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Hríveressë (Vicente Velasco) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Oliva Brum   
13-Abr-2006
Por Vicente Velasco (Tatyandacil)

Et marinyallo mallenna
vantan hríveressë helka,
nu fanyarë fuinehiswa,
lumboinen Naira nurtaina.

Hláranyë ringa Formessúrë,
asúy' aldassen úlassië,
alussa olbalissë nornë,
alamya ve Nuru-nainië.

Formessúrë-yalmë quéla,
ar Númello holtan hwesta
nísima asúya ninna,
ar nainië ahya lírinna.

Kénan tuilindo awilë
Hyarmello úrima súrë,
nu rámaryat circa-cantë,
alir' aldannar úlassië.

Autar i lumbor, ar Naira
kénan anúta Númenna,
et Rómello Tilion orta,
ar undómess' elen síla.

Ar lómelindë-lírinen,
entúlan yanna ettullen,
nu menel elentintaina,
hrívëo lómessë sina.

Obrigado a Tatyandacil por gentilmente permitir que eu disponibilizasse seu poema na minha página - apesar de alguns pontos potencialmente controversos, este é um belo fragmento de quenya. A grafia está de acordo com as especificações do poeta (eu teria usado C ao invés de K do início ao fim). Tradução (pelo poeta), com meus comentários intercalados:

HRÍVERESSË
EM UM DIA DE INVERNO

Et marinyallo mallenna
De minha casa para a rua
vantan hríveressë helka,
Caminho em um frio dia de inverno,
nu fanyarë fuinehiswa,
sob os céus cinzentos,
lumboinen Naira nurtaina.
o Sol oculto pelas nuvens.

O poeta me pediu para mencionar que ele não está certo sobre a forma marinyallo; talvez ela devesse ser mardinyallo se oromardi "salões altos" em Namárië contém a forma de már , mar "casa" ao invés de uma palavra independente *mardë "salão"; cf. sar "pedra", radical sard- como no pl. sardi. A palavra nurtaina "oculto" é o particípio passado de *nurta- "ocultar"; esse radical verbal é isolado a partir de nurtalë "ocultação", atestada na expressão Nurtalë Valinóreva ou "Ocultação de Valinor" mencionada no Silmarillion.  
Hláranyë ringa Formessúrë,
Escuto o frio Vento Norte
asúy' aldassen úlassië,
soprando através das árvores sem folhas,
alussa olbalissë nornë,
sussurrando nos ramos retorcidos,
alamya ve Nuru-nainië.
soando como um lamento de Morte.
Formessúrë = formen + súrë com assimilação ns > ss. O verbo asúy' é elidido a partir de asúya; veja abaixo. Úlassië "sem folhas", pl. de *úlassëa, isto é, ú- "sem" + lassë "folha" + a desinência adjetiva -a, assim sendo literalmente "desfolhado". Olbalissë é o plural partitivo locativo de olba "ramo" [PM: 340]; Etimologiasolwa [GÓLOB], e eu geralmente preferiria a última forma. Nornë é o pl. de norna "duro, rígido" [WJ: 413], apesar do poeta usar aqui a tradução "retorcidos".  
Formessúrë-yalmë quéla,
O clamor do Vento Norte desvanece,
ar Númello holtan hwesta
e do Oeste sinto o cheiro de um
nísima asúya ninna,
fragrante Zéfiro soprando na minha direção,
ar nainië ahya lírinna.
e o lamento muda para canção.
O verbo *quel- "desvanecer" é baseado no radical KWEL e no substantivo quellë "desvanecer, final do outono". Verbo *holta- "cheirar", baseado no radical ÑOL de onde temos em Quenya holmë "odor"; algumas pessoas, incluindo o poeta, duvidam de que essa seja a leitura correta. O radical ÑOL significa "cheirar" no sentido intransitivo (exalando um cheiro ao invés de sentir um cheiro), mas a desinência -ta é usada freqüentemente para produzir verbos transitivos e felizmente dá a "cheiro" um significado transitivo. - Adj. nísima "fragrante" isolado do nome de Nísimaldar ou "Árvores Fragrantes" de Númenor (CI: 188); verbo ahya- "mudar", atestada no pretérito, ahyanë, em PM: 395. *Lírinna ao invés de *lírenna como o alativo de lírë "canção" é uma forma questionável - mas também defensável.  
Kénan tuilindo awilë
Vejo uma andorinha voando
Hyarmello úrima súrë,
do Sul, o vento quente
nu rámaryat circa-cantë,
sob suas asas em forma de foice
alir' aldannar úlassië
cantando na direção das árvores sem folhas.
Alir' é elidida a partir de alirë; cf. awilë no primeiro verso desta estrofe. O poeta faz bom uso do prefixo a-, que prefixado a um radical verbal indica o que alguma coisa está fazendo enquanto ela também é o objeto de outro verbo, como "vejo uma andorinha voando". A respeito dos exemplos atestados deste prefixo, veja meus comentários sobre o poema Markirya. Que radicais verbais "básicos", derivados diretamente de raízes primitivas sem qualquer sufixo, podem receber a desinência -ë é visto a partir do exemplo atestado ava carë "não faça [isto]"; cf. car- "fazer, criar". Compare asúya - elidida como asúy' - e alussa a partir dos verbos não básicos súya- "respirar" e lussa- "sussurrar" na segunda estrofe.  
Autar i lumbor, ar Naira
As nuvens passam, e vejo
kénan anúta Númenna,
o Sol se pondo no Oeste,
et Rómello Tilion orta,
e do Leste a Lua se ergue,
ar undómess' elen síla.
e no crepúsculo a estrela brilha.
Naira, Tilion: outros nomes do Sol e da Lua, além dos termos mais comuns Anar e Isil. O nome Naira também é encontrado anteriormente no poema.
Ar lómelindë-lírinen,
E pela canção do rouxinol
entúlan yanna ettullen,
retorno para o lugar de onde vim,
nu menel elentintaina,
sob os céus estrelados,
hrívëo lómessë sina.
nesta noite de inverno.
Ettul- *"sair", et- "fora, adiante" + tul- "vir". Traduzido "estar perto" em SD: 290.
 
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