objeto do verbo
NOTA: Tolkien revisava as regras de lenição repetidamente. Uma regra obsoleta pode ser mencionada. Como observado acima, o genitivo pode ser expresso apenas pela ordem das palavras em sindarin: Ennyn Durin Aran Moria, "Portas (de) Durin Senhor (de) Moria". De acordo com uma regra que Tolkien posteriormente rejeitou, o segundo substantivo de tal construção é lenizado. Portanto, a primeira versão da inscrição do Portão de Moria teria a leitura Ennyn Dhurin Aran Voria, com Durin e Moria lenizados. Compare com algumas expressões genitivas do Etimologias LR: 369: Ar Vanwë, Ar Velegol, Ar Uiar para "Dia de Manwë", "Dia de Belegol (Aulë)", "Dia de Guiar (Ulmo)" (b e m sendo lenizadas para v e g para zero). Após a revisão, as formas presumidamente seriam *Ar Manwë, *Ar Belegol e *Ar Guiar.
II. MUTAÇÃO NASAL
Enquanto isto pode soar um pouco como um filme de terror (ou como Pinocchio), ela na verdade se refere a outro fenômeno importante na fonologia sindarin. Assim como o artigo i para o singular "o, a" desencadeia a mutação suave, o artigo in para o plural "os, as" desencadeia a mutação nasal: Tolkien afirmou explicitamente que "a mutação nasal… aparece após o artigo plural em: thîw, i Pheriannath" (Letters: 427 – parece que Humphrey Carpenter, ao editar esta carta, pensou que "in" (em) é aqui a preposição inglesa ao invés do artigo sindarin in, uma vez que ele não usa itálico!) Outras partículas que desencadeiam a mutação nasal seriam a preposição e prefixo an "a, para" e a preposição dan "contra", também usada como o prefixo "re-".
Os exemplos que Tolkien usou em Letters: 427 citados acima, thîwi Pheriannath, vêm da inscrição do Portão de Moria e do louvor que os Portadores do Anel receberam no campo de Cormallen. No primeiro temos i thiw hin para "estes sinais", literalmente "os sinais estes". (O encurtamento de thîw para thiw provavelmente tem algo a ver com a palavra seguinte hin "estes" e não tem que ser considerada aqui.) Frodo e Sam foram louvados com as palavras aglar ‘ni Pheriannath, "glória aos pequenos" (‘ni sendo a forma curta para an i "aos"). Mas por que o artigo iin? Outra anomalia parece ser a de que "letras" e "pequenos" de repente aparecem como thîw (thiw) e Pheriannath ao invés de tîw e Periannath, embora estas palavras sejam atestadas no próprio SdA (Apêndice B, a cronologia da Terceira Era, entrada para 1050: "os Periannath pela primeira vez são mencionados nos registros…" – enquanto que no Apêndice E é feita referência aos "Tengwar ou Tîw, aqui traduzidos como ‘letras’ "). Ambos os problemas são resolvidos quando levamos em consideração os efeitos da mutação nasal: i thîw e i Pheriannath representam na verdade in tîw e in Periannath. A Carta do Rei possui a Pherhael para "para Perhael (Samwise)"; isto representa an "para" + Perhael. Se quisessemos dizer in cirth = "as runas", isto se manifestaria como i chirth. Em termo de fonologia diacrônica, todo este fenômeno é facilmente explicado. Em sindarin antigo, p, t e k (c) após um n se tornaram aspirados, se transformando em ph, th e kh aspirados. Compare com uma palavra em sindarin antigo como thintha- "desvanecer" (LR: 392 s.v. THIN), representando indubitavelmente a palavra mais antiga *thintâ- com a desinência verbal comum -tâ. Assim, também teríamos in tîw > i thîw (tht aspirado ao invés de um þ fricativo). Posteriormente, os aspirados se transformaram em fricativos e a nasal precedente foi assimilada por eles, desaparecendo (in þîw > iþ þîw, i þîw, geralmente escrito i thîw em letras romanas).
As mutações nasais das oclusivas mudas p, t e c são, desse modo, ph, th e ch. Os encontros iniciais cl, cr, tr e pr provavelmente se comportam da mesma maneira como oclusivas simples quando a mutação nasal é adequada (então, se combinarmos palavras como claurcrûm "esquerdo", trenarn "relato", prestanneth "afeição" com a preposição an "a, para", podemos ver a chlaur, a chrûm, a threnarn e a phrestanneth).
As oclusivas mudas b, d e g se comportam diferentemente quando submetidas à mutação nasal. Elas não se tornam fricativas como as outras oclusivas mudas. Tem havido, entretanto, alguma confusão com respeito a esse comportamento. Versões anteriores deste artigo apresentaram a visão de que n + b, d, g produz mb, nd, ng. Há pouca dúvida de que foi de fato isto que Tolkien imaginou em certo estágio. Isto é evidente a partir do exemplo Cerch iMbelain "Foice dos Valar" em LR: 365 s.v. KIRIK, claramente cerch "foice" + in artigo plural "(d)os" + Belain "Valar". Porém, um exemplo tardio indica que Tolkien abandonou este sistema "noldorin" no sindarin. Em WJ: 185, temos Taur-i-Melegyrn para "Floresta das Grandes Árvores". Isto é claramente taur "floresta" + in artigo plural "(d)as" + beleg "grande" + yrn "árvores". (A palavra beleg é listada no Apêndice do Silmarillion, como "forte".) Aqui, n + b visto produzindo m; pelo mesmo sistema, "Foice dos Valar" com certeza seria would Cerch i Melain (e não, como antes, Mbelain). Por analogia, temos que concluir que n + d produz n simples, enquanto n + g aparece como ng (um som unitário como na palavra inglesa sing, algumas vezes escrito ñ por Tolkien, e não este som unitário seguido por um g distinto, como na palavra inglesa finger): e aparentemente é usado em conjunção com estas palavras no plural, quando já estabelecemos que a palavra para o plural "os, as" é aqui sendo "esplendor",
in pl. "os" + dúredhil "elfos escuros" = i núredhil "os elfos escuros"
in pl. "as" + gelaidh "árvores" = i ngelaidh (isto é, i ñelaidh) "as árvores"
in pl. "as" + beraid "torres" = i meraid "as torres"
Teoricamente, temos consoantes longas ou duplas aqui (innúredhil, iññelaidh, immeraid), apesar disso dificilmente ser refletido na pronúncia. Mas no caso das preposições an "a, para" e dan "contra", que desencadeiam mutações parecidas, estaria de acordo com os príncipios gerais de Tolkien indicar isto na ortografia (apesar de carecermos de exemplos exatamente paralelos):
an + dúredhel "elfo escuro" = an núredhel (ao invés de simplesmente a núr…) "para um elfo escuro"
an + galadh "árvore" = an ngaladh "para uma árvore" (grafia romana provisória de añ Ñaladh, o equivalente do qual provavelmente aparece em escrita Tengwar)
an + barad "torre" = am marad "para uma torre"
É desejável manter a preposição an claramente separada da conjunção aa núredhel, a marad (a primeira podendo ser mal interpretada como "e um elfo profundo"). "e"; pode surgir confusão se simplesmente escrevermos
Antes de alguns encontros consonantais começando por oclusivas sonoras, tais como dr, gl, gr e gw, parece que nenhuma mutação em particluar ocorre. No Apêndice A do SdA, temos Haudh in Gwanûr para "Monte dos Gêmeos" (e não **Haudh i Ngwanûr); cf. também Bar-in-Gwael "Lar das Gaivotas" (?) em WJ: 418 (e não **Bar-i-Ngwael). Então, combinar an, dan, in com palavras como draug "lobo", glân "fronteira", grond "clava" ou gwêdh "ligação" pode produzir simplesmente dan draug "contra um lobo", dan glân "contra uma fronteira", dan grond "contra uma clava", dan gwêdhin droeg "os lobos", in glain "as fronteiras", in grynd "as clavas", in gwîdh "as ligações"). Compare com Tawar-in-Drúedain para "Floresta dos Drúedain (Woses)" em CI: 500; o dr inicial não é modificado por qualquer mutação nasal visível, mesmo sucedendo o artigo plural in "(d)os". Cf. também a exclamação gurth an glamhoth "morte à horda do alarido (= orcs)" em CI: 32, 458, fornecendo um exemplo atestado de an "a, para" seguido por uma palavra em gl-. É provável, entretanto, que o n final de dan, an e in fosse pronunciado "ng" (ñ) antes de palavras começando com um encontro em g-, e talvez também escrito assim em Tengwar.
Os encontros bl e br podem se tornar ml e mr quando submetidos à mutação nasal; ex: an "para" + brôg = a mrôg (ou am mrôg) "para um urso", plural definido i mrýg "os ursos". Não temos exemplos, mas os princípios gerais podem sugerir isto.
Antes de m, a preposição an "a, para" aparece como am; a Carta do Rei possui am Meril para "a Meril [Rosa]". Dan "contra" certamente se tornaria dam na mesma posição (dam Meril "contra Meril"). O artigo plural in aparece como i quando seguida de m; WJ: 418 possui Bar-i-Mýl para "Lar das Gaivotas" (modificado por Tolkien a partir de Bar-in-Mýl com o nGwaith-i-Mírdain "Povo dos Joalheiros", representando claramente …in Mírdain. Antes de palavras em n, veríamos novamente in reduzido para i (cf. i Negyth para in Negyth "os anões", WJ: 338). As preposições an e dan ficariam inalteradas.
Antes de s, in é mais uma vez reduzido para i, como em Echad i Sedryn "Acampamento dos Fiéis" (CI: 168). As preposições an "a, para" e dan "contra" podem aparecer como as e das antes de s- (ex: as Silevril
Nenhum exemplo mostra o que a mutação nasal faz ao r- inicial. No sindarin da Terceira Era, pelo menos, n + r produzia dhr (como em Caradhras = caran "vermelho" + ras(s) "chifre"). Então talvez, digamos, "contra um chifre", dan + rass, produziria dadh rass??? Plural definido idh rais "os chifres", para in rais? Mas no sindarin da Primeira Era, ou ao menos no dialeto doriathrin, podemos simplesmente ver dan rass, in raisAranrúth "Ira do Rei", indicando que a mudança nr > dhr ainda não havia ocorrido em seus dias).
Antes de l, a nasal final do artigo plural in desaparece. Compare com Dantilais como um nome do outono em PM: 135; isto é evidentemente Dant i Lais "Queda das Folhas" (para Dant in Lais) escrito em uma palavra como um pseudo- composto. As preposições an e danal e dal antes de uma palavra em l-.
O comportamento do L e R mudos, isto é lh e rh, pode apenas ser suposto. An "para" + lhûg "dragão" ou rhavan "homem selvagem" pode produzir al ‘lûg "para um dragão", adh ‘ravan "para um homem selvagem" (ou, com in = plural "os, as", i ‘lýg para il ‘lýg "os dragões", mas idh ‘revain "os homens selvagens"). O ‘ indicaria a perda de uma consoante, o s dos encontros originais sl- e sr- que resultaram em lh- e rh-. Veja em Mutação Mista abaixo sobre o exemplo atestado (?) e-’Rach.
A mutação nasal transforma h em ch, como em Narn i Chîn Húrini Chîn representando in Hîn (compare com hênhîn). Deve ser notado que a forma Narn i Hîn Húrin que ocorre no CI está errada. Em LR: 322, Christopher Tolkien confessa: "Narn i Chîn Húrin…é escrita dessa forma em todas as ocorrências, mas foi impropriamente modificada por mim para Narn i Hîn Húrin (porque eu não queria que Chîn fosse pronunciada como a palavra inglesa chin)." (Cf. MR: 373.) Antes de h > ch, as preposições an e dan simplesmente podem ser escritas a e da (a chên "para uma criança", da chên "contra uma criança" – ach chên e dach chên também seriam uma possibilidade, mas nenhuma palavra em sindarin não modificada começa em ch, de modo que não pode haver confusão com a hên "e uma criança").
A mutação nasal de hw pode seguir o mesmo padrão (hipotético) de lh e rh; ex: an "para" + hwest "brisa" > a ‘west "para uma brisa".
Os sons th e f parecem imunes a todos os tipos de mutações. Inthynd "raízes" provavelmente apareceria simplesmente como i thynd; no caso de an "para" e dan "contra" podemos ver ath thond "para uma raiz" e dath thond "contra uma raiz", ou pode-se simplesmente escrever a thond (e arriscar uma confusão com "e uma raiz") e da thond. Da mesma forma, in > i antes de f (cf. i-Fennyr para in-Fennyr em LR: 387 s.v. SPAN). An e dan podem aparecer como af e daf antes de f; neste caso, o f final na verdade seria pronunciado [f] ao invés de [v], apesar das convenções ortográficas normais de Tolkien. Compare seu uso de efed "fora de" antes de palavras em f-; veja a seção sobre a Mutação Mista abaixo.
"contra uma ligação" (plurais definidos intacto). Cf. também uma expressão como "para uma Silmaril"). (compare com o nome da espada de Thingol, podem aparecer como "Conto dos Filhos de Húrin", "criança", pl. pl. "as" + como uma forma assimilada de
III. MUTAÇÃO MISTA
"Mutação mista" não é um termo criado por Tolkien; não sabemos como ela a chamava. No material publicado, não há referência explícita à esta mutação em nenhum lugar; meramente observamos seus efeitos em alguns textos. Algumas vezes ela é parecida com a mutação nasal, e historicamente as duas mutações provavelmente estão envolvidas – assim sendo, esta mutação pode ser chamada "mista" (mas às vezes ela difere tanto da mutação suave como da mutação nasal!)
Nada menos do que três exemplos de mutação mista são encontrados em uma frase na Carta do Rei: erin dolothen Ethuil, egor ben genediad Drannail erin Gwirith edwen "no oitavo [dia] da Primavera ou, no registro do Condado, no segundo [dia] de abril". Aqui temos três exemplos de preposições que incorporam o artigo definido na forma oblíqua -(i)n: duas vezes erin "no" (or "em" + in "o" > örin não mutado> erin tardio), mais ben, aqui traduzida "no", mas mais literalmente "de acordo com o" (beveben genediad Drannail "de acordo com o registro do Condado"). Outras preposições que incorporam o artigo na forma -in ou -n, tais como nan "à, ao", uin "de, desde" e possivelmente ‘nin "a/para o", seriam seguidas pelas mesmas mutações (pelo menos no singular – no plural podemos ver a mutação nasal, cf. ‘ni Pheriannath "aos pequenos", para ‘nin [= an in] Periannath). Mas de que tipo de mutações estamos falando?
Por causa do -n podemos esperar algo parecido com a mutação nasal, mas a frase da Carta do Rei mostra que este não é o caso. Considere as expressões erin dolothen "no oitavo", ben genediad "de acordo com o registro" e erin Gwirith edwen "em abril o segundo" (literalmente "no segundo de abril"). A forma não mutada de dolothentolothen (compare com toloth "oito", LR: 394 s.v. TOL1-OTH/OT). Ainda assim não vemos qualquer mutação nasal (**eri[n] tholothen) mas, ao invés disso, uma mudança de t > d que é similar à mutação suave. Mas a mutação suave também lenizaria g a zero. Mesmo assim, genediad "registro" e Gwirith "abril" não são afetadas quando precedidas por ben e erin. (Sabemos que as formas não mutadas também apresentariam g-; para genediad, compare com o verbo gonod- "registrar, contar, computar" em LR: 378 s.v. NOT, enquanto que o nome do mês Gwirith é mencionado no Apêndice D do SdA.) Não vemos **erin ‘enediad e **erin ‘Wirith aqui com a mutação suave regular.
O artigo genitivo singular e, en "do, da" desencadeia mutações parecidas. Considere alguns dos nomes dos vários contos listados em MR: 373. Em Narn e·Dinúviel, "Conto do Rouxinol", vemos a mesma "mutação suave" t > d como em erin dolothen para erin tolothen (a forma não mutada de Dinúviel é, claro, o epíteto bem conhecido de Lúthien, Tinúviel). Mas novamente vemos que a mutação suave não afeta oclusivas sonoras como b, d e g (cf. Gwirith, genediad permanecendo inalterados): MR: 373 também lista Narn e·Dant Gondolin, "Conto da Queda de Gondolin", onde dant "queda" não passa por mutação (sabemos que a forma não mutada também é dant; compare com Dantilais para *"Queda das Folhas = outono" em PM: 135; o radical é DAT, DANT "cair", LR: 354). Não vemos **e·Dhant com mutação suave.
A origem destas mutações "contraditórias" evidentemente tem a ver com as mutações suave e nasal operando em diferentes estágios na evolução do sindarin. Não precisamos entrar em complicações fonológicas aqui, mas simplesmente apresentar seus efeitos até onde eles podem ser reconstruídos – pois em grande parte, temos que contar com a reconstrução. "de acordo com" sendo claramente o cognato da palavra em quenya "como"; assim, "oitavo" é claramente
Os efeitos melhor atestados da mutação mista podem ser deduzidos a partir dos exemplos dados acima. As oclusivas mudas p, t e c são sonorizadas para b, d e g (pân "tábua", caw "topo", tâl "pé" > e-bân "da tábua", e-gaw "do topo", e-dâl "do pé", e da mesma forma erin bân, erin gaw e erin dâl para "na/no tábua/topo/pé"). As oclusivas sonorasb, d e gbenn "homem", daw "escuridão", gass "buraco" > e-benn "do homem", e-daw "da escuridão", e-gass "do buraco", e da mesma forma, erin benn "no homem" etc.) Dificilmente é necessário motrar que há espaço para alguma confusão aqui, uma vez que a distinção fonética entre oclusivas sonoras e mudas é neutralizada nesta posição. Apenas o contexto pode nos dizer se, digamos, e-gost significa "da disputa [cost]" ou "do terror [gost]". permanecem inalteradas (
Antes de um encontro inicial tr-, provavelmente veríamos a forma completa do artigo genitivo (en), e o próprio encontro tr mutaria para dr; ex: trenarn "conto" > en-drenarn "do conto". O dr original, como em draug "lobo", se comportaria do mesmo modo, mas aqui, é claro, não há mutação visível (en-draug "do lobo"). Os encontro pr e br podem ambos surgir como mr, e o artigo assume a forma curta e-: prestannethe-mrestanneth "da afeição", brôg "urso" > e-mrôg "do urso". O encontro bl pode da mesma forma se tornar ml-, como em blabede-mlabed "do bater de asas". Aqui a mutação mista é similar à mutação nasal. Os encontros cl- e cr- se comportariam mais como tr-, sendo sonorizados (para gl-, gr-), mas veríamos apenas a forma curta do artigo diante deles: claur "esplendor" > e-glaur "do esplendor", crist "cutelo" (espada) > e-grist "do cutelo". Por outro lado, a forma longa en- é usada antes de gl-, gr- e gw-, e estes encontros não passam por mudança: gloss "neve" > en-gloss "da neve" (compare com Methed-en-glad "Fim da Floresta" em CI:168), grond "clava" > en-grondgwath "sombra" > en-gwath "da sombra". "afeição" > "bater de asas" > "da clava",
Antes de palavras em f-, o exemplo Taur-en-Faroth parece indicar que o artigo aparece em sua forma completa en- (para este exemplo, veja o Apêndice do Silmarillion, entrada faroth – Taur-en-Faroth não parece significar, porém, precisamente "Colinas dos Caçadores"). É muito incerto o modo como as palavras em h-, l-, m- e th- se comportariam; possivelmente o artigo genitivo assumiria a forma curta e-, e a consoante inicial não passaria por mudança: e-hên "da criança", e-lam "da língua", e-mellon "do amigo", e-thond "da raiz". Talvez também teríamos e- curto antes de palavras em s-, mas esta consoan- te provavelmente se tornaria h-: salph "sopa" > e-halph "da sopa". Antes de n- temos en- longo; compare com um nome como Haudh-en-Nirnaeth "Colina das Lágrimas", ocorrendo no Silmarillion. Antes de r- o artigo genitivo pode assumir a forma edh- por causa da desassimilação nr > dhr; ex: edh-rem "da rede", mas en-rem também pode ser admissível, pelo menos no sindarin doriathrin.
Isto deixa apenas três sons iniciais a serem considerados: todos descendem de encontros s-, ou seja, lh, rh e hw a partir dos primitivos sl-, sr- e sw-. Que efeito a mutação mista tem sobre L, R e W mudos? Temos uma confirmação possível de tal mutação: a expressão Narn e·’Rach Morgoth "Conto da Maldição de Morgoth" no MR: 373. Este exemplo indica que ‘rach é no que a palavra "maldição" se transforma quando sujeita à mutação mista. Infelizmente, esta palavra não é atestada de outra forma, de modo que não temos certeza de como a forma não mutada seria. Tem sido geralmente assumido que esta é uma forma lenizada de *grach. Mas assim sendo, exemplos análogos sugerem que "da maldição" seria *en-grach. Pode ser, então, que a forma não mutada seja na verdade *rhach, da primitiva *srakk-, o ‘ de e·’rach indicando a perda deste ss, embora não mais presente como um som distinto, tornou mudo o rrh). Se isto está correto, podemos supor que a mutação mista teria um efeito similar sobre lh e hw; ex: lhûg "dragão" > e-’lûg "do dragão", hwest "brisa" > e-’west "da brisa". (e/ou a perda de seus efeito sobre a forma não mutada, na qual o seguinte:
As preposições que incorporam o artigo como -n ou -in desencadeariam mutações parecidas com aquelas recém descritas para o artigo genitivo en-, mas aparentemente não há variação entre formas onde o n está incluso e formas "curtas" onde ele é omitido, tornando paralela a variação en/e: um n representando o artigo está sempre presente. (Compare erin dolothen e e·Dant; não vemos **eri·dolothen paralelamente a e·Dant ou **en Dant paralelamente a erin dolothen.)
IV. MUTAÇÃO OCLUSIVA
O termo "mutação oclusiva" não ocorrem nos escritos publicados de Tolkien sobre o sindarin, mas uma referência a esta mutação (pelo seu nome) ocorre em uma das primeiras entradas do "Gnomish Lexicon" de 1917 (veja Parma Eldalamberon #11). Em material tardio, há uma breve referência ao que também poderia ser chamado de mutação oclusiva. Em WJ: 366, lemos: "como as mutações que sucedem as preposições o ['de, a partir de'] mostram, inicialmente ela devia terminar em -t ou -d." Infelizmente, o Professor não nos disse mais nada sobre estas mutações. Nossos poucos exemplos de o ocorrendo em textos parecem indicar que nada acontece a um m ou a um g sucedendo esta preposição (o menelo galadhremmin ennorath "das terras de árvores entrelaçadas da Terra-média" no hino à Elbereth, + o Minas Tirith "de Minas Tirith" na Carta do Rei), e o o também possui esta forma antes de vogais (o Imladris "desde/de Valfenda" em RGEO: 70, em escrita Tengwar; cf. também Celebrimbor o Eregion "Celebrimbor de Azevim" na inscrição do Portão de Moria). Tolkien posteriormente observou a respeito do desenvolvimento da preposição primitiva et "fora, fora de" em sindarin: "[ela] mantém sua consoante na forma ed antes de vogais, mas a perde antes de consoantes, embora es, ef e eth sejam frequentemente encontradas antes de s, f e th". Usaremos ed para ilustrar as mutações causadas pela oclusiva final, tão bem quanto elas podem ser reconstruídas. Devido à falta de exemplos, muito do que se segue deve permanecer como dedução hipotética. "do céu" e
Antes de uma vogal, Tolkien nos informa que vemos a forma básica eded Annûn "[fora] do oeste"). Mas antes de consoantes, ed aparece como e, mas a consoante seguinte freqüentemente mudaria. Se podemos confiar na nossa compreensão da evolução fonológica do sindarin, as oclusivas mudas t-, p- e c- se transformariam nas fricativas th-, ph- e ch- (os encontros tr-, pr-, cl- e cr- da mesma forma se tornam thr-, phr-, chl- e chr-): (ex:
pân "tábua" > e phân "fora de uma tábua"
caw "topo" > e chaw "fora de um topo"
taur "floresta" > e thaur "fora de uma floresta"
claur "esplendor" > e chlaur "fora de um esplendor"
criss "fenda" > e chriss "fora de uma fenda"
prestanneth "afeição" > e phrestanneth "fora de uma afeição"
trenarn "conto" > e threnarn "fora de um conto"
Por outro lado, as oclusivas sonoras b-, d- e g- (que ocorrem sozinhas ou em encontros bl-, br-, dr-, gl-, gr- e gw-) não passariam por mudança: compare com o galadhremmin ennorath "das terras de árvores entrelaçadas da Terra-média" no hino à Elbereth; a palavra galadh "árvore" está inalterada.
barad "torre" > e barad "fora de uma torre"
daw "obscuridade" > e daw "fora da obscuridade"
gass "buraco" > e gass "fora de um buraco"
bronwe "resistência" > e bronwe "fora de resistência"
blabed "bater de asas" > e blabed "fora do bater de asas"
dring "martelo" > e dring "fora de um martelo"
gloss "neve" > e gloss "fora da neve"
groth "caverna" > e groth "fora de uma caverna"
gwath "sombra" > e gwath "fora da sombra"
O sistema aqui esboçado se refere ao b, d e g normais; note que, onde estes sons vêm dos primitivos mb, nd e ñg, eles se comportam de maneira diferente. Veja "O desenvolvimento das oclusivas nasalizadas" abaixo.
Palavras em m- e n- também não mudariam:
môr "escuridão" > e môr "fora da escuridão"
nath "teia" > e nath "fora da teia"
Mas h- e hw- podem se tornar ch- e w-, respectivamente:
haust "cama" > e chaust "fora de uma cama"
hwest "brisa" > e west "fora de uma brisa"
Quanto à forma de ed antes de s-, f- e th-, nos é dito que "es, ef e eth são freqüentemente encontrados" (WJ: 367) antes destas consoantes:
sarch "túmulo" > es sarch "fora de um túmulo"
falch "ravina" > ef falch "fora de uma ravina"
thôl "elmo" > eth thôl "fora de um elmo"
Entretanto, a expressão de Tolkien, "freqüentemente encontrados" ao invés de "sempre encontrados" indica que e sarch, e falch e e thôl seriam igualmente admissíveis. A preposição ned *"em", que provavelmente se comporta como ed "fora de", provavelmente não deve ser nef (mas sim ne) antes de uma palavra em f-, uma vez que a grafia nef causaria confusão com a preposição distinta nef "neste lado de". (Não haveria confusão se não fosse pela idéia de Tolkien de que o [v] final deve ser escrito f na sua ortografia romana para o sindarin; nef "neste lado de" é pronunciado [nev], mas nef como uma forma de ned seria pronunciado [nef]. Ef e nef como formas de ed e ned deveriam, estritamente falando, ser escritos como eph, neph de acordo com o sistema ortográfico de Tolkien, visto que são pronunciados [ef] e [nef] – mas em WJ: 367, o próprio Tolkien usa a grafia "ef"!)
Os líquidos mudos lh e rh podem se comportar como se tivéssemos assumido o que eles fazem sob influência de mutação suave: transformam-se em thl- e thr-. (Deve-se enfatizar que isto é especulação e, na melhor das hipóteses, um palpite qualificado, que serva para muitos dos possíveis efeitos da mutação oclusiva apresentados aqui. De todas as formas não atestadas, apenas o comportamento das oclusivas mudas é relativamente certo.)
lhewig "orelha" > e thlewig "fora de um orelha"
Rhûn "leste" > e Thrûn "fora do leste"
Quanto aos sonoros l e r normais, os princípios da fonologia sindarin (até onde podem ser reconstruídos) podem sugerir que "fora de" apareceria aqui em sua forma completa, ed, a despeito da declaração de Tolkien em WJ: 367 de que a oclusiva final se perde antes de consoantes:
lach "chama" > ed lach (e lach?) "fora de uma chama"
rond "caverna" > ed rond (e rond?) "fora de uma caverna"
Isto felizmente abrange as mutações causadas por ed "fora de"; nedo "de, desde, a partir de" causa as mesmas mutações, mas aqui a própria preposição não muda sua forma (sem variação correspondente a ed/e). Tolkien observou, porém, que o ocasionalmente aparece na forma od antes de vogais (WJ: 367). Como mencionado acima, o proprio Tolkien usou o Eregion "de Azevim" na inscrição do Portão de Moria e o Imladris para "desde/de Valfenda" em RGEO: 70 (em escrita Tengwar). Od Eregion e od Imladrisod era mais comum antes de o- do que antes de outras vogais, de modo que (digamos) "de um orc" talvez devesse ser traduzido od orch ao invés de o orch para evitar duas vogais idênticas em hiato.
*"em" se comportaria da mesma forma. A preposição aparentemente teriam sido possíveis, mas não necessariamente. Contudo, Tolkien observou que
V. MUTAÇÃO LÍQUIDA
Esta mutação representa um ato de fé. Ela não é mencionada, insinuada ou diretamente exemplificada em qualquer lugar no material publicado; ainda assim, nossa compreensão geral da fonologia sindarin parece exigí-la. Se Tolkien aderiu às suas próprias regras (ele o fez algumas vezes), tem que haver uma mutação líquida.
Sabemos que, sucedendo l e r líquidas, o sindarin em certo ponto mudou as oclusivas para fricativas (CI: 299, nota de rodapé); compare a palavra telerin alpa "cisne" com a sindarin alph, ou a palavra em quenya urco "orc" com a em sindarin orch. Isto não acontece apenas em palavras unitárias. O prefixo or- "sobre", claramente separável, causa uma mudança parecida no verbo ortheri "dominar, conquistar", literalmente *"sobrepujar" (LR: 395, onde o radical é dado como TUR "poder, controle"). Há pouca razão para duvidar de que or, também quando aparece como uma preposição independente "sobre, acima, em", desencadearia mudanças parecidas na palavra seguinte: oclusivas se tornam fricativas.
pân "tábua" > or phân "acima de uma tábua"
caw "topo" > or chaw "acima do um topo"
tâl "pé" > or thâl "acima de um pé"
benn "homem" > or venn "acima de um homem"
doron "carvalho" > or dhoron "acima de um carvalho"
G originalmente se transformou em um gh fricativo, mas este som desapareceu posteriormente (indicado por ‘ onde ele ocorreu anteriormente):
galadh "árvore" > or ‘aladh "acima de uma árvore" (da arcaica or ghaladh)
Não importa se a oclusiva inicial ocorre sozinha ou como parte de um encontro; ela ainda se transformaria em uma fricativa sob a influência da mutação líquida (tr- > thr-, pr- > phr, cl- > chl-, cr- > chr-, dr- > dhr-, bl- > vl-, br- > vr-, gl- > ‘l, gr- > ‘r, gw- > ‘w).
M, como b, provavelmente se transformaria em v quando sujeita à mutação líquida. Esta mudança é vista em palavra unitárias; cf. a primitiva *gormê (quenya ormë) "pressa" dando origem à palavra sindarin gorf (LR: 359 s.v. GOR; gorf é, claro, apenas o modo de Tolkien escrever gorv, visto que o [v] final é representado pela letra f). Assim:
mîr "jóia" > or vîr "acima de uma jóia" (arcaica or mhîr, onde mh = v nasalizado)
H- e hw- provavelmente são fortalecidos para ch- e chw-, sob a influência da mutação líquida:
habad "costa" > or chabad "acima de uma costa"
hwand "fungo" > or chwand "acima de um fungo"
Para a mudança h > ch, compare com uma palavra como hall "alto" se tornando -chal quando or- é prefixada para produzir uma palavra para "superior, altivo, eminente" – orchal literalmente significa mais-alto, extra-alto. ("Orchel" em LR: 363 s.v. KHAL2 é um erro; compare com WJ: 305.)
As líquidas lh e rh mudas podem se tornar ‘l e ‘r, como supomos ser o caso ma mutação nasal e mista:
lhûg "dragão" > or ‘lûg "acima de um dragão"
Rhûn "leste" > or ‘Rûn "acima do leste"
As líquidas r e l sonoras não seriam afetadas pela mutação líquida:
rem "rede" > or rem "acima de uma rede"
lam "língua" > or lam "acima de uma língua"
As fricativas f e th mudas, o n nasal e o s sibilante também não seriam afetados:
fend "soleira" > or fend "acima de uma soleira"
thond "raiz" > or thond "acima de uma raiz"
nath "teia" > or nath "acima de uma teia"
sirith "correnteza" > or sirith "acima de uma correnteza"
CASOS ESPECIAIS: o desenvolvimento das oclusivas nasalizadas
Existe uma subcategoria de palavras em b-, d- e g- que precisa ser observada, e que deve ser memorizada separadamente. Nas palavras em questão, b-, d- e g- não vêm de b-, d- e g- no idioma primitivo. Ao invés disso, elas originalmente eram as oclusivas nasalizadas mb-, nd- e ñg- (ñng como na palavra inglesa sing, e ñg sendo, portanto, pronunciado como "ng" na palavra inglesa finger, com um distinto g audível). Em sindarin, você não pode dizer facilmente se a consoante inicial em uma palavra como golodh "noldo" é um g "normal", isto é, um que sempre foi g, ou se ela representa o ñg- mais primitivo. Mas é importante saber isto pois, quando as mutações são esperadas, uma palavra que orginalmente começava em uma oclusiva nasalizada se comporta bem diferente de uma palavra que sempre possuiu uma oclusiva simples. Por exemplo, se a primeira consoante de golodh tivesse sido um g "normal", prefixar o artigo i teria produzido i ‘olodh para "o noldo" – ggaladh "árvore" > i ‘aladh "a árvore" (LR: 298). Mas o g de galadhg simples no idioma primitivo (onde a palavra aparecia como galadâ). O g de golodh, por outro lado, originalmente era ñg; a palavra descende da primitiva ñgolodô. Quando prefixamos o artigo e, por conseguinte, a mutação suave, a forma resultante na verdade não é i ‘olodh, mas sim i ngolodh. representando o som de sendo lenizado a zero por causa da mutação suave desencadeada pelo artigo. Cf. um exemplo citado acima, na seção sobre a mutação suave: também era um
Já no idioma "gnômico" mais primitivo de Tolkien (por volta de 1917), encontramos a idéia de que as oclusivas nasalizadas originais se comportavam de um modo especial em posição de mutação. Na Gramática Gnômica de 1917 (publicada junto com o Léxico Gnômico no Parma Eldalamberon #11), o princípio descrito é o de que as oclusivas nasalizadas originais eram preservadas quando o artigo é prefixado. Assim temos, por exemplo, balrog "demônio, balrog" > i mbalrog "o demônio", dôr "terra" > i ndôr "a terra", golda "gnomo, noldo" > i ngolda "o gnomo". Este sistema ainda é válido no sindarin? Em WJ: 383, em um ensaio datando de cerca de 1960, Tolkien indicou que a palavra sindarin para noldo era "golodhngolodh)". Desse modo, a palavra golodh às vezes aparece como ngolodh. No ensaio em questão, Tolkien não deixa claro onde a forma ngolodhgolodh/ngolodh parecia corresponder à palavra gnômica golda/ngolda. Versões anteriores deste artigo apresentaram, entretanto, a visão de que a mutação suave de b, d e g, onde estes sons eram nasalizados no idioma primitivo, é mb, nd, e ng – as oclusivas nasalizadas sendo restauradas, ou de preferência preservadas, nesta posi-
ção. ( seria usada, mas a variação
Contudo, um olhar mais atento à fonologia sindarin parece indicar que foi precipitado concluir que o sistema "gnômico" ainda era válido em élfico-cinzento tardio (e demonstra que o material mais primitivo de Tolkien deve ser tratado com considerável ceticismo se se quiser aprender o élfico do estilo do SdA, apesar de certas declarações feitas pelos editores de que a publicação da Gramática e do Léxico Gnômico jogaria mais luz sobre o sindarin). A mutação suave corresponde a como certas consoantes ou grupos consonantais se desenvolvem entre vogais. Ela é desencadeada, entre outras coisas, pelo prefixo de negação ú-. Então, se o prefixarmos a um verbo como bartha- "condenar", derivado do radical MBARAT, o que conseguimos? A palavra relacionada úmarth "desgraça", onde o mesmo prefixo ocorre (embora com uma nuança de significado diferente), aponta claramente para *ú-martha para "não condenar". A mutação suave de b, onde ele representa o mb primitivo, é desse modo m. A mutação suave de d derivada do nd primitivo seria então n. Isto corresponde amplamente ao desenvolvimento de mb e nd medialmente, onde eles se tornam m(m) e n(n) – ex: amar "terra" como o cognato da palavra em quenya ambar, ou annon "portão" correspondendo à palavra em quenya andon. O que dizer, então, da forma atestada ngolodh – aparentemente a mutação suave de golodh? O encontro original inicial da palavra primitiva ngolodô não é preservado aqui, assim como em gnômico? Provavelmente não; estamos simplesmente sendo confundidos por uma infeliz deficiência do alfabeto inglês, a ausência de uma única letra para o som que freqüentemente se escreve ng, como em sing, thing. Como já mencionado, Tolkien às vezes indicou este som como ñ. Este simples som unitário deve ser distinguido de ñ + g, que é o que a grafia ng indica em finger. Parece que na palavra sindarin ngolodh, o ng inicial deve ser pronunciado como em sing, isto é, ñ simples sem g audível – enquanto que na palavra gnômica ngolda, a grafia ng indica um encontro real, pronunciado como na palavra inglesa finger. Assim, os produtos da mutação de g a partir do ñg primitivo não são os mesmos em sindarin e gnômico no final das contas, e o tratamento de b e d a partir de mb e nd também difere.
bâr "terra, casa" (radical MBAR) > i mâr "a terra, a casa" (e não i mbâr como indicado em versões anteriores deste artigo)
dôl "cabeça" (primitiva ndolo) > i nôl "a cabeça" (e não i ndôl)
golodh "noldo" (primitiva ngolodô) > i ngolodh "o noldo" (isto é, i ñolodh, e não i Ñgolodh com um encontro consonantal real)
Encontros reais, ou oclusivas nasalizadas, surgem quando a mutação nasalbâr "terra, casa", bair, ocorre na Carta do Rei (SD: 129), combinado com o artigo plural in, e esta combinação produz i Mbair "as terras". Assim, quando in = plural "os, as" ocorre ante de b ou dmb e nd, o n final da partícula é retirado, mas a oclusiva nasalizada original reaparece. No caso de outras partículas desencadeando a mutação nasal, ou seja, an "para" e dan "contra", pode ser conveniente deixar a nasal final partícula permanecer na grafia; por exemplo, "para uma terra" (an + bâr) pode ser representado como am mbâr (an se tornando am antes de m-), e da mesma forma dam mbâr "contra uma terra" (dan + bâr). De maneira similar an ndôl "para uma cabeça" e dan ndôl "contra uma cabeça" (an/dan + dôl).
Quanto à mutação nasal de g a partir de ng, este seria no mesmo princípio ng; logo, se você quer dizer "para um noldo" (an + golodh), esperaríamos an ngolodh (na verdade, añ ñgolodh, com ñg como ng na palavra inglesa finger, com um g audível). Esta grafia, entretanto, criaria um problema. A forma nasal mutada do g normal (derivada do g primitivo, e não do ng) também é escrita ng (ex: an + galadh = an ngaladh [isto é, añ ñaladh] "para uma árvoree"). Manter a distinção entre ñ e ñg não é problema na escrita Tengwar, mas ao usar nosso alfabeto para escrever sindarin, temos que usar soluções especiais. O plural gelydh, quando combinado com o artigo in, pode ter produzido i ngelydh (isto é, i(ñ) ñgelydh – a grafia correspondente seria usada na escrita Tengwar). Mas, presumidamente, para deixar isto claro, que a pronúncia pretendida é de fato i ñgelydh e não i ñelydh, Tolkien usou, ao invés disso, a grafia in gelydh (cf. os nomes de lugares como Annon-in-Gelydh "Portão dos Noldor" mencionado no Silmarillion). Deste modo – ao se manter o n e o gñg ao invés de ñ – a distinção pode ser mantida. Assim, "para um noldo" ou "contra um noldo" também seria simplesmente an golodh, dan Golodh (como se não houvesse qualquer mutação – mas se deve notar que as grafias próprias ou ideais seriam a(ñ) ñgolodh e da(ñ) ñgolodh, e que a grafia correspondente seria usada na escrita Tengwar). Quando in, dan ou ang-, lembre-se que o n final é pronunciado ngsing. é pretendida. O plural de representando claramente separados quando a pronúncia pretendida é preceder uma palavra em como em
NOTA: é interessante notar as diferentes mutações afetando o plural coletivo gaurhoth = "lobisomens" ou "horda de lobisomens". Gaur "lobisomem" vem de um radical ng (ÑGAW "uivo", LR: 377). No caso de um plural coletivo como gaurhoth, é opcional usar o artigo singular i ou o artigo plural in. Em uma das magias de fogo de Gandalf, naur dan i ngaurhoth! *"fogo contra os lobisomens!", o artigo singular i é usado, causando mutação suave: i ngaurhoth = i ñaurhoth. Mas no Silmarillion, encontramos o nome de lugar Tol-in-Gaurhoth "Ilha dos Lobisomens", onde o artigo plural in é usado na frente do mesmo plural coletivo. A grafia romana in-Gaurhoth aqui representa i Ñgaurhoth com a mutação nasal desencadeada pela nasal final de in, exatamente paralela a in-gelydh = i ñgelydh "os noldor".
Quanto à mutação mista de b, d e g a partir de mb, nd e ng, o exemplo Narn e·mbar Hador *"Conto da casa de Hador" indica que ela é similar à mutação nasal, mbar "casa" exemplificando a mutação mista de bar (bâr) "casa, lar, terra" (radical MBAR "habitar, morar", embora esta palavra não seja listada no Etim, LR: 372). Assim, b, d e g novamente "revertem" para mb, nd, ng originais e, da mesma forma que temos e-mbar para "da casa", veríamos, por exemplo, e-ndôl "da cabeça", en-golodh "do noldo" (grafia romana provisória de e-ñgolodh). Mas grafias como en-ndôlHaudh-en-Ndengin "Colina dos Mortos" de ocorre no Silmarillion.
Quando o artigo aparece como -n ou -in diretamente sufixado a uma preposição, como em nan "para o/a, à, ao" (na "para" + -n "o, a"), este -n final não parece ser assimilado de qualquer modo (ao menos isto não é refletido mesmo na escrita Tengwar): também podem ser admissíveis; compare com um nome como
nan "para a" + bâr "casa" = nan mbâr "para a casa"
nan "para a" + dôl "cabeça" = nan ndôl "para a cabeça"
nan "para o" + golodh "noldo" = nan golodh (grafia romana provisória e não completamente satisfatória para nan ñgolodh) "para o noldo"
A mutação oclusiva sucedendo preposições como o "desde/de", ed "fora de" e ned "em" produziria formas parecidas com a mutação mista acima. As preposições ed e ned apareceriam nas formas curtas e e ne (mas e ñg- e ne ñg- infelizmente têm que ser representadas como en g- e nen g- na grafia romana; morfologicamente falando, a nasal não tem o que fazer onde ortograficamente nos força a colocá-la):
bâr "casa" > e mbâr "fora de uma casa"
dôr "terra" > e ndôr "fora de uma terra"
gorth "horror" > en gorth "fora de um horror" (grafia romana provisória para o que apropriadamente é e ñgorth – não confundir com en-gorth "de horror")
A mutação líquida causada provavelmente pela preposição or "sobre, acima, em" não teria efeito aparente sobre b-, d- e g- que descendem das oclusivas nasalizadas primitivas (enquanto que b-, d- e g- "normais" se transformam em v-, dh-, ‘- fricativos):
bâr "casa" > or bâr "acima de uma casa"
dôr "terra" > or dôr "acima de uma terra"
golodh "noldor" > or golodh "acima de um noldo"
As palavras envolvidas: as palavras com b, d e g iniciais representando oclusivas nasalizadas primitivas devem ser memorizadas, e tentaremos listar a maioria delas. Como um exemplo de uma mutação real, usamos a lenição (mutação suave); as outras mutações estão descritas acima. Onde a palavra em questão é um verbo e não um substantivo, listo a forma que ela teria após a partícula i quando usada como um pronome relativo ("quem, qual") e não como o artigo "o, a"; uma vez que este é meramente um uso secundário do artigo definido (também encontrado em alemão), as mutações que o seguem são as mesmas. Logo, a partir de bartho "condenar" temos, por exemplo, i martha "que condena" ou "aquele que condena" (verbos com infinitivos em -o formando seu tempo presente em -a; veja a seção sobre verbos abaixo). No plural, o artigo plural in é usado como um pronome relativo, desencadeando a mutação nasal (assim, "mortos que vivem" é gyrth i chuinar = …in cuinar), de modo que "que condenam" ou "aqueles que condenam" deve ser i mbarthar.
1: mutação de B a partir de MB primitivo
As palavras de "comércio" deriavadas a partir do radical primitivo MBAKH:
bachor "comerciante" > i machor "o comerciante"
bach "artigo (para troca)" > i mach "o artigo"
O par "condenação" a partir de MBARAT:
barad "condenado" > i marad "o condenado" (compare com a palavra homófona barad "torre" > i varad "a torre")
bartho "condenar" > i martha "aquele que condena"
O par "pão" a partir de MBAS:
bast "pão" > i mast "o pão"
basgorn "fatia" > i masgorn "a fatia"
O grupo "cárcere" a partir de MBAD e MBAW:
band "cárcere, prisão" > i mand "a prisão"
baug "tirano (adj.), cruel, opressivo" > i maug "o tirano (adj.)"
bauglo "oprimir" > i maugla "aquele que oprime"
bauglir "tirano (subst.), opressor" > i mauglir "o tirano (subst.)"
baur "necessidade" > i maur "a necessidade"
O grupo "festivo" a partir de MBER:
bereth "festa, festival, banquete" > i mereth "a festa" (mas mereth > i vereth pode ser mais comum, cf. Mereth Aderthad, e não *Bereth Aderthad, para "Festa da Reunão" no Silmarillion)
beren "festivo, alegre, contente" > i meren "o festivo" (compare com a palavra homófona beren "destemido" > i veren "o destemido" – mas uma vez que Tolkien evidentemente ficou com mereth ao invés de bereth como a palavra para "festa", provavelmente devemos ler meren ao inves de beren como a palavra para "festivo")
E vários:
bâr "lar, terra" > i mâr "o lar" (radical MBAR, mas esta palavra não é apresentada no Etim)
both "poça" > i moth "a poça" (MBOTH)
bund "focinho, nariz, cabo" > i mund "o focinho" (MBUD)
2: mutação de D a partir de ND primitivo
O grupo "assassino" a partir de NDAK:
daen "cadáver" > i naen "o cadáver"
dangen "morto" > i nangen "o morto"
dagor (de dagr mais antiga) "batalha" > i nagor (i nagr) "a batalha"
daug "guerreiro (órquico)" > i naug "o guerreiro"
O grupo "martelo" a partir de NDAM:
dam "martelo" > i nam "o martelo"
damma- "martelar" como verbo ("damna" em LR: 375 deve ser um erro) > i namma "aquele que martela"
O par "cabeça" a partir de NDOL:
dôl "cabeça" > i nôl "a cabeça"
dolt "protuberância" > i nolt "protuberância"
(Estas podem ser um tanto incertas; David Salo argumenta que dôl se comporta como uma palavra normal em D; assim *i dhol. Compare com o nome da montanha Fanuidhol.)
E vários:
dûn "oeste" > i nûn "o oeste" (NDÛ)
dân "elfo nandorin" > i nân "o elfo nandorin" (NDAN)
dangweth "resposta" > i nangweth "a resposta" (visto que a forma primitiva da palavra é dada como ndangwetha em PM: 395; evidentemente o primeiro elemento deve ser igualado com o radical NDAN)
daer "noivo" > i naer "o noivo" (NDER; a forma "noldorin" doer deve ser corrigida para daer em sindarin.)
dess "mulher jovem" > i ness "a mulher jovem" (NDIS)
dôr "terra" > i nôr "a terra" (NDOR)
dortho "ficar" > i northa "aquele que fica" (NDOR)
doll "escuro" > i noll "o escuro" (NDUL)
3: mutação de G a partir de ÑG primitivo
O par "harpista" a partir de ÑGAN:
gannel "harpa" > i ngannel "a harpa"
ganno "tocar uma harpa" > i nganna "aquele que toca uma harpa"
O grupo "lobo" a partir de ÑGAR(A)M e ÑGAW:
garaf "lobo" > i ngaraf "o lobo"
gaur "lobisomem" > i ngaur "o lobisomem" (cf. i ngaurhoth
gawad "uivo" > i ngawad "o uivo" em uma das magias de fogo de Gandalf).
O grupo "sábio" a partir de ÑGOL:
golu "tradição" > i ngolu "a tradição" (a palavra "noldorin" golw deve se tornar golu em sindarin)
golwen "sábio" > i ngolwen "o sábio"
goll "sábio" > i ngoll "o sábio"
gollor "mago" > i ngollor "o mago"
golodh "noldo" > i ngolodh "o noldo"
gûl "mágica" > i ngûl "a mágica"
golovir "silmaril, jóia-noldo" > i ngolovir "a silmaril"
e finalmente as palavras para "morte" e "horror":
gûr "morte" > i ngûr "a morte" (também guruth, i nguruth) (ÑGUR)
goroth "horror" > i ngoroth "o horror" (ÑGOROTH)
SUMÁRIO
Listaremos todas as mutações atestadas e supostas em forma de tabela. Na primeira coluna, listaremos todas as consoantes iniciais e grupos consonantais do sindarin alfabeticamente, em sua forma "Básica" = não mutada. A mutação suave é exemplificada pelo artigo i = "o, a" singular. Para tornar as coisas mais complicadas do que o necessário, há duas colunas para a mutação nasal. As mutações como tais são exatamente as mesmas, mas na primeira coluna ("Nasal I") os exemplos dados envolvem o artigo plural in, que é reduzido para i na maioria dos casos. Contudo, no caso das preposições an "a, para" e dan "contra" em muitos casos é preferível (e em harmonia com o exemplo atestado am Meril "à Meril/Rosa") usar variantes assimiladas das preposições ao invés de simplesmente reduzí-las à a e da na grafia, embora isto aconteça em alguns contextos (cf. a Pherhael "a Perhael/Samwise" na mesma fonte que fornece am Meril). A coluna "Nasal II" sugere várias formas de an. A mutação mista é exemplificada pelo artigo genitivo en- "do, da", a mutação oclusiva pela preposição ed "fora de", e a mutação líquida pela preposição or "acima, em". (Antes de uma palavra começando por uma vogal, que não pode ser modificada de qualquer modo, todas estas partículas apareceriam em suas formas completas, como recém citado: i ael "a lagoa", in aelin "as lagoas", an ael "para uma lagoa", en-ael "da lagoa", ed ael "fora de uma lagoa", or ael "acima de uma lagoa".)
| Básica |
Suave |
Nasal I |
Nasal II |
Mista |
Oclusiva |
Líquida |
| b… |
i v… |
i m… |
am m… |
e-b… |
e b… |
or v… |
| bl… |
i vl… |
i ml… |
a ml… |
e-ml… |
e bl… |
or vl… |
| br… |
i vr… |
i mr… |
a mr… |
e-mr… |
e br… |
or vr… |
| c… |
i g…. |
i ch… |
a ch… |
e-g… |
e ch… |
or ch… |
| cl… |
i gl… |
i chl… |
a chl… |
e-gl… |
e chl… |
or chl… |
| cr… |
i gr… |
i chr… |
a chr… |
e-gr… |
e chr… |
or chr… |
| d… |
i dh…. |
i n… |
an n… |
e-d… |
e d… |
or dh… |
| dr… |
i dhr… |
in dr… |
an dr… |
en-dr… |
e dr… |
or dhr… |
| f… |
i f… |
i f… |
af f… |
en-f… |
ef f… |
or f… |
| g… |
i ‘…. |
i ng… |
an ng… |
e-g… |
e g… |
or ‘… |
| gl… |
i ‘l… |
in gl… |
an gl… |
en-gl… |
e gl… |
or ‘l… |
| gr… |
i ‘r… |
in gr… |
an gr… |
en-gr… |
e gr… |
or ‘r… |
| gw… |
i ‘w…. |
in gw… |
an gw… |
en-gw… |
e gw… |
or ‘w… |
| h… |
i ch… |
i ch… |
a ch… |
e-h… |
e ch… |
or ch… |
| hw… |
i chw… |
i ‘w… |
a ‘w… |
e-’w… |
e w… |
or chw… |
| l… |
i l…. |
i l… |
al l… |
e-l… |
ed l… |
or l… |
| lh… |
i thl… |
i ‘l… |
al ‘l… |
e-’l… |
e thl… |
or ‘l… |
| m… |
i v… |
i m… |
am m… |
e-m… |
e m… |
or v… |
| n… |
i n…. |
i n… |
an n… |
en-n… |
e n… |
or n… |
| p… |
i b… |
i ph… |
a ph… |
e-b… |
e ph… |
or ph… |
| pr… |
i br… |
i phr… |
a phr… |
e-mr… |
e phr… |
or phr… |
| r… |
i r…. |
idh r… |
adh r… |
edh-r… |
ed r… |
or r… |
| rh… |
i thr… |
idh ‘r… |
adh ‘r… |
e-’r… |
e thr… |
or ‘r… |
| s… |
i h… |
i s… |
as s… |
e-h… |
es s… |
or s… |
| t… |
i d…. |
i th… |
a th… |
e-d… |
e th… |
or th… |
| th… |
i th… |
i th… |
ath th… |
e-th… |
eth th… |
or th… |
| tr… |
i dr… |
i thr… |
a thr… |
en-dr… |
e thr… |
or thr… |
Casos especiais: b, d e g derivadas a partir das oclusivas nasalizadas primitivas mb, nd e ñg:
| Básica |
Suave |
Nasal I |
Nasal II |
Mista |
Oclusiva |
Líquida |
| b… |
i m… |
i mb… |
am mb… |
e-mb… |
e mb… |
or b… |
| d… |
i n… |
i nd… |
an nd… |
e-nd… |
e nd… |
or d… |
| g… |
i ng… |
in g… |
an g… |
en-g… |
en g… |
or g… |
As mutações mistas descritas acima seguem o sistema visto em expressões como e-mbar Hador "da casa de Hador" (MR: 373) e possivelmente Taur e-Ndaedelos "Floresta do Grande Medo" (mencionada no Apêndice F do SdA como um nome sindarin da Floresta das Trevas). Bar-en-Danwedh "Casa do Resgate", um nome mencionado no SilmarillionNDAN, deve ser, ao invés disso, escrito Bar-e-Ndanwedh. Talvez Tolkien tenha achado que isto parecia um tanto grosseiro e usou uma grafia mais agradável aos seus leitores. A forma completa do artigo en "do, da" é vista em outro nome do Silmarillion, Haudh-en-Ndengin "Colina dos Mortos". Aqui, um descendente do radical NDAK está presente, e o nd inicial é restaurado após o en "dos". De acordo com o sistema esboçado acima, isto deve ser escrito Haudh-e-Ndengin (cf. Taur e-Ndaedelos), enquanto que, baseados no exemplo Bar-en-Danwedh, devemos escrever Haudh-en-Dengin. Não precisamos nos preocupar com isto. Se o sindarin tivesse sido um idioma falado real em uma era "medieval", assim como Tolkien imaginou, há várias razões para acreditar que tais inconsistências na grafia seriam bem comuns – vários escribas usando seus sistemas mais ou menos "particulares", não havendo uma autoridade central ou academia de idiomas que pudesse estabelecer uma ortografia padronizada. e incorporando claramente um descendente do radical
Dificilmente é necessário reiterar que o sistema apresentado varia de formas atestadas certas a especulações e puros palpites, com várias nuanças de interpolação mais ou menos plausível entre estes extremos. Complexo como este sistema pode parecer, ele ainda pode ser mais simplificado. Alguns pontos podem ser comentados:
1) Thr e thl como as mutações suaves de rh e lh são foneticamente sonoras, mas permanecem especulativas. Em um nome mencionado no Silmarillion, Talath Rhúnen "Vale Oriental", ou literalmente "Planície Oriental", o adjetivo rhúnen "oriental" não é lenizado de qualquer forma, embora adjetivos nessa posição sejam. Não seria errado, então, deixar os adjetivos em lh- e rh- permanecerem inalterados quando ficam em justaposição a um substantivo. Por analogia, também não seria nenhum grande pecado deixar substantivos em lh- e rh- permaneceram inalterados quando colocados como o objeto de um verbo, apesar dos "acusativos" geralmente serem lenizados. Quando uma palavra funciona como o segundo elemento de uma palavra composta, a consoante inicial geralmente passa por mudanças comparáveis à mutação suave, mas lh e rh parece se tornar l e r nesta posição. Compare Rhûn "leste" com -rûn na palavra mais longa Amrûn de significado similar. Se thr e thl ocorrem como mutações de lh e rh, eles podem aparecer mais tipicamente sucedendo partículas que terminam em uma vogal, tais como o artigo i ou a preposição na "a, para".
2) Listamos m, n e ng como as mutações suaves de b, d e gmb, nd e ñg primitivos, mas em alguns casos parece que estes sons se comportam como b, d e g normais, de modo que as variantes lenizadas são v e dh e zero, respectivamente. Um exemplo "noldorin" é Nann Orothvor "Vale do Horror Negro" (LR: 355 s.v. DUN), onde orothvor ("horror-negro") é uma forma lenizada de gorothvor, o primeiro elemento goroth "horror" representando o radical ÑGOROTH de significado similar (LR: 377). É notável que mesmo o g representando o ñgOrothvor. Em sindarin, em oposição ao "noldorin", um substantivo em posição genitiva não seria lenizado, de modo que veríamos Nan(n) Gorothvor sem qualquer mutação. Mas em sindarin, a lenição não ocorrem em posições comparáveis, como quando um adjetivo em justaposição (sucedendo o substantivo) passa por mutação suave. Somos deixados para imaginar se um adjetivo como gollÑGOL) apareceria como ‘oll ou ngoll nesta posição; talvez ambas fossem admissíveis. Acima, listamos nôl como a forma lenizada de dôl "cabeça" (< radical NDOL), mas no nome da montanha Fanuidhol "Cabeça-nublada" (encontrado no próprio SdA e, portanto, decididamente sindarin ao invés de "noldorin"), a lenição d > dh é vista. Seria então admissível usar i dhôl ao invés de i nôl para "a cabeça"? Tolkien decidiu que o radical era DOL, e não NDOL como o era no Etimologias (LR: 376)? representando primitivo lenize a zero em "sábio" (< radical
3) A lenição m > v algumas vezes é ignorada. Compare um nome como Eryn Vorn "Floresta Escura" (CI: 295, cf. morn "escuro") com Ered Mithrin "Montanhas Cinzentas" no mapa do SdA, ou Imloth Melui em SdA3/V cap. 8 – não traduzido mas significando evidentemente "Vale da Flor Adorável". Levando em consideração o exemplo Eryn Vorn, devemos supor que *Imloth Velui e *Ered Vithrin seriam igualmente possíveis – e ao mesmo tempo, se podemos ter Imloth Melui e Ered Mithrin, presumidamente também podemos ter *Eryn Morn. Acima observamos que deve-se basear no contexto para distinguir as variantes lenizadas de dois adjetivos como bell "forte" e mell "querido, amado"; ex: para decidir se i vess vell significa "a mulher forte" ou "a mulher amada". Mas se a lenição m > v for ignorada, podmos ter a expressão ambígua i vess mell para o último significado.
4. O ADJETIVO
As desinências adjetivas típicas são -eb, -en e -ui: aglareb "glorioso" (< aglar "glória"), brassen "incandescente" (< brass "incandescência"), uanui "monstruoso, hediondo" (< úan "monstro") (AKLA-R, BAN, BARÁS). Contudo, muitos adjetivos não possuem desinências especiais, e as funções de tais às vezes pertencem a mais de uma parte da língua. Morn "escuro" pode ser tanto adjetivo como substantivo, assim como em português.
Os adjetivos concordam com seus substantivos em número. Parece que os adjetivos formam seus plurais seguindo padrões parecidos aos dos plurais de substantivos; ex: malen "amarelo", pl. melin (SMAL). Note que a consoante inicial de adjetivos que sucedem o substantivo que descrevem é lenizada (veja acima).
Em PM: 358, Aran Einior é traduzido "o Rei Mais Velho". Einior é o nosso único exemplo da forma comparativa do adjetivo; a forma não declinada é iaur (vista no nome Iant Iaur "a Ponte Velha"). O prefixo ein- parece estar relacionado ao prefixo superlativo do quenya an-. O prefixo pode não ter a forma ein- prefixada a qualquer adjetivo; ele parece ser mutado pelo i que o sucede.
Acontece também que podemos ter a forma superlativa de iaur "velho"; durante o Conselho de Elrond, o nome sindarin de Tom Bombadil foi dado como Iarwain, significando "o Mais Velho". A desinência -wain parece ser o sufixo superlativo. Por que não *Iorwain, com a mudança normal au > o? (David Salo responde, "porque você está olhando para o descendente direto de uma forma como *Yarwanya (talvez, não tenho certeza da forma exata do elemento final) na qual a vogal estava em uma sílaba fechada". Não concordo muito, mas também não sou tão aprofundado na fonologia Eldarin como David.)
5. VERBOS
"O sistema verbal do sindarin não é completamente compreendido – longe disso". Assim começava a seção sobre o Verbo no meu artigo original do sindarin, e em grande parte isto ainda é verdade. Contudo, desde então eu tive a oportunidade de me inteirar com as teorias e interpretações de David Salo com respeito ao verbo sindarin, e o que se segue deve-se em grande parte ao seu trabalho. As teorias de David parecem fazer bastante sentido. Ainda deve ser percebido que temos desesperada- mente poucos exemplos nos quais nos basear, e que muitas conclusões devem permanecer experimentais neste estágio. Para ser exato, centenas de verbos são listados no Etimologias, mas temos tão poucos textos reais em sindarin que nem sempre podemos ter certeza de como estes verbos são conjugados. No próprio Etim, Tolkien às vezes listou algumas formas flexionadas de um verbo próximo à forma básica, mas suas notas são extremamente densas, e freqüentemente não fica claro qual o significado pretendido das formas flexionadas. Mas se tentarmos generalizar a partir de nossos poucos exemplos, levando em conta tudo o que achamos que sabemos sobre a fonologia Eldarin, a evolução do sindarin e o sistema verbal primitivo como pode ser suposto a partir do quenya, podemos chegar a algo como o sistema que vamos esboçar aqui. Os detalhes certemente podem ser discutidos. Para fazer isto legível, irei na maioria das vezes evitar as deduções complexas que fundamentam o cenário que se segue, mas o leitor pode estar certo de que a escassa evidência disponível foi examinada a fundo. Mesmo assim, publicações futuras podem bem despedaçar o sistema esboçado abaixo, mas creio que podemos estar razoavelmente certos sobre as linhas gerais.
Geral: parece haver duas categorias principais de verbos no sindarin. Como em quenya, podemos falar de verbos derivados e básicos. A primeira, e maior, classe consiste dos verbos que originalmente eram formados ao se combinar um radical primitivo com alguma desinência, tais como *-nâna), *-jâ (sindarin -ia), *-tâ (sindarin -da/-tha/-ta/-na, dependendo do ambiente fonológico), *-râ (sindarin -ra) ou *-â (sindarin -a). Visto que todas estas terminam em -a, esta classe pode ser chamada de radicais A. A outra classe, menor, consiste dos verbos que vêm diretamente de um radical primitivo sem sufixos. Por exemplo, nag- "morder" é simplesmente o radical puro NAK como ele aparece em sindarin. Uma vez que esta categoria de verbos possui radicais de tempo presente em -i-, eles também podem ser chamados de radicais I. (sindarin -
Sufixos: em muitas formas, os verbos em sindarin (derivados ou básicos) adotam desinências para número e pessoa. O sindarin, como o quenya, adiciona a desinência -r a verbos com um sujeito no plural; cf. a expressão gyrth i-chuinar "mortos que vivem" em Letters: 417 (cuinarchuinar, sendo o plural de cuina "vive, está vivo"). Outras desinências indicam várias pessoas. Desinências pronominais conhecidas incluem -nm para "nós" e aparentemente -ch ou -g para "você". É possível que a desinência de plural -r possa indicar "eles" assim como meramente pluralidade. O verbo cuina- "viver" pode evidentemente possuir formas como cuinon "eu vivo" (para *cuinan), cuinam "nós vivemos", cuinach ou cuinag "você vive" e cuinar "eles vivem". A 3ª pessoa do singular parece não possuir qualquer desinência por si só: cuina "(ele, ela) vive". A 3ª pessoa do singular pode em alguns casos ser considerada a forma básica a qual várias desinências são adicionadas para produzir formas para outras pessoas e números. "vivem, estão vivos", aqui incidentalmente na forma mutada para nasal para "eu", -
I. VERBOS DERIVADOS
A conjugação dos verbos derivados (radicais A) parece ser razoavelmente clara, na maior parte envolvendo simplesmente uma série de sufixos. Evidências indiretas parecem sugerir que Tolkien teria chamado esta classe de verbos "fracos".