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	<title>Ardalambion &#187; Introdução</title>
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		<title>Bem-vindo ao Ardalambion</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Oct 2006 15:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem-vindo ao Ardalambion, um site do Grupo Valinor, dedicado à divulgação de todo e qualquer estudo relacionado à Línguas inventadas por J.R.R. Tolkien. Este site é uma tradução autorizada pela Ardalambion original, criada e mantida por Helge Kåre Fauskanger e &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/bem-vindo-ao-ardalambion/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Bem-vindo ao <a href="http://www.ardalambion.com.br">Ardalambion</a>, um site do <a href="http://www.valinor.com.br">Grupo Valinor</a>, dedicado à divulgação de todo e qualquer estudo relacionado à Línguas inventadas por J.R.R. Tolkien. Este site é uma tradução autorizada pela<a href="http://www.uib.no/people/hnohf/" target="_blank"> Ardalambion</a> original, criada e mantida por <a href="content/view/12/32/">Helge Kåre Fauskanger</a> e traduzida por <a href="content/view/5/34/">Gabriel O. Brum</a>, da Equipe Valinor.</div>
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		<title>Quantos idiomas J. R. R. Tolkien criou?</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Mar 2006 01:34:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[A quest&#227;o de quantos idiomas Tolkien construiu &#233; muito mais dif&#237;cil de ser respondida do que um ing&#234;nuo inquiridor possa imaginar. Tudo isto volta-se para defini&#231;&#245;es. Pela mais estrita defini&#231;&#227;o, Tolkien n&#227;o criou nem um &#250;nico idioma. Pela defini&#231;&#227;o mais &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/quantos-idiomas-j-r-r-tolkien-criou/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">A quest&atilde;o de quantos idiomas  Tolkien construiu &eacute; muito mais dif&iacute;cil de ser respondida do que um ing&ecirc;nuo  inquiridor possa imaginar. Tudo isto volta-se para defini&ccedil;&otilde;es. Pela mais estrita  defini&ccedil;&atilde;o, Tolkien n&atilde;o criou nem um &uacute;nico idioma. Pela defini&ccedil;&atilde;o mais liberal,  ele criou um n&uacute;mero verdadeiramente indefinido de idiomas.  </div>
<p align="justify">Come&ccedil;aremos com a suposi&ccedil;&atilde;o de que se voc&ecirc; inventa palavras e uma gram&aacute;tica,  o resultado PODE ser chamado de um idioma; isto n&atilde;o &eacute; meramente algum tipo de  &quot;arte liter&aacute;ria&quot; extravagante que por acaso imita a estrutura de idiomas  &quot;reais&quot;. &Eacute; claro, se voc&ecirc; insistir que um sistema de palavras e gram&aacute;tica n&atilde;o &eacute;  um idioma real a menos que surja e se desenvolva mais ou menos espontaneamente  em uma comunidade de pessoas que falaram este idioma por gera&ccedil;&otilde;es, ent&atilde;o Tolkien  de modo algum criou quaisquer idiomas. Afinal de contas, as constru&ccedil;&otilde;es  ling&uuml;&iacute;sticas de Tolkien nunca foram a l&iacute;ngua materna de algu&eacute;m.  </p>
<p align="justify">A resposta para a quest&atilde;o de &quot;quantos idiomas?&quot; ser&aacute; &quot;zero&quot; da mesma forma se  voc&ecirc; tem em vista idiomas t&atilde;o &quot;completos&quot; que voc&ecirc; pode facilmente traduzir  qualquer texto nelas. Tolkien n&atilde;o desenvolveu uma terminologia &eacute;lfica que pode  ser usada para tratar de cirurgia cerebral ou f&iacute;sica qu&acirc;ntica. De fato, mesmo o  vocabul&aacute;rio publicado dos mais altamente desenvolvidos idiomas &eacute;lficos &eacute;  bastante b&aacute;sico. O material que ainda n&atilde;o est&aacute; publicado certamente ir&aacute;  preencher algumas das lacunas atuais caso este material esteja dispon&iacute;vel  eventualmente, mas n&atilde;o devemos pensar que qualquer idioma de Tolkien j&aacute; fora  mesmo que remotamente &quot;completo&quot; em termos de vocabul&aacute;rio. (Por outro lado,  Tolkien nos deixou tanto material que, com alguma ingenuidade, pode-se  <em>desenvolver</em> um vocabul&aacute;rio muito mais completo ao se come&ccedil;ar a partir das  ra&iacute;zes de Tolkien e ao se aplicar seus m&eacute;todos de deriva&ccedil;&atilde;o. Alguns gostariam de  fazer isto e, realmente, projetos preliminares est&atilde;o a caminho. Outros s&atilde;o  distintamente contra tal &quot;fabrica&ccedil;&atilde;o&quot; e acham que os ling&uuml;istas tolkienianos  deveriam se concentrar apenas no material do pr&oacute;prio Tolkien; aqueles que  sustentam esta opini&atilde;o n&atilde;o est&atilde;o particularmente interessados em &quot;usar&quot; os  idiomas.)  </p>
<p align="justify">Ao tentar contar os idiomas de Tolkien, um fator complicado &eacute; o fato de que  ele revisava-os muito freq&uuml;entemente. Por exemplo, no <em>Etimologias</em> (um  documento original pr&eacute;-SdA muito importante), existem exemplos indicando que no  final dos anos trinta, Tolkien usou -<strong>n</strong> como a desin&ecirc;ncia de genitivo do  quenya. Contudo, enquanto escrevia o SdA, ele revisou isto, decidindo que a  desin&ecirc;ncia de genitivo do quenya deveria ser, ao inv&eacute;s disso, -<strong>o</strong>. Isto  significa que o quenya do <em>Etimologias</em> n&atilde;o &eacute; realmente o mesmo idioma que  o quenya exemplificado no SdA? Eles devem ser contados como dois idiomas  diferentes? Se um novo idioma nasceu a cada vez que Tolkien fez alguma revis&atilde;o  maior ou menor, ent&atilde;o ele &eacute; o criador de centenas ou at&eacute; milhares de idiomas.  </p>
<p align="justify">As revis&otilde;es intermin&aacute;veis de Tolkien tamb&eacute;m complicam a quest&atilde;o de &quot;quantos  idiomas?&quot; de outro modo. As formas mais primitivas de seus idiomas &eacute;lficos foram  na verdade revisados fora de suas &quot;exist&ecirc;ncias&quot; ao longo das d&eacute;cadas. Por  exemplo, o predecessor mais primitivo do idioma &eacute;lfico de sonoridade celta, o  sindarin, era chamado de g<em>n&ocirc;mico</em> &#8212; um idioma altamente desenvolvido com  milhares de palavras, colocado em um dicion&aacute;rio por volta de 1915. Entretanto,  tantas revis&otilde;es separam o gn&ocirc;mico do sindarin que um falante do &uacute;ltimo jamais  compreenderia o que um falante de gn&ocirc;mico estivesse dizendo. Os dois idiomas  possuem relativamente poucos itens de vocabul&aacute;rio em comum, e importantes  caracter&iacute;sticas gramaticais (tais como a forma&ccedil;&atilde;o de plural) tamb&eacute;m s&atilde;o muito  diferentes. Todavia, &quot;gn&ocirc;mico &eacute; sindarin&quot; (como Christopher Tolkien coloca) no  sentido especial de que o g<em>n&ocirc;mico &eacute; o idioma que eventualmente evoluiu para o  estilo de sindarin do SdA</em> nas notas de Tolkien. Ent&atilde;o n&oacute;s contamos o gn&ocirc;mico  e o sindarin como um idioma ou como dois? H&aacute; pelo menos tr&ecirc;s poss&iacute;veis &acirc;ngulos  aqui, cada um deles perfeitamente v&aacute;lido e defens&iacute;vel:  </p>
<div align="justify">
<blockquote>1) Apenas consideramos os idiomas que fazem parte da forma mais ou    menos &quot;final&quot; dos mitos de Tolkien, os idiomas conhecidos pelos povos da    Terra-m&eacute;dia; neste caso contar&iacute;amos o sindarin como um idioma e ignorar&iacute;amos o    gn&ocirc;mico completamente. A &uacute;ltima l&iacute;ngua, como um corpo real de palavras e    gram&aacute;tica, nunca foi em qualquer ponto falada no universo de Frodo Bolseiro.
<p>2) Estamos interessados nos idiomas que Tolkien <em>realmente criou</em>,    independente do contexto ficcional (e independentemente de Tolkien ter    &quot;rejeitado&quot; algo ou n&atilde;o; suas revis&otilde;es apenas significariam que temos mais    id&eacute;ias para estudar). Sendo assim, o gn&ocirc;mico e o sindarin s&atilde;o t&atilde;o diferentes    que eles devem ser claramente contados como dois idiomas completamente    distintos.    </p>
<p>3) Ainda estamos interessados apenas nos idiomas que Tolkien realmente    criou e ainda n&atilde;o consideramos o contexto ficcional, mas nosso estudo inclui a    <em>hist&oacute;ria real do desenvolvimento</em> dos idiomas individuais, neste caso o    material sobre gn&ocirc;mico logicamente &eacute; inclu&iacute;do no nosso estudo do sindarin: n&atilde;o    estamos satisfeitos em aprender sobre o estilo de sindarin do SdA, n&oacute;s tamb&eacute;m    queremos conhecer a hist&oacute;ria real deste idioma &#8212; como Tolkien o desenvolveu    com o passar das d&eacute;cadas. Logicamente, n&oacute;s ent&atilde;o consideramos o gn&ocirc;mico, o    sindarin e todos os est&aacute;gios intermedi&aacute;rios (tais como o &quot;noldorin&quot; do    <em>Etimologias</em>) como um &uacute;nico idioma.</p>
</blockquote>
<p>Somando-se &agrave; real  evolu&ccedil;&atilde;o &quot;externa&quot; destes idiomas nas notas de Tolkien, h&aacute; tamb&eacute;m a hist&oacute;ria  fict&iacute;cia &quot;interna&quot; para se considerar. Um aspecto altamente importante da  constru&ccedil;&atilde;o de idiomas de Tolkien era o delineamento do desenvolvimento dos  idiomas sobre grandes per&iacute;odos de tempo; a magn&iacute;fica vis&atilde;o de uma fam&iacute;lia de  idiom&aacute;tica em evolu&ccedil;&atilde;o provavelmente era mais importante para ele do que mostrar  em grande detalhes as formas &quot;cl&aacute;ssicas&quot; destas l&iacute;nguas. Nas notas de Tolkien,  temos o &quot;quendian primitivo&quot; como a suposta l&iacute;ngua ultra primitiva fundamentando  todos os idiomas &eacute;lficos posteriores. Mais abaixo da linha do tempo imaginada  temos entidades obscuras como &quot;eldarin comum&quot;, &quot;quenya pr&eacute;-registrado&quot;,  &quot;sindarin pr&eacute;-hist&oacute;rico&quot; etc. Ao explicar as origens de certas palavras em  quenya ou sindarin, Tolkien com freq&uuml;&ecirc;ncia citava formas pertencentes a estes  supostos idiomas primitivos. Por exemplo, ele seguiu a palavra em quenya  <em>alda</em> e a em sindarin <em>galadh</em>, ambas significando &quot;&aacute;rvore&quot;, at&eacute; um  original *<em>galad&acirc;</em> comum (o asterisco antes da &uacute;ltima forma indica que ela  &eacute; &quot;reconstru&iacute;da&quot; e &quot;n&atilde;o-atestada&quot;!) Ao tentarmos contar quantos idiomas Tolkien  criou, inclu&iacute;mos as l&iacute;nguas primitivas &quot;reconstru&iacute;das&quot; que supomos fundamentar  estes idiomas? Tolkien citou tantas palavras &quot;primitivas&quot; que o &eacute;lfico  pr&eacute;-hist&oacute;rico possui <em>mais subst&acirc;ncia real</em> do que alguns dos idiomas do  per&iacute;odo &quot;hist&oacute;rico&quot; (ex: o pobremente atestado nandorin ou a l&iacute;ngua &quot;&eacute;lfica  silvestre&quot;).  </div>
<p align="justify">E &eacute; claro, h&aacute; o problema adicional de que o &eacute;lfico primitivo n&atilde;o era mais  imune &agrave;s revis&otilde;es de Tolkien do que as formas &quot;hist&oacute;ricas&quot; dos idiomas &eacute;lficos.  Os &quot;L&eacute;xicos&quot; primitivos de Tolkien (1915-17) pressup&otilde;em uma vis&atilde;o do &eacute;lfico  primitivo que em alguns aspectos difere das id&eacute;ias posteriores de Tolkien.  Estamos tratando de um ou v&aacute;rios idiomas primitivos aqui? Como n&oacute;s os contamos?  </p>
<p align="justify">Ent&atilde;o existem alguns idiomas que n&atilde;o possuem liga&ccedil;&atilde;o direta com os mitos da  Terra-m&eacute;dia, antecedendo mesmo as formas mais antigas das narrativas de Tolkien.  Em sua juventude, Tolkien e seus amigos brincaram com idiomas absurdos como o  &quot;anim&aacute;lico&quot; e o &quot;nevbosh&quot;; mais tarde Tolkien criou um idioma particular chamado  &quot;naffarin&quot;, e ele tamb&eacute;m tentou extrapolar novas palavras g&oacute;ticas para  suplementar o corpus conhecido deste idioma germ&acirc;nico pouco atestado. Inclu&iacute;mos  o nevbosh, o naffarin e o neo-g&oacute;tico ao tentar contar os idiomas que Tolkien  construiu?  </p>
<p align="justify">Se limitarmos o campo de interesse aos idiomas pertencentes aos mitos da Arda  de Tolkien, e n&atilde;o considerarmos tanto os &quot;predecessores conceituais&quot; como as  formas primitivas supostamente &quot;reconstru&iacute;das&quot;, uma resposta satisfat&oacute;ria &agrave;  quest&atilde;o &quot;Quantos idiomas Tolkien criou?&quot; teria que ser algo como isto:  </p>
<p align="justify">Dois destes idiomas &#8212; quenya e sindarin, o &uacute;ltimo incorporando o material  &quot;noldorin&quot; &#8212; s&atilde;o relativamente muito desenvolvidos com milhares de palavras e  gram&aacute;ticas compreensivas (embora apenas uma fra&ccedil;&atilde;o dos escritos gramaticais  tenha sido publicada). <em>Estes dois s&atilde;o os &uacute;nicos idiomas de Tolkien que  chegaram perto de &quot;utiliz&aacute;veis&quot;</em> &#8212; no sentido de que voc&ecirc; pode escrever, com  alguma facilidade, textos longos nestes idiomas se voc&ecirc; deliberadamente evitar  ou trabalhar em volta das lacunas no nosso conhecimento. O pr&oacute;prio Tolkien nos  deixou um n&uacute;mero de textos em quenya e sindarin <em>relativamente</em>  substanciais, a maioria em verso. (O corpus de textos do sindarin &eacute;, contudo,  muito menor do que o corpus de textos do quenya.)  </p>
<p align="justify">Tr&ecirc;s ou quatro outros idiomas &eacute;lficos, telerin, doriathrin/ilkorin e  nandorin, s&atilde;o primeiramente conhecidos na forma de itens de vocabul&aacute;rio indo de  cerca de 30 at&eacute; algumas centenas (apenas para o telerin temos algumas frases  curtas de <em>texto</em> real). Se estivermos lidando com a forma &quot;cl&aacute;ssica&quot; dos  mitos de Tolkien, alguns excluiriam o doriathrin/ilkorin da contagem: estes  foram originalmente concebidos como os idiomas da Terra-m&eacute;dia ocidental na  Primeira Era, mas posteriormente Tolkien parece ter pressuposto que o sindarin  era falado nesta &aacute;rea, o idioma de Doriath sendo simplesmente uma forma arcaica  do sindarin ao inv&eacute;s de uma l&iacute;ngua separada. O idioma humano ad&ucirc;naico  (n&uacute;menoreano) primariamente se manifesta como um &quot;relato&quot; nunca completado de  sua estrutura e desenvolvimento; apenas um punhado de frases de amostra e um  vocabul&aacute;rio de menos de 200 palavras existe. O vocabul&aacute;rio conhecido para o  <em>khuzdul</em>, o idioma dos an&otilde;es, &eacute; da mesma forma pequeno, mas Tolkien  mencionou que tinha esbo&ccedil;ado este idioma em algum detalhe de estrutura (por suas  pr&oacute;prias raz&otilde;es, o grupo atualmente editando o material ling&uuml;&iacute;stico de Tolkien  para publica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o discutir&aacute; se estas notas sobreviveram). Algumas notas muito  rascunhadas apresentando certos princ&iacute;pios do <em>westron</em>, o suposto Idioma  Comum &quot;real&quot; da Terra-m&eacute;dia (representado pelo ingl&ecirc;s nos livros), est&atilde;o  preservadas na Tolkien Collection em Marquette; uma tentativa para fazer este  material ter sentido apareceu no <em>Tyali&euml; Tyelelli&eacute;va</em> #17. Menos de 200  palavras em westron s&atilde;o conhecidas, de modo que o idioma n&atilde;o &eacute; de modo algum  utiliz&aacute;vel. Relata-se que uma gram&aacute;tica de um idioma humano chamado  <em>taliska</em> tamb&eacute;m exista, embora nunca tenha sido publicada. (Algumas  palavras humanas antigas s&atilde;o mencionadas em WJ: 238, 270 e 309; se este material  &eacute; compat&iacute;vel com os escritos de Tolkien sobre o taliska, ainda n&atilde;o &eacute; sabido.)  Incluindo o quenya e o sindarin, isto nos d&aacute; cerca de dez idiomas que possuem  pelo menos um m&iacute;nimo de subst&acirc;ncia e estrutura.  </p>
<p align="justify">Existem ent&atilde;o os idiomas que est&atilde;o inteiramente fragmentados: a <em>l&iacute;ngua  negra</em>, o idioma de Mordor, manifesta-se apenas na inscri&ccedil;&atilde;o do Anel, em uma  &uacute;nica maldi&ccedil;&atilde;o &oacute;rquica (para a qual Tolkien prop&ocirc;s v&aacute;rias tradu&ccedil;&otilde;es  contradit&oacute;rias) e como alguns itens de vocabul&aacute;rio isolados. O <em>valarin</em>, o  idioma dos &quot;Poderes&quot; ou deuses, &eacute; de mesma forma uma l&iacute;ngua da qual temos apenas  um vislumbre: Tolkien mencionou algumas 30 palavras isoladas, mas n&atilde;o h&aacute; uma  simples frase ou express&atilde;o unindo v&aacute;rias palavras.  </p>
<p align="justify">Finalmente temos os idiomas que s&atilde;o <em>virtualmente ou inteiramente  fict&iacute;cios</em>; mesmo por uma defini&ccedil;&atilde;o muito liberal, dificilmente faz sentido  dizer que Tolkien &quot;construiu&quot; estes idiomas. O idioma dos <em>rohirrim</em> &eacute;  &quot;representado&quot; pelo ingl&ecirc;s antigo nas narrativas de Tolkien (assim como o ingl&ecirc;s  moderno representa o westron); muito poucas palavras &quot;reais&quot; do rohirric s&atilde;o  citadas em v&aacute;rias fontes, mas o vocabul&aacute;rio publicado n&atilde;o eq&uuml;ivale nem a dez  palavras. O vocabul&aacute;rio conhecido do <em>terrapardense</em> consiste apenas de uma  &uacute;nica palavra, <em>forgoil</em> = &quot;cabe&ccedil;as-de-palha&quot;; n&atilde;o sabemos nem como separar  <em>forgoil</em> nos elementos que significam &quot;palha&quot; e &quot;cabe&ccedil;a(s)&quot;. &Eacute; dito que os  <em>orcs</em> usavam muitas l&iacute;nguas e idiomas b&aacute;rbaros entre eles mesmos, mas  exceto por alguns nomes &oacute;rquicos que indicam o estilo geral dessas l&iacute;nguas, na  pr&aacute;tica nada &eacute; conhecido sobre elas (alguns itens de vocabul&aacute;rio originalmente  da l&iacute;ngua negra s&atilde;o ditos terem se espalhado; ex: <em>gh&acirc;sh</em> = &quot;fogo&quot;). Os  elfos <em>avarin</em> nas partes orientais da Terra-m&eacute;dia s&atilde;o visto como falando  muitos idiomas diferentes, mas at&eacute; onde eu sei, todas as palavras que Tolkien  registrou destes idiomas s&atilde;o seis cognatos de avarin da palavra em quenya  <em>quendi</em> &quot;elfos&quot; (em seis diferentes idiomas avarin, &eacute; claro &#8212; cada uma  destas l&iacute;nguas sem nome possui assim um vocabul&aacute;rio atestado de precisamente uma  palavra!) Os &quot;woses&quot; ou homens selvagens chamavam a si mesmos de <em>dr&ucirc;g</em> e  os orcs <em>gorg&ucirc;n</em>; isto &eacute; praticamente tudo que conhecemos de sua l&iacute;ngua.  Ainda mais pobremente atestado &eacute; o idioma de Harad: Gandalf em uma ocasi&atilde;o disse  que seu nome &quot;no sul&quot; era <em>Inc&aacute;nus</em>; de acordo com uma fonte esta &eacute; uma  palavra do idioma dos haradrim, que significa &quot;espi&atilde;o do norte&quot;. E n&atilde;o devemos  esquecer o <em>ent&ecirc;s</em>: Tolkien forneceu algumas observa&ccedil;&otilde;es muito gerais sobre  sua prolixa estrutura, mas apenas uma &uacute;nica express&atilde;o em ent&ecirc;s sem tradu&ccedil;&atilde;o &eacute;  fornecida (e &eacute; dito que a transcri&ccedil;&atilde;o dessa express&atilde;o &eacute; provavelmente muito  inexata; nos &eacute; dito que o ent&ecirc;s dificilmente poderia ser reduzido para a  escrita).  </p>
<p align="justify">Ent&atilde;o, em resumo: se considerarmos as vers&otilde;es &quot;hist&oacute;ricas&quot; das l&iacute;nguas que  s&atilde;o relevantes para a forma cl&aacute;ssica dos mitos de Arda, Tolkien desenvolveu 2  idiomas que s&atilde;o vagamente <em>&quot;utiliz&aacute;veis&quot;</em> (no sentido de que voc&ecirc; pode  compor texto longos ao evitar deliberadamente as lacunas no nosso conhecimento);  nomeou aproximadamente de 8 a 10 outros idiomas que possuem <em>um m&iacute;nimo de  subst&acirc;ncia real</em> mas n&atilde;o s&atilde;o de qualquer modo utiliz&aacute;veis; forneceu <em>meros  fragmentos</em> de pelo menos 4 outros idiomas, e <em>aludiu a</em> numerosos  outros idiomas que ou s&atilde;o inteiramente fict&iacute;cios ou possuem um vocabul&aacute;rio de  apenas uma ou algumas palavras reais.  </p>
<div align="justify">A resposta curta para a quest&atilde;o de &quot;quantos idioma?&quot; deve ser algo do tipo:  &quot;Com exce&ccedil;&atilde;o dos extremamente fragmentados ou inteiramente fict&iacute;cios, ele  forneceu quantidades variadas de informa&ccedil;&atilde;o sobre cerca de dez ou doze idiomas,  mas apenas dois deles s&atilde;o altamente desenvolvidos com vocabul&aacute;rios realmente  substanciais&quot;. </div>
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		<title>O ví­cio não-tão-secreto de Tolkien</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Mar 2006 01:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1931, Tolkien escreveu um ensaio sobre o passatempo um tanto peculiar de desenvolver idiomas particulares. Ele chamou isto de Um V&#237;cio Secreto. Mas no caso de Tolkien, o &#34;v&#237;cio&#34; dificilmente ainda pode ser chamado de secreto. O que, realmente, &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/o-vi%c2%adcio-nao-tao-secreto-de-tolkien/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify" class="MsoNormal"><em>Em 1931, Tolkien escreveu um ensaio sobre o passatempo um tanto peculiar de desenvolver idiomas particulares. Ele chamou isto de </em>Um V&iacute;cio Secreto<em>. Mas no caso de Tolkien, o &quot;v&iacute;cio&quot; dificilmente ainda pode ser chamado de secreto.</em></p>
<p> O que, realmente, se passa na cabe&ccedil;a de um homem que por toda a sua vida est&aacute; brincando com enormes constru&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas, idiomas inteiros que nunca existiram fora de suas pr&oacute;prias notas? Pois uma coisa precisa estar perfeitamente clara: ele criou muito mais destes idiomas do que poderia esperar incluir em suas hist&oacute;rias. Realmente, h&aacute; alguns poemas &eacute;lficos e uma grande quantidade de nomes ex&oacute;ticos nos anais da Terra-m&eacute;dia, mas mesmo assim, isto n&atilde;o &eacute; <em>nada</em> comparado a tudo que Tolkien criou. No <em>Tyali&euml; Tyelelli&eacute;va</em> n&ordm; 6, Lisa Star nos informa que sua pr&oacute;pria lista de palavras publicadas possui <em>doze mil</em> verbetes. Estamos falando de constru&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas <em>enormes</em>. Como isso come&ccedil;ou? Como isso foi feito? E por qu&ecirc;?</p>
<p> <strong>O jovem John Ronald Reuel no mundo falante de nevbosh</strong></p>
<p> Um dia, bem exatamente h&aacute; cem anos atr&aacute;s, o rec&eacute;m adolescente Tolkien ficou confuso ao escutar duas outras crian&ccedil;as se comunicando em <em>anim&aacute;lico</em>. Este era um idioma de brincadeira que consistia principalmente de palavras inglesas para animais. Os inventores do anim&aacute;lico n&atilde;o tentaram mant&ecirc;-lo secreto, e o jovem Tolkien logo aprendeu um pouco dele. Em seu ensaio <em>Um V&iacute;cio Secreto</em> (publicado em <em>The Monsters and the Critics</em>, p&aacute;gs. 198-219) ele d&aacute; um exemplo de anim&aacute;lico: <em>cachorro rouxinol pica-pau quarenta</em>, que foi traduzido como &quot;voc&ecirc; &eacute; um asno&quot;. (Em anim&aacute;lico, <em>quarenta</em> significava asno, enquanto que <em>asno</em>, claro, significava quarenta&#8230;)</p>
<p> O anim&aacute;lico logo se tornou uma l&iacute;ngua morta, mas algumas das crian&ccedil;as continuaram seus jogos ling&uuml;&iacute;sticos. Elas inventaram um idioma chamado <em>nevbosh </em>(esta sendo a palavra em nevbosh para &quot;novo absurdo&quot; &#8211; o absurdo substituindo o anim&aacute;lico, evidentemente&#8230;) Tolkien n&atilde;o foi o criador deste idioma, mas de acordo com ele pr&oacute;prio, ele contribuiu para o vocabul&aacute;rio e ajudou a padronizar a ortografia. &quot;Eu era membro do mundo falante de nevbosh&quot;, ele orgulhosamente recordou.</p>
<p> O nevbosh era principalmente uma mistura de palavras inglesas, francesas e latinas pesadamente distorcidas. Ele n&atilde;o representou um desligamento real do ingl&ecirc;s ou de outros idiomas normais. Mais de vinte anos ap&oacute;s ele se tornar uma l&iacute;ngua morta, Tolkien ainda era capaz de se lembrar de pelo menos um fragmento conectado, que ele chama de &quot;tolo&quot;:</p>
<p> &nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Dar fys ma vel gom co palt &#8216;hoc<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; pys go iskili far maino woc?<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; Pro si go fys do roc de<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; Do cat ym maino bocte<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; De volt fac soc ma taimful gyr&oacute;c!&#8217;</em></p>
<p> As rimas realmente podem ser preservadas na tradu&ccedil;&atilde;o (apenas em ingl&ecirc;s, claro: em portugu&ecirc;s, ela se perde, como de costume): &quot;Havia um velho que disse &#8216;como/ eu posso, qui&ccedil;&aacute;, carregar minha vaca? / Pois seu eu perguntasse a ela/ para entrar no meu bolso/ ela causaria uma briga terr&iacute;vel!&#8217; &quot;</p>
<p> Mas para Tolkien, simplesmente distorcer palavras existentes (como <em>woc</em> = &quot;cow (vaca)&quot;!) no final das contas n&atilde;o era suficiente. J&aacute; entre as crian&ccedil;as que falavam nevbosh surgiu algo mais sofisticado: palavras que n&atilde;o remetiam &agrave; nenhuma fonte espec&iacute;fica, mas surgiram simplesmente porque elas pareciam se <em>ajustar a seus significados</em> &#8211; porque a combina&ccedil;&atilde;o de som e sentido dava &agrave;s crian&ccedil;as <em>prazer</em>. Tolkien menciona uma palavra, <em>lint</em> &quot;r&aacute;pido, h&aacute;bil&quot;. O jovem John Ronald Reuel jamais esqueceu esta palavra: quarenta anos depois, ele tinha Galadriel cantando como os anos na Terra-m&eacute;dia passaram <em>ve<strong> lint&euml;</strong> yuldar liss&euml;-miruv&oacute;reva</em>, como goles <em>r&aacute;pidos</em> do doce hidromel&#8230;</p>
<p> O tempo passou, e o nevbosh uniu-se ao latim e ao g&oacute;tico na longa lista de l&iacute;nguas mortas. Mas Tolkien, ainda uma crian&ccedil;a, j&aacute; estava desenvolvendo um de seus primeiros idiomas completamente particulares: o <em>naffarin</em>. Ele menciona uma frase em naffarin para exemplificar, mas n&atilde;o h&aacute; tradu&ccedil;&atilde;o: <em>O Naffar&iacute;nos cut&aacute; vu navru cangor luttos ca v&uacute;na ti&eacute;ranar, dana maga t&iacute;er ce vru enc&aacute; v&uacute;n&#8217; farta once ya mer&uacute;ta v&uacute;na maxt&#8217; am&aacute;men.</em> Embora o naffarin tenha supostamente incorporado alguns dos &uacute;ltimos est&aacute;gios do nevbosh, j&aacute; percebemos um movimento na dire&ccedil;&atilde;o de formas &quot;&Eacute;lficas&quot;. O naffarin foi inspirado pelo latim e espanhol, mas Tolkien estava para encontrar duas inspira&ccedil;&otilde;es ainda mais fortes.</p>
<p> <strong>Atrav&eacute;s do por&atilde;o gal&ecirc;s para a adega finlandesa</strong></p>
<p> Uma coisa era importante para Tolkien. Os idiomas deveriam ser <em>belos</em>. O <em>som</em> desses deveria ser agrad&aacute;vel. Tolkien <em>provava</em> idiomas, e seu gosto era primorosamente agu&ccedil;ado. Latim, espanhol e g&oacute;tico eram agrad&aacute;veis. O grego era not&aacute;vel. O italiano&nbsp; era maravilhoso. Mas o franc&ecirc;s, freq&uuml;entemente aclamado como um idioma belo, lhe dava pouco prazer.</p>
<p> Mas o para&iacute;so em si era chamado <em>gal&ecirc;s</em>. Em seu ensaio &quot;Ingl&ecirc;s e Gal&ecirc;s&quot;, Tolkien relembra como ele uma vez viu as palavras <em>Adeiladwyd 1887</em> (Foi constru&iacute;do em 1887) talhadas em uma placa de pedra. Foi uma revela&ccedil;&atilde;o de beleza. &quot;Isso penetrou meu cora&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stico&quot;, relembra. Aconteceu que o gal&ecirc;s estava cheio de tais palavras maravilhosas. Tolkien achou dif&iacute;cil comunicar a outros o que realmente era t&atilde;o incr&iacute;vel nelas, mas em seu ensaio ele faz uma tentativa honesta: &quot;A maioria das pessoas falantes de ingl&ecirc;s&#8230; admitir&atilde;o que <em>cellar door</em> (porta do por&atilde;o) &eacute; &#8216;belo&#8217;, especialmente se dissociado de seu sentido (e de sua grafia). Mais belo que, digamos, <em>sky </em>(c&eacute;u), e muito mais belo do que <em>beautiful</em> (belo). Pois bem: para mim, <em>cellar doors</em> em gal&ecirc;s s&atilde;o extraordinariamente freq&uuml;entes, e passando para uma dimens&atilde;o maior, as palavras nas quais h&aacute; prazer na contempla&ccedil;&atilde;o da associa&ccedil;&atilde;o de forma e sentido s&atilde;o abundantes.&quot; Ele ent&atilde;o lista exemplos concretos como o gal&ecirc;s <em>wybren</em> sendo &quot;mais agrad&aacute;vel&quot; que o ingl&ecirc;s <em>sky</em>. &#8211; <em>MC</em> p&aacute;gs. 190-193.</p>
<p> Mas havia mais prazeres em estoque para o jovem Tolkien. Um dia ele encontrou&#8230; <em>uma gram&aacute;tica finlandesa</em>!!! Ele logo se viu em &ecirc;xtase fonoest&eacute;tico. &quot;Foi como descobrir uma adega completa repleta de garrafas de um vinho estupendo de um tipo e sabor jamais provados antes. Em muito me embriagou&quot; (<em>Cartas</em>: 214). Embriagado com o finland&ecirc;s, ele jogou fora seu &uacute;ltimo projeto (&quot;crie seu pr&oacute;prio idioma germ&acirc;nico&quot;), pois agora ele havia encontrado inspira&ccedil;&otilde;es mais fortes.</p>
<p> Muitos anos depois, ele observou que as l&iacute;nguas &Eacute;lficas foram &quot;planejadas (a) para serem definitivamente de um tipo europeu em estilo e estrutura (n&atilde;o em detalhes); e (b) para serem especialmente agrad&aacute;veis. A primeira caracter&iacute;stica n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar; mas a segunda &eacute; mais dif&iacute;cil, uma vez que as predile&ccedil;&otilde;es pessoais dos indiv&iacute;duos variam imensamente&#8230; portanto, agradadei a mim mesmo&quot; (<em>Cartas</em>: 175-176). Isso na verdade significa que, a partir do ponto em que ele descobriu o gal&ecirc;s e o finland&ecirc;s, eles foram as principais influ&ecirc;ncias em suas pr&oacute;prias constru&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas.</p>
<p> Certamente ele tinha raz&atilde;o ao observar que o gosto individual varia largamente. O idioma gal&ecirc;s que ele tanto amava e que serviu de modelo para o Sindarin, foi uma vez descrito como &quot;uma massa de grunhidos e sons gargarejantes&quot; por um rep&oacute;rter de r&aacute;dio noruegu&ecirc;s. Ainda assim, muitas pessoas parecem concordar que as l&iacute;nguas &Eacute;lficas s&atilde;o geralmente euf&ocirc;nicas. Tolkien registrou um retorno positivo: &quot;os nomes de pessoas e lugares nesta hist&oacute;ria foram compostos principalmente de padr&otilde;es propositadamente espelhados naqueles do gal&ecirc;s (muito parecidos, mas n&atilde;o id&ecirc;nticos). Este elemento no conto talvez tenha dado mais prazer a mais leitores do que qualquer outra coisa nele&quot; (MC: 197).</p>
<p> Mas estamos nos adiantando; vamos retornar ao in&iacute;cio. Enquanto a Primeira Guerra Mundial ainda estava vociferando, as constru&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas de Tolkien definitivamente tornaram-se idiomas &Eacute;lficos. Em 2 de mar&ccedil;o de 1916, um Tolkien de 24 anos escreveu para sua amada Edith lhe contando que havia estado trabalhando em sua &quot;absurda l&iacute;ngua das fadas &#8211; para sua melhoria. Com freq&uuml;&ecirc;ncia anseio por trabalhar nela e n&atilde;o me permito pois, embora eu muito a adore, ela parece ser um passatempo t&atilde;o louco!&quot; Louco ou n&atilde;o, ele estava prestes a ceder ao seu desejo e continuar trabalhando neste passatempo por toda sua vida. &#8211; <em>Cartas</em>: 8.</p>
<p> Exatamente neste ponto, em 1916, enquanto Tolkien estava no hospital tendo sobrevivido &agrave; Batalha de Somme, as primeiras partes de sua &quot;mitologia para a Inglaterra&quot; foram escritas &#8211; fragmentos do que um dia se tornaria o <em>Silmarillion</em>. Ao mesmo tempo, ou mesmo um pouco antes, ele escreveu suas primeiras listas de palavras &eacute;lficas. Uma coisa desencadeou a outra: &quot;a cria&ccedil;&atilde;o de idioma e mitologia s&atilde;o fun&ccedil;&otilde;es relacionadas&quot;, observou em <em>Um V&iacute;cio Secreto</em>. &quot;Sua constru&ccedil;&atilde;o de um idioma ir&aacute; gerar uma mitologia&quot; (MC: 210-211). Ou novamente em uma carta escrita muitos anos depois, logo ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o do SdA: &quot;A inven&ccedil;&atilde;o de idiomas &eacute; a base. As &#8216;hist&oacute;rias&#8217; foram antes criadas para fornecer um mundo para os idiomas do que o contr&aacute;rio. Para mim, um nome vem primeiro e a hist&oacute;ria depois&#8230; [O SdA] &eacute; para mim&#8230; em grande parte um ensaio sobre &#8216;est&eacute;tica ling&uuml;&iacute;stica&#8217;, como &agrave;s vezes digo &agrave;s pessoas que me perguntam &#8216;do que se trata tudo isso?&#8217;&quot; (<em>Cartas</em>: 219-220) Poucas pessoas levaram esta explica&ccedil;&atilde;o a s&eacute;rio. &quot;Ningu&eacute;m acredita em mim quando digo que meu longo livro &eacute; uma tentativa de criar um mundo no qual uma forma de idioma agrad&aacute;vel &agrave; minha est&eacute;tica pessoal pudesse parecer real&quot;, Tolkien reclamava. &quot;Mas &eacute; verdade&quot;. &#8211; <em>Cartas</em>: 264.</p>
<p> Desde o in&iacute;cio, havia dois principais idiomas em sua mitologia: um que soava muito parecido com o finland&ecirc;s e um que era parecido com o gal&ecirc;s. Ao contr&aacute;rio de suas inspira&ccedil;&otilde;es, eles estavam relacionados e derivaram de um idioma primitivo comum. O idioma parecido com o finland&ecirc;s foi chamado &quot;Qenya&quot; desde o in&iacute;cio; uma pequena reforma ortogr&aacute;fica era tudo que estava entre ele e seu nome final. O outro idioma foi originalmente chamado <em>Golgodrin</em> ou &quot;gn&ocirc;mico&quot;, esta era <em>i-Lam na-Ngoldathon</em> ou &quot;a l&iacute;ngua dos Gnomos&quot;. (Sua &uacute;ltima forma, t&atilde;o pesadamente revisada que na verdade n&atilde;o era mais o &quot;mesmo&quot; idioma, foi por muito tempo chamada <em>Noldorin</em>; somente ao estar terminando o SdA que Tolkien percebeu que seu nome real era <em>Sindarin</em>. Mas veja abaixo.) O primeiro l&eacute;xico Gn&ocirc;mico foi publicado alguns anos atr&aacute;s e mostrou ser muito abrangente, provavelmente o &quot;dicion&aacute;rio&quot; mais completo que Tolkien j&aacute; fez para qualquer idioma &eacute;lfico. A lista de palavras de &quot;Qenya&quot; foi finalmente publicada em 1998 e mostrou ser outro documento muito abrangente, como pode ser visto a partir dos &iacute;ndices apresentados neste site (tanto por notas portuguesas como por palavras em qenya).</p>
<p> Os anos se passaram e as hist&oacute;rias do <em>Silmarillion</em> evolu&iacute;ram, mas parece que a relev&acirc;ncia dos dicion&aacute;rios originais logo diminuiu: revis&otilde;es freq&uuml;entes inevitavelmente os tornaram obsoletos. Na segunda metade dos anos trinta, contudo, Tolkien criou uma lista de uns setecentos &quot;radicais&quot; &eacute;lficos primitivos e alguns de seus derivativos em idiomas tardios. Aparentemente foi a esta lista, chamada <em>Etimologias</em>, que ele se referiu quando come&ccedil;ou a escrever <em>O Senhor dos An&eacute;is</em> (ele adicionou &agrave; lista algumas palavras e nomes deste trabalho; ex: <em>mith</em> &quot;cinza&quot; e <em>rhandir</em> &quot;peregrino&quot;, que juntas formam <em>Mithrandir</em>). O <em>Etimologias</em> foi publicado na sua totalidade por Christopher Tolkien em <em>The Lost Road</em> p&aacute;gs. 347-400. Um verbete claramente t&iacute;picao &eacute; assim:<br /> &nbsp;<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>MBUD-</strong> projetar. *<em>mbundu</em>: Q <em>mundo</em> focinho, nariz, cabo; N <em>bund</em>, <em>bunn</em>. Cf. *a<em>ndambund&acirc; </em>de nariz grande, Q <em>andamunda</em> elefante, N <em>andabon</em>, <em>annabon</em>.</p>
<p> Aqui temos v&aacute;rias formas arcaicas (devidamente marcadas com asteriscos como &quot;n&atilde;o-atestadas&quot;) e mais as descendentes destas formas em Q (Quenya) e N (&quot;Noldorin&quot;, leia: Sindarin). Isso nos leva &agrave; t&eacute;cnica usada por Tolkien ao desenvolver suas cria&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas. Como isso foi feito?</p>
<p> <strong>A t&eacute;cnica de Tolkien</strong></p>
<p> Christopher Tolkien descreve a estrat&eacute;gia de seu pai como um criador de idiomas em uma frase formid&aacute;vel: &quot;Afinal de contas, ele n&atilde;o &#8216;inventou&#8217; novas palavras e nomes arbitrariamente: em princ&iacute;pio, ele desenvolveu de dentro da estrutura hist&oacute;rica, prosseguindo a partir das &#8216;bases&#8217; ou radicais primitivos, adicionando sufixo ou prefixo ou formando palavras compostas, decidindo (ou, como ele teria dito, &#8216;descobrindo&#8217;) quando a palavra entrava no idioma, acompanhando-o atrav&eacute;s das mudan&ccedil;as normais em forma as quais ele assim teria se submetido, e observando as possibilidades de influ&ecirc;ncia formal ou sem&acirc;ntica de outras palavras no curso de sua hist&oacute;ria.&quot; O resultado: &quot;tal palavra existiria, ent&atilde;o, para ele, e ele a conheceria&quot;. (LR: 342)</p>
<p> Como um exemplo deste processo, podemos usar os numerais &eacute;lficos. Considere os radicais primitivos para as palavras para os n&uacute;meros 1-10, e mais as palavras formadas a partir destes radicais como eles aparecem em Quenya e Sindarin:</p>
<p> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 1: <strong>MINI</strong>: Q min&euml;, S min<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 2: <strong>AT(AT)</strong>: Q atta, S tad<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 3: NEL(ED): Q neld&euml;, S neledh<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 4: K&Aacute;NAT: Q canta, S canad<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 5: LEPEN: Q lemp&euml;, S leben<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 6: &Eacute;NEK: Q enqu&euml;, S eneg<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 7: OTOS/OTOK: Q otso, S odog<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 8: TOL-OTH/OT: Q tolto, S toloth<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 9: N&Eacute;TER: Q nert&euml;, S neder<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; 10: KAYAN/KAYAR: Q cainen, S caer</p>
<p> (Havia tamb&eacute;m radicais para 11 e 12, uma vez que os elfos aparentemente usavam um sistema duodecimal de contagem quase desde o momento em que surgiram, mas isto &eacute; suficiente para nosso prop&oacute;sito.) Pode-se observar como Tolkien mudou os radicais originais de acordo com regras fixas e calculou suas formas em l&iacute;nguas &eacute;lficas tardias. Por exemplo, uma das regras &eacute; que, em sindarin, p, t, k mudos tornam-se b, d, g sonoros quando eles sucedem uma vogal: assim conseguimos leben a partir do radical LEPEN, eneg a partir de &Eacute;NEK e neder a partir de N&Eacute;TER. Em quenya, a regra &eacute; que as plosivas mudas s&atilde;o geralmente imut&aacute;veis, de modo que em alto-&eacute;lfico temos as formas lemp&euml; (a partir do radical LEPEN- via *lepne e *lenpe?), enqu&euml; (isto &eacute;, enkwe) e nert&euml;. Por outro lado, o quenya possui uma regra na qual i final curto se tornou e no final de palavras, de modo que temos min&euml; a partir de MINI. O sindarin elimina a vogal para produzir min. Estas e outras regras para mudan&ccedil;a sonora foram t&atilde;o planejadas que os idiomas resultantes tinham o tipo de m&uacute;sica que Tolkien queria: um se aproximando da fonologia &quot;finlandesa&quot;, enquanto o outro veio a soar muito parecido com o gal&ecirc;s.</p>
<p> Christopher Tolkien observa como seu pai levou em considera&ccedil;&atilde;o &quot;as possibilidades de influ&ecirc;ncia formal ou sem&acirc;ntica de outras palavras no curso de sua hist&oacute;ria&quot;. Os numerais tamb&eacute;m nos fornecem um exemplo disto. De acordo com o Etimologias, a palavra para &quot;tr&ecirc;s&quot; era originalmente neledh como na lista. Mas posteriormente ela se tornou neled porque foi &quot;influenciada&quot; por canad &quot;quatro&quot;. (Imagine o elfo contando min, tad, neledh, canad; um dia, ao inv&eacute;s, ele diz neled, canad!)</p>
<p> Mas n&atilde;o importa o quanto Tolkien estava brincando com mudan&ccedil;as sonoras e n&atilde;o apenas inventou novas palavras e nomes arbitrariamente: as palavras ainda teriam que vir de algum lugar. Afinal, elas eram arbitr&aacute;rias? Freq&uuml;entemente n&atilde;o. Quando Tolkien foi entrevistado pelo Daily Telegraph em 1968 e leu a vers&atilde;o preliminar da entrevista antes dela ser impressa, ele ficou horrorizado ao descobrir que tinha dito isto: &quot;quando voc&ecirc; inventa um idioma, voc&ecirc; mais ou menos pega isto no ar. Voc&ecirc; diz buuu e isto significa algo&quot;. Na verdade, n&atilde;o foi realmente isto que ele quis dizer; ele n&atilde;o estava certo de que tinha dito isto. Ele explicou cuidadosamente que ele criou palavras baseadas em prefer&ecirc;ncias pessoais, seu guia sendo o que ele achava ser foneticamente adequado (Letters: 375). Pode ser discutido o qu&atilde;o &quot;pessoais&quot; eram estas associa&ccedil;&otilde;es. Muitos concordariam que v&aacute;rias palavras &eacute;lficas parecem se adequar a seus significados de um modo estranho: elen &quot;estrela&quot;, menel &quot;c&eacute;u&quot;, vanya &quot;belo&quot;, wen ou wend&euml; &quot;donzela&quot;, l&oacute;t&euml; &quot;flor&quot;, masta &quot;p&atilde;o&quot;. (Pode-se, claro, tamb&eacute;m discordar: os presente escritor acha que MOR, o radical bem conhecido para &quot;preto&quot;, ao como marrom &#8211; e como Tolkien p&ocirc;de achar que carn&euml; significa &quot;vermelho&quot;? Para mim, a palavra soa verde!)</p>
<p> Tolkien explicou o fundamento de algumas de suas prefer&ecirc;ncias: &quot;o elemento (n)dor &#8216;terra&#8217;, provavelmente deve algo, digamos, a nomes como Labrador (um nome que pode como estilo e estrutura at&eacute; vir a ser sindarin)&quot; (Letters: 383-4). Ele tamb&eacute;m nos conta como GON(O), GOND(O) veio a ser a raiz &eacute;lfica para &quot;rocha, pedra&quot; (como em Gondor &quot;terra da pedra&quot;, Gondolin &quot;can&ccedil;&atilde;o da pedra&quot;): quando tinha oito anos, Tolkien leu um livro que afirmava que nada era conhecido do idioma das tribos pr&eacute;-celtas e pr&eacute;-romanas, exceto possivelmente por ond &quot;pedra&quot;. O jovem John Ronald Reuel achou que esta palavra &quot;ajustava-se ao significado&quot;, de modo que ele se lembrou dela e a usou em seus idiomas caseiros muitos anos depois: sindarin gond ou gonn, quenya ondo. (Letters: 410. O livro que forneceu a Tolkien a palavra ond foi finalmente identificado no Vinyar Tengwar #30: Celtic Britain do Professor John Rhys, que de acordo com Carl F. Hostetter e Patrick Wynne &quot;consiste de mais de 300 p&aacute;ginas colocadas de forma compacta e evita tanto uma discuss&atilde;o etimol&oacute;gica como passagens latinas n&atilde;o traduzidas e palavras gregas transcritas&quot;. Esta era a leitura preferida de Tolkien com a idade de oito anos.)</p>
<p> Muitas palavras &quot;&eacute;lficas&quot; parecem ser tiradas de uma grande variedade de fontes: p&eacute; &quot;boca&quot; &eacute; hebraico, l&aacute; &quot;n&atilde;o&quot; &eacute; &aacute;rabe, n&eacute;r &quot;homem&quot; a partir do idiomas indo-europeu reconstru&iacute;do, ken- &quot;ver&quot; &eacute; similar ao chin&ecirc;s kan, e roch &quot;cavalo&quot; &eacute; reminescente do verbo hebraico r&acirc;kh&aacute;v &quot;cavalgar&quot;. O radical &Ntilde;GAR(A)M &quot;lobo&quot; produz (al&eacute;m do quenya narmo e do sindarin garaf) a palavra em doriathrin garm, Garm sendo um dos nomes do monstruoso lobo Fenris que assombra a mitologia n&oacute;rdica. N&atilde;o apenas o noruegu&ecirc;s antigo, mas tamb&eacute;m os idiomas escandinavos modernos parecem ser representados: a palavra em quenya varya &quot;proteger&quot; &eacute; modo suspeito parecida com o noruegu&ecirc;s verge, verje; &quot;flecha&quot; &eacute; pil em escandinavo e pilin em quenya, enquanto a palavra em quenya mat-/sindarin medi significa &quot;comer&quot;, em&nbsp; noruegu&ecirc;s/sueco mat, e o dinamarqu&ecirc;s mad significa &quot;comida&quot;! Dado o fato de que uma das principais influ&ecirc;ncias nos idiomas de Tolkien foi o finland&ecirc;s, tamb&eacute;m podemos nos perguntar se quendi como um nome dos elfos tem algo a ver com kvener, um antigo nome escandinavo dos finlandeses. Se existe algum fator interno mostrando que os idiomas de Tolkien s&atilde;o fict&iacute;cios, deve ser o fato de que algum &quot;pl&aacute;gio&quot; pode ser detectado no vocabul&aacute;rio. Mas Tolkien admitiu de bom grado que ele n&atilde;o tentou evitar a influ&ecirc;ncia de idiomas do mundo real. Afinal, ele criou idiomas para seu pr&oacute;prio prazer, e n&atilde;o para enganar os outros e faz&ecirc;-los acreditar que eles eram &quot;reais&quot;.</p>
<p> Ao desenvolver os poucos fragmentos de idiomas n&atilde;o-&eacute;lficos, tais como a l&iacute;ngua negra de Sauron e tamb&eacute;m a l&iacute;ngua ad&ucirc;naica (elaborados em estrutura mas n&atilde;o em vocabul&aacute;rio), Tolkien provavelmente estava menos relutante para simplesmente criar palavras arbitrariamente. Ou assim ele pensou. A palavra na l&iacute;ngua negra nazg &quot;anel&quot; (como em Nazg&ucirc;l, Espectro do Anel) parece ser um empr&eacute;stimo inconsciente do ga&eacute;lico nasc de mesmo significado (Letters p&aacute;g. 385). Para variar , a l&iacute;ngua negra foi constru&iacute;da para ser t&atilde;o horr&iacute;vel quanto possivelmente pudesse ser, e Tolkien n&atilde;o gostava do ga&eacute;lico (ainda outro exemplo de seu refinado gosto ling&uuml;&iacute;stico &#8211; exceto por falantes nativos, quantas pessoas s&atilde;o capazes de distinguir o ga&eacute;lico do gal&ecirc;s?)</p>
<p> Tolkien insistiu que &quot;todos os nomes no livro, e todos os idiomas, s&atilde;o certamente constru&iacute;dos, e n&atilde;o aleatoriamente&quot; (Letters: 219). Todavia, existem alguns nomes &quot;aleat&oacute;rios&quot;. Uma nota reproduzida em The War of the Jewels p&aacute;g. 318 sugere que Tolkien n&atilde;o sabia o que os nomes Amloth e Ecthelion significavam quando os usou pela primeira vez, mas visto que eles &quot;s&atilde;o bem sonoros e vieram a ser impressos&quot;, ele levou algum tempo para descobrir o que eles significavam. Mas o nome E&ouml;l mostrou-se muito dif&iacute;cil: &quot;n&atilde;o &eacute; absolutamente necess&aacute;rio que os nomes possuam um significado!&quot; (The War of the Jewels p&aacute;g. 320.)</p>
<p> A question&aacute;vel quest&atilde;o de estabilidade</p>
<p> Entretanto, os idiomas de Tolkien mudaram em outros modos do que apenas nas mudan&ccedil;as simuladas dentro da hist&oacute;ria imaginada. Em The Monsters and the Critics p&aacute;gs. 218-19, Tolkien observa que &quot;se voc&ecirc; constr&oacute;i seu idioma art&iacute;stico sobre princ&iacute;pios escolhidos&quot;, voc&ecirc; pode escrever poesia neste idioma &#8211; &quot;at&eacute; que voc&ecirc; o arrume, e corajosamente seja fiel &agrave;s suas pr&oacute;prias regras, resistindo &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o do d&eacute;spota supremo em alter&aacute;-los.&quot; </p>
<p> Tolkien n&atilde;o foi corajosamente fiel &agrave;s suas pr&oacute;prias regras. Tolkien n&atilde;o resistiu &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o do d&eacute;spota supremo.</p>
<p> Ele nunca &quot;terminou&quot; realmente seus idiomas. A &uacute;nica coisa que finalmente assegurou total estabilidade foi sua morte em 1973. Em Sauron Defeated p&aacute;g. 240, o personagem de Tolkien, Lowdham, fala pelo pr&oacute;prio Tolkien: &quot;Ao criar um idioma, voc&ecirc; &eacute; livre: livre demais. &Eacute; dif&iacute;cil ajustar um significado a cada padr&atilde;o sonoro dado, e ainda mais dif&iacute;cil ajustar um padr&atilde;o sonoro a cada significado dado. Eu digo ajustar. N&atilde;o digo que voc&ecirc; n&atilde;o pode determinar formas ou significados arbitrariamente, conforme voc&ecirc; queira. Digamos que voc&ecirc; queira uma palavra para c&eacute;u. Bem, chame-a jibberjabber, ou qualquer outra coisa que venha &agrave; sua mente sem o exerc&iacute;cio de qualquer arte ou gosto ling&uuml;&iacute;stico. Mas isto &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos, e n&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o de idiomas. &Eacute; completamente outro assunto encontrar uma rela&ccedil;&atilde;o, som mais sentido, que satisfa&ccedil;a, quando feita dur&aacute;vel. Quando voc&ecirc; est&aacute; apenas inventando, o prazer ou divers&atilde;o est&aacute; no momento da inven&ccedil;&atilde;o; mas como voc&ecirc; &eacute; o mestre, seu capricho &eacute; lei, e voc&ecirc; pode querer ter toda a divers&atilde;o novamente, fresca. Voc&ecirc; &eacute; capaz de ficar para sempre esmiu&ccedil;ando, alterando, refinando, movimentando-se de acordo com o seu humor ling&uuml;&iacute;stico e com suas mudan&ccedil;as de gosto&quot;.</p>
<p> Isto &eacute; precisamente o que o pr&oacute;prio Tolkien fez. Durante toda sua vida ele permaneceu revisando, revisando, revisando. Nas palavras de seu filho, &quot;as hist&oacute;rias ling&uuml;&iacute;sticas foram&#8230;inventadas por um inventor, que era livre para mudar estas hist&oacute;rias assim como era livre para mudar a hist&oacute;ria do mundo no qual elas ocorreram, e ele assim o fez abundantemente&#8230; Al&eacute;m disso, as altera&ccedil;&otilde;es na hist&oacute;ria n&atilde;o foram confinadas &agrave; caracter&iacute;sticas de desenvolvimento ling&uuml;&iacute;stico &#8216;interior&#8217;: a concep&ccedil;&atilde;o &#8216;exterior&#8217; dos idiomas e suas rela&ccedil;&otilde;es passaram por mudan&ccedil;as, mesmo mudan&ccedil;as profundas&quot; (LR: 341-342).</p>
<p> O sindarin &eacute; um bom exemplo de id&eacute;ias modificadas sobre a hist&oacute;ria exterior dos idiomas. O cen&aacute;rio apresentado nos ap&ecirc;ndices do SdA &eacute; de que este &eacute; o idioma dos sindar, os elfos-cinzentos &#8211; os elfos que chegaram a Beleriand vindos de Cuivi&eacute;nen, mas n&atilde;o passaram sobre o mar para Valinor. Mas nas notas de Tolkien pr&eacute;-SdA, o sindarin &eacute; chamado noldorin, e antes disso gn&ocirc;mico, pois este era o idioma dos noldor ou &quot;gnomos&quot;, os &quot;elfos s&aacute;bios&quot;. Ele foi desenvolvido em Valinor, enquanto o quenya no cen&aacute;rio anterior era o idioma dos lindar, o primeiro dos tr&ecirc;s cl&atilde;s dos Eldar (para complicar ainda mais, os lindar foram posteriormente renomeados e se tornaram os vanyar, enquanto lindar se tornou o nome do terceiro cl&atilde;, os teleri&#8230;) Mas ent&atilde;o Tolkien deve ter percebido que os elfos, imortais e tudo o mais, dificilmente desenvolveriam idiomas radicalmente diferentes quando estavam vivendo lado a lado em Valinor. Assim, de acordo com o cen&aacute;rio revisado, tanto os vanyar como os noldor falavam quenya com apenas diferen&ccedil;as dialetais menores, enquanto que o idioma &quot;noldorin&quot; que Tolkien j&aacute; havia criado foi simplesmente rebatizado como sindarin, transferido de Valinor para a Terra-m&eacute;dia e recolocado l&aacute; nas bocas dos elfos-cinzentos. Isto era, claro, muito mais plaus&iacute;vel do que se eles tivessem desenvolvido um idioma muito diferente do quenya, tendo estado separados de seus parentes em Valinor por milhares de anos. Christopher Tolkien comenta, &quot;esta reforma foi de t&atilde;o longo alcance que as pr&oacute;prias estruturas ling&uuml;&iacute;sticas preexistentes foram levadas para novas rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e novos nomes dados&quot; (LR: 346).</p>
<p> Mas tamb&eacute;m o vocabul&aacute;rio, a fonologia e a gram&aacute;tica dos idiomas foram repetidamente revisadas. Considere estas linhas de um primitivo poema em &quot;qenya&quot;, publicado em MC: 213-14:</p>
<p> &nbsp;&nbsp;&nbsp; Man kiluva l&oacute;mi sangane,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; telume lungane<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; tollalinta ruste,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; vea qalume,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; mandu y&aacute;me,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; aira m&oacute;re ala tinwi<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; lante no lanta-mindon?</p>
<p> &quot;Quem ver&aacute; as nuvens se reunirem, os c&eacute;us curvando-se sobre colinas desmoronantes, o mar levantando-se, o abismo abrindo-se, a antiga escurid&atilde;o al&eacute;m das estrelas caindo sobre torres ca&iacute;das?&quot;<br /> Isto foi escrito em 1931. Muito depois, provavelmente nos anos sessenta ou mesmo (necessariamente) no in&iacute;cio dos anos setenta, Tolkien reescreveu este poema. Ele literalmente o traduziu do &quot;qenya&quot; primitivo para o &quot;quenya&quot; maduro, o quenya como o idioma se tornou ap&oacute;s trinta anos de revis&otilde;es. Agora estas linhas ficaram assim (MC: 222), embora signifiquem a mesma coisa:</p>
<p> &nbsp;&nbsp;&nbsp; Man kenuva lumbor ahosta<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; Menel ak&uacute;na<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; ruxal&#8217; ambonnar,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; &euml;ar amortala,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; undume h&aacute;kala,<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; enwina l&uacute;me elenillor pella<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp; talta-taltala atalanti&euml; mindonnar?</p>
<p> Como vemos, a &uacute;nica palavra que &eacute; a mesma em ambos os textos &eacute; man &quot;quem&quot;; h&aacute; tamb&eacute;m a desin&ecirc;ncia de futuro -uva em kiluva &gt; kenuva &quot;ver&aacute;&quot;. Esta &eacute; uma quest&atilde;o aberta saber se um elfo falando o &quot;qenya&quot; dos anos vinte e do in&iacute;cio dos anos trinta teria sido capaz de acompanhar uma conversa em quenya maduro.</p>
<p> N&atilde;o apenas palavras, mas mesmo desin&ecirc;ncias gramaticais estavam sujeitas &agrave; revis&atilde;o. No Etimologias, existem poucos exemplos do &quot;qenya&quot; possuindo um genitivo em -n: ex: Ar Manwen &quot;Dia de Manw&euml;&quot; (LR: 368). Mas no SdA publicado, o -n se tornou a desin&ecirc;ncia dativa, enquanto que o genitivo agora termina em -o. A desin&ecirc;ncia -o soa mais &quot;genitiva&quot; do que -n? Um dia, Tolkien deve ter decidido que sim.</p>
<p> Algumas palavras tiveram seus significados completamente mudados. Aprendemos que os avari s&atilde;o os elfos que se recusaram a deixar Cuivi&eacute;nen e ir para Valinor. Mas o Etimologias mostra que Tolkien originalmente pensava nos avari como o nome dos elfos que foram para Valinor! O nome F&euml;anor existia em um est&aacute;gio bem primitivo, mas ele n&atilde;o significou sempre &quot;Esp&iacute;rito de Fogo&quot;, como &eacute; traduzido no Silmarillion. No Etimologias ele &eacute; interpretado como &quot;Sol Radiante&quot;, a partir de *Phay-an&acirc;ro mais antigo (LR: 381). Antes disto, nas listas de palavras mais antigas, ele significava &quot;forjador de ta&ccedil;as&quot; (The Book of Lost Tales I, p&aacute;g. 253).</p>
<p> Mesmo quando algo havia aparecido impresso, Tolkien nem sempre p&ocirc;de resistir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de continuar alterando. Na primeira edi&ccedil;&atilde;o do SdA, a sauda&ccedil;&atilde;o de Frodo para Gildor era elen s&iacute;la l&uacute;menn&#8217; omentielmo. Posteriormente Tolkien decidiu que a &uacute;ltima palavra deveria ter sido, ao inv&eacute;s disso, omentielvo, e esta forma foi usada em edi&ccedil;&otilde;es posteriores. (Um dos pioneiros no estudo do &eacute;lfico, Dick Plotz, ficou chocado ao ver a nova forma. Ele pensou que os editores americanos, da Ballantine, haviam cometido um erro e convenceu-os a corrigir isto. Na edi&ccedil;&atilde;o seguinte, os editores &#8211; necessariamente incompetentes nestes assuntos &#8211; introduziram a forma omentilmo, que n&atilde;o significa coisa alguma: mesmo esfor&ccedil;os honestos podem ter tristes conseq&uuml;&ecirc;ncias!)</p>
<p> Apesar de tudo: as maiores mudan&ccedil;as e revis&otilde;es indubitavelmente aconteceram antes da metade dos anos trinta. Com respeito ao idioma &quot;gn&ocirc;mico&quot; original de aproximadamente 1915, o velho Tolkien o considerou meramente um &quot;idioma que no final da contas se tornou aquele do tipo chamado sindarin&quot;, e seu &quot;qenya&quot; mais antigo ele agora sustenta ser &quot;muito primitivo&quot; (The Peoples of Middle-earth p&aacute;g. 379). Mas com o surgimento do Etimologias na metade dos anos trinta, a forma quase madura de q(u)enya e &quot;noldorin&quot; = sindarin apareceram, e os quarenta anos restantes da vida de Tolkien foram gastos esmiu&ccedil;ando sobre os seus detalhes.</p>
<p> Estudantes, imitadores, sat&iacute;ricos e escritores</p>
<p> Como, ent&atilde;o, est&atilde;o os idiomas de Tolkien hoje, quando mais de um quarto de s&eacute;culo se passou desde que seu criador foi para os sal&otilde;es de Mandos? Alguns de n&oacute;s embarcaram no estudo do &eacute;lfico, talvez com uma atitude parecida com a das pessoas que se divertem com um jogo de palavras cruzadas bem feito: o simples fato de que nenhuma gram&aacute;tica &eacute;lfica escrita pelo pr&oacute;prio Tolkien tenha sido publicada faz deste um desafio fascinante para &quot;decifrar o c&oacute;digo&quot;. Ou pode ser puro romantismo, uma forma especial de imers&atilde;o liter&aacute;ria: ao estudar os idiomas Eldarin, voc&ecirc; tenta se aproximar &#8211; na verdade, entrar nas mentes &#8211; dos elfos imortais, belos e s&aacute;bios, os Primog&ecirc;nitos de Eru Il&uacute;vatar, mestres da humanidade em sua juventude. Ou, menos romanticamente, voc&ecirc; quer estudar as constru&ccedil;&otilde;es de um ling&uuml;ista talentoso e o processo criativo de um g&ecirc;nio engajado em seu trabalho de amor. E, muito simplesmente, apreciar os idiomas &eacute;lficos como se aprecia m&uacute;sica, como elaborar e (de acordo com o gosto de muitos) realizar experimentos gloriosamente bem sucedidos em eufonia. Qualquer que seja o motivo do estudante, o estudo &eacute; sem d&uacute;vida instrutivo: para descrever os idiomas de Tolkien propriamente, deve-se estar familiarizado com muito terminologia ling&uuml;&iacute;stica. (O presente escritor dificilmente estaria intimamente familiarizado com termos e conceitos como alativo, ablativo, locativo, svarabhakti, assimila&ccedil;&atilde;o, leni&ccedil;&atilde;o e muitos outros se eu n&atilde;o precisasse deles em meu estudo do &eacute;lfico. Uma vez eu impressionei uma das minhas conferencistas com meu conhecimento dos padr&otilde;es de leni&ccedil;&atilde;o do gal&ecirc;s. Como ele poderia saber que meus exemplos eram na verdade baseados no sindarin?) Tamb&eacute;m foi sugerido que muito das vis&otilde;es de Tolkien como um ling&uuml;ista est&atilde;o enterradas em seus idiomas, esperando para serem descobertas. A Modern Language Association International Bibliography (Associa&ccedil;&atilde;o da Bibliografia Internacional dos Idiomas Modernos) avaliou que o estudo do &eacute;lfico era suficientemente s&eacute;rio para que eles registrassem o Vinyar Tengwar, o jornal da Elvish Linguistic Fellowship, em seu &iacute;ndice.</p>
<p> Al&eacute;m do mais, pode ser demonstrado facilmente que a nomenclatura de O Senhor dos An&eacute;is tem inspirado outros escritores de fantasia &#8211; neste g&ecirc;nero, nomes freq&uuml;entemente possuem um estilo claramente celta ou gal&ecirc;s. Podemos at&eacute; encontrar empr&eacute;stimos diretos de morfemas. Lendo exemplos como Eriador, Gondor, Mordor etc. alguns evidentemente entenderam que o elemento -dor significa &quot;terra&quot;, e em romances de fantasia, voc&ecirc; com freq&uuml;&ecirc;ncia encontra um bom n&uacute;mero de pa&iacute;ses tendo nomes em -dor. Cf. por exemplo a terra dourada de Elidor, de Alan Gardner. Existe uma revista em quadrinhos norueguesa, Ridderne av Dor ou &quot;Os Cavaleiros de Dor&quot;, que satiriza este fen&ocirc;meno: os pa&iacute;ses possuem nomes como Kondor, Matador e Glassdor! Par&oacute;dias de fato apareceram enquanto Tolkien ainda era vivo; apenas considere esta, ah&atilde;, vers&atilde;o de A Elbereth Gilthoniel do Bored of the Rings. Estudiosos proeminentes, incluindo Arden R. Smith e Anthony Appleyard, analisaram este texto com mais seriedade do que ele merece.</p>
<p> Tentativas mais s&eacute;rias de escrever textos em &eacute;lfico &#8211; a maioria em verso &#8211; tamb&eacute;m t&ecirc;m sido publicadas com o passar dos anos. Atualmente certamente seria poss&iacute;vel reunir uma pequena antologia de tais composi&ccedil;&otilde;es. Assim, existe hoje um pequeno corpo de literatura &eacute;lfica. &Eacute; claro, n&atilde;o h&aacute; modo de saber o que Tolkien teria pensado de tais textos recentemente escritos. Eu dificilmente teria d&uacute;vidas de que, se ele voltasse dos mortos, logo estaria ocupado com uma canta vermelha.</p>
<p> Mas como os pap&eacute;is de Tolkien est&atilde;o sendo publicados e nosso conhecimento de quenya e sindarin se torna cada vez mais completo &#8211; as lacunas ainda s&atilde;o enormes &#8211; pode vir a ser poss&iacute;vel escrever textos longos em &eacute;lfico. Em seu jornal Tyali&euml; Tyelelli&eacute;va, Lisa Star ousadamente declarou que &quot;o objetivo final &eacute; o renascimento dos idiomas &eacute;lficos para fala, escrita e arte&quot;. Realista ou n&atilde;o, Tolkien o merece: uma vida inteira de trabalho est&aacute; abandonada na longa estrada desde o nevbosh at&eacute; o quenya e sindarin. Este seria o monumento final aos esfor&ccedil;os de Tolkien se seus amados idiomas pudessem ser trazidos &agrave; vida &#8211; e este realmente seria o &uacute;nico monumento apropriado a um homem que teve de inventar um mundo inteiro apenas para ter um lugar onde pessoas pudessem se cumprimentar com as palavras elen s&iacute;la l&uacute;menn&#8217; omentielvo.<span></span></p>
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		<title>Introdução</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2006 00:16:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[Listar artigos da Introdu&#231;&#227;o]]></description>
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		<title>Helge Kåre Fauskanger</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Feb 2006 23:29:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexo: M (garotas s&#227;o chamadas Helga)&#160; Pron&#250;ncia do meu pobre nome (com letras engra&#231;adas e tudo): pronuncie &#34;relgue k&#225;re fevskanguer&#34; como seria natural resultar, de acordo com a grafia portuguesa, em uma aproxima&#231;&#227;o aceit&#225;vel (e por favor, mantenham a &#234;nfase &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/helge-kare-fauskanger/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify"><em>Sexo:</em> M (garotas s&atilde;o chamadas Helga)&nbsp;
<p><em>Pron&uacute;ncia do meu pobre nome (com letras engra&ccedil;adas  e tudo):</em>        pronuncie &quot;relgue k&aacute;re fevskanguer&quot; como seria  natural resultar, de acordo        com a grafia portuguesa, em uma aproxima&ccedil;&atilde;o  aceit&aacute;vel (e por favor,        mantenham a &ecirc;nfase na primeira  s&iacute;laba nos tr&ecirc;s nomes).&nbsp;        </p>
<p><em>E-mail:</em> <a href="mailto:helge.fauskanger@nor.uib.no">helge.fauskanger@nor.uib.no</a>.         Atualmente devo desencorajar e-mails casuais, que         provavelmente permanecer&atilde;o sem resposta uma vez que houve uma  crise m&eacute;dica        na minha fam&iacute;lia: meu pai sofreu um derrame  e ainda n&atilde;o se recuperou        totalmente. Devo desencorajar particularmente  pessoas que desejem que eu        comente suas composi&ccedil;&otilde;es &eacute;lficas; ao inv&eacute;s disso, mande seu poema para a        lista Elfling, por favor (veja meus links). Muitas das perguntas que as        pessoas freq&uuml;entemente me fazem est&atilde;o respondidas no <a href="http://gildor.freepage.gr/faq.html">FAQ</a> geral Gildor Inglorion,         que por sua vez &eacute; um suplemento do <a href="http://nellardo.com/lang/elf/faq.html">Elfling FAQ</a>. Por favor,         tente encontrar uma resposta para sua pergunta nestes documentos antes  de        faz&ecirc;-la a mim. &ndash; Se voc&ecirc; quer me escrever, por favor  tenha a certeza de        primeiro desativar o Rich Text Editor se voc&ecirc;  estiver usando Hotmail; de        outro modo, meu velho programa poder&aacute;  interpretar apenas a linha com o        assunto de sua carta.&nbsp;         </p>
<p><em>Correio usual: </em>Helge K. Fauskanger,  Lille        Fauskanger, 5314 Kjerrgarden, Noruega. Por  favor note que        &quot;Lille Fauskanger&quot; &eacute; um lugar, e n&atilde;o uma pessoa! Tenho recebido cartas com        meu nome seguido de &quot;A/C Lille Fauskanger&quot;, mostrando que algumas pessoas        aparentemente acham que &quot;Lille&quot; &eacute; minha m&atilde;e ou algo assim, e que quaisquer        cartas para mim devam ser entregues a ela! Na verdade, &quot;lille&quot; &eacute; o        adjetivo &quot;pequeno&quot;. Meu ancestrais estabeleceram-se no distrito de        Fauskanger em 1749, e naturalmente pegaram seu nome de fam&iacute;lia de seu        lugar de moradia. Fauskanger &eacute; subdividido (por algumas colinas) em              Store e Lille Fauskanger, Grande e Pequena Fauskanger. O &uacute;ltimo        nome forma parte do meu endere&ccedil;o, uma vez que por acaso&nbsp; &eacute; onde eu        vivo. Espero que isto enterre o mito da misteriosa Sra. Lille Fauskanger        que supostamente cuida da minha correspond&ecirc;ncia!        </p>
<p><em>(OBS: toda a correspond&ecirc;ncia para Helge  DEVE estar        em ingl&ecirc;s&#8230; ele tem recebido alguns e-mails em italiano  e espanhol, e n&atilde;o        tem como respond&ecirc;-los se n&atilde;o  estiverem em ingl&ecirc;s ou em algum dos idiomas        escandinavos.)</em>         </p>
<p><em>Nascimento:</em> 17 de agosto de    1971</p>
<p><em>Escolariedade: </em>Cand. fil&oacute;logo. (correspondendo, aproximadamente,  a um  mestrado) em idiomas n&oacute;rdicos. Escrevi um tratado sobre tradu&ccedil;&otilde;es  norueguesas da  B&iacute;blia, com compara&ccedil;&otilde;es detalhadas de  tr&ecirc;s vers&otilde;es modernas.  </p>
<p><em>Opini&atilde;o pol&iacute;tica:</em> provavelmente libert&aacute;rio;  faz algum tempo desde que  eu chequei o que eu quero dizer com isto. Nem me incomodei em votar na &uacute;ltima  vez. (Atualizado em 1997: este ano meu &quot;voto&quot; consistiu de uma nota com  as palavras &quot;N&atilde;o, acho que n&atilde;o.)  </p>
<p><em>Interesses gerais: </em>explora&ccedil;&atilde;o espacial; religi&otilde;es  e supersti&ccedil;&otilde;es  populares como fen&ocirc;meno cultural (admiro  o trabalho de <a href="http://www.randi.org/jr/">James Randi</a>); certos  aspectos de biologia  (evolu&ccedil;&atilde;o); arqueologia; ling&uuml;&iacute;stica.  Tamb&eacute;m aprendi um pouco de hebraico, em  parte para ganhar uma perspectiva  ling&uuml;&iacute;stica mais ampla, mas tamb&eacute;m para minha  pr&oacute;pria  satisfa&ccedil;&atilde;o. Na inf&acirc;ncia eu era fascinado por inscri&ccedil;&otilde;es  antigas e  escritas estranhas, de modo que fui presa f&aacute;cil para a ling&uuml;&iacute;stica tolkieniana &#8211;  ainda mais quando tenho vontade passar muito tempo e gastar energia explorando  um universo ficcional, se ele &eacute; cuidadosamente constru&iacute;do, com um olho para  detalhes. E o mundo de Tolkien definitivamente &eacute; assim.  </p>
</div>
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		<title>Gabriel Oliva Brum</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2004 20:11:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[E-mail Escolaridade: Bacharel em Letras, tradução de inglês, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Interesses gerais: -Literatura russa, inglesa, escandinava, japonesa e norte-americana, particularmente a especulativa, com autores como Tolkien, Lovecraft, Herbert, Asimov, James, Le Fanu, Dunsany; &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/gabriel-oliva-brum/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em><a href="mailto:gobrum@gmail.com">E-mail</a></em><em> </em></div>
<div></div>
<div><em>Escolaridade</em>:</div>
<div></div>
<div>Bacharel em Letras, tradução   de  inglês, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</div>
<div>
<p><em>Interesses gerais</em>:</p>
<p>-Literatura russa, inglesa, escandinava, japonesa  e norte-americana, particularmente a especulativa, com autores como Tolkien, Lovecraft, Herbert, Asimov, James, Le Fanu, Dunsany;</p>
<p>- Mangás (Lobo Solitário, Vagabond, Akira) e animês  (Cowboy Bebop, Akira, Yamato,  Ghost in the Shell, Legend of the Galactic Heroes, qualquer um do  Ghibli);</p>
<p>- Música &#8211; rock em seus mais variados estilos (hard rock  e heavy  metal, principalmente: Queen, Jethro Tull, Iron Maiden, Grave Digger, Blind Guardian) e clássica (Wagner e Beethoven);</p>
<p>- Línguística  histórica e filologia;</p>
<p>- Idiomas (inglês, finlandês, galês, sueco, islandês antigo e moderno, dinamarquês, norueguês, holandês,  japonês, anglo-saxão, grego, latim, sânscrito, quenya,  sindarin, adûnaico&#8230; <img src='http://www.ardalambion.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  ).</p>
<p><em>Pequeno histórico tolkieniano</em>: Coloquei as mãos em   uma edição do SdA  pela primeira vez em 1994 e a paixão   foi imediata. Desde então, venho estudando  a obra em seus mais variados   aspectos. Aprendi inglês lendo textos originais de  Tolkien, o que  faço com prazer até hoje. No segundo semestre de 2000 conheci  o  site Calaquendi e entrei para a lista de discussão do mesmo e também  para a  lista do Na Toca do Hobbit. Passei a traduzir textos (principalmente  da HoME)  para as listas por simples diversão e posteriormente os textos passaram a ser  publicados diretamente na Calaquendi. Quando da fusão   da Calaquendi com o site  Pelennor em 2001, que resultou no atual Valinor,   continuei traduzindo mais  textos da HoMe e, no início de 2002, entrei   definitivamente para a equipe da  Valinor, com o nick de &#8220;Tilion&#8221; (o mesmo   que continuo usando no Fórum Valinor e  na Brasnet). Além dos  textos da HoME, passei a me interessar mais pelos textos  de Michael Martinez  e traduzi alguns deles.<br />
Tomei conhecimento do site  Ardalambion ainda em 2000, mas só passei   a traduzir algo no início de 2002,  ainda por pura diversão,   claro. Trata-se do Curso de Quenya do próprio Helge. A  princípio,   por achar que não iria muito longe com a tradução, mantive  ele apenas  para mim. Mas meu interesse nos idiomas élficos ia crescendo  rapidamente, e por  fim resolvi dividir isso com o público da Valinor. Hoje o Curso de Quenya está inclusive publicado em livro.</p>
<p><em>Da tradução do site</em>: apesar de já haver algumas   versões dos artigos de  Helge em português, muita coisa ainda   estava sendo negligenciada. Para corrigir  esta situação, e  para tornar acessível ao público desejoso de tomar conhecimento    dos excelentes artigos linguísticos do site, mas que não o  fizeram antes por não  dominarem a língua inglesa, me dispus   a traduzir todo o conteúdo aqui contido na  <strong>íntegra</strong>.   Este é um trabalho de esforço único e de caráter   respeitoso  quanto aos esforços de Helge em tornar mais acessíveis   os idiomas de Tolkien;  por isso, peço que nenhuma parte deste site   seja reproduzida em qualquer outro  lugar (especialmente na net) sem as autorizações  prévias de minha parte e de  Helge Fauskanger (a impressão do conteúdo aqui contido para uso pessoal é  permitida, desde que permaneça realmente pessoal).</p>
</div>
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		<item>
		<title>Bem-vindo ao Ardalambion &#8211; Das Línguas de Arda, o mundo inventado de J. R. R. Tolkien</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2004 11:54:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel Oliva Brum</dc:creator>
				<category><![CDATA[Introdução]]></category>

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		<description><![CDATA[O site mais abrangente sobre os idiomas inventados de Tolkien que você provavelmente encontrará na rede. NOTA: quando escrevo á, é, í, ó, ú, espero que você veja as vogais a, e, i, o, u com um acento na sua &#8230; <a href="http://www.ardalambion.com.br/bem-vindo-ao-ardalambion-das-linguas-de-arda-o-mundo-inventado-de-j-r-r-tolkien/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O site mais abrangente sobre os idiomas inventados  de Tolkien que  você    provavelmente encontrará na rede. NOTA:  quando escrevo  <span style="color: #ff8800">á</span>, <span style="color: #ff8800">é</span>,   <span style="color: #ff8800">í</span>,  <span style="color: #ff8800">ó</span>,   <span style="color: #ff8800">ú</span>,  espero que você veja as vogais   a, e, i, o, u com um acento na sua  tela. Da mesma forma, espero que você     veja as mesmas vogais com  um circunflexo quando escrevo <span style="color: #ff8800">â</span>, <span style="color: #ff8800">ê</span>, <span style="color: #ff8800">î</span>, <span style="color: #ff8800">ô</span>, <span style="color: #ff8800">û</span> (ex:  em Barad-dûr). Quando escrevo <span style="color: #ff8800">ä</span>, <span style="color: #ff8800">ë</span>, <span style="color: #ff8800">ö</span>, espero que você veja a, e, o com um trema: Manwë, Eärendil, Eönwë. Se, ao invés disso, aparecerem outros caracteres estranhos, você pelo menos saberá     o que deveria ser lido ali!</p>
<h2><em><span><em><span style="color: #ff0000">Este web site é      dedicado a Christopher Tolkien</span></em></span></em></h2>
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